2. DIREITO AMBIENTAL DO TRABALHO
2.1 CONCEITO DE DIREITO AMBIENTAL
2.2.1 Meio Ambiente do Trabalho
Como já foi tratado anteriormente, existe um objeto comum que liga a necessária proteção do meio ambiente natural com os demais tipos de meio ambientes, notadamente o do trabalho. Portanto, pode-se dizer que o “meio ambiente” protegido pelo Direito Ambiental é gênero, sendo suas subdivisões espécies deste.
Sendo assim, o meio ambiente do trabalho seria um sub-ramo do Direito Ambiental, mas que busca estudar a qualidade desse tipo de interação espaço- indivíduo, tendo por fim não apenas um local sadio e longe de riscos, mas também a qualidade de vida e saúde das pessoas que ali emprestam sua força de trabalho.
E dada a divergência conceitual, é importante analisar o que os autores falam a respeito do conceito de tal tema, a fim de construir uma teoria sobre a sua melhor definição. A iniciar, Rodolfo de Camargo Mancuso assim conceitua esse tema:
O meio ambiente do trabalho vem a ser o ‘habitat laboral’, isto é, tudo que envolve e condiciona, direta e indiretamente, o local onde o
homem obtém os meios para prover o quanto necessário para sua sobrevivência e desenvolvimento, em equilíbrio com o
ecossistema. A contrario sensu, portanto, quando aquele ‘habitat’ se revele inidôneo a assegurar as condições mínimas para uma razoável qualidade de vida do trabalhador, aí se terá uma lesão ao meio ambiente do trabalho.83 (grifou-se)
Aqui há uma singela crítica que merece ser tecida, pois limitar ao local em que o ser humano busca meios para prover sobrevivência e desenvolvimento, caso esteja ligado a uma relação econômica, afastaria da proteção, por exemplo, estagiários vinculados na forma voluntária ou outros indivíduos que estejam ali exercendo alguma atividade laborativa sem estar enquadrado nos requisitos do artigo 3º da CLT. No caso dos estagiários, é importante lembrar que o artigo 14º da Lei 11.788/08 (Lei do Estagiário) dispõe que a eles se aplica as normas de proteção de segurança e saúde do trabalho, sendo concedente do estágio responsável por sua observância84.
83 MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Ação civil pública trabalhista: análise de alguns pontos
controvertidos. In: Revista de Processo. São Paulo: RT. vol. 93, ano 24, p. 161, jan/mar.1999.
84BRASIL. Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe Sobre O Estágio de Estudantes; Altera A Redação do Art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho – Clt, Aprovada Pelo Decreto-lei no 5.452, de 1o de Maio de 1943, e A Lei no 9.394, de 20 de Dezembro de 1996; Revoga As Leis
O meio ambiente, repisa-se, é do trabalho e não apenas do empregado, pois sua defesa interessa a todos que ali emprestam a sua força produtiva, bem como outros atores que estão ligados a essa relação jurídica, direta ou indiretamente, em que pese, para essa dissertação, será limitada, em princípio, a verificação da questão dos empregados, pois em relação aos demais atores, a questão é mais de saúde pública e não da relação laboral, como já foi anunciado.
Para o italiano Franco Giampietro (tradução nossa), o meio ambiente laboral é um conjunto de bens imóveis e móveis de uma empresa e de uma sociedade, objeto de direitos subjetivos privados, e de direitos invioláveis à saúde e da integridade física dos trabalhadores que o habitam e podem ser prejudicados por atividades poluidoras oriundas de outra empresa ou de terceiros.
L’ambiente di lavoro come complesso di Beni immobili e mobili di pertinenza di un’imprensa o di uma società, eppertanto come oggeto di diritti soggettivi privati, nonché i diritti inviolabili della salute e dell’integrità física Del lavatori, Che lo fequentano, possono, peraltro, essere aggrediti e lesi da attività inquinante, proveniente da altra azienda o da insediamento civile di terzi.85
Aqui, o problema no conceito que se afigura latente é a limitação quanto ao espaço físico pois, modernamente, já não se tem mais a concepção de local de trabalho ligado diretamente a escritórios, fábricas, etc. Muitas atividades podem ser exercidas fora da empresa, na rua, em grandes avenidas dos centros urbanos e até mesmo telecentros ou, ainda, em casa ou durante o deslocamento de alguma viagem, aeroportos, hotéis.
Insiste-se em afirmar que o melhor conceito , por analisar de forma ampla e não excludente, foi tecida pelo Amauri Mascaro Nascimento (in memoriam), que afirmou que o meio ambiente do trabalho:
nos 6.494, de 7 de Dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de Março de 1994, O Parágrafo único do Art. 82 da Lei no 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, e O Art. 6o da Medida Provisória no 2.164-41, de 24 de Agosto de 2001; e Dá Outras Providências. Brasília, DF, 25 set. 2008. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm>. Acesso em: 10 jan. 2019.
85 GIAMPIETRO, Franco. La responsabilittá per Danno all’Ambiente. Milão: Giuffrè, 1988. apud SILVA,
é, exatamente, o complexo máquina-trabalho: as edificações do estabelecimento, equipamentos de proteção individual, iluminação, conforto térmico, instalações elétricas, condições de salubridade ou insalubridade, de periculosidade, ou não, meios de prevenção à fadiga, outras medida de proteção ao trabalhador, jornadas de trabalho e horas extras, intervalos, descansos, férias, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais que formam o conjunto de condições de trabalho etc. 86
E aqui cabe um relevante recorte de que quando se está falando de proteção ao meio ambiente, não se pode limitar apenas a adicionais de remuneração e questões monetizáveis, mas sim de proteger a saúde dos trabalhadores e a eles conferir segurança, por meio de
abordagens mais amplas e sistêmicas, que promovam a higidez labor- ambiental em todos os âmbitos e evitem a concreção de todo tipo de risco, seja ele, físico (e.g. ruído, vibração, temperaturas extremas, pressões anormais, radiações ionizantes e não-ionizantes, etc.), químico (e.g. poeiras, névoas, fumos, gases e vapores, etc.), biológico (e.g. bactérias, fungos, helmintos, protozoários e vírus, etc.), ergonômico (e.g. esforço físico, levantamento de peso, postura inadequada, etc.) ou psicossocial (e.g. assédio moral, imposição e controle excessivo de metas, etc.).87
Ele considera como meio ambiente do trabalho como sendo o espaço físico do núcleo da atividade produtiva, o que não se pode concordar, pois o autor deixa claro na descrição de tal conceito que dele incluem os equipamentos de proteção individual, outras medidas de proteção ao trabalhador, movimentação e manuseio de materiais que formam o conjunto de condições de trabalho, jornada, o que demonstra que o referido doutrinador não se esquecera das outras condições de trabalho fora dos estabelecimentos. Ora, tal “movimento” descrito por ele é feito, obviamente, de dentro e para fora e, como tal, deve ser protegido pelas medidas de proteção descritas.
86 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. A defesa processual do meio ambiente do trabalho. In: Revista
LTr. São Paulo: LTr. vol. 63, n. 05, p. 584, Mai-1999.
87 FELICIANO, Guilherme Guimarães; PASQUALETO, Olívia de Quintana Figueiredo. Amianto, meio
ambiente do trabalho e responsabilidade civil do empregador. Revista da Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, [s.l.], v. 112, p.163-186, 28 ago. 2018. Universidade de Sao Paulo Sistema Integrado de Bibliotecas - SIBiUSP. http://dx.doi.org/10.11606/issn.2318-8235.v112i0p163- 186. p. 165.
E a questão ambiental – notadamente a do trabalho – agora tem uma concepção gestáltica (ou seja, para compreender o meio ambiente, precisamos compreender o todo), como bem adverte Guilherme Guimarães Feliciano:
O meio ambiente não deve ser tomado como soma de elementos a isolar, analisar e dissecar, mas como sistema constituído por unidades autônomas, manifestando uma solidariedade interna e possuindo leis próprias, donde que o modo de ser de cada elemento depende da estrutura do conjunto e das leis que o regem, não podendo nenhum dos elementos preexistir sem o conjunto88.
E como já visto, o meio ambiente e suas interfaces, dentre eles o do trabalho, a cada dia sofre novas modificações, principalmente em razão da evolução tecnológica e é necessário estudar todas elas, pois geram impactos desconhecidos que podem afetar a vida das pessoas, criando desequilíbrios que poderão gerar novas doenças. Como observado anteriormente, na antiguidade, eram os próprios trabalhadores que se preocupavam com qualidade desse local.
2.2.2.1 Proteção Jurídica do Meio Ambiente do Trabalho
Como já estudado também, o sistema capitalista criou uma lógica irresponsável de produção a qualquer custo, que foi o primeiro passo, contudo, para o proletariado reivindicar direitos e forçar o Estado a agir, fazendo surgir as primeiras leis de proteção da saúde dos trabalhadores limitando o trabalho infantil, das mulheres e o noturno.
Na Inglaterra, em 1802, o Ato da Saúde e da Moral dos Aprendizes conferiu proteção aos aprendizes que laboravam a noite nas fábricas de algodão, em 1831 foi proibido também trabalho noturno aos empregados menores de 21 anos e foi escrito “Ato Fabril”, que vedou o trabalho de crianças com menos de nove anos89. Sebastião
Geraldo de Oliveira descreve esse marco da seguinte forma:
88 FELICIANO, Guilherme Guimarães. Tópicos Avançados de direito material do trabalho:
Atualidades forenses. São Paulo: Damásio de Jesus, 2006. v. 1. p. 113-114.
89 ROCHA, Julio Cesar de Sá da. Direito ambiental do trabalho e meio ambiente do trabalho: dano,
A nova postura dos trabalhadores era fortalecida pela situação crescente dos acidentes, mortes e doenças profissionais provocados pelo processo acelerado de industrialização. Somente a indústria produz no mundo, anualmente, 50 milhões de acidentes, sendo que, destes, 100 mil são mortais e um milhão e quinhentos mil trabalhadores ficam inválidos para o resto da vida, segundo levantamento da OIT no início da década de 8090.
No caso do Brasil, a primeira matéria ambiental, em sentido amplo, tratava da exploração vegetal, uso de terras e água dos rios e sobre caça. Mas a matéria ambiental ganhou destaque na Lei nº 6.938/81, que criou a Política Nacional do Meio Ambiente e, após, em 1985 com a Lei nº 7.347, que previa a possibilidade de os legitimados da Ação Civil Pública poder acionar o judiciário em caso de lesão ou ameaça ao meio ambiente, dando o primeiro caráter difuso ao tema. Todavia, em alguns momentos, o Brasil agiu contrário ao meio ambiente, como se pode citar, por exemplo, a I Conferência Mundial sobre Meio ambiente de 1972 em Estocolmo, na Suécia, que lamentavelmente o Brasil deu parecer favorável ao crescimento econômico ambientalmente irresponsável.
Finalmente, na Constituição Federal de 1988 foi prevista de forma expressa a tutela ao meio ambiente saudável, inclusive o do trabalho e foi editada a Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), dando margem para a tutela dos direitos difusos, coletivos, homogêneos e individuais ou meta individuais, direitos esses que haviam sido vetados quando editada a já citada Lei nº 7.347/85.
E não se podem economizar elogios quando falamos da atual Constituição Federal no que se refere à proteção jurídica ambiental, pois além dela aumentar a proteção a essa área tão importante do direito, não esqueceu as suas demais interfaces de proteção, como é o caso do habitat laboral.
E a essa conclusão podemos chegar pela leitura do artigo 22591, combinado
com o 200, que, quando das competências do Sistema Único de Saúde, confere a ele a necessária proteção do meio ambiente, dentre eles o do Trabalho.
90 OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 2. ed. São Paulo:
LTr, 1998.
91 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/_ConstituiçaoCompilado.htm>. Acesso em 7 de jan. 2019.
Todavia, se o objeto de proteção jurídica é o mesmo e os diferentes tipos de meio ambiente são subdivisões do seu próprio conceito, então toda a norma de proteção do meio ambiente se aplica à defesa do habitat laboral, sendo essa a teoria que defende tal aplicação, o Direito Ambiental do Trabalho, que visa proteger a saúde e a qualidade de vida daqueles que emprestam sua força produtiva.
Assim sendo, toda a norma que visa à tutela do meio ambiente como um todo não poderia ser diferente, pois desproteger o habitat laboral seria como negar a vida, pois, repisa-se, se a Constituição Federal entende adequada uma jornada máxima de 44 horas por semana, significa que o legislador concebeu a hipótese de que é natural que uma pessoa normal passe 26% de sua vida em atividade laborativa, sendo impossível dissociar essa ideia. Partindo dessa premissa, pode-se verificar que há proteção ao local de labor nos artigos 196 e seguintes, da sessão II, do capítulo II do título VIII, que trata da Saúde.92
Não se devem ignorar, porém, as disciplinas bem mais específicas a esse tema, como as do artigo 7º, inciso XXII, que assegura aos trabalhadores urbanos e rurais o direito à redução dos riscos inerentes ao trabalho, recorrendo a normas de saúde, higiene e segurança93. No mesmo artigo, no inciso XXIII, é garantida a remuneração
suplementar a quem executa atividades penosas, insalubres ou perigosas e, no mesmo artigo, há a previsão de um seguro contra acidentes de trabalho, que será pago pelo empregado além da indenização por estes acidentes quando o mesmo agir de forma dolosa ou culposa94.
Não se pode deixar de criticar a escolha legislativa quando, de forma contraditória, protege o habitat laboral equilibrado, mas prevê uma compensação quando isso não ocorre, pois, a ideia não deveria ser a de monetizar o risco, mas extirpá-lo da realidade dos trabalhadores, já que muitos deles são eternos. Todavia, a Constituição Federal prevê uma dupla proteção ao trabalhador, considerando que ela determina de um lado empresas atendam às normas de segurança e higiene do trabalho e, de outro, quando há falha por parte delas, uma contraprestação pelos
92 PADILHA, Norma Sueli. Do meio ambiente do trabalho equilibrado. São Paulo: LTr, 2002. p. 55. 93 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/_ConstituiçaoCompilado.htm>. Acesso em 7 de jan. 2019, artigo 7º, XXII.
prejuízos causados95. Ou seja, essa disciplina possui duas naturezas, uma claramente
remuneratória, tendo em vista que o trabalhador poderá, com essa disposição de valores, buscar outros meios de melhorar sua qualidade de vida e evitar tais malefícios e outra de penalização ao mau empregador, que não cumpre com as elementares normas de saúde e segurança do trabalho, servindo, assim, como estímulo para evitar que tais malefícios ocorram em percentual que poderá chegar a 30% sobre o salário dos seus empregados, além de eventuais compensações caso se concretize algum acidente de trabalho.
Além da Constituição Federal, há a já citada Lei nº 6.938 de 1981, que foi recepcionada por aquela, que protege o meio ambiente num sentido amplo e deve ser interpretada de acordo com a norma leitura constitucional, devendo ser enquadrada em seu aspecto também a defesa do meio ambiente, “dentre eles, o do trabalho”.
Ou seja, quando o artigo 3º da referida Lei define o que é meio ambiente, devemos entender como interpretação do conceito de todos os tipos de meio ambientes, inclusive o cultural, o do trabalho, etc.96. E tal artigo dispõe em seu inciso
III o que se entende por poluição e seus respectivos poluidores:
[...]
III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem desfavoravelmente a biota;
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos;
IV - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental[...]97 (grifou-se)
95 SOARES, Evanna. Ação ambiental trabalhista: uma proposta de defesa judicial do direito humano
ao meio ambiente do trabalho no Brasil. Porto Alegre: S.A. Fabris, 2004. p. 72-73.
96 PADILHA, Norma Sueli. Do meio ambiente do trabalho equilibrado. São Paulo: LTr, 2002. p. 65. 97 BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe Sobre A Política Nacional do Meio
Ambiente, Seus Fins e Mecanismos de Formulação e Aplicação, e Dá Outras Providências. Brasília, DF, 31 ago. 1981. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm>. Acesso em: 07 jan. 2019.
Assim, “poluir” o meio ambiente do trabalho é condição insalubre, pois afeta de forma perniciosa a qualidade de vida daqueles que trabalham. Júlio Cesar de Sá enumera, a título exemplificativo, uma série de condições que podem afetar negativamente a vida e a saúde dos trabalhadores:
[...] os gases, as poeiras, as altas temperaturas, os produtos tóxicos, as irradiações, os ruídos, a própria organização do trabalho, assim como o regime de trabalho, as condições estressantes em que ele é desempenhado (trabalhos noturnos, em turno de revezamento), enfim, tudo aquilo que prejudica a saúde, o bem-estar e a segurança dos trabalhadores.98
Lembrando que além dessas, há a interferência das novas tecnologias, atraindo uma série de novos riscos sociais e psicossomáticos que podem intervir na qualidade de vida dos trabalhadores.
Portanto, a proteção que a Lei traz de forma a garantir um meio do trabalho equilibrado, não pode ser limitada apenas à reparação de danos, mas de buscar mecanismos para evitar que eles ocorram, sendo essa a melhor leitura que se pode fazer da Lei nº 6.938/81 em favor dos que emprestam sua força laborativa.
Em especial na parte em que reconhece a responsabilidade civil objetiva de indenizar, ou seja, sendo apenas necessária a constatação do dano e o nexo causal para que seja gerado o dever de indenizar, mesmo que não haja a presença da culpa, sendo irrelevante se o fato que causou o dano seja lícito ou não, desde que tenha relação com o trabalho, não sendo aplicáveis nessa seara as excludentes de responsabilidade civil99.
E na Consolidação das Leis do Trabalho há um Capítulo inteiro disciplinando normas de segurança, saúde e medicina do trabalho entre os artigos 154 e o 201, que mais pra frente serão melhores abordadas, valendo como destaque os seguintes títulos: normas básicas de segurança100; inspeção prévia, embargo ou interdição de
estabelecimento101; órgãos aos quais incumbe velar pela Segurança e Medicina do
98 ROCHA, Julio Cesar de Sá da. Direito ambiental do trabalho e meio ambiente do trabalho: dano,
prevenção e proteção jurídica. São Paulo : LTr, 1997. p. 47.
99 PADILHA, Norma Sueli. Do meio ambiente do trabalho equilibrado. São Paulo: LTr, 2002. p. 67 100 BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 01 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do
Trabalho. Rio de Janeiro, RJ, 01 maio 1943. Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1940-1949/decreto-lei-5452-1-maio-1943-415500-
publicacaooriginal-1-pe.html>. Acesso em: 10 jan. 2019. Artigos 154-159
Trabalho nas empresas102; equipamento de proteção individual103; medidas
preventivas de medicina do trabalho104; edificações105; iluminação106; conforto
térmico107; instalações elétricas108; manuseio e armazenagem de matérias109;
máquinas e equipamentos110; caldeiras, fornos e recipientes sob pressão111;
atividades insalubres ou perigosas112; prevenção da fadiga113; competência do
Ministério do Trabalho para editar normas complementares114.
Dada a competência que a Consolidação das Leis do Trabalho confere ao Ministério do Trabalho, até o presente momento já foram editadas 37 Normas Regulamentadoras (NR), lembrando que algumas delas já foram revogadas até o dado momento, sendo elas:
NR 1- Disposições Gerais
NR-2 - INSPEÇÃO PRÉVIA (REVOGADA) NR-3 - EMBARGO OU INTERDIÇÃO
NR-4 - SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E EM MEDICINA DO TRABALHO
NR-5 - COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES NR-6 - EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPI
NR-7 - PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL
NR-8 - EDIFICAÇÕES
NR-9 - PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS NR-10 - SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
NR-11 - TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE MATERIAIS
NR-12 - SEGURANÇA NO TRABALHO EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
NR-13 - CALDEIRAS, VASOS DE PRESSÃO E TUBULAÇÃO NR-14 - FORNOS
NR-15 - ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES NR-16 - ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS NR-17 - ERGONOMIA
NR-18 - CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO NR-19 - EXPLOSIVOS 102 Ibid., artigos 162 e 165 103 Ibid., artigos 166-167 104 Ibid., artigos 168-174 105 Ibid., artigos 170-174 106 Ibid., artigo 175 107 Ibid., artigos 176-178 108 Ibid., artigos 179-181 109 Ibid., artigos 182-183 110 Ibid., artigos 187-188 111 Idem 112 Ibid., artigos 189-197 113 Ibid., artigos 198-199 114 Ibid., artigo 200
NR-20 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO COM INFLAMÁVEIS E COMBUSTÍVEIS
NR-21 - TRABALHOS A CÉU ABERTO
NR-22 - SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL NA MINERAÇÃO NR-23 - PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS
NR-24 - CONDIÇÕES SANITÁRIAS E DE CONFORTO NOS LOCAIS DE TRABALHO
NR-25 - RESÍDUOS INDUSTRIAIS
NR-26 - SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA
NR-27- REGISTRO PROFISSIONAL DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO (REVOGADA)
NR-28 - FISCALIZAÇÃO E PENALIDADES
NR-29 - NORMA REGULAMENTADORA DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO PORTUÁRIO
NR-30 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO AQUAVIÁRIO
NR-31 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA
AGRICULTURA, PECUÁRIA SILVICULTURA, EXPLORAÇÃO FLORESTAL E AQUICULTURA
NR-32 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM SERVIÇOS DE SAÚDE
NR-33 - SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS
NR-34 - CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO, REPARAÇÃO E DESMONTE