3.1 – A Gestão de Design nas Empresas
Fase 4 : Engenharia do produto
5.1.3. Medição do Processo
Apesar desta fase fazer parte das normas de qualquer metodologia muitas vezes é esquecida, por isso relembramos a importância de medir os processos de design realizados pela empresa, verificando o esforço realizado e os benefícios obtidos a curto e médio prazo, para que seja possível fazer os melhoramentos necessários. Sendo indispensável medir todas as fases da metodologia projectual, simultaneamente eleger um produto já fabricado anteriormente e comparar com o produto da mesma gama, onde tenha sido incorporado o processo de design. Os gráficos seguintes apresentam alguns dos itens a considerar:
Qualitativos Produto anterior
Produto com integração do Design
Sim Não Sim Não Mais/Menos Novas oportunidades de negócio
Orientação da empresa para novos e potenciais clientes
Capacidade de formular estratégias competitivas relativamente aos produtos similares da concorrência
Projecto adequado às estratégias da empresa
Facilidade no processo de fabrico
Melhoramentos funcionais dos produtos Melhoramentos estéticos dos produtos Marca do produto apelativa
Figura 6 – Parâmetros Qualitativos de Medição do Processo de Design, adaptado do Guia
Quantitativos Produto anterior Produto com processo de Design Sim Não Sim Não Mais/Menos Percentagem de cota de mercado*
Percentagem de vendas de exportação do produto*
Facturação total por produto*
Tempo de saída do mercado dos produtos
Margem comercial
Retorno face aos investimento do design
Custo de fabricação do produto** Redução de materiais (custo, peso.) Defeitos por, unidade ou por determinado numero de unidades*
Transformações necessárias em engenharia e nos processos para a fabricação
Número de interacções design/construção/provas necessárias
% de peças reutilizáveis no produto Número de componentes
Tempo médio de reparação*
Figura 7 – Parametros Quantitativos de Medição do Processo de Design, adaptado do Guia
Metodológica Deseno Industrial Predica (2006). www.prondintec.com/predica/guiametodológica
* - Deverá medir-se num período de 12 meses depois do lançamento do produto ** - Inclui a aquisição das máquinas, utilizações, etc.
6. Conclusão
Devido às constantes movimentações do século XXI designado por muitos autores como a era da informação e conhecimento, em que valores como a sustentabilidade, educação e ética são essenciais em termos organizacionais, o design como processo individual na criação produtos/serviços há muito que deixou de fazer sentido. Actualmente como foi possível verificar o design deve ser percebido e pensado como uma actividade de carácter multidisciplinar, evolutiva e de negociação constante, permitindo o desenvolvimento de estratégias de segmentação/diferenciação e para que tal aconteça é necessário:
▫ Aproximar a gestão e o design, os designers adquirirem conhecimentos de gestão e os gestores conhecimentos de design, permitindo a sua integração correcta no tecido empresarial, com apoio dos respectivos planos estratégicos que devem ser elaborados conforme as necessidades, recursos e objectivos de cada empresa. Possibilitando que a empresa tenha uma imagem uniforme entre o produto/serviço e a imagem coordenada, para que a qualidade real da empresa seja também a “qualidade percebida” pelo consumidor;
▫ Apostar na inovação interna ou através de cooperações com centros tecnológicos, universidades, entre outros, para que o tecido empresarial se torne verdadeiramente competitivo;
▫ Informar (informar e prestar formação), procedendo a mudanças estruturais ao nível do ensino superior (introdução da disciplina de design nos cursos de gestão e vice-versa) (58). Assim como envolver e sensibilizar sobre as reais potencialidades do design por parte do poder politico, através da implementação de agências de design e inovação distribuídas pelos principais distritos do país, para trabalhar para e com as empresas. Representadas por um conselho directivo com elementos governamentais, empresariais de referencia nacional, contribuindo para credibilizar o design nacional.
O grau de incerteza é um factor presente no processo de desenvolvimento de produtos, mas um conhecimento das etapas a seguir é meio caminho andado para o sucesso, daí a necessidade da gestão de design, assim como a integração de equipas multidisciplinares com diferentes áreas de conhecimento, visto que cada visão parcial (engenheiro, designer, gestor) carrega uma linguagem e valores próprios que enriquecem na construção do sistema e da imagem empresarial.
(58) Numa análise realizada na Internet, às novas estruturas dos cursos Design adaptados ao processo de Bolonha, verificou-se a introdução da disciplina de Gestão de Design no terceiro ano, num semestre e em muitas das universidades em carácter opcional. É um começo, mas julgo não ser suficiente, o trabalho deve ser continuado e praticado, através do desenvolvimento de trabalhos em parceria com profissionais e/ou estudantes de outras áreas em gestão confrontando-se com casos reais e em conjunto encontrarem as melhores soluções integrando o Design e a Gestão, daí também a necessidade dos cursos de gestão introduzirem a Gestão do design nas suas estruturas curriculares.
C A P I T U L O I I I
1. Sector do Calçado – Uma Visão Global
De acordo com a associação do sector, a APICCAPS(59), a Ásia e a Europa são os principais produtores mundiais de calçado, com 85%. Segundo a mesma fonte, de Janeiro a Junho de 2003, as exportações europeias caíram cerca de 11% em quantidade e 12% em valor, em relação aos diversos mercados como os EUA, a Suiça, a Rússia, a Polónia e o Canadá. No entanto, no mesmo período as importações aumentaram 14% em quantidade diminuindo 0,1% em valor. Revelando que a Europa continua a comprar uma quantidade superior de calçado aos países extra-comunitários, mas a um preço cada vez mais baixo, o que poderá agravar ainda mais o cenário europeu.
Até ao final do primeiro semestre de 2003 as importações chinesas rondavam os duzentos e sessenta e sete milhões de pares (crescimento de 29,3%), com um preço médio de quatro euros, contrastando com o preço médio das exportações portuguesas, que segundo APICCAPS rondam os vinte e dois euros. Além da China, outros países, estão a ganhar quota de mercado na Europa, como por exemplo o Vietname, a Roménia e a Índia, apesar das importações provenientes da Indonésia e da Tailândia estarem a diminuir. A necessidade de racionalizar os custos para manter a competitividade, face aos Países em vias de desenvolvimentos tem levado, as grandes empresas de alguns Estados- membros a transferir as suas instalações de produção, para países que beneficiam de mão-de-obra mais barata. Como o Sudeste Asiático, China e também a Europa de Leste, ou Norte de África, devido à inexistência de
(56) APPICAPS - Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos. Posteriormente encontra-se um ponto dedicado apresentação da associação.
legislação relativamente à mão-de-obra. Também é verdade, que certas empresas de calçado ciosas da sua qualidade e da própria imagem, recusam deslocalizar a sua produção para regiões com fracos custos, além disso, o desenvolvimento tecnológico actual permite reduzir os custos de mão-de-obra. A
Nike recentemente trocou as instalações chinesas, onde detinha uma fábrica
com 10 000 trabalhadores por uma unidade fabril em Itália, com sofisticação tecnológica e apenas 30 trabalhadores.
Face à situação anteriormente exposta, os países da União Europeia (UE) têm- se ressentido com saldo negativo das exportações, só em Itália tem resistido graças à diferenciação pelo design e qualidade. Com uma indústria estruturada por grupos multinacionais que coexistem com as PME´s e a quem subcontratam a produção, recorrendo a estratégias direccionadas para a inovação do produto e na capacidade de resposta à procura (circuito curto entre a produção e o mercado). Integrando tecnologias de informação em todo o processo produtivo, controlando os canais de distribuição, ou seja, explorando as economias de escala na distribuição e marketing.
Como se pode verificar a integração do design nas empresas é fundamental, assim como a interface de sinergias através da cooperação das grandes empresas com as PME´s. Uma estratégia a ser adoptada pelas empresas nacionais, mas para que tal aconteça, deve-se ultrapassar a actual renitência de partilha de informação e conhecimento.