2. FUNDAMENTAÇÃO E REVISÃO DE LITERATURA
2.2 GESTÃO DO CONHECIMENTO
2.2.7 Metodologia CommonKADS
A metodologia CommonKADS visa projetar sistemas de conhecimento, contemplando
o contexto (i.e., contexto organizacional, da tarefa e dos agentes), o conteúdo (i.e.,
conhecimento e comunicação) no modelo de projeto do sistema. A metodologia
CommonKADS é uma metodologia voltada ao desenvolvimento de sistemas intensivos em
conhecimento e segue uma criteriosa e profunda análise organizacional para identificar a
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viabilidade do sistema de conhecimento, a melhor técnica de engenharia do conhecimento a ser
empregada e a direção para o desenvolvimento do sistema (SCHREIBER et al., 2002).
CommonKADS é uma valiosa fonte de princípios e técnicas de modelagem do conhecimento,
a qual oferece um conjunto de etapas para o desenvolvimento de Sistemas Baseados em
Conhecimento (SCHREIBER et al., 2002).
CommonKADS permite identificar as oportunidades e gargalos na forma como as
organizações desenvolvem, distribuem e aplicam os seus recursos de conhecimento e, assim,
dá ferramentas para a gestão do conhecimento corporativo. A metodologia também fornece os
métodos para realizar uma análise detalhada das tarefas e processos de conhecimento intensivo,
e apoia o desenvolvimento de sistemas de conhecimento, que suportam as peças selecionadas
do processo de negócio
1.
O CommonKADS parte do pressuposto de que o conhecimento pode ser modelado num
sistema, visando à melhoria da qualidade, da produtividade e à agilidade na tomada de decisão.
Segundo seus idealizadores:
A engenharia do conhecimento permite focar as oportunidades e gargalos a respeito
de como as organizações desenvolvem, distribuem e aplicam seus recursos de
conhecimento, de modo a fornecer as ferramentas para a gestão do conhecimento
corporativo (SCHREIBER et al., 2002, p.7).
Para atingir sua finalidade, a metodologia opera a partir da análise do contexto da
organização, buscando o estabelecimento do seu modelo, bem como, de seus agentes e das
tarefas que esses agentes devem desempenhar. Essas três abordagens – modelo da organização,
da tarefa e do agente – podem ser consideradas as etapas gerenciais preliminares à etapa de
modelagem do conhecimento. Ao propor um detalhamento do contexto organizacional, o
CommonKADS estabelece uma série de passos, todos encabeçados pela identificação dos
pontos fortes e fracos da organização.
Devido ao caráter investigativo do contexto e à análise de viabilidade, tanto da
organização proposta, quanto do próprio projeto, a metodologia CommonKADS possui uma
vantagem em relação às demais abordagens metodológicas da Estratégia do Conhecimento
(EC), pois considera o negócio organizacional, bem como fatores contextuais que possam
influenciar ou mesmo inviabilizar o desenvolvimento de um projeto de sistema de
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conhecimento. Essa característica proporciona, portanto, uma abordagem madura e concisa de
um projeto de EC (SCHREIBER et al., 2002).
Os modelos sugeridos pelo CommonKADS são (Figura 6):
• Modelo da organização: análise das macros características da organização, com o
intuito de descobrir problemas e oportunidades, que possam ser respondidos por SBC.
A análise inicial envolve, inclusive, a identificação da viabilidade do projeto e seu
impacto na organização, por meio de ações do conhecimento;
• Modelo da tarefa: analisa o layout das tarefas, suas entradas, saídas, precondições e
critérios de desempenho, bem como recursos de conhecimento e competências
necessárias;
• Modelo do agente: descreve os agentes, suas características, competências, autoridades
e restrições dentro da organização;
• Modelo do conhecimento: representa o conhecimento envolvido no conceito do
projeto;
• Modelo de comunicação: apoia o mapeamento das transações realizadas entre agentes
e tarefas; e
• Modelo do projeto: é a convergência dos modelos supracitados em um projeto de SBC.
Figura 6 - Visão geral da metodologia CommonKADS
Fonte: Elaborada pela autora
Uma das vantagens da metodologia é que nem todos os modelos precisam ser utilizados
em cada projeto de SBC. A escolha dos modelos utilizados fica a critério do engenheiro do
conhecimento, que os selecionará de acordo com a necessidade do projeto e de sua visão de
mundo.
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De acordo com Nonaka e Takeuchi (1997), a criação do conhecimento organizacional
necessita dos 4 tipos de produção de conhecimento (captura, codificação, compartilhamento e
disseminação do conhecimento). O objetivo da GC é facilitar de forma apropriada esses
processos de conhecimento, de maneira que uma espiral ascendente e dinâmica de
conhecimento possa emergir na organização. Nessa visão, a Engenharia do Conhecimento,
conforme vista na Metodologia CommonKADS, é particularmente útil no processo de
EXTERNALIZAÇÃO, na conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito. Além
disso, a COMBINAÇÃO de conhecimento também encontra métodos na EC, especialmente em
metodologias de reuso de tarefas e modelos de conhecimento. A importância do conhecimento
tácito é consenso nas áreas de EC e GC.
Assim, podemos dizer que a GC é um framework e um conjunto de ferramentas para
melhorar a infraestrutura de conhecimento da organização, objetivando conseguir o
conhecimento correto junto às pessoas certas, na forma correta e no tempo certo. Embora as
metodologias de modelagem de conhecimento, como CommonKADS, não sejam métodos de
GC, oferecem uma série de instrumentos práticos úteis nesse objetivo, em particular as técnicas
para organizações orientadas a conhecimento, análise da tarefa e métodos para melhorar o
compartilhamento e reuso do conhecimento (PACHECO, 2004). Portanto, a Engenharia do
Conhecimento tem muitas aplicações, sendo que a construção de sistemas de conhecimento é
somente uma delas, embora seja a mais importante.
A metodologia CommonKADS tem sido utilizada em trabalhos da gestão do
conhecimento, análise de viabilidade de projetos e definição de estratégia de IT. Apoia nas
etapas iniciais de análise de requisitos em projetos de desenvolvimento de sistemas de
informação. Em todas as aplicações da engenharia do conhecimento, a modelagem conceitual
do conhecimento de diferentes níveis de detalhes é o ponto central.
O avanço tecnológico impulsionou o desenvolvimento de Sistemas Baseados em
Conhecimento (SBC) que utilizam a inteligência computacional para auxiliar nas tarefas
intensivas em conhecimento (ZHAO, YANXIANG & HUI, 2005; RODRÍGUEZ et al., 2009a).
Nesse sentido, a Engenharia do Conhecimento (EC) é uma área que pode auxiliar este processo
através de um conjunto de métodos, técnicas e ferramentas que oferecem suporte à Gestão do
Conhecimento (GC) para a formalização e explicitação das atividades intensivas em
conhecimento (SCHREIBER et al., 2002).
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A presente pesquisa considera o Observatório de Conhecimento uma tecnologia de
conhecimento e, como tal, propõe que todo observatório seja contextualizado na organização
antes de ser materializado tecnologicamente. Para isso, o Modelo da Organização do
CommonKADS permite identificar o contexto de propósito da organização (seus objetivos e
portfólio e áreas relevantes), a oportunidade, os atores afetos, a estrutura organizacional que se
beneficia ou que é afetada por um futuro Observatório. Nesse sentido, apenas o Modelo de
Organização, dado que os demais modelos, de tarefa, agentes, conhecimento e comunicação
têm seus elementos constantes na própria metodologia que é adotada para desenvolver o
Observatório de Conhecimento.
O modelo da organização, proposto por Schreiber et al. (2002), é aplicado com o uso de
planilhas, ferramentas de apoio à organização e sistematização das informações iniciais do
SBC. Esse modelo faz parte do mapeamento do contexto em que o SBC atuará, caso seja
comprovada sua viabilidade de construção.
A primeira planilha (Figura 7), OM-1, tem o objetivo de explicitar os problemas e as
oportunidades da organização, bem como sua relação com as possíveis soluções em que o
conhecimento pode ser um fator relevante de vantagem competitiva e agregação de valor. Além
disso, a planilha descreve o contexto em que os problemas se encontram. A segunda planilha é
a OM-2, que trata dos aspectos variantes da organização. O modelo OM-2 busca descrever a
estrutura organizacional, seus principais processos, as pessoas envolvidas no projeto, os
recursos e os conhecimentos que serão utilizados, bem como mapear a cultura e os poderes que
podem influenciar a implantação e desenvolvimento do projeto de SBC.
A planilha OM-3 detalha as tarefas intensivas em conhecimento, com apontamento de
quem a executa, que ativos de conhecimento utilizam, sua condição e relevância no contexto
organizacional.
A planilha OM-4 detalha cada ativo de conhecimento identificado nas tarefas do OM-3
é detalhado nesta etapa, quando se procura observar as condições organizacionais destes ativos,
enquanto forma, lugar, tempo e qualidade necessária ao seu exercício.
O Modelo Organizacional resulta um estudo de viabilidade positivo, que utiliza cinco
tabelas para extrair os aspectos organizacionais e formar um modelo da organização.
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Fonte: Elaborada pela autora
Neste trabalho, a metodologia CommonKADS serviu de referência para a proposição
das etapas a serem realizadas no projeto de concepção de um Observatório de Conhecimento,
entendido como um sistema de conhecimento organizacional.
No documento
GESTÃO DO CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL
(páginas 44-49)