1. INTRODUÇÃO
Pode ler-se na introdução do Programa Educação 2015: “A melhoria das competências básicas e dos níveis de formação decorrem de medidas destinadas a assegurar a eficiência do sistema educativo que devem progressivamente traduzir-se em melhores resultados de aprendizagem e no cumprimento efectivo da escolaridade obrigatória de 12 anos”.
Nesse sentido, Portugal, à semelhança de outros países envolvidos na mesma aposta de reforçar uma eficácia educativa, propõe-se elevar os resultados do desempenho, através de metas definidas para o efeito.
O nosso país participa, assim, no Quadro Estratégico de Cooperação Europeia em matéria de Educação e Formação (EF2020) e, mais recentemente, no Projecto Metas Educativas 2021, este no âmbito da Organização de Estados Ibero-americanos. Estes programas têm como objectivos fundamentais a melhoria da educação nos países envolvidos.
O Programa Educação 2015, lançado pelo Ministério da Educação no ano lectivo 2010/2011, visa reforçar o empenho das escolas e também das comunidades educativas para a concretização dos compromissos assumidos por Portugal no âmbito da política educativa.
2. FINALIDADES
O Programa Educação 2015 estabelece metas nacionais a atingir em 2015, em função das quais, e tendo em conta a sua realidade específica, cada Unidade Orgânica (U.O) deve fixar as suas próprias metas anuais, de 2010/11 até 2014/15.
Estas metas são passíveis de reajustamento anual, de acordo com dinâmicas evolutivas internas e/ou externas à Escola, particularmente as resultantes da implementação, no futuro imediato, da escolaridade obrigatória até aos dezoito anos.
As metas são objectivos a atingir pela Escola e constituem referência para a elaboração de estratégias educativas e organizacionais a desenvolver.
Nesta perspectiva, serão ainda tidas em conta na elaboração dos futuros P.E.E. da Escola, durante o período de vigência do Programa Educação 2015.
3. INDICADORES E FIXAÇÃO DE METAS DA ESCOLA
Os indicadores nacionais de qualidade educativa seleccionados pelo Programa Educação 2015 são os seguintes:
Indicador 1 - Resultados em provas nacionais (provas de aferição e exames nacionais de Língua Portuguesa e de Matemática);
Indicador 2 - Taxas de repetência nos vários anos de escolaridade; Indicador 3 – Taxas de desistência escolar.
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3.1. Indicador 1 – Resultados em provas nacionais (exames nacionais do ensino secundário de Língua Portuguesa e Matemática)
O objectivo é avaliar a progressão dos resultados dos exames nacionais nestas duas disciplinas, considerando a percentagem de alunos com classificações de valor igual ou superior a 100 (cem).
Os valores nacionais, concelhios e de U.O., referentes ao ano lectivo de 2009/2010, foram disponibilizados pelo Ministério da Educação, e constituíram-se como baconstituíram-se de trabalho, tendo sido complementados pela Escola, mediante a pesquisa de dados análogos, fornecidos pela M.I.S.I. (Missão para o Sistema de Informação do Ministério da Educação), relativos aos três anos lectivos imediatamente anteriores.
Quadro 1 - Resultados de Exames de Português e Matemática (U.O.)
2006/2007 2007/2008 2008/2009 2009/2010 Média das médias dos 4 anos Português 76,4% 39,5% 70,1% 59,4% 61,4% Matemática A 50,0% 91,8% 68,4% 75,0% 71,3%
A análise dos indicadores (Quadro 1) permite verificar uma grande variabilidade de resultados nos anos pesquisados, a que seguramente não será alheia a oscilação do grau de dificuldade das provas.
Por outro lado, verifica-se que a média dos resultados dos exames na U.O. nos últimos quatro anos (Quadro 1) não se situa longe da meta nacional estabelecida para as duas disciplinas em 2015 (Quadro 2).
Tomando como ponto de partida os valores nacionais respeitantes a 2009/2010, propõe-se uma aproximação gradual aos valores preconizados como meta nacional (Quadro 2).
Quadro 2 – Metas para os Exames Nacionais de Português e Matemática (U.O. e Nacional)
3.2. Indicador 2 – Taxas de repetência dos vários anos de escolaridade O objectivo é avaliar a progressão da percentagem da repetência no ensino secundário. Saliente-se, contudo, que apesar de o Ministério da Educação apenas fixar uma meta para a globalidade do ensino secundário, impõe à U.O. a fixação das suas próprias metas por ano de escolaridade.
São consideradas as percentagens dos alunos dos Cursos Científico-Humanísticos e Profissionais que, no final do ano lectivo, não transitam, não concluem ou excluem por faltas.
Os valores nacionais, concelhios e de U.O. referentes ao ano lectivo de 2009/2010 foram disponibilizados pelo Ministério da Educação, como base de trabalho, tendo sido complementados pela Escola, mediante pesquisa de indicadores análogos, fornecidos pela MISI, referentes aos três anos lectivos imediatamente anteriores.
Quadro 3 - Taxas de Repetência (U.O.)
2006/2007 2007/2008 2008/2009 2009/2010 Média das médias dos 4 anos 10º ano 20,2% 14,0% 8,8% 17,7% 15,2% 11ºano 33,2% 17,1% 10,9% 22,3% 20,9% 12º ano 45,7% 40,2% 41,2% 39,9% 41,8% Secundário 32,9% 21,6% 18,5% 27,5% 23,9%
A análise dos indicadores (Quadro 3) permite verificar um expressivo decréscimo da taxa de repetência nos anos de 2007/2008 e 2008/2009 que, significativamente, coincide com o alargamento da oferta dos Cursos Profissionais, introduzidos no ano anterior. Contudo, em 2009/2010 registou-se um agravamento acentuado dos valores referentes ao 10º e 11º anos com reflexo no valor da repetência na globalidade do Secundário.
A tendência de melhoria inverteu-se pois, dramática e inesperadamente, no ano lectivo de 2009/2010, por causas no momento ainda difíceis de determinar, mas que poderão eventualmente passar por diversas circunstâncias:
• maior grau de exigência dos professores, decorrente da pressão dos processos de avaliação externa e de avaliação do desempenho dos docentes;
• ausência de perspectivas de transição para o mundo do trabalho por parte dos alunos, resultante da situação de crise económica que o país atravessa, e que os valores referentes ao abandono escolar da U.O. neste ano lectivo parecem confirmar (3.3., Quadro 5); não é previsível que a permanência na escola de maior número de alunos com reduzido nível de motivação, por ausência de ocupação alternativa, se venha a atenuar com o alargamento da escolaridade obrigatória até aos dezoito anos, tendendo a condicionar negativamente a evolução da taxa de repetência.
Os indicadores respeitantes a 2009/2010 levam a duvidar da viabilidade de atingir a meta nacional do secundário para 2015. Neste sentido, considera-se mais realista propor um esforço de aproximação gradual dos valores da U.O. ao da actual média nacional, procurando assim diminuir a discrepância que no momento se verifica (Quadro 4).
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*Os valores respeitantes à globalidade do secundário na U.O. constituem referência para as metas por ano de escolaridade, independentemente de não constarem da aplicação informática do M.E.
3.3. Indicador 3 – Taxas de Desistência aos 14, 15 e 16 anos
O objectivo é avaliar o grau de cumprimento da escolaridade obrigatória de 12 anos, em fase de implementação.
São consideradas as percentagens dos alunos de diferentes níveis etários matriculados no sistema público de educação, num dado ano lectivo, que não se matricularam no mesmo sistema no ano lectivo seguinte.
Os valores nacionais e concelhios, referentes ao ano lectivo de 2009/2010, foram disponibilizados pelo Ministério da Educação (M.E.), como base de trabalho. Os dados referentes à U.O. tiveram de ser completados mediante pesquisa pela escola, de acordo com orientações do M.E., dada a desactualização de informação fornecida pela M.I.S.I.
Devido à complexidade deste processo de pesquisa, tornou-se inviável estender o estudo a anos lectivos anteriores.
A análise dos indicadores (Quadro 5) permite verificar que em 2009/2010 o nível de abandono da U.O. se apresenta residual.
Uma vez que os valores nacional e concelhio disponibilizados deverão ser rectificados, a partir da actualização de dados fornecidos por cada U.O., não parecem constituir elemento de referência fiável.
A percentagem residual de abandono em 2009/2010 verificada na U.O. afigura--se bastante surpreendente, em função da experiência de quem há muito lecciona na Escola. Verificou-se que a totalidade das situações de abandono detectadas não resultou em integração no mercado de trabalho. Este facto, associado à generalizada situação de desemprego, sugere que os indicadores de 2009/2010 terão sido condicionados pela presente conjuntura de crise económica, reflectindo uma situação nova mas de recorrência imprevisível. A escassa consistência da informação recolhida, a partir da qual se estabeleceram as metas, confere-lhes um elevado grau de incerteza que uma próxima actualização de dados e a variação das circunstâncias actuais poderão vir a corrigir. Os valores propostos constituem um compromisso entre as metas nacionais e uma realidade em mutação, cuja evolução constitui no momento uma incógnita, pretendendo-se reduzir em cinco anos o valor referente à globalidade do Secundário em 35% (Quadro 5).
Quadro 5 – Taxas de Desistência aos 14,15 e 16 anos
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Anexo 8 – Fundamento para a prorrogação da vigência do PEE
O Decreto-Lei nº 75/2008, de 22 de Abril, no Artigo 9º, ponto 1 a) determina que o Projecto Educativo consagra a orientação educativa das escolas para um horizonte de três anos. Por outro lado, o Despacho nº 5634-F/2012, de 26 de Abril, impõe, no ponto 3.1, a conclusão do processo de agregação de escolas e consequente constituição de agrupamentos até final do ano escolar de 2012/13.
Após a publicação do referido despacho, o Conselho Pedagógico, em reunião ordinária de 9 de maio, decidiu por unanimidade suspender o processo de elaboração de novo projeto educativo, por manifesta impossibilidade de conciliar o disposto nos dois diplomas legais, o que implica o prolongamento da vigência do Projeto Educativo atual.
Reconhece-se, contudo, que significativas transformações do sistema educativo nacional ocorridas nos últimos anos têm implicado mudanças com impacto profundo nas escolas, visando o relacionamento com as estruturas políticas que as tutelam, a inserção nas comunidades em que se inserem e a dinamização das suas estruturas organizativas.
No ano letivo de 2009/2010, a Escola foi alvo de avaliação externa cujo relatório final conduziu, de imediato, a uma ampla e profunda reflexão. Foram analisados modos de atuação e procedimentos comummente praticados, assim como as falhas apontadas no referido relatório e constituiu-se um grupo de Auto-Avaliação. A partir de então, a Escola tem evoluído.
Consequentemente, o PEE em vigor apresenta-se desajustado, sentindo-se a necessidade de o complementar com um registo das alterações que têm vindo a ser implementadas em articulação com metas entretanto definidas pela Escola. Este registo, bem como o presente documento, passam a integrar o Projeto Educativo em vigor após aprovação pelo Conselho Geral.