CAPÍ TULO 3 METODOLOGI A
3- Met odol ogi a
3. 1 Conceit os
Par a Lakat os e Mar coni (2001, p. 17):
A met odol ogi a ci entífi ca, mai s do que u ma di sci pli na, si gnifi ca i ntr oduzir o di scent e no mundo dos procedi ment os si st e máti cos e r aci onai s, base da for mação t ant o do est udi oso quant o do pr ofissi onal, poi s a mbos at ua m, al é m da práti ca, no mundo das i déi as.
Os aspect os met odol ógi cos i rão r evel ar co mo o t rabal ho ci entífi co f oi desenvol vi do, buscando most rar t odo o seu pr ocesso de f or mat ação, verifi cando se esse est á de pl eno acor do co m o que é pr opost o. A met odol ogi a é f unda ment al par a a concat enação corret a de t rabal hos ci entífi cos, poi s per mit e u m a mpl o conheci ment o de nor mas e conheci ment os t écni cos. Segundo Ri char dson ( 1985, p. 22), “a met odol ogi a, são as r egras est abel eci das par a o mét odo ci entífi co, por exe mpl o, a necessi dade de observar, a necessi dade de f or mul ar hi pót ese, a el aboração de i nstru ment os, et c. ”.
3. 2 Pes qui sa ci entífi ca
A pesqui sa bási ca caracteri za-se por seu carát er bási co, poi s el a t e m a pret ensão i nt el ect ual co mo moti vo pri mári o e o ent endi ment o co mo obj eti vo f unda ment al. Segundo Kerli nger (1980), pesqui sa ci entífica é u ma i nvesti gação si st e máti ca, contr ol ada, empí ri ca e críti ca de pr oposi ções hi pot éti cas sobr e as rel ações presu mi das entre fenô menos nat urais.
Segundo Lakat os e Mar coni (2001, p. 186):
Pesqui sa de ca mpo é aquel a utili zada co m o obj eti vo de consegui r i nf or mações e/ ou conhecime nt os acerca de u m pr obl e ma, para o qual se pr ocura u ma r espost a, ou de u ma hi pót ese, que se queira co mpr ovar, ou, ai nda, descobrir novos fenôme nos ou as rel ações entre el es.
Nessa monogr afi a f oi desenvol vi da u ma pesqui sa que vi sou i dentifi car co mo a pr o moção pode auxili ar no desenvol vi ment o do t uris mo e m u ma det er mi nada co muni dade, nesse caso, a ci dade de Paul o Af onso.
3. 3 Pes qui sa de marketing
Segundo Matt ar ( 1999), as pesqui sas de marketi ng bási cas são pr edo mi nant e ment e desenvol vi das e m a mbi ent es acadê mi cos por pr ofessores, pesqui sadores, est udi osos e al unos de cursos de pós- graduação, e vi sa m a mpli ar, desenvol ver ou apr of undar os conheci ment os de marketi ng co mo u ma área de ad mi ni stração.
A Ameri can Marketi ng Associ ati on ( AMA) cit ada por Matt ar ( 1999) defi ne co mo pes qui sa de marketi ng a f unção que li ga o consu mi dor, o client e e o públi co ao marketi ng at ravés da i nf or mação usada par a i dentifi car e defi nir oportuni dades e pr obl e mas de marketi ng, gerar, refi nar e avali ar a ação de marketi ng, monit orar o dese mpenho de marketing, e aperfei çoar o ent endi ment o de marketi ng co mo u m pr ocesso. Pesqui sa de marketi ng es pecifi ca a i nf or mação necessári a desti nada a est es fi ns; proj et a o mét odo par a colet ar i nf or mações; gerenci a e i mpl e ment a o pr ocesso de col et a de dados; analisa os r esult ados e co muni ca os achados e suas i mpli cações.
As pesqui sas de marketi ng são mai s co mpl et as do que as pesqui sas de mer cado, poi s naquel as o gr au de pr of undi dade e o nú mer o de it ens a sere m avali ados é mai or que nessas. Matt ar (1999) afir ma que o pr ocesso de pesqui sa de marketi ng é for mado por quatro et apas:
Reconheci ment o de u m probl e ma Pl anej a ment o
Execução
Co muni cação dos Resultados
3. 4 Ti pos de pes qui sa
As pesqui sas pode m ser de carát er quantit ati vo, qualit ati vo, expl orat óri as, descriti vas, bási ca, apli cada, entre outras f ormas. Par a cada ti po de est udo é necessári o que o mét odo de pes qui sa
a ser utili zado est ej a de acor do co m o obj eti vo fi nal do t rabal ho. Para Mattar ( 1999, p. 80), “a pesqui sa expl orat óri a vi sa pr over o pesqui sador de u m mai or conheci ment o s obr e o t e ma ou pr obl e ma de pesqui sa em perspecti va”. Por i sso, é apr opri ada para os pri meir os est ági os da i nvesti gação quando a f ami li ari dade, o conheci ment o e a co mpr eensão do f enô meno por part e do pesqui sador são, geralme nt e, i nsufi ci ent es ou inexi st ent es.
A pes qui sa expl orat óri a utili za-se de l evant a ment os bi bli ográfi cos, docu ment ai s e est atísti cos. El as t ê m co mo pri nci pal obj eti vo a f or mul ação de quest ões ou de u m probl e ma, co m t r ês pr opósit os: desenvol ver hi pót eses, au ment ar a i nti midade do pesqui sador co m u m f enô meno, para a reali zação de u ma pesqui sa fut ura mai s efi caz ou alt erar e mel horar conceit os.
De acor do co m Matt ar (1999), as pesqui sas descriti vas são caract eri zadas por possuíre m obj et os be m defi ni dos, pr ocedi ment os f or mai s, ser e m be m estr ut uradas e defi ni das par a sol uci onar pr obl e mas ou avali ar possi bili dades de ca mi nhos de ação. As pesqui sas descriti vas tê m vári as opções par a a col et a de dados: ent revi st as pessoai s, entrevist as por t el ef one, questi onári os pel o correio, questi onári os pessoai s e mét odos de obser vação.
Nessa monogr afi a f oi utilizada a co mbi nação desses model os de pesquisas cit ados aci ma (expl orat óri a e descriti va), be m co mo, a utili zação da pesqui sas e m carát er qualit ati vo, os est udos expl orat óri o- descriti vos t ê m co mo f i nali dade descrever co mpl et a ment e u m det er mi nado obj et o de est udo.
De acor do co m Matt ar (1999), pesqui sa bási ca é o model o de est udo si ste máti co que t e m a curi osi dade i nt el ect ual co mo pri meira moti vação e a co mpr eensão co mo pri nci pal obj eti vo. Por pesqui sa apli cada entende mos o ti po de est udo si st e máti co moti vado pel a necessi dade de resol ver pr obl e mas concret os. A pesqui sa bási ca f oi utili zada nesse est udo e m vi rt ude do mes mo buscar desvendar conheci ment os novos a r espeit o do t e ma t rat ado, se m apli cações pr evi st as.
Segundo Roesch ( 2005, p. 133), “e m pesqui sas de carát er quantit ati vo, nor mal ment e se pr ocura i dentifi car r el ações de causa e ef eit o ent re f enô menos. Est e é o enf oque pri nci pal da pesqui sa apli cada nas ciênci as exat as”. Os estudos quantit ati vos busca m a pr eci são dos result ados, di mi nui ção do gr au de di screpânci a na análise e i nt er pret ação dos r esult ados, possi bilitando u ma mai or efi cáci a.
Par a Roesch ( 2005), est udos qualit ati vos e quantitati vos usados e m avali ação f or mati va e de result ados são mét odos co mpl e ment ares e não f or mas ant agôni cas. Dessa f or ma, a pes qui sa qualit ati va é adequada para a avali ação f or mati va, quando obj eti var mel horar a ef eti vi dade de u m pr ogra ma. Pesqui sa qualit ati va e suas f or mas de col et a, análise e i nt erpret ação de dados são adequadas par a u ma f ase expl orat óri a de pesqui sa, onde se necessita de i nf or mações i ni ci ais que irão aj udar no desenvol vi ment o de um det er mi nado pr oj et o.
Segundo Tri vi ños ( 1987), as caract erísti cas da pesqui sa qualit ati va são: a pesqui sa qualit ati va te m o a mbi ent e nat ural co mo f ont e diret a dos dados e o pesqui sador co mo i nstru ment o-chave; os pesqui sador es qualit ati vos est ão pr eocupados co m o pr ocesso e não si mpl es ment e co m os result ados e o pr odut o fi nal; o pesqui sador qualit ati vo t ende a analisar seus dados i nduti va ment e.
A pes qui sa dessa monografi a f oi de carát er qualitati vo caract eri zando-se pel a f or mul ação de u ma entrevi st a co m o Chefe da Di vi são de Turi s mo da Pr efeit ura Muni ci pal de Paul o Af ons o, o Sr. Ant ôni o Sil vi no Caet ano dos Sant os, vi sando col et ar i nf or mações r el evant es s obr e o desenvol vi ment o do t urismo na ci dade, e m especial, do t uris mo de avent ura.
A escol ha do Chef e da Di visão de Turi s mo e não do Secret ári o de Turi s mo, t e m co mo mot i vo pri nci pal a parti ci pação mai s ef eti va do Sr. Ant ôni o Sil vi no Caet ano dos Sant os no aco mpanha ment o do pr ojet o de t uris mo de avent ur a, esse desenvol vi do pel a e mpr esa pauli st a Al aya. Isso f ez co m que as i nf or mações col et adas co m el e ti vesse m mai s quali dade do que se fosse m col hi das co m o Secret ári o de Turi s mo.
3. 5 Ti pos de dados
Par a Mal hotra ( 2001), dados pri mári os são gerados por u m pesqui sador par a a fi nali dade específi ca de s ol uci onar o pr obl e ma e m paut a. A col et a de dados pri mári os r equer u m gr ande envol vi ment o por part e do pesqui sador, gera cust os alt os e u m t e mpo de colet a de mor ado. Os dados secundári os são os que j á f ora m col et ados par a obj eti vos que não os do pr obl e ma e m paut a. Os dados secundári os são muit o menos t rabal hosos de col et ar que os dados pri mári os, a col et a é r ápi da e f ácil t em o cust o mai s bai xo que a col et a de dados pri mári os e seu t e mpo é be m mai s curt o.
Par a o caso específi co do pr esent e est udo f ora m utili zados os doi s ti pos de dados, os pri mári os serão col et ados através de u ma entrevi sta f eit a co m o Chef e da Di vi são de Turi s mo da Pr efeit ura Muni ci pal de Paul o Af onso, e os dados secundári os colet ados através de i nf or mações cedi das por i nstit ui ções, nesse caso específi co o Mi ni st éri o do Mei o Ambi ent e e Pr efeit ura Muni ci pal de Paul o Af onso. Esses dados f ora m escol hi dos por sere m ori undos de font es confi ávei s e co mpet ent es.
3. 6 Uni verso e a most rage m da pes qui sa
De acor do co m Matt ar (1999, p. 262), “a a mostra é qual quer part e da popul ação”, enquant o que, a a mostrage m é o processo de col her a mostras de u ma popul ação. Matt ar ( 1999) ai nda afir ma, exi st e m doi s model os para a co mposi ção da a mostra: o mét odo probabilísti co e o não pr obabilísti co ou i nt encional. Na a mostrage m pr obabilísti ca exi st e a mes ma chance est atísti ca para cada me mbr o da popul ação ser i ncl uí do na a mostra. Na a mostrage m não- pr obabilísti ca ocorre o opost o, ou sej a, não há nenhu ma possibili dade de que u m el eme nt o qual quer da popul ação venha a i nt egrar a a mostra.
No est udo f oi utili zado apenas o mét odo não-pr obabilísti co, que por j ul ga ment o fi cou caract eri zado pel a entrevi st a do Chef e da Di vi são de Turi s mo da Pr efeit ura Muni ci pal de Paul o Af onso, Sr. Ant ôni o Sil vi no Caet ano dos Sant os, esse escol hi do obedecendo a u m crit éri o pr é-est abel eci do, l e mbr ando que o uni verso da pesqui sa era caract eri zado por t rês pessoas, essas t eri a m condi ções de f or necer dados sobre o t e ma pesqui sado, esses i ndi ví duos seri a m: Secret ári o Muni ci pal de Turi s mo, Di ret or de Depart a ment o e o Chefe da Di vi são de Turi s mo.
Esse crit éri o t eve co mo obj eti vo obt er i nf or mações r el evant es do desenvol vi ment o da pr áti ca do t uris mo de avent ura na ci dade de Paul o Afonso, essas i nf or mações só poderi a m s er col hi das co m u ma pessoa que esti vesse envol vi da de f or ma pr of unda co m pr oj et o, o Sr. Ant ôni o Sil vi no Caet ano dos Sant os f oi escol hi do de f or ma pr oposit al, poi s el e aco mpanha o desenvol vi ment o do pr ojet o at é o pr esent e mome nt o e é capaz de dar i nf or mações mai s confi ávei s e de quali dade, ao contrári o do Di ret or de Depart a ment o e do Secr et ári o de Turi s mo, poi s os mes mos era m novat os e m decorrênci a de mudanças políticas, e não poderi a m for necer i nf or mações t ão preci sas quant o às for neci das pel o Chefe da Di visão de Turi s mo.
3. 7 Técni cas de pes qui sa
Par a Lakat os e Mar coni (2001, p 174), “t écni ca é u m conj unt o de pr eceitos ou pr ocessos de que se ser ve u ma ci ênci a ou art e; é a habili dade para usar esses pr eceit os ou nor mas, a part e pr áti ca. Toda ci ênci a utiliza i nú mer as t écni cas na obt enção de seus pr opósit os”. A entrevi st a foi u ma t écni ca utili zada par a col et ar i nf or mações apli cadas nesse pr oj et o, essa entrevi st a f oi reali zada co m o Chef e da Di vi são de Turi s mo de Paul o Af onso. El a f oi feit a no di a 09/ 05/ 2007, no Post o de Inf or mações Turí sti cas sit uado no Par que das Ma ngueiras, cent r o da ci dade.
De acor do co m Lakat os e Mar coni ( 2001), a entrevi st a é u m encontr o ent re duas pessoas, a fi m de que u ma del as obtenha i nf or mações a r espeit o de det er mi nado assunt o, medi ant e u ma conser vação de nat ureza pr ofi ssi onal. É u m mét odo na i nvesti gação s oci al, para a col et a de dados ou para aj udar no di agnósti co ou no trat a ment o de u m pr obl e ma social.
Sellti z apud Lakat os e Mar coni ( 2001) afir ma que, são sei s ti pos de obj eti vos exi st ent es e m u ma entrevi st a:
I. Averi guação de “fat os”;
II. Det er mi nação das opi ni ões sobre os fat os; III. Det er mi nação de senti ment os;
I V. Descobert a de pl anos de ação; V. Condut a at ual ou do passado;
VI. Mot i vos consci ent es para opi ni ões, senti ment os, sist e mas ou condut as.
Lakat os e Mar coni ( 2001) afir ma m que, exi st em vári as f or mas de ent revi st as que pode m vari ar de acor do co m o obj eti vo do trabal ho:
i. Padr oni zada ou Estrut urada; ii. Des padr oni zada;
iii. Pai nel.
Ander- Egg cit ado por Mar coni e Lakat os ( 2001) r evel a que, a entrevi st a despadr oni zada apresent a três for mas:
Entrevi st a focali zada; Entrevi st a clí ni ca; Entrevi st a não diri gi da.
No pr esent e est udo f oi utilizado o model o de ent revi st a despadr oni zada e f ocali zada, i sso se caract eri za por el a buscar expl orar de f or ma pr ofunda o t e ma pr opost o, bem c o mo, segui r u m rot eiro de t ópi cos que t enha m envol vi ment o diret o co m o t e ma do pr oj et o, nesse caso, o t uris mo de avent ura, al ém di sso, el a não seguirá de f or ma rí gi da u ma estrut ura for mal.
Lakat os e Mar coni ( 2001) r evel a m ai nda que, exi st e m al gu mas nor mas que deve m s er segui das durant e o desenvol vi ment o de u ma pesqui sa:
Cont at o i ni ci al: o pesqui sador deve entrar e m contat o co m o i nf or mant e e est abel ecer, desde o pri meir o mo me nt o, u ma conversação ami st osa, expli cando a finali dade da pesqui sa, seu obj eti vo, relevânci a e ressalt ar a necessi dade de sua col abor ação;
For mul ação de perguntas: as per gunt as devem s er f eit as de acor do co m ti po de entrevi st a;
Re gi stro de Res post as: as r espost as, se possí vel, deve m ser anot adas no mo me nt o da entrevi st a, para mai or fi deli dade e veraci dade das i nf or mações.
Tér mi no da ent revi st a: a entrevist a deve t ermi nar co mo co meçou, ist o é, e m a mbi ent e de cor di ali dade, para que o pesqui sador, se necessári o, possa voltar e obt er novos dados, se m que o inf or mant e se oponha a isso;
Re qui sitos i mport ant es: as r espost as de u ma ent revist a deve m at ender aos segui nt es requi sit os: vali dade, rel evânci a, especifi ci dade e clareza, pr of undi dade e extensão.
Vali dade: co mparação co m a f ont e ext erna, co m a de outro entrevistador, obser vando as dúvi das, i ncert ezas e hesit ações de monstradas pel o entrevi st ado;
Rel evânci a: I mport ânci a e m relação aos obj eti vos da pesquisa;
Es pecifici dade e Cl areza: referênci a a dados, dat a, no mes, l ugares, quanti dade, percent agens, pr azos et c., co m obj eti vi dade. A cl areza dos t er mos col abor a na especifi ci dade;
Prof undi dade: est á rel aci onada co m os senti ment os, pensa ment os e l embr anças do entrevi st ado, sua i nt ensi dade e i nti mi dade;