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MEMÓRIA E FORMAÇÃO DE LEITORES: UM OLHAR SOBRE A PRÁTICA

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MEMÓRIA E FORMAÇÃO DE LEITORES: UM OLHAR SOBRE A

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Portanto, é cada vez mais importante que as escolas do ensino regular busquem o desenvolvimento da leitura literária com estes alunos. Salienta-se que a construção do conhecimento implica ação sobre a leitura, tornando-a imprescindível para o sucesso do processo de ensino aprendizagem. Segundo Manguel (1997, p. 85), “a leitura é uma força que requer umas poucas palavras iniciais para se tornar irresistível. Quem é capaz de ler uma frase é capaz de ler todas”.

A discussão a respeito da formação de leitores justifica a existência dessa pesquisa. A investigação é sobre a formação do leitor por meio das memórias que eles estão produzindo, além disso, estão sendo analisadas as práticas leitoras desses sujeitos, seus discursos, suas concepções e o modo como eles veem a leitura na sala de aula assim como no mundo. Portanto, investigar as lembranças de leituras dos alunos e da professora – participantes da pesquisa – está se mostrando de grande valia para eles mesmo, que estão tendo a oportunidade de entrar em contato com experiências até então esquecidas. Em relação à memória, Ricoeur (2007) declara que esta parece ser um fato singular e intransferível; é algo que pertence ao indivíduo que se lembra, é um modelo de experiências vivenciadas pelo indivíduo e que conecta sua consciência ao passado.

Nesse sentido, justifica-se a abordagem teórico-metodológica adotada durante a investigação que compreendem autores como Dalla Zen (1997), Maia (2007), Geraldi (2015), Manguel (2011), Bamberger (1987), Halbwachs (1990), Guedes-Pinto, Gomes, Silva (2008), Zilberman (1988), entre outros. Este trabalho tem a finalidade de produzir uma narrativa da formação do leitor, e essa elaboração está ocorrendo por meio do processo de construção de memórias de leitura dos alunos do 9° ano e da professora de português.

Objetivo

Esta pesquisa tem como objetivo investigar e analisar o processo de formação de leitores no Ensino Fundamental II, por meio de memórias de leitura, tanto do aluno como sujeito do processo de aprendizagem, como da professora como mediadora do processo educacional. Para alcançar esse objetivo estão sendo feitas coletas de dados, com vistas a identificar as revelações produzidas pelas memórias de leitura dos alunos e da professora de português. E nessas revelações identificar o modo como veem a leitura e que funções sociais atribuem a ela. Os dados estão sendo coletados por meio de oficinas e rodas de conversa.

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A presente pesquisa se realiza numa abordagem qualitativa, portanto abarca a descrição e interpretação de dados coletados a partir de um corte espaço-temporal. De acordo com Bortoni-Ricardo (2008),

O objetivo da pesquisa qualitativa em sala de aula, [...] é o desvelamento que está dentro da “caixa preta” no dia a dia dos ambientes escolares, identificando processos que, por serem rotineiros, tornam-se “invisíveis” para os atores que deles participam (BORTONI-RICARDO, 2008, p. 49).

Nessa mesma vertente, sobre a pesquisa qualitativa, Ludke e Menga (2017) afirmam que, em estudos qualitativos, o processo de coleta comumente é tido como um funil, sendo que deste modo, para que o pesquisador obtenha uma melhor visão da situação, dos sujeitos e do contexto, a fase inicial deve ser mais aberta. Já a fase intermediária, que ocorre posteriormente, deve realizar uma focalização progressiva do estudo, delimitando seu foco, fazendo com que a coleta de dados seja mais concentrada e produtiva.

A coleta de dados teve início no mês de abril e será concluída no início de junho.

Ela está sendo realizada em uma Escola de Tempo Integral, situada no município de Jussara-Go, no sudoeste goiano. Os participantes pesquisados são os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental e a professora de Língua Portuguesa. A escola conta com uma biblioteca acessível a todos os alunos, com alguns títulos importantes da literatura infanto-juvenil, não possuindo uma quantidade grande de exemplares, mas sendo o suficiente. Há 21 alunos frequentes, desses, 14 participam da pesquisa, além da professora de língua portuguesa. Os dados da pesquisa são frutos da observação participante durante rodas de conversa, no momento da aplicação das Oficinas de Construção/Produção de Memórias de Leitura. O trajeto escolhido para as oficinas é a construção de memória, sendo que esta construção se trata de um ato consciente, permeado de lembranças, valores sociais e discursivos. E, nessa perspectiva, está sendo observado o que revelam as memórias de leitura dos alunos/as e da professora de português, o modo como veem a leitura e que funções sociais atribuem a ela.

Nestas oficinas estão sendo desenvolvidos estudos teóricos sobre o gênero memória e a formação do leitor. Em cada oficina, propõe-se para os alunos um estudo do gênero memória, dialoga-se sobre suas memórias de leitura desde seus primeiros contatos com livros, jornal, revistas entre outros suportes de leitura, durante sua vida

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estudantil e familiar. As atividades desenvolvidas durante as oficinas são leitura de textos, questionários, debates, conversar; todas as dinâmicas são organizadas de maneira que ajudem os participantes da pesquisa a construírem suas memórias de leitura.

O procedimento utilizado para a realização das oficinas é a sequência didática, de acordo com as considerações de Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), com o objetivo de levar os alunos a se apropriarem – e também a reconstruírem – uma prática de linguagem sócio-historicamente estabelecida. Essa reconstrução de uma prática social se produz por meio de uma prática de linguagem que é corporificada nos gêneros textuais.

Produto Educacional

As memórias coletadas, tanto dos alunos quanto da professora, terão como destino a produção de um livro do gênero memórias literárias. Inicialmente, os alunos produzirão textos relacionados às suas memórias, com as quais eles entraram em contato durante as rodas de conversa nas Oficinas de Leitura. Estes textos serão recolhidos e passará por análise através de revisão, editoração, diagramação e investigação da melhor forma de se dividir os textos na confecção de um livro. A professora participante também fará parte do livro, produzindo um texto sobre suas próprias memórias de leitura.

Este livro será publicado no interior da escola e colocado à disposição de todos os alunos, levando-se em conta que os autores do livro são os alunos do 9° ano, eles serão recompensados por meio da realização de uma sessão de autógrafos que acontecerá na escola. Geraldi (2015) afirma que, durante a leitura, o leitor produz significações e se reconstrói como leitor a todo instante; a história de leitor de cada um condiciona seu trabalho de leitura. A partir das significações encontradas pelos alunos, eles poderão produzir novos sentidos para sua história como leitores.

Além das narrativas dos alunos e da professora, constará do livro uma reflexão teórico- metodológica em que se apresentará o percurso de construção e execução das oficinas e das sequências didáticas que constituem esse produto educacional, e que possibilitaram a produção das referidas narrativas.

Referências

BAMBERGER, Richard. Como incentivar a o hábito de leitura. São Paulo; Ática, 1987.

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BORTONI-RICARDO, Estela Maris. O professor pesquisador: introdução a pesquisa qualitativa. São Paulo: Ed. Parábola, 2008.

DALLA ZEN, Maria Isabel. História de leitura na vida e na escola: uma abordagem linguística, pedagógica e social. Porto Alegre: Editora Mediação, 1997.

DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michèle; SCHNEUWLY, Bernard. Sequências Didáticas para o Oral e a Escrita: apresentação de um procedimento. In:

SCHNEUWLY, B; DOLZ, J. (Orgs.). Gêneros Orais e Escritos na Escola. Tradução e organização de Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. Campinas-SP: Mercado de Letras, 2004. p. 81-108.

GERALDI, João Wanderley. A aula como acontecimento. São Carlos: Editoras Pedro

& João, 2015.

GUEDES-PINTO, Ana Lúcia; GOMES, Geisa Genaro; SILVA, Leila Cristina Borges da. Memórias de leitura e formação de professores. Campinas, SP: Editora Mercado de Letra, 2008. – (Coleção Gêneros e Formação).

LUDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. Ed. 2ª, Rio de Janeiro: Editora: E.P.U., 2017

MAIA, Joseane. Literatura na formação de leitores e professores. São Paulo: Editora Paulinas, 2007.

MANGUEL, Alberto. Uma história de leitura. Tradução: Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

RICCEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Tradução: Alain François [et al.]. Campinas, SP: Ed. Unicamp, 2007.

ZILBERMAN, Regina. A leitura e o ensino da literatura. São Paulo: Contexto, 1988.

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