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Metodologia CommonKADS

No documento GESTÃO DO CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL (páginas 44-49)

2. FUNDAMENTAÇÃO E REVISÃO DE LITERATURA

2.2 GESTÃO DO CONHECIMENTO

2.2.7 Metodologia CommonKADS

A metodologia CommonKADS visa projetar sistemas de conhecimento, contemplando

o contexto (i.e., contexto organizacional, da tarefa e dos agentes), o conteúdo (i.e.,

conhecimento e comunicação) no modelo de projeto do sistema. A metodologia

CommonKADS é uma metodologia voltada ao desenvolvimento de sistemas intensivos em

conhecimento e segue uma criteriosa e profunda análise organizacional para identificar a

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viabilidade do sistema de conhecimento, a melhor técnica de engenharia do conhecimento a ser

empregada e a direção para o desenvolvimento do sistema (SCHREIBER et al., 2002).

CommonKADS é uma valiosa fonte de princípios e técnicas de modelagem do conhecimento,

a qual oferece um conjunto de etapas para o desenvolvimento de Sistemas Baseados em

Conhecimento (SCHREIBER et al., 2002).

CommonKADS permite identificar as oportunidades e gargalos na forma como as

organizações desenvolvem, distribuem e aplicam os seus recursos de conhecimento e, assim,

dá ferramentas para a gestão do conhecimento corporativo. A metodologia também fornece os

métodos para realizar uma análise detalhada das tarefas e processos de conhecimento intensivo,

e apoia o desenvolvimento de sistemas de conhecimento, que suportam as peças selecionadas

do processo de negócio

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.

O CommonKADS parte do pressuposto de que o conhecimento pode ser modelado num

sistema, visando à melhoria da qualidade, da produtividade e à agilidade na tomada de decisão.

Segundo seus idealizadores:

A engenharia do conhecimento permite focar as oportunidades e gargalos a respeito

de como as organizações desenvolvem, distribuem e aplicam seus recursos de

conhecimento, de modo a fornecer as ferramentas para a gestão do conhecimento

corporativo (SCHREIBER et al., 2002, p.7).

Para atingir sua finalidade, a metodologia opera a partir da análise do contexto da

organização, buscando o estabelecimento do seu modelo, bem como, de seus agentes e das

tarefas que esses agentes devem desempenhar. Essas três abordagens – modelo da organização,

da tarefa e do agente – podem ser consideradas as etapas gerenciais preliminares à etapa de

modelagem do conhecimento. Ao propor um detalhamento do contexto organizacional, o

CommonKADS estabelece uma série de passos, todos encabeçados pela identificação dos

pontos fortes e fracos da organização.

Devido ao caráter investigativo do contexto e à análise de viabilidade, tanto da

organização proposta, quanto do próprio projeto, a metodologia CommonKADS possui uma

vantagem em relação às demais abordagens metodológicas da Estratégia do Conhecimento

(EC), pois considera o negócio organizacional, bem como fatores contextuais que possam

influenciar ou mesmo inviabilizar o desenvolvimento de um projeto de sistema de

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conhecimento. Essa característica proporciona, portanto, uma abordagem madura e concisa de

um projeto de EC (SCHREIBER et al., 2002).

Os modelos sugeridos pelo CommonKADS são (Figura 6):

Modelo da organização: análise das macros características da organização, com o

intuito de descobrir problemas e oportunidades, que possam ser respondidos por SBC.

A análise inicial envolve, inclusive, a identificação da viabilidade do projeto e seu

impacto na organização, por meio de ações do conhecimento;

Modelo da tarefa: analisa o layout das tarefas, suas entradas, saídas, precondições e

critérios de desempenho, bem como recursos de conhecimento e competências

necessárias;

Modelo do agente: descreve os agentes, suas características, competências, autoridades

e restrições dentro da organização;

Modelo do conhecimento: representa o conhecimento envolvido no conceito do

projeto;

Modelo de comunicação: apoia o mapeamento das transações realizadas entre agentes

e tarefas; e

Modelo do projeto: é a convergência dos modelos supracitados em um projeto de SBC.

Figura 6 - Visão geral da metodologia CommonKADS

Fonte: Elaborada pela autora

Uma das vantagens da metodologia é que nem todos os modelos precisam ser utilizados

em cada projeto de SBC. A escolha dos modelos utilizados fica a critério do engenheiro do

conhecimento, que os selecionará de acordo com a necessidade do projeto e de sua visão de

mundo.

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De acordo com Nonaka e Takeuchi (1997), a criação do conhecimento organizacional

necessita dos 4 tipos de produção de conhecimento (captura, codificação, compartilhamento e

disseminação do conhecimento). O objetivo da GC é facilitar de forma apropriada esses

processos de conhecimento, de maneira que uma espiral ascendente e dinâmica de

conhecimento possa emergir na organização. Nessa visão, a Engenharia do Conhecimento,

conforme vista na Metodologia CommonKADS, é particularmente útil no processo de

EXTERNALIZAÇÃO, na conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito. Além

disso, a COMBINAÇÃO de conhecimento também encontra métodos na EC, especialmente em

metodologias de reuso de tarefas e modelos de conhecimento. A importância do conhecimento

tácito é consenso nas áreas de EC e GC.

Assim, podemos dizer que a GC é um framework e um conjunto de ferramentas para

melhorar a infraestrutura de conhecimento da organização, objetivando conseguir o

conhecimento correto junto às pessoas certas, na forma correta e no tempo certo. Embora as

metodologias de modelagem de conhecimento, como CommonKADS, não sejam métodos de

GC, oferecem uma série de instrumentos práticos úteis nesse objetivo, em particular as técnicas

para organizações orientadas a conhecimento, análise da tarefa e métodos para melhorar o

compartilhamento e reuso do conhecimento (PACHECO, 2004). Portanto, a Engenharia do

Conhecimento tem muitas aplicações, sendo que a construção de sistemas de conhecimento é

somente uma delas, embora seja a mais importante.

A metodologia CommonKADS tem sido utilizada em trabalhos da gestão do

conhecimento, análise de viabilidade de projetos e definição de estratégia de IT. Apoia nas

etapas iniciais de análise de requisitos em projetos de desenvolvimento de sistemas de

informação. Em todas as aplicações da engenharia do conhecimento, a modelagem conceitual

do conhecimento de diferentes níveis de detalhes é o ponto central.

O avanço tecnológico impulsionou o desenvolvimento de Sistemas Baseados em

Conhecimento (SBC) que utilizam a inteligência computacional para auxiliar nas tarefas

intensivas em conhecimento (ZHAO, YANXIANG & HUI, 2005; RODRÍGUEZ et al., 2009a).

Nesse sentido, a Engenharia do Conhecimento (EC) é uma área que pode auxiliar este processo

através de um conjunto de métodos, técnicas e ferramentas que oferecem suporte à Gestão do

Conhecimento (GC) para a formalização e explicitação das atividades intensivas em

conhecimento (SCHREIBER et al., 2002).

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A presente pesquisa considera o Observatório de Conhecimento uma tecnologia de

conhecimento e, como tal, propõe que todo observatório seja contextualizado na organização

antes de ser materializado tecnologicamente. Para isso, o Modelo da Organização do

CommonKADS permite identificar o contexto de propósito da organização (seus objetivos e

portfólio e áreas relevantes), a oportunidade, os atores afetos, a estrutura organizacional que se

beneficia ou que é afetada por um futuro Observatório. Nesse sentido, apenas o Modelo de

Organização, dado que os demais modelos, de tarefa, agentes, conhecimento e comunicação

têm seus elementos constantes na própria metodologia que é adotada para desenvolver o

Observatório de Conhecimento.

O modelo da organização, proposto por Schreiber et al. (2002), é aplicado com o uso de

planilhas, ferramentas de apoio à organização e sistematização das informações iniciais do

SBC. Esse modelo faz parte do mapeamento do contexto em que o SBC atuará, caso seja

comprovada sua viabilidade de construção.

A primeira planilha (Figura 7), OM-1, tem o objetivo de explicitar os problemas e as

oportunidades da organização, bem como sua relação com as possíveis soluções em que o

conhecimento pode ser um fator relevante de vantagem competitiva e agregação de valor. Além

disso, a planilha descreve o contexto em que os problemas se encontram. A segunda planilha é

a OM-2, que trata dos aspectos variantes da organização. O modelo OM-2 busca descrever a

estrutura organizacional, seus principais processos, as pessoas envolvidas no projeto, os

recursos e os conhecimentos que serão utilizados, bem como mapear a cultura e os poderes que

podem influenciar a implantação e desenvolvimento do projeto de SBC.

A planilha OM-3 detalha as tarefas intensivas em conhecimento, com apontamento de

quem a executa, que ativos de conhecimento utilizam, sua condição e relevância no contexto

organizacional.

A planilha OM-4 detalha cada ativo de conhecimento identificado nas tarefas do OM-3

é detalhado nesta etapa, quando se procura observar as condições organizacionais destes ativos,

enquanto forma, lugar, tempo e qualidade necessária ao seu exercício.

O Modelo Organizacional resulta um estudo de viabilidade positivo, que utiliza cinco

tabelas para extrair os aspectos organizacionais e formar um modelo da organização.

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Fonte: Elaborada pela autora

Neste trabalho, a metodologia CommonKADS serviu de referência para a proposição

das etapas a serem realizadas no projeto de concepção de um Observatório de Conhecimento,

entendido como um sistema de conhecimento organizacional.

No documento GESTÃO DO CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL (páginas 44-49)

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