A mente Lono ou self é a grosso modo análoga à “mente consciente” na psicologia. Este é o aspecto da mente que focaliza na realidade física, a analisa, a integra, e forma crenças, atitudes e opiniões sobre ela. É um receptor de informação sutil e grosseira de várias fontes e um diretor de ação. Como dirige, é claro, depende das crenças aceitas. Dependendo de como acredita em si mesmo como sendo incapaz, irá agir de acordo com esta crença. Os kahunas dizem que todas as convicções sobre a realidade são também aceitas ou estabelecidas pela mente consciente, e são então potencialmente disponíveis para serem examinadas em qualquer dado momento. Isso é essencialmente o mesmo que Freud descobriu: “a idéia patogênica... está sempre trapaceando pronta para cerrar o punho”, exceto que Freud se referia a memórias, e os kahunas se referem a crenças, das quais as memórias são somente representações. A idéia kahuna é também contrária ao modelo psicanalítico que implica que memórias e crenças que causam efeitos presentes estão escondidas da mente consciente.
Quando crenças sobre a realidade são aceitas pela mente consciente (Lono) como fatos inalteráveis, então para todos os propósitos práticos a mente não pode “vê-las” como crenças, e talvez então sentidas como sem solução em face de seus efeitos. Uma pessoa que aceita o “fato” de que tem uma doença incurável talvez sucumba à sua crença, mesmo que muitas outras tenham se curado com sucesso da mesma doença. A maioria das curas kahuna estão envolvidas em ajudar o Lono de um indivíduo a mudar sua visão dos fatos aparentes. Sentimentos e emoções são considerados pelos kahunas como sendo respostas energéticas ao estímulo dos padrões de crenças, e seus significados estão aí para informar a mente consciente de que crenças estão operando. Idealmente, Lono pode então escolher seguir as emoções diretamente, não responder a elas, ou redirecioná-las. Mas sem um entendimento de sua natureza, Lono provavelmente tratará os sentimentos e emoções em si mesmas como fatos sobre os quais não tem controle. Novamente, isto não é um conceito novo. Freud reconheceu que as idéias podem estimular sentimentos que podem ser convertidos através da supressão em sintomas físicos, e esta é a base fundamental da moderna medicina psicossomática. Maltz diz que uma emoção é “em sua natureza um sinal ou sintoma”, que ela é “como um termômetro que não causa o calor na sala mas o mede”.
Adicionalmente às faculdades de percepção, análise, integração e vontade, os kahunas atribuem à mente consciente a importante faculdade de imaginação criativa (laulele), segundo a qual você pode propositadamente imaginar uma condição que deseje fortemente experimentar como realidade física. É pelo uso desta faculdade que você pode conscientemente desenvolver novos dons, expandir sua percepção, resolver problemas, mudar crenças e direcionar energia. Os kahunas colocam grande stress no treinamento desta faculdade porque é tremendamente importante para dirigir as atividades do subconsciente (Ku) e no fornecimento de padrões para o Eu Superior. Carl Jung foi um dos primeiros psicólogos a enfatizar o uso da imaginação criativa, e isto está se tornando mais e mais popular com as pessoas percebendo seu potencial.
O SUBCONSCIENTE (Ku)
O self Ku, ou “corpo mente” como talvez seja chamado, é algo análogo ao subconsciente na psicologia ocidental, mas uma analogia melhor pode ser a de um computador vivo imaterial. Maltz usa esta analogia, também, apesar de ele tender a igualar o subconsciente com o cérebro. Os kahunas preferem dizer que o cérebro é a expressão física ou ferramenta de Ku, mas esta distinção não parece Ter nenhuma consequência prática séria. Os kahunas usarão qualquer analogia que satisfaça seus propósitos e ajude no entendimento. No antigo Hawaii, Ku era comparado a um servo. Um kahuna moderno trabalhando numa sociedade industrializada é mais apto a usar a analogia do computador.
receber percepções e transmiti-las à mente consciente, armazenar memórias; gerar, guardar, distribuir e transmitir energia, e seguir ordens. De fato, todas as funções desta parte da mente podem ser condensadas na última frase. Acima de tudo, como um bom servidor ou um computador, ela segue ordens. Ku responde a dois tipos de “programação”: instinto e hábito. Instinto, como definido aqui, se refere a todas as chamadas funções involuntárias do corpo como o crescimento, desenvolvimento, manutenção, e percepção ou transmissão sensorial ou “extra” sensorial. A idéia kahuna é que elas são programadas dentro de Ku pelo deus-pessoal (amakua) na época da concepção. Deste ponto de vista, a molécula de DNA seria uma expressão da programação e não uma causa. O hábito inclui todo comportamento programado dentro de Ku diretamente ou indiretamente, pela mente consciente (Lono). É um comportamento aprendido, como oposto do instintivo. Programação direta pode envolver a aplicação da vontade de Lono, como ao aprender a dirigir um carro; e programação indireta pode envolver aprendizado permitido, como a aceitação e incorporação do medo paterno de cobras, ou da
chamada predisposição hereditária dirigida a um certo tipo de doença.
Nenhuma das acima citadas parece ter sérias chances com as novas psicologias; Maltz e Assagioli dão descrições muito similares deste aspecto da mente.
A compulsão direcionada à formação e manutenção dos hábitos é a maior característica de Ku. Sem esta compulsão você não poderia sobreviver, porque não seria apto a aprender e reter as técnicas de sobrevivência. De qualquer forma, hábitos podem inibir ou encorajar o crescimento e desenvolvimento da mente e do corpo; dependendo da sua natureza. Este fato forma a base das técnicas de modificação comportamental, embora os kahunas não concordem com a visão comportamentalista de que pensamentos podem ser explicados em termos de comportamento muscular implícito. Em vez disso, eles têm a visão de que todos os hábitos são mentais, e que respostas físicas são o resultado. Mesmo Maltz, descrevendo felicidade como um hábito mental, está realmente falando sobre hábitos emocionais. Para os kahunas, a distinção entre hábitos mentais, emocionais e físicos é importante, mas ela não é vista assim na psicologia ocidental moderna.
Continuando com a analogia do computador, nos termos kahuna pode ser dito que um programa corresponde à crença ou um grupo de crenças, e que um hábito é a trilha do programa, ou o que conduz uma crença. Todos os hábitos são baseados em uma ou mais crenças. Por um processo cooperativo entre a mente consciente e a subconsciente, várias crenças e hábitos estão organizados dentro de uma gestalt que se torna uma personalidade individual. Como mencionado, o aspecto Lono tem a capacidade de examinar estas crenças e mudá-las, através do engajamento e cooperação de Ku e de Amakua (Eu Superior) mudando hábitos, personalidade e circunstâncias.
O CORPO (Kino)
O corpo físico, Kino, é concebido pelos kahunas como uma forma-pensamento intensamente energizada. Isto fica evidente nas raízes da própria palavra:
Ki- emitir, um pacote (de pensamentos), força Ki’i- imagem
Kia- concentrar o pensamento Ino- muito, intensamente No’o- pensamento
O corpo é organizado para ser uma idéia do Eu Superior expressa na forma física, modificado pelas crenças da mente e mantido pelo corpo-mente ou subconsciente. Ele é uma expressão do self, como uma pintura ou escultura é a expressão de um artista. O corpo é tanto um meio de projeção de idéias no mundo físico
quanto um instrumento de feedback ideal para experimentar os efeitos dessas idéias. Seu estado de saúde, desenvolvimento físico, temperamento e sentimentos são todos expressões de idéias, e sujeitos a alterações por uma mudança no seu pensamento consciente. O conceito de corpo como uma forma-pensamento é bem esotérico, comparado com o pensamento psicológico moderno. Este último tende a tratar o corpo como uma entidade puramente material sujeita aos efeitos do pensamento, mas certamente não como sendo um efeito do pensamento. Assagioli, que fecha com o pensamento kahuna em muitos modos, considera o corpo em termos mecânicos. Ele ensina que o paciente deve se des-identificar com seu corpo e enfatiza que “ele é só um
instrumento”. Seu propósito é permitir ao paciente ou sujeito tornar-se perceptivo de si mesmo como um centro de consciência e se libertar da experiência interpretada somente em termos de sensações físicas e comportamento. WK tem opinião de que, mesmo que o procedimento possa ter efeitos benéficos temporariamente, ele engendra um falso senso de separação que pode inibir a obtenção de domínio sobre as funções corporais e diminuir o senso de responsabilidade pelo comportamento corporal. Como ele coloca: “É claro que você não precisa identificar-se somente com seu corpo; você é muito mais do que seu corpo. Mas ele é sua criação e este é o porque ele responde aos seus pensamentos”.
Relacionado ao corpo está o conceiro do corpo etérico (aka). Aqui nós ficamos muito longe do centro da psicologia moderna e direto em suas bordas externas. Brevemente, o corpo aka é algo como um corpo invisível, duplicado, no mesmo espaço do corpo físico, e provendo o padrão essencial ao redor do qual o corpo físico é formado. O Kino Aka pode ser considerado como a forma-pensamento básica do Eu Superior (amakua), um tipo de projeto. A tendência natural do corpo-mente (Ku) é seguir este padrão, mas ele também tenta seguir o padrão da mente consciente (Lono), como representante das crenças aprendidas. Distorção, isto é, doença, resulta quando as idéias de Lono são diferentes e intensas o bastante para conflitar com o padrão básico. Os kahunas sentem que este é o porquê da existência deste padrão etérico básico que cura o corpo, pois
sem semelhante padrão geral não haveria um guia para Ku fazer reparos. Eu tenho sido incapaz de encontrar qualquer coisa plausível na psicologia moderna ou na literatura médica relacionado aos meios pelos quais o corpo sabe como retornar ao estado de saúde.