VII C APÍTULO
2. METODOLOGIA ADOPTADA
“Tentar a classificação dos métodos é uma das principais tarefas da metodologia, que lhe permite cumprir a sua função de clarificar os seus campos de incidência, detectar os principais problemas que neles se levantam, codificar as soluções provisórias exploradas nas investigações através da articulação dos respectivos percursos” (Almeida & Pinto, 1982, p. 86).
Assim, consideramos que esta investigação possui dois momentos distintos: − Levantamento exploratório de informação sobre a existência e utilização
de SGAI nas Instituições de Ensino Superior em Portugal; − Análise comparativa/descritiva dos ambientes existentes.
Possuindo este estudo duas fases distintas, embora graduais, parece-nos importante reflectir sobre a necessidade de conciliar diferentes abordagens metodológicas. Enquanto que numa primeira fase da investigação incidimos mais sobre aspectos quantitativamente analisados, na segunda fase, muitos dos dados terão um carácter qualitativo. A este propósito, Julia Brannen entende que “(...) the practice of research is a messy and untidy business which rarely conforms to the models set down in methodology textbooks.” (1995, p. 3). Neste sentido, podemos salientar que numa
única investigação pode ser possível, e até necessária, a utilização de diferentes abordagens, tanto qualitativa como quantitativa. Assim, uma abordagem between- methods num estudo significa o uso de diferentes métodos (Brannen, 1995, p. 11).
O interesse na clarificação do tipo de estudo a desenvolver leva-nos a recorrer a autores como Greenwood (1965) que classificam os campos de incidência metodológica em três essenciais: experimental, de medida e de casos. Nesta nossa investigação interessa-nos debruçarmo-nos sobre o método de medida ou análise extensiva. Greenwood (1965) caracteriza este método com três aspectos essenciais: a amostra, a busca de dados primários e a análise quantitativa.
Por um lado, este método “(...) impõem o estudo de populações muito amplas, as quais, frequentemente, atingem a escala dos milhares e por vezes se encontram geograficamente muito dispersas.” (Greenwood, 1965). Nesta nossa investigação, e na primeira fase, consideramos pertinente optar pela totalidade da população e não por uma amostra, já que a selecção ou não de determinadas instituições poderia ocasionar enviesamento de resultados, pois as instituições de Ensino Superior possuem muitas vezes campos de ensino e investigação específicos que, por estarem mais ou menos vocacionadas para a área das tecnologias, poderiam causar falsas tendências nos resultados obtidos.
“Uma segunda característica do método consiste em que implica a busca de dados primários proporcionados por informadores individuais.” (Greenwood, 1965). O autor salienta a importância de perceber os dados de comunidades e de grupos e que “(...) tais dados podem obter-se, quer directamente por meio de entrevista, quer indirectamente, por meio de questionários.” (Greenwood, 1965). Por fim os dados devem ser sujeitos a uma análise quantitativa com a normalização dos instrumentos a aplicar e a definição exacta de categorias.
Entendemos também que esta investigação, embora não se baseie num estudo avaliativo, toca em alguns dos seus fundamentos já que, ao pretender caracterizar uma determinada realidade, pode levar à alteração de metodologias e práticas na temática em questão. Rossi e Freeman (1993, p. 5) definem o conceito de investigação avaliativa de uma forma clara e que nos parece fundamentar essa vertente: “Evaluation research is the
systematic application of social research procedures for assessing the conceptualisation, design, implementation, and utility of social intervention programs.”
Relativamente à forma como este estudo está estruturado, torna-se importante salientar que, segundo os autores (Rossi & Freeman, 1993, p. 46), “evaluations are undertaken to influence the actions and activities of individuals and groups who have, or are presumed to have, an opportunity to tailor their actions on the basis of the results of the evaluation efforts.” Embora não seja nosso objectivo principal desenvolver um estudo puramente avaliativo, mas sim com um carácter essencialmente descritivo/comparativo, pretende-se que os dados resultantes deste estudo propiciem o conhecimento de uma realidade, de forma a permitir que diversas entidades possam desenvolver alterações nas práticas que dizem respeito à utilização de SGAI.
Embora recorramos inicialmente à utilização de uma técnica com carácter quantitativo (inquérito por questionário) para perceber a existência de SGAI e o tipo de utilização desenvolvido pelas Instituições, pretendemos também conciliá-las com estratégias de análise descritiva de forma a, já na segunda fase deste estudo, caracterizar as plataformas, não só em termos de ferramentas que disponibilizam, mas também em relação a questões de usabilidade.
Tratar-se-á, pois, na segunda fase, de um estudo documental. No que diz respeito ao estudo de documentos, De Ketele e Roegiers (1999, p. 37), entendem que depende da sua natureza, da quantidade e da finalidade da investigação. Em relação à natureza dos documentos, os autores apontam diversos tipos, no entanto, podemos considerar que se inserem no tipo de documentos publicados, neste caso na internet, e de tipo informatizado.
Por outro lado, e no que diz respeito à quantidade, os autores (De Ketele & Roegiers, 1999), referem que “a quantidade dos documentos para analisar determinará o tipo de análise: uma análise exaustiva dos documentos ou, pelo contrário, uma análise por amostragem ou por selecção.” Na segunda fase do nosso estudo, a quantidade de plataformas a analisar, dependeu essencialmente de dois factores:
− Resultados dos inquéritos da primeira fase do estudo;
Podemos, assim, considerar que a recolha de informação correspondente à primeira fase possui um carácter essencialmente exploratório, que possibilita o desenvolvimento da fase posterior.