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MESAS REDONDAS ROUNDTABLES

No documento DIETETICA CORPO PATHOS (páginas 69-80)

Mesa 1

Práticas psicanalíticas de regulação em urgências subjetivas no hospital (Psychoanalytic practices of regulating in subjective urgencies) COORDENAÇÃO

Tânia Coelho dos Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Rio de Janeiro, RJ/Br. e AUPPF)

PARTICIPAÇÃO

Nem todo dia eles fazem tudo sempre igual! (They don’t always do the same thing every single day)

Lucia Helena Carvalho dos Santos Cunha (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ/Br.)

RESUMO

Trabalhar em uma instituição de saúde vinculada ao SUS obriga médicos, enfermeiros, gestores hospitalares, entre outros profissionais, a enfrentar uma assustadora precariedade das condições materiais e financeiras necessárias à realização de seu trabalho. Um altíssimo nível de estresse se tornou visível no comportamento desses sujeitos, numa pesquisa exploratória sobre as características do sofrimento psíquico de profissionais de saúde na área hospitalar. Nesse contexto, a rotina do serviço médico sobrecarregada de responsabilidades e obrigações, associada à ausência de um tempo destinado a conversas informais e encontros da equipe de trabalho, impede que o profissional encontre uma estratégia adequada para lidar com seu estresse. Tais condições favorecem o surgimento da síndrome de burnout, indicada pela baixa assiduidade ao trabalho, baixo nível de satisfação profissional, irritabilidade e excesso de fadiga, entre outras manifestações no comportamento funcional. Uma pesquisa de orientação psicanalítica, em andamento, busca criar espaços de fala para esses profissionais, onde seja possível escutar dos sujeitos sua posição subjetiva, ideais profissionais, queixas da organização hospitalar, tentando circunscrever o gozo sintomático manifesto na referida síndrome.

Médicos e pacientes à beira de um ataque de nervos (Doctors and patients on the verge of a nervous breakdown) Fernanda Saboya (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, RJ/Br.)

RESUMO

A clínica psicanalítica num hospital da rede privada nos exige intervir sobre a urgência subjetiva que irrompe no contexto de uma urgência médica. Confrontados às perdas relacionadas ao adoecimento, os impasses subjetivos não resolvidos dificultam o tratamento médico. Quando a urgência médica desencadeia uma urgência subjetiva, torna-se a ocasião dos mais diversos conflitos entre médicos, pacientes e familiares. A angústia manifesta-se por meio de comportamentos exorbitantes e completamente inadequados ao contexto institucional, em lugar da desejável colaboração do paciente com a equipe do hospital empenhada em estabilizar sua saúde. Estes comportamentos revelam a desregulação pulsional que é anterior à internação e requerem uma intervenção do psicanalista, para que o paciente consinta no tratamento médico. Embora a demanda de internação seja dirigida ao campo da medicina, a oferta de uma escuta analítica permite que o sujeito nomeie seu mal-estar, possa elaborar o luto pelas perdas sofridas e responsabilizar-se frente a sua doença e tratamento. A partir de vinhetas clínicas, pretendemos destacar que, no âmbito hospitalar, trata-se de uma clínica construída caso a caso pois, somente localizando os impasses do sujeito, poderemos orientar nossa prática.

Eu bebo sim e vou morrendo... (Yep, I drink, and I’m dying. (So what?))

Fernanda Oliveira Queiroz de Paula (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Universidade Federal do Rio de Ja-neiro, Rio de JaJa-neiro, RJ/Br.)

RESUMO

A urgência subjetiva é uma experiência de angústia extrema que impele o sujeito a passar ao ato em situações de grave crise existencial. O sofrimento psíquico emergencial eclode como puro ato e ao analista cabe ressignificar esses momentos com a escuta, a palavra e o convite para a continuidade do tratamento. Nosso trabalho consiste na apresentação de um caso clínico acompanhado pela analista em uma clínica psiquiátrica. Trata-se de um sujeito neurótico obsessivo grave que se identifica como alcoolista e que, após um ato que colocou em risco sua própria vida, pôde renomear seu sintoma, promovendo, assim, uma abertura do inconsciente. A intervenção de um analista na instituição psiquiátrica pode produzir efeitos de regulação do excesso pulsional, reinserindo o sujeito no campo da fala e lhe restituindo sua relação ao inconsciente.

Mesa 2

Três figuras psicanalíticas da desmesura pulsional: o desejo da mãe, a pobreza melancólica e as compulsões da oralidade (Three psychoanalytic examples of drive-related excess: mother’s desire, melancholic poverty, and oral compulsions)

COORDENAÇÃO

Tânia Coelho dos Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Rio de Janeiro, RJ/Br. e AUPPF)

PARTICIPAÇÃO

Mamãe faz cem anos: o TDAH e a atualidade da mãe devoradora (Mom is a hundred: ADHD and timeliness of the devouring mother) Ana Carolina Duarte Lopes (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ/Br.)

RESUMO

O tema da devoração, que é frequentemente observado no fantasmático dos relatos dos casos de psicanálise, é abordado por Lacan desde o Seminário livro 3 – As Psicoses (Lacan, [1955-1956] 1995), na leitura de Totem e Tabu (Freud, [1913] 1977), onde o devoramento do corpo do pai pelos filhos marca a internalização da lei e a identificação ao pai pela via da incorporação oral. Mais tarde, o psicanalista se utiliza da imagem do crocodilo mãe que tem uma bocarra devoradora, a qual deve ser travada pelo pai, com uma barra, posto que o desejo da mãe é fechar sua bocarra para devorar o filho. Vale dizer que essa articulação reside na intervenção do pai em relação à mãe, que, de outra maneira, tomaria o filho como objeto de seu desejo, reintegrando assim o seu produto. No artigo “Apresentação do Seminário IV” Miller diz que a mãe lacaniana responde a fórmula quarens quem dvoret. Nesse trabalho apresentaremos um fragmento clínico de um menino de seis anos que através de sua agitação nomeada de TDAH consegue criar um campo entre ele e a mãe. Dessa forma apontaremos tal sintoma como uma fragilidade do Nome do Pai diante do “devorador” Desejo da Mãe. O corpo que se movimenta em excesso diz respeito ao sofrimento da criança que se opõe a entrar nas demandas materna que lhe são feitas.

Pobre de mim! Ou o Eu na melancolia (Poor me! Or the ego in melancholia)

Valéria Wanda Fonseca da Silva (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Universidade Federal do Rio de Janei-ro, Rio de JaneiJanei-ro, RJ/Br.)

RESUMO

Este trabalho apresenta os estudos sobre as relações entre o empobrecimento do Eu e o empobrecimento econômico e social, para tese: “os efeitos subjetivos da pobreza”. A ação humana, particularmente a satisfação das necessidades, desenrola-se na rede da linguagem, em discurso, e no campo da ética. O universo simbólico é transmitido por meio dos enunciados primordiais, dos códigos e das leis. As necessidades nunca se apresentam em estado puro, já que não se tem acesso à ordem natural. Elas precisam ser faladas, e sempre perpassadas pelo desejo e pela demanda. Para Lacan, o que tem status de necessidade e torna possível a existência do homem é a diferença sexual: masculino e feminino. A subjetivação da diferença sexual é decorrente dos (diferentes) diversos graus de investimento libidinal nos objetos e do posicionamento do sujeito (mediante a referida diferença). O Complexo de castração é o motor da renegação, que institui o conflito constitucional do Eu. Quanto maior as exigências pulsionais associados à precariedade dos recursos externos provindos da civilização, maiores as dificuldades na eficácia da renúncia pulsional, e consequentemente maior ‘debilidade’ do Eu. Essa precariedade seria fator de adoecimento psíquico, presente nas neuroses e na melancolia. Os estudos sobre a melancolia revelaram a Freud a constituição do Eu humano. Uma característica peculiar da melancolia é o medo do empobrecimento. Alertou-nos ele: a pobreza se alastra nas cidades tal como uma epidemia social.

Mais ainda sobre: “sexo, drogas e rock and roll (More about “Sex, drugs and rock ‘n’ roll”)

Erly Alexandrino da Silva Neto (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ/Br.)

RESUMO

Este trabalho apresentará uma leitura da psicopatologia do oral através de sua localização na estrutura desta época. O fará em dois passos: O primeiro remontará à oralidade como modelo do mito da satisfação primitiva na relação mãe-bebê, em Freud, e às significações simbólicas das imagens do oral segundo Lacan: como designadoras dos movimentos estruturais de assimilação significante e da identificação simbólica, em especial na modalidade fálica. Dois aspectos do oral, então, o pulsional, em busca da repetição da satisfação primitiva e o simbólico, com todas as imagens que faz proliferar nos passos de suas operações estruturais. O segundo tratará de, sem perder-se no saber sociológico, ou seja, mantendo a diferença sexual em vista, mostrar que o Real daquilo que se impõe enigmaticamente como “happening” de época, a saber, o excesso e a devastação do consumo desenfreado, guarda a mais íntima das relações com a modalidade feminina de gozo, que empresta suas consequências às manifestações da oralidade que visita nossa clínica.

Mesa 3

O Universal, o particular e o singular na psicopatologia de orientação lacaniana (The Universal, the particular and the only in the psychopathology of Lacanian orientation)

COORDENAÇÃO

Tânia Coelho dos Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Rio de Janeiro, RJ/Br. e AUPPF)

PARTICIPAÇÃO

Seria a psicanálise uma dietética do particular ou do singular? (Is psychoanalysis individual dietetics?)

Douglas Nunes de Abreu (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ/Br.)

RESUMO

A expressão distúrbios dietéticos aglutinasintomas marcados pelo excesso pulsional. O termo dietética no latim medieval, dieta, significa

designação em referência à assembleia política oficial responsável pelas leis de determinada sociedade; já a etimologia grega, diaita, designa

modo de viver e faz referência aos hábitos e costumes no uso do corpo próprio. Nessa dupla inscrição do termo, nos propomos abordar os

sintomas da oralidade pela via da investigação diagnóstica orientada pela lógica fálica, que se orienta pela incidência dos significantes no corpo; e pela lógica do não todo, que reconhece a vivacidade do real no corpo do ser falante. Sendo os sintomas descompassos do forçamento articulatório entre gozo e linguagem, temos que considerar os efeitos do enfraquecimento das designações advindas do campo do Outro nas atuais desregulações corpóreas, mas concluímos ser fundamental a fineza do reconhecimento nas apresentações sintomáticas possíveis índices de soluções singulares, modos de viver. Seria a psicanálise uma dietética?

DSM: uma ciência das singularidades e sua dietética farmacológica (DSM: a science of singularities and its pharmacological dietetics)

Sabrina Gomes Camargo (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ/Br.)

RESUMO

A querela dos diagnósticos foi reaberta neste momento de reavaliação crítica de um dos mais importantes protocolos diagnósticos internacionais. Esta nova abordagem classificatória das manifestações do pathos pulsional tenta reduzi-las aos transtornos do corpo biológico. Acredita-se poder reduzir os transbordamentos do corpo pulsional por meio da dietética farmacológica. Na psicanálise, o diagnóstico não se reduz ao inventário dos transtornos. Por isso, o caso do Homem dos Lobos ilustra que as classes também são insuficientes para nomear o gozo. Às vésperas do seu centenário, a leitura do Homem dos Lobos é obrigatória no debate das querelas diagnósticas atuais. Seu Édipo invertido evidencia que sua virilidade é um semblante para ocultar uma posição pulsional dominada pelo gozo passivo, mantendo-o afastado da homossexualidade. O rigor da sua psicopatologia não evitou que Lacan embaraçasse com o caso sem jamais contrapor Freud. A reclassificação do caso na categoria da psicose ordinária, depois da Convenção de Antibes, autorizaria intervenções analíticas reguladoras inovadoras?

A classificação do particular e o real inclassificável da singularidade (Classification of the particular and the unclassifiable real of singularity) Fabiana Mendes Pinheiro de Souza (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ/Br.)

RESUMO

Na psicopatologia psicanalítica o que distingue a estrutura neurótica e a psicótica é a relação com o real e a realidade. A realidade é constituída para o neurótico pela Bejahung, afirmação primordial da realidade da castração. O encontro com a castração é traumático. É o encontro com o real da diferença sexual. Não há palavras para isso. Há três respostas possíveis diante do encontro com a castração. Essa resposta é real porque ela efetivamente acontece. Existe aí algo que é da ordem do pulsional, daquilo que não está encadeado. Logo, uma divisão psíquica que constitui para todo sujeito como uma modalidade de negação. São três tipos de defesa na relação com a castração:

Verdrängung, Verwerfung e Verleugnung, são três modos de dizer “não” (Ver) à diferença sexual e cada um deles corresponde uma maneira de retorno da parte da realidade que não encontra expressão na ordem simbólica. Estes três modos são, respectivamente, o recalque neurótico, a rejeição psicótica e o desmentido perverso.

Mesa 4

Sintomas clássicos e novos sintomas na clínica da obesidade crônica e mórbida: localizando o excesso pulsional (Classical symptoms and new clinical symptoms in the clinic chronic and morbid obesity: locating drive-related excesses)

COORDENAÇÃO

Tânia Coelho dos Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Rio de Janeiro, RJ/Br. e AUPPF)

PARTICIPAÇÃO

Tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda! (Everything I like is either illegal, immoral or fattening!)

Maria Cristina da Cunha Antunes (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ/Br.)

RESUMO

De acordo com a orientação lacaniana as obesidades crônica e mórbida, juntamente com a anorexia e a bulimia podem ser classificadas entre os sintomas contemporâneos ou novos sintomas. São soluções sintomáticas que respondem ao imperativo do consumo promovido pelo discurso do capitalismo que, no lugar dos ideais convoca a primazia do gozo com objetos de adição. Além de colocar em questão as relações do discurso da ciência e o discurso do mestre (religião) com a regulação do excesso pulsional na obesidade, pretendo apresentar os fundamentos de uma clínica que nos permite distinguir três casos de mulheres obesas crônicas. O trabalho analítico permitiu localizar a estrutura dos sintomas clássicos nesses casos e diferenciá-los dos sintomas contemporâneos. No primeiro caso, que eu mesma vou apresentar, a obesidade está coordenada ao recalque do gozo incestuoso, edípico. Ele é diferente dos outros dois casos, apresentados por Maria Luiza e Kátia em que se pode identificar a relação da obesidade com o que denominamos de posição religiosa.

Nossa Senhora, olhai por nós! (Holy Mother, we beg you watch over us!)

Kátia Moskal Danemberg (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Rio de Janeiro, RJ/Br.) RESUMO

Apresentarei um caso clínico de obesidade feminina crônica cuja posição subjetiva implica uma grave e persistente precariedade de subjetivação do seu sintoma. Ela se mostra incapaz de formular alguma questão sobre as causas de seu sintoma. Em se tratando de uma psicose, ela não tem recursos para simbolizar o mal estar da diferença sexual e, por esta razão, manteve-se ao longo da vida dependente e indiferenciada ao Outro materno. Seguindo as determinações de Deus, manteve-se como boa filha devotando sua vida ao objetivo de ser os olhos de sua mãe. Partimos da hipótese que a estrutura deste caso tem íntima ligação com a incondicionalidade do amor como missão. O laço entre o sintoma e a religião como discurso do mestre, alimenta sua posição subjetiva que consiste em amar a qualquer preço e seja o que Deus quiser.

Seja feita a sua vontade! (His will be done!)

Maria Luíza Costa da Silva Caldas (Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana, Rio de Janeiro, RJ/Br.) RESUMO

Este outro caso clínico também permite demonstrar que obesidade tem relação co discurso do mestre (religião), que consiste em alimentar a crença num amor incondicional. São sujeitos que se devotam a cuidar do outro, da família, praticando a solidariedade e a entrega absoluta ao outro por amor. Um amor que não é barrado pela castração, pelo sexual. Sua obesidade não lhe pertence a ele, logo, não se interrogam da sua responsabilidade nos fatos que lhes acontecem. Neste caso, trata-se de saber se é sintoma ou solução, pois a prevalência do discurso religioso, o Outro é nesse caso Deus. Todo mundo é filho de Deus, e assim seja feita a sua vontade! Esta paciente acredita que deve uma pessoa boa, farta, generosa, mesmo colocando em risco a sua saúde que já é precária por conta dos 130kg que carrega, não obstante os alertas

dos médicos para os perigos que estão correndo. Não têm vida sexual e faz sentido na posição subjetiva que se colocam, nem se revoltam, pelo contrário, “é menos um problema”, já que o que governa é o amor ao outro que precisa mais do que ele.

Mesa 5

Psicanálise e Memória Social: uma possível interlocução (Psychoanalysis and Social Memory: a possible dialogue) Coordenação: Ricardo Salztrager (Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ/Br.)

PARTICIPAÇÃO

Psicanálise e Memória Social: sobre os processos identificatórios nos fenômenos de massa contemporâneos (Psychoanalysis and Social Memory: Identification processes in contemporary mass phenomena)

Ricardo Salztrager (Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ/Br.) RESUMO

A proposta do trabalho é pensar como se efetivam os processos identificatórios no contexto dos fenômenos de massa contemporâneos. Para tal, trabalhamos as principais concepções de Freud sobre a massa, articulando-as com o pensamento deleuziano, principalmente, em sua análise sobre a sociedade de controle. Com isto, observaremos que os fenômenos de massa conduzem à produção de modos de subjetivação marcados, principalmente, pelo hibridismo identificatório e pelo relativo silenciamento das singularidades individuais. Este silenciamento, por sua vez, será remetido ao plano político subjacente aos processos de constituição de identidade. Trata-se, em última instância, de contemplá-lo como expressão de um jogo de forças que, ao conduzirem à constituição de uma identidade, segregam tudo o que é da ordem do diferente e que, portanto, a ameaça.

Corpo, memória e criação: nuances de um tempo traumatogênico (Body, memory and creation: nuances of a traumatogenic time) Jô Gondar (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, Rio de Janeiro, RJ/Br.) e Alexandra Arnold Rodrigues (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, Rio de Janeiro, RJ/Br).

RESUMO

Corpo modificado em cortes e queimaduras. Corpo suspendido ou com implantes. Corpo “publicado” em rede. Corpo recriado pela Body Art, a “arte” de sentir dor e lembrar a todos de suas feridas. Expressões humanas atuais que ganham suporte no sensório e na interação com o público, mediados pelo lócus da erogenidade e da paradoxal relação entre homem e cultura. Esta pesquisa objetiva uma análise estética e psicanalítica da arte que atualiza o fenômeno das Body Modifications. Entende-se a experiência estética não só como fruição, mas como “memória de um tempo” e possibilidade de um acesso ao ser. Tempo este cunhado por alguns psicanalistas como traumatogênico, denunciado pela arte e práticas corporais que se circunscrevem em repetições. Marcados por uma memória que não passou. Contudo, algo da ordem da diferença se impõe neste território do mesmo. As inscrições corporais são um curto-circuito nos circuitos pulsionais fixos da cultura: o Unheimlich como dispositivo para outros enunciados de existência.

A literalidade nas neuroses traumáticas: uma dimensão criativa? (Literalness in traumatic neuroses: a creative dimension?)

Jô Gondar (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, Rio de Janeiro, RJ/Br.) e Diego Frichs Antonello (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, Rio de Janeiro, RJ/Br.)

RESUMO

O objetivo deste trabalho é abordar a questão da literalidade nas neuroses traumáticas. Nestas neuroses a literalidade é consequência da impossibilidade de simbolizar, aparecendo sob a forma de imagens ultraclaras (Darstellung). Diante disso o dispositivo clínico da psicanálise, centrado na interpretação e na representação, acaba por ser questionado. Contudo, autores como Walter Benjamin e Sándor Ferenczi estabelecem uma concepção mimética da linguagem, ou seja, uma relação de proximidade entre as palavras e as coisas, valorizando e positivando, assim, a literalidade na formação das palavras. Para esses autores o símbolo não deriva da linguagem, mas das correspondências entre o corpo e o mundo. Tal concepção nos permite ampliar a noção de linguagem para além da formalista, na qual a palavra é concebida como um signo arbitrário. Portanto, para Benjamin e Ferenczi a literalidade é da ordem da Darstelllung, mas a capacidade mimética já implicaria o privilégio de uma dimensão criativa, comportando outra forma de expressão do psiquismo.

Mesa 6

Sofrimentos narcísicos e manejo clínico (Narcissistic suffering and clinical management) COORDENAÇÃO

Fernanda Pacheco Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ/Br.) PARTICIPAÇÃO

A posição do analista frente aos sofrimentos narcísicos (The position of the analyst when faced with narcissistic suffering)

Fernanda Pacheco Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ/Br.) e Regina Herzog de Oliveira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ/Br.)

RESUMO

No que concerne aos debates sobre técnica, a temática da construção, embora presente de forma incipiente em alguns casos clínicos de Freud, nunca recebeu o mesmo destaque que a da interpretação e só foi realmente considerada no final de sua vida, a partir do artigo “Construções

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