3. Apresentação da investigação
3.4. Técnicas e instrumentos de recolha de dados
Para Sousa e Baptista (2014, p. 70) as técnicas e instrumentos de recolha de dados são “um conjunto de processos operativos que nos permite recolher os dados empíricos que são uma parte fundamental do processo de investigação”. Assim, como instrumentos de recolha de dados foram utilizadas as notas de campo durante todo o processo de investigação, a observação direta, o focus-grupo (grupos de discussão), questionários aos encarregados de educação e entrevistas semiestruturadas às educadoras da instituição. Foram ainda utilizados suportes tecnológicos como a fotografia e o vídeo.
3.4.1. Notas de campo
As notas de campo são um elemento fundamental deste processo, pois facilitaram a investigadora aquando da elaboração do relatório, auxiliando a memória deste em aspetos que este considerou importantes. Têm como principal objetivo “registar um pedaço da vida que ali ocorre (…)” (Máximo-Esteves, 2008, p. 88).
Bogdan e Biklen, (1994, p. 150) definem as notas de campo como sendo “o relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha e refletindo sobre os dados de um estudo qualitativo”.
Como se poderá subentender, foram recolhidas notas de campo durante todas as sessões práticas e, no final de cada uma das mesmas, era realizada uma reunião com a Orientadora Cooperante, de caráter crítico e reflexivo, com o intuito de complementar e/ou reafirmar as observações que a investigadora tinha recolhido.
3.4.2.Observação participante
A observação baseia-se na presença do investigador no local da recolha de dados. Esta observação por ser direta torna o investigador o principal instrumento de observação (Sousa & Baptista, 2014). No opinião de Carmo e Ferreira (2008, p.121) definem a observação como uma situação em que o investigador assume explicitamente um papel de estudioso junto da população observada, combinando com
outros papéis sociais, no caso do professor, privilegiando-o num bom lugar de observação.
Durante esta investigação a investigadora teve um momento inicial de observação do contexto para melhor compreender as dinâmicas do grupo. Numa fase posterior este passou a ter um papel ativo junto do grupo, sendo o principal interveniente junto deste.
3.4.3.Focus Grupo (grupos de discussão)
O focus grupo ou grupo de discussão foi utilizado durante as sessões programadas. A investigadora foi a moderadora das sessões, e foi conduzindo conforme o propósito do estudo, debatendo e confrontando ideias com o grupo de crianças. Estas sessõs decorriam antes e depois da utilização das aplicações utilizadas para esta investigação. Burnaford (2001) citado por Máximo-Esteves (2008) refere que este género de entrevista permite ao investigador “difinir com mais clareza e brevidade os aspetos da prática que se propôs investigar”. Assim, devido à oralidade menos completa ou eficiente do grupo de crianças, o focus group conseguiu esclarecer dúvidas da investigadora de forma a poder tornar mais clara a sua intervenção e até de possíveis reformulações a introduzir nas planificações das sessões subsequentes.
3.4.4. Inquérito por questionário
Para Coutinho, et al., (2009, p. 62) “Esta técnica baseia-se na criação de um formulário, previamente elaborado e normalizado”. Na opinião de Sousa e Baptista (2014, pp.90-91) “um questionário é um instrumento de investigação que visa recolher informações baseando-se, geralmente, na inquirição de um grupo representativo da população em estudo”.
No caso desta investigação, os questionários, tiverem como alvo os encarregados de educação do grupo de crianças, e o seu propósito deveu-se a tentar perceber a utilização que estes fazem das TIC em termos pessoais e profissionais, bem como perceber qual sua opinião em relação à utilização destas em contexto Pré-Escolar. Antes de ser aplicado, foi validado por um professor especialista em TIC, da Escola Superior de Educação de Castelo Branco e por uma educadora de infância, através do Método dos Juízes. Após a validação procederam-se às correções sugeridas, tendo o mesmo sido aplicado aos encarregados de educação do grupo de crianças.
No apêndice D encontra-se um modelo do questionário aplicado. Da sua estrutura fazem parte uma apresentação inicial da investigadora e finalidades do mesmo. Na parte A é solicitada a identificação do inquirido quanto à idade, sexo e habilitações literárias. Na parte B pede-se aos inquiridos que, de acordo com as escalas assinaladas, indiquem a sua opinião sobre as TIC ao nível pessoal, profissional e utilização em
contexto educativo. Para finalizar, e utilizando respostas abertas, solicita-se os inquiridos que refiram quais os seus conhecimentos acerca da Realidade Aumentada.
3.4.5. Entrevistas
A entrevista é uma técnica de recolha de dados muito utilizada na investigação qualitativa. Entendemos, tal como Amado e Ferreira, (2014, p. 207), que “A entrevista é um dos mais poderosos meios para se chegar ao entendimento dos seres humanos e para a obtenção de informações nos mais diversos campos”. A entrevista é um método de recolha de informações que consiste em conversas orais, individuais, (…), cujo grau de pertinência, validade e fiabilidade é analisado na perspetiva dos objetivos da recolha de informação, como refere Ketele (1999), citado por Sousa e Baptista (2014). Segundo Minayo e Costa (2018, p. 141) a entrevista “constitui-se como uma conversa a dois ou entre vários interlocutores, realizada por iniciativa de um Entrevistadora e destinada a construir informações pertinentes a determinado objeto de investigação”.
Foram realizadas, durante esta investigação, entrevistas de forma presencial e direcionadas às educadoras da instituição. A sua aplicação teve como objetivo perceber a sua visão sobre as tecnologias e qual a utilização dada às tecnologias em termos profissionais e pessoais. Para tal, foi realizado um guião (apêndice E) com um conjunto de tópicos a seguir durante a realização das mesmas. Posteriormente foram transcritas e analisado o seu conteúdo que se será apresentado no capítulo da análise de dados. Na sua estrutura, o guião encontra-se definido por 6 blocos. No bloco I, o Entrevistadora apresenta-se e faz uma contextualização do estudo e da realização da entrevista. No bloco II, trata-se de traçar o perfil geral do entrevistado. Nos blocos III e IV questiona- se o entrevistado acerca da sua utilização das TIC em temos pessoais e profissionais respetivamente. No bloco V pretende-se conhecer a opinião do entrevistado em relação à Realidade Aumentada. E, por fim, o bloco VI o Entrevistadora agradece a participação do entrevistado e permite que o entrevistado possa apresentar os comentários que entender mais convenientes.
3.4.6. Fotografias e vídeo
Durante todo o processo foram sendo realizados registos em vídeo e fotografia de forma a fundamentar todo o estudo desenvolvido. Como defendido por Máximo- Esteves, (2008, p. 91) “as imagens registadas não prestendem ser trabalhos artísticos, apenas documentos que contenham informação visual disponível para mais tarde, depois de convenientemente arquivadas, serem analisadas e reanalisadas, sempre que tal seja necessário e sem grande perda de tempo”.
Para Bogdan e Biklen (1994, p. 183): “A fotografia está intimamente ligada à investigação qualitativa (…) e pode ser usada de maneiras muito diversas. As fotografias dão-nos fortes dados descritivos, são muitas vezes utilizadas para compreender o subjetivo e são frequentemente analisadas indutivamente”.
O intuito do vídeo e das entrevistas foi o de poderem aumentar as fontes de dados para a investigadora, no sentido de poder complementar os dados recolhidos através de outros instrumentos de investigação. É evidente que nunca será exposta a imagem ou identidade dos elementos filmados e fotografados.