Questões Estruturais e Infra-estruturais
RESULTADOS DA PESQUISA EMPÍRICA
8.1 A EMPRESA FOCAL
8.1.4 Mercado Interno e Externo
A produção de ferro gusa atingiu em 2003 a marca de 4,1 milhões de toneladas, com crescimento de 10% sobre 2002. O volume de aço líquido produzido totalizou 4,2 milhões de toneladas, mostrando-se 6% superior ao ano anterior.
Fonte: RELATÓRIO ANUAL (2003)
Em 2003, A empresa focal produziu 3,7 milhões de toneladas de laminados planos, entre placas, chapas grossas, chapas e bobinas a quente e a frio. Com isso, superou o volume de 2002 em 5%. No ambiente doméstico, as vendas para as empresas exportadoras e a retomada geral dos negócios, no final do ano de 2003, asseguraram a expansão do volume comercializado pela empresa. Em 2003, o mercado doméstico absorveu 2,2 milhões de toneladas de aço planos, o que representou um incremento de 1% sobre 2002. O faturamento bruto atingiu a marca de R$ 3,1 bilhões, valor 34% maior que o registrado no ano anterior. Os setores de distribuição, tubos de pequeno diâmetro e perfilação lideraram o ranking de consumo em 2003. A participação de mercado da empresa focal no mercado nacional, saltou de 31% em 2002, para 30% em 2003. O segmento de laminados a quente foi o que teve a maior participação no total de vendas físicas: 39%. Laminados a frio contribuíram com 32% na composição do volume; chapas grossas com 23%; placas, 3% e blanks também com 3%.
Os embarques de laminados planos para o mercado externo atingiram a marca de 1,5 milhão de toneladas, 7% superior ao movimento de 2002. As exportações produziram uma receita bruta de US$ 398 milhões, o que equivale ao crescimento de 27% em relação ao ano anterior, mesmo com uma taxa de cambio menos favorável aos exportadores. Esse volume de exportações coloca a empresa focal como a 26ª maior empresa exportadora brasileira. Em 2003, somente um ano após ter se tornado uma fornecedora regular de placas ao mercado externo, a empresa focal já tinha nesse segmento 60% de todas as vendas direcionadas ao mercado externo. Os demais produtos tiveram as seguintes participações nas vendas externas: laminados a frio, 19%; chapas grossas, 13%; laminados a quente, 5%; e blanks, 3%. A participação dos blanks nas vendas direcionadas ao mercado externo se elevou no primeiro
Gráfico 2 - Produção de Aço Líquido da empresa Milhões de Toneladas 2,5 2,8 2,5 4,0 4,2 1999 2000 2001 2002 2003
trimestre de 2004 para 5%. A China foi o maior mercado para as exportações da empresa focal. Mesmo com o efeito negativo da chamada “gripe asiática”, que paralisou a economia local entre o primeiro e segundo trimestre de 2003, as vendas de laminados planos superaram as 500 mil toneladas. As compras chinesas e a redução do embarque para os EUA em função da salvaguarda 201, o que limitou a venda de placas, aumentaram a participação da Ásia no volume exportado de 44%, em 2002, para 66% em 2003.
Na exportação, a maioria dos clientes são trading companies. As companhias de trading atuam como intermediárias entre o cliente efetivo e a companhia focal e são elas a fazerem a prospecção de negócios e de mercado para a companhia focal. No mercado de exportação a trading é importante. Segundo o gerente comercial da empresa focal, em alguns mercados, como o japonês, torna-se virtualmente impossível acessar o mercado sem ajuda das empresas de trading. O número das empresas de trading depende do país, visto que algumas dessas já estão direcionadas para determinados mercados. A empresa focal não tem mais de quatro tradings atendendo a mesma região. No caso dos EUA, que é um grande mercado consumidor de aço, existem três tradings atuando, e cada uma atende a um mercado específico. Segundo o entrevistado, com a momentânea redução da demanda no primeiro trimestre de 2003, em função da gripe asiática, um cliente chinês de uma trading solicitou uma redução no preço de 10%. A trading havia comprado o aço, mas não tinha garantia de compra por parte do cliente, a empresa focal foi chamada então para dividir as despesas do desconto, demonstrando que as tradings atuam também de forma especulativa.
A relação da produção que é destinada ao mercado interno e externo era, há três anos assim: cerca de 80% da produção eram destinadas ao mercado interno e 20% destinada à exportação, e essa relação vem se alternando. O departamento de exportação tem feito pressão para tentar inverter essa relação; atualmente essa relação está em 60% da produção destinada ao mercado interno e 40% para exportação. Isso ocorre porque os preços do mercado externo estão mais elevados que o do mercado interno. Segundo o diretor comercial: “Isso ocorre porque o mercado interno não assimilou que o aço é um commodity. Então, está com os preços lá embaixo... Não acompanha o mercado externo. Mas em contrapartida, o pessoal fala que quando abaixa o preço do aço lá fora, a gente não abaixa o preço do aço aqui”.
O mercado de chapas grossas de aço é um mercado importante para a empresa focal. Cerca de 25% da capacidade de produção da empresa focal está direcionada ao mercado de chapas grossas de aço. Desse mercado, segundo um entrevistado, 60% da produção vai para os distribuidores, e o restante para a indústria. No caso de chapas grossas de aço, já existia um processo de dumping, com os EUA proibindo sua importação. Isso ocorreu antes da
salvaguarda 201, ou seja, o Brasil não poderia exportar chapas grossas lá, nem laminados a frio. Segundo o entrevistado, após a entrada da China no mercado como grande compradora, os EUA liberaram a importação de chapas grossas dado à falta desse material no mercado internacional e americano. A empresa focal passou a vender novamente chapas grossas no mercado americano. Segundo o entrevistado, somente um mês após a China ter entrado no mercado mundial comprando aço (em torno de agosto de 2003), o preço do aço aumentou cerca de 80 dólares no mercado americano.
O concorrente direto no mercado interno de chapas grossas é a própria empresa matriz, indicando que o mercado interno acaba não tendo concorrente direto, porque as empresas são do mesmo grupo. Cada uma das empresas acaba se focando no seu nicho de mercado; neste caso, o foco da empresa matriz é atender à indústria e o foco da empresa focal é atender a rede de distribuidores, de tubos de pequeno diâmetro e de perfilação, com 70% de suas vendas. Porém existe uma exceção no mercado de chapas grossas: a empresa focal atende ao setor naval, mas a empresa matriz, não. A empresa matriz e a empresa focal não são concorrentes diretos, mas no caso dos blanks de chapas grossas de aço, a concorrência é direta, com a filial da empresa matriz produzindo blanks, estampados e estruturas metálicas. Os blanks são produzidos por uma companhia da empresa matriz que concorre com a empresa focal no mercado interno. No mercado externo, os principais concorrentes para os blanks são o México, no mercado americano, e a Ucrânia, no mercado europeu. No caso da Ucrânia, a empresa focal acredita que sua matéria prima é de melhor qualidade, então, não há uma concorrência significativa. Segundo um dos entrevistados, os coreanos, japoneses e europeus já não concorrem diretamente nesse mercado específico, é que nesses mercados, o de aço e de blanks, o importante é que o Brasil tenha acesso a cotas ou outros acordos que permitam a importação. No caso de blanks, se o país comprador importar o produto de outros países, não haveria restrição ao produto brasileiro.