3. Apresentação da investigação
3.3. Metodologia
Para que uma investigação possa ser realizada o investigador tem que estabelecer um conjunto de etapas. Estas vão desde a definição de um tema ou um objeto de estudo até ao apresentar os resultados. De acordo com Sousa e Baptista, (2014, p. 3) “uma investigação trata-se de um processo de estruturação do conhecimento, tendo como objetivos fundamentais conceber novo conhecimento ou validar algum conhecimento preexistente, ou seja, testar alguma teoria para verificar a sua veracidade”.
São apresentados, neste capítulo, os métodos e técnicas utilizadas para desenvolver esta investigação, tais como os instrumentos de recolha de dados.
3.3.1. Contextualização e justificação da investigação
A investigação, denominada de “Potencialidades da Realidade Aumentada em contexto de Educação Pré-Escolar”, foi desenvolvida no decorrer da Prática Supervisionada em Educação Pré-Escolar, no primeiro semestre do Mestrado em Educação Pré-Escolar e ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico.
Como referido anteriormente, foi com o intuito de desmitificar as TIC e demonstrar as potencialidades que estas nos podem oferecer, que surgiu esta investigação. Centrámo-nos na Realidade Aumentada por ser inovadora e por ainda existirem poucos estudos nesta área.
Na nossa opinião, é importante que as tecnologias estejam presentes na sala de atividades. A educação tem que seguir o desenvolvimento da sociedade. Entendemos, tal como Gil (2008, p. 640), que “estamos numa época em que as barreiras tradicionais têm vindo a ser derrubadas ao nível social, ao nível cultural, ao nível económico... daí que a «barreira escolar» tenha tendência a desaparecer (…). Para isso, é necessário que as novas tecnologias deixem de ser um mito e passem a ser aceites, com todas as potencialidades que nos podem oferecer. Mas também é muito importante que, para o sucesso da integração das Tecnologias de Informação e Comunicação nas escolas, ter docentes preparados e empenhados em fazer uso dos novos meios à sua disposição, para rentabilizar as aprendizagens da comunidade educativa (Santos , 2001).
3.3.2. Questão-problema e objetivos de estudo
Para realizar esta investigação foi necessário partir de uma questão-problema. Para o efeito, definiu-se a seguinte questão de investigação:
“Quais as potencialidades da Realidade Aumentada nas aprendizagens das crianças no âmbito da educação Pré-Escolar?”
Para poder dar resposta a esta pergunta, foram também estabelecidos os seguintes objetivos:
Operacionalizar estratégias de aprendizagem em educação Pré-Escolar com a utilização de aplicações digitais em Realidade Aumentada.
Avaliar o impacto das aprendizagens das crianças através da utilização da Realidade Aumentada, na educação Pré-Escolar, em contexto de sala de atividades.
3.3.3. Local da implementação e participantes da investigação
A investigação realizou-se numa instituição da cidade de Castelo Branco. Esta instituição tem como oferta formativa as valências de creche e Pré-Escolar.
Os participantes, deste estudo, foram o grupo de crianças de uma sala de Pré- Escolar, com idade de 5 anos. O grupo era constituído por 22 crianças. Destas, 13 eram do sexo feminino e 9 do sexo masculino. Não foi estipulada nenhuma amostra para a realização da investigação, tendo todo o grupo sido interveniente. Todas as crianças apresentavam um desenvolvimento adequado à idade, à exceção de uma criança que apresentava Necessidades Especiais.
Foi também importante, numa fase inicial, perceber a opinião dos encarregados de educação e educadores quanto ao uso das TIC, quer no seu dia-a-dia quer em contexto de sala de atividades.
3.3.4. Investigação qualitativa e investigação-ação
O estudo desenvolvido enquadra-se no paradigma qualitativo. Como defendido por Sousa e Baptista, (2014, p. 56): “A investigação qualitativa surgiu como alternativa ao paradigma positivista e à investigação quantitativa, os quais se mostraram ineficazes para a análise e estudo da subjetividade inerente ao comportamento e à atividade das pessoas e das organizações”.
Bento (2012, p.12) define investigação qualitativa de investigação quantitativa da seguinte forma:
A investigação qualitativa foca um modelo fenomenológico no qual a realidade é enraizada nas perceções dos sujeitos; o objetivo é compreender e encontrar significados através de narrativas verbais e de observações em vez de através de números. A investigação qualitativa normalmente ocorre em situações naturais em 2 contraste com a investigação quantitativa que exige controlo e manipulação de comportamentos e lugares.
Para Bogdan e Biklen, (1994, p. 49): “ A abordagem da investigação qualitativa exige que o mundo seja examinado com a ideia que nada é trivial, que tudo tem potencial para construir uma pista que nos permita estabelecer uma compreensão mais esclarecedora do nosso objeto de estudo”. Sousa e Baptista (2014, p. 56), afirmam mesmo que “a investigação qualitativa concentra-se na compreensão dos problemas, analisando os comportamento, as atitudes e os valores”.
Como defendido por Bogdan e Biklen (1994, p. 47): “Na investigação qualitativa a fonte direta de dados é o ambiente natural constituindo o investigador o instrumento principal”. Os autores acrescentam ainda que “os investigadores introduzem-se e despendem grandes quantidades de tempo em escolas, famílias, bairros e outros locais tentando elucidar questões educativas”.
Tendo em conta que o investigador teve um carácter participativo na investigação, será pertinente dizer que nos encontramos perante uma investigação-ação inserindo- se também no panorama exploratório. A investigação-ação, como nos indica Máximo- Esteves (2008, p. 23), “ teve a sua génese nos Estados Unidos”. Esta caracteriza-se por ser uma metodologia em que o investigador não é um agente externo ao processo, e todos os intervenientes estão envolvidos (Sousa & Baptista, 2014). Entenda-se por intervenientes, o investigador, o grupo de crianças e ainda o(s) educadores(s) da sala, bem como os pais das crianças.
Segundo Coutinho, et al. (2009, p. 375): “A investigação-ação é uma das metodologias que mais pode contribuir para a melhoria das práticas educativas, exatamente porque aproxima as partes envolvidas na investigação, colocando-as no mesmo eixo horizontal”. Coutinho et al afirmam ainda que “ A investigação-ação pode ser descrita como uma família de metodologias que incluem ação (ou mudança) e investigação (ou compreensão) ao mesmo tempo, utilizando um processo cíclico ou em espiral, que alterna entre ação e reflexão critica”.
Para Lourenço, Oliveira e Monteiro (2004, p.4) “ (…) investigação-ação é o “aprender fazendo” – uma pessoa ou um grupo de pessoas identifica um problema, faz algo para resolver, verifica se os esforços resultaram e, em caso contrário, define um novo plano de ação. Assim, estabelecem o seguinte modelo cíclico da investigação-ação, apresentado na figura 97:
Como podemos depreender, este ciclo induz-nos à existência de mais do que um ciclo na investigação-ação. Partindo sempre de um plano inicial para por em ação, o investigador observa tudo o que está relacionado a problemática e reflete sobre a ação. Não sentindo que as suas ações foram assertivas quanto ao problema a ser estudado, o investigador pode traçar um novo plano e refazer todo o processo de forma a obter as respostas para a problemática. Assim, a investigação-ação permite ao investigador, durante todo o processo, proceder a ajustes que possam produzir alguma melhoria durante a investigação.