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2 DOS EFEITOS TEMPORAIS DA DECISÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE

3 DA PREVISÃO LEGAL DE MODELAÇÃO DA EFICÁCIA TEMPORAL DA DECISÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE – ARTIGO 27 DA LEI Nº 9.868/

3.6 Da necessidade de controle social

3.6.1 MECANISMOS DE PARTICIPAÇÃO SOCIAL TRAZIDOS PELO CPC/

O Código de Processo Civil de 2015 (Lei nº 13.105/2015) consagra o princípio da cooperação ou da colaboração processual, que contempla o princípio do

132 Calha aqui transcrever a reflexão trazida por Frank I. Michelman (1999, p. 1620): “No doubt the

prevailing constitutional-democratic ideal does accept a large amount of rule pro tanto by legislative, administrative, and judicial officers, operating within schemes of representative government. What the ideal tests, in the end, are the constitutive or fundamental laws of a country-the laws, that is, that fix the country's constitutional essentials. There is, however, an ambiguity in the ideal. Does it refer to authorship of a country's fundamental laws by its inhabitants collectively, as one agent (‘the people’), or by them severally as contributing individuals?”

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Entendemos ser desejável e necessária a participação popular em todo o processo de tomada de decisão do Estado, e isso inclui não apenas as decisões do Poder Judiciário, como, em especial, as decisões tomadas pelo Poder Legislativo, porque é especialmente por meio de leis – com destaque para as leis orçamentárias – que é definida a política de atuação estatal, que deve refletir aqueles valores mais importantes para a sociedade. O Poder Legislativo, concebido para representar a vontade do povo, vem, cada vez mais, distanciando-se de sua função justificadora. Ana Paula de Barcellos, em sua obra “Direitos fundamentais à justificativa: devido processo na elaboração normativa” (2016) aborda a questão da valorização do devido processo legislativo como forma de resgatar a necessidade do reconhecimento da importância de um processo legislativo hígido na proteção dos direitos fundamentais. A existência de um mecanismo de controle dos atos do legislativo, como é o controle de constitucionalidade, não autoriza, entretanto, que o Legislativo, conscientemente, atue fora da moldura da competência constitucional que lhe foi atribuída – essa tomada de consciência, por todos os atores do processo político pátrio é que é necessária.

contraditório em sua forma mais ampla. Segundo este princípio, o processo é o produto da atividade cooperativa triangular entre as partes e o magistrado. O processo, na concepção processual moderna, é um instrumento de efetivação do direito material tutelado – e, assim, de persecução do interesse público.

A própria noção da garantia fundamental ao contraditório passou por uma releitura, tendo ampliado notadamente o grau de participação democrática no processo. A aplicação do ordenamento jurídico pelo magistrado deve pautar-se no atendimento dos fins sociais e exigências do bem comum – é o que prevê o artigo 8º do Código de Processo Civil. E isso pressupõe a participação dos próprios jurisdicionados no processo decisório.

Com relação à mudança de paradigma sofrida pelo direito processual com relação à abrangência do direito ao contraditório, Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero explicam (2015, p. 445):

Bastava ao órgão jurisdicional, para ter considerada como motivada sua decisão, demonstrar quais as razões que fundavam o dispositivo. Bastava a não contradição entre as proposições constantes da sentença. Partia-se de um critério intrínseco para aferição da completude do dever de motivação. Ocorre que entendimento dessa ordem encontra-se em total descompasso com a nova visão a respeito do direito ao contraditório. Se contraditório significa direito de influir (arts. 7º, 9º e 10), é pouco mais do que evidente que tem de ter como contrapartida dever de debate – dever de consulta, de diálogo, de consideração. Como é de facílima intuição, não é possível aferir se a influência foi efetiva se não há dever judicial de rebate aos fundamentos levantados pelas partes. Daí a razão pela qual não basta o critério da não contradição: além de não ser contraditória, a fundamentação tem a sua completude pautada também por um critério extrínseco – a consideração pelos argumentos desenvolvidos pelas partes em suas manifestações processuais.

Assim, nota-se que o princípio do contraditório, em razão de seus mais robustos contornos exige, para sua concretização, que todos aqueles afetados pelo processo tenham não somente o direito de se manifestar, mas o direito de serem efetivamente ouvidos. Abrange, ainda, o direito de pode influir ativamente na formação do juízo de convencimento da autoridade responsável pela decisão134.

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Independente do nome que se pretenda dar a esta nova fase processual, fato é que houve uma transformação no paradigma do Direito Processual Brasileiro. Nesse sentido, cumpre transcrever as palavras de Fredie Didier (2010, p. 263): “Parece mais adequado, porém, considerar a fase atual como uma quarta fase da evolução do direito processual. Não obstante mantidas as conquistas do processualismo e do instrumentalismo, a ciência teve de avançar, e avançou. Fala-se, então, de um

Por certo, na complexa sociedade atual, o procedimento é um importante indicador da legitimidade da solução encontrada. E, como meio de instrumentalização da democracia, é importante que façam parte da tomada de decisão os mais diversos setores da sociedade.

Não é por outro motivo que o Código de Processo Civil listou, dentre as intervenções de terceiro, a figura do amicus curiae135, estendendo à jurisdição comum a figura até então reservada aos processos de fiscalização abstrata de constitucionalidade. O amigo da Corte intervém no processo, não para, direta e imediatamente, tutelar um direito ou resistir a uma pretensão, mas, sim, para auxiliar os aplicadores do Direito na construção de uma decisão mais consentânea com o contexto fático em que esta se insere.

A Ministra Cármen Lúcia, tecendo analogia a partir da crônica de Fernando Sabino, intitulada “Deixa o Alfredo falar”, observa, acertadamente, que o Poder Judiciário, na solução das demandas, tem de dar voz ao cidadão e à sociedade: “O cidadão quer ser ouvido pelo Judiciário” 136. Cláudio Penedo Madureira, completa: “Deixe o

Neoprocessualismo o estudo e a aplicação do Direito Processual de acordo com esse novo modelo de repertório teórico. Já há significativa bibliografia nacional que adota essa linha. (...) Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil), sob a liderança de Carlos Alberto Alvaro de Oliveira, costuma-se denominar esta fase do desenvolvimento do direito processual de formalismo- valorativo , exatamente para destacar a importância que se deve dar aos valores constitucionalmente protegidos na pauta de direitos fundamentais na construção e aplicação do formalismo processual. As premissas deste pensamento são exatamente as mesmas do chamado Neoprocessualismo, que, aliás, já foi considerado um formalismo ético, na feliz expressão de Rodriguez Uribes. Embora seja correto afirmar que se trate de uma construção teórica que nasce no contexto histórico do Neoconstitucionalismo, o formalismo-valorativo pauta-se, também, no reforço dos aspectos éticos do processo, com especial destaque para a afirmação do princípio da cooperação (examinado no capítulo sobre os princípios do processo), que é decorrência dos princípios do devido processo legal e da boa-fé processual. Agrega-se, aqui, o aspecto da moralidade, tão caro a boa parte dos pensadores ‘neoconstitucionalistas’”.

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Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação.

§ 1o A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese do § 2o Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae.

§ 3o O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas.

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Entrevista concedida ao programa televisivo “Roda Viva” (TV Cultura) no dia 17/10/2016 (fonte verbal).

Alfredo falar e considere o que ele disse quando for proferir a sentença!” (fonte verbal). Nesse sentido, Alexandre Freitas Câmara (2015, p. 275) recorda que “um dos elementos formadores do contraditório é o direito de ver argumentos considerados (que a doutrina alemã chama de Recht auf Berücksichtigung)”. Por isso mesmo, é salutar o dever de fundamentação das decisões judiciais seja também entendido como um direito, por parte do jurisdicionado, de que os provimentos sejam substancialmente fundamentados, concretizando o direito ao contraditório efetivo.

A necessidade de participação social faz-se ainda mais presente no âmbito da jurisdição constitucional, pedra de toque entre o Poder Legislativo e o Poder Judiciário. A transparência e a definição de limites nessa delicada interseção é uma garantia de efetivação do Estado Democrático de Direito.

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