As medidas protetivas estão disciplinadas no capítulo II da lei, sendo que as medidas que obrigam o agressor estão dispostas no artigo 22, note-se:
Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras:
I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003;
II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor;
b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação;
c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida;
IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar;
V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios.
§ 1o As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras
previstas na legislação em vigor, sempre que a segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem, devendo a providência ser comunicada ao Ministério Público.
§ 2o Na hipótese de aplicação do inciso I, encontrando-se o agressor nas
condições mencionadas no caput e incisos do art. 6o da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003, o juiz comunicará ao respectivo órgão, corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a restrição do porte de armas, ficando o superior imediato do agressor responsável pelo cumprimento da determinação judicial, sob pena de incorrer nos crimes de prevaricação ou de desobediência, conforme o caso.
§ 3o Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência, poderá
o juiz requisitar, a qualquer momento, auxílio da força policial.
§ 4o Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo, no que couber, o
disposto no caput e nos §§ 5o e 6º do art. 461 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (BRASIL, 2016 p. única).
Tais medidas podem ser provocadas pela ofendida ou pelo Ministério Público. Ainda, poderão ser aplicadas conjunta ou separadamente. Sendo elas: a)
suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003; b) afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; c) proibição de aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; d) proibição de contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; e) proibição de frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida; f) restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; g) prestação de alimentos provisionais ou provisórios.
Como já dito, tais medidas podem ser aplicadas conjuntamente entre si, também a maioria doutrinária entende que as medidas que obrigam o agressor podem ser cumuladas às medidas que visam à proteção da vítima. Nessa vertente é o entendimento de DIAS: “as medidas protetivas que obrigam o agressor não impedem a aplicação de outras, sempre que a segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem.” (DIAS, 2007 p. 83).
Importante comentar cada uma das medidas previstas.
A suspensão da posse ou restrição do porte de armas visa à proteção da integridade física da vítima. DIAS entende que:
Já que se está falando em violência, sendo esta denunciada à polícia, a primeira providência é desarmar quem faz uso de arma de fogo. Trata-se de medida que se mostra francamente preocupada com a incolumidade física da mulher. Admite a Lei que o juiz suspenda a posse ou restrinja o porte de arma de fogo. Conforme o Estatuto de Desarmamento, tanto possuir como usar arma de fogo é proibido. (DIAS, 2007, p. 82).
Contudo, tal medida obviamente se destina ao agressor que possui arma registrada e autorização para posse ou porte. Para DIAS o desarmamento só poderá ocorrer havendo o pedido da vítima e a demonstração da necessidade da medida, que, uma vez deferido pelo juiz, este poderá revogar ou limitar a posse, comunicando a decisão ao Sistema Nacional de Armas (SINARM) e à Polícia Federal. (DIAS, 2007). Além disso, determinará a apreensão da referida arma. (BASTOS, 2013)
Ocorre que, tal medida se mostra inútil quando o agressor possui ou porta arma sem registro e sem autorização. Restando como solução possível a determinação pelo juízo de busca e apreensão de arma caso o autor possua ou porte arma de forma irregular.
Quando o agressor for funcionário público, que, em virtude de lei possui porte funcional, entende-se que é necessária regulamentação da presente norma, “visto que a suspensão do porte de arma também requer uma decisão administrativa da instituição a que pertence o servidor, no que concerne à sua situação funcional, já que a arma é seu instrumento de trabalho”. (BASTOS, 2013 p. 144)
Também o afastamento do lar, domicílio ou local de convivência visa à proteção física da vítima, mas também a psíquica.
O Código de Processo Civil de 1973, no artigo 888, VI dispunha que o juiz podia autorizar o afastamento de um dos cônjuges da morada do casal. O Código de Processo Civil de 2015 não trouxe tal previsão expressa, mais igualmente a autoriza por força do artigo 300, note-se:
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.
§ 1o Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso,
exigir caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la.
§ 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após
justificação prévia.
§ 3o A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida
quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. (BRASIL, 2016 p. única)
A Lei ainda prevê que o agressor pode restar proibido de praticar determinadas condutas, dentre elas: a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; e c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida.
A lei não prevê qual a distância máxima de aproximação do ofendido da vítima, devendo ser fixado pelo juiz no momento da fixação da proibição.
A proibição de contato por qualquer meio de comunicação se mostra extremamente importante nos dias atuais em que os meios de comunicação são rápidos e interativos. Uma abordagem do agressor por meio de uma rede social ou por aplicativos de conversa instantâneos podem trazer inúmeros transtornos à vítima.
Igualmente a proibição de frequentação de determinados lugares visa à proteção física e psíquica da ofendida, para que esta não se veja obrigada a evitar determinados locais por medo de encontrar seu agressor. Importante esclarecer que os locais eventualmente proibidos deverão ser apontados pela vítima, que deverá comprovar a necessidade de tal medida, não podendo essa medida ser um instrumento de caprichos da vítima. Leda Maria HERMANN afirma que:
Os locais visados devem ser apontados, quando da formulação do pedido, pela própria ofendida. Os lugares indicados devem representar, para a ofendida, espaços e ambientes que ela mesma freqüente e/ou que sejam importantes para sua rotina de trabalho, convivência e afetividade, ou locais fisicamente próximos a estes espaços. (HERMANN, 2008, p. 190).
O artigo 22, IV da Lei ainda prevê a restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimentos multidisciplinar ou serviço similar.
O artigo 15 da Lei n°6515/1977 que regula o divórcio, determina que “Os pais, em cuja guarda não estejam os filhos, poderão visitá-los e tê-los em sua companhia, segundo fixar o juiz, bem como fiscalizar a sua manutenção e educação.”
Tal lei traz linhas gerais acerca do direito de visitação dos pais e ainda determina, em seu artigo 13 que “se houver motivos graves, poderá o juiz, em qualquer caso, a bem dos filhos, regular por maneira diferente da estabelecida nos artigos anteriores a situação deles com os pais.”(BRASIL, 2016 p. única)
A lei Maria da Penha deixa claro que para o deferimento da medida de restrição ou suspensão de visitas deve ser ouvida equipe multidisciplinar ou serviço similar a fim de que se analise a verdadeira necessidade da medida. Ë preciso se analisar as consequências das visitas e da ausência de visitas na vida das crianças.
A lei determina também a prestação de alimentos provisionais ou provisórios por parte do agressor.
Importante esclarecer a diferença entre alimentos provisórios e provisionais. Aqueles são tratados pela Lei n°5478/1968, que, nos termos do artigo 4°, serão fixados pelo juiz no despacho inicial da ação de alimentos. Conforme o artigo 2° da mesma lei, para ingressar com o pedido de alimentos provisórios é necessária a demonstração do parentesco ou da obrigação de alimentar do devedor.
Já os alimentos provisionais têm natureza jurídica de ação cautelar, que visa garantir a eficácia de uma ação principal na qual se pleiteiam alimentos definitivos. Para tanto, necessária a demonstração de fumus boni iuris e periculum in mora. Atualmente tal pedido encontra-se regulado pelo artigo 301 do Código de Processo Civil de 2015, que estipula que “A tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada mediante arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bem e qualquer outra medida idônea para asseguração do direito.”(BRASIL, 2016 p. única)
Para Tatiana Barreira BASTOS as medidas protetivas previstas nos inciso I a III, quais sejam, suspensão de armas, afastamento e proibição de condutas são medidas de natureza penal, sendo cautelares satisfativas, não necessitando de ação principal para surtirem efeito. O objetivo precípuo de tais medidas é cessar a situação de violência imediatamente, independente da propositura de uma ação principal específica para essa finalidade. (BASTOS, 2013)
Já as medidas previstas nos incisos IV e V, de restrição de visitas e de prestação de alimentos, são medidas de natureza eminentemente cível, tratando de direito de família, e, portanto necessitam do ajuizamento de uma ação principal, no prazo de 30 dias, sob pena de perda da eficácia. (BASTOS, 2013)