• Nenhum resultado encontrado

Metodologia de levantamento e recolha de dados

Os dados foram recolhidos através de inquéritos distribuídos a diversos técnicos que realizam fiscalização de obras. Estes estão afetos a diversas entidades, tais como Municípios do distrito de Bragança, município de Chaves, Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana (AMTQT), Gabinete de obras de Instituto Politécnico de Bragança, Infraestruturas de Portugal. Além destes, também foram envolvidos técnicos ligados a empresas que prestam serviços de fiscalização em obras de maior envergadura que decorrem no distrito de Bragança, nomeadamente nas obras de construção das Barragens do Baixo Sabor e na Foz do Tua.

Antes da aplicação definitiva dos inquéritos o investigador decidiu realizar um ligeiro teste piloto, submetendo o inquérito à opinião de um Engenheiro Civil com vasta experiência em fiscalização de obras de construção. Com principal objetivo de o inquirido fazer uma análise crítica das questões levantadas pelo investigador, confrontando o objetivo do investigador com o papel da fiscalização em obras de construção. Tendo em consideração as opiniões e sugestões dadas pelo inquirido no teste piloto, o investigador analisou as mesmas e procedeu à elaboração da versão final do inquérito.

64 No teste piloto o inquirido sugeriu que fosse eliminada a questão 3.2 do inquérito, devido ao abandono da tradicional tricotomia com a entrada do CCP, mas o investigador decidiu manter a questão, porque de acordo com o CCP a entidade adjudicante pode desenhar as empreitadas em qualquer regime contratual.

Foi também sugerido que fosse reformulada a questão 2.5 do inquérito, direcionando-a só para a influência que a alocação de recursos humanos pode ter nos custos de uma obra, sendo a recomendação aceite pelo investigador.

Foi considerado pelo inquirido a quem foi submetido o inquérito à opinião no teste piloto, que o inquérito estava muito bem estruturado, e que tinha bastante interesse para o trabalho em questão. Sendo assim, baseando nas sugestões deste, o investigador procedeu a elaboração da versão final do inquérito.

Após a realização do teste piloto e uma seleção criteriosa dos inquiridos, o investigador submeteu a versão final de inquéritos, através de envio por via eletrónica (e-mail) acompanhado de uma declaração do Diretor do Mestrado em Engenharia da Construção da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Bragança, onde é declarado que o investigador encontra-se a realizar o relatório final de projeto do curso Mestrado em Engenharia da Construção (Ver Anexo II), tendo-se previamente falado via telefone com cada um dos envolvidos. A ideia baseou-se em obter pelo menos uma resposta por parte de um técnico que tenha exercido e exerça funções de fiscal de obras.

O inquérito tem por base a pesquisa bibliográfica sobre o tema em estudo. O investigador levantou um conjunto de questões que permitissem-no retirar conclusões acerca do papel da fiscalização em obras de construção, focalizando o controlo de custos na ótica do dono da obra através de opiniões, avaliações e atitudes do público-alvo.

Para o efeito utilizou-se uma linguagem simples, clara, com interpretação fácil e inequívoca, evitando sempre questões complexas, longas e intrusivas ou confusas que possam deixar o inquirido constrangido ou sem vontade de responder. Pelo contrário pretende que o inquirido se sinta com vontade, de forma que seja possível uma maior absorção de informação, através de revelações de opiniões, juízos de valores e conhecimentos do inquirido. A linguagem e o tom das questões são aspetos importantíssimos a levar em conta neste tipo de inquéritos (Sousa, 2008). Os resultados obtidos pelo investigador dependem basicamente da interpretação das respostas dadas pelos diversos inquiridos.

65 Na realização do inquérito foram utilizados três tipos de questões: de respostas abertas, semi-abertas e fechadas. As questões de respostas abertas permitem ao inquirido uma maior liberdade de expressão, apresentando assim respostas baseadas nas suas experiências profissionais e com as questões de respostas fechadas restringem-se as escolhas do inquirido e, consequentemente, torna o inquérito de fácil resposta e mais rápido(Sousa, 2008). E com as questões semi-abertas o investigador pretende restringir as escolhas do inquirido, mas permitindo-o justificar/opinar sempre que o inquirido pretenda fazer, facultando assim maior quantidade de informação ao investigador nas questões que se considerem pertinentes.

A escala que melhor se adapta ao tipo de inquérito em questão e a escala de Likert(Sousa, 2008). Nesta escala, normalmente pretende que o inquirido manifeste o seu grau de concordância ou não concordância à afirmação, numa escala de, geralmente, cinco níveis, desde de nível 1 (discordo totalmente), até ao nível 5 (concordo totalmente).

A estrutura do inquérito encontra-se organizada segundo a seguinte figura (Figura 18):

Figura 18 - Estruturação do inquérito

A análise da Figura 18 permite verificar que o inquérito esta estruturado em quatro grandes grupo, nomeadamente:

 Caracterização do inquirido;

 Planeamento;

 Controlo de prazos e custos;

 Competências.

1º Grupo - Caracterização do inquirido: a caracterização dos inquiridos é de extrema importância para conclusões do estudo. Neste grupo o investigador pretende conhecer a idade do inquirido, a sua formação académica, a sua experiência profissional, a empresa empregadora, número de anos na empresa empregadora e a função/posição.

66 2º Grupo - Planeamento: cabe à equipa de fiscalização assegurar que os objetivos do empreendimento estão a ser atingidos, através da monitorização regular do seu progresso para identificar variações do plano ao longo do tempo, e implementar medidas corretivas necessárias (PMI, 2004). Ou seja, cabe à equipa de fiscalização assegurar que a obra decora de acordo com o planeado. Por isso, o investigador pretende com este grupo levantar uma série de questões relacionadas com a importância do planeamento quando comparado com medições e orçamento para o controlo de custos, a importância de um planeamento eficiente na execução de uma obra, o impacto que os prazos para apresentação das propostas têm no planeamento de uma obra, a complexidade e o preço de uma obra e a contratação de subempreitadas. Destaca-se que as subempreitadas são cada vez mais uma realidade na indústria da construção devido a vários fatores já descritos.

3º Grupo – Controlo de custos e prazos: neste grupo, o investigador baseando numa pesquisa bibliográfica minuciosa sobre ao controlo de custos e prazos em obras de construção levantou uma série de questões relacionadas com controlo de custos e prazos.

Embora o título deste relatório final de projeto seja Controlo de Custos na Construção na Ótica do Dono da obra, o investigador decidiu neste grupo acrescentar prazos, devido a ligações que existem naturalmente entre prazos e custos num empreendimento de construção. De acordo com Garza e Kyunghwn (2003, cit. in Sousa, 2008) a realização de um empreendimento de construção dentro de prazos e custos estabelecidos na consignação é fundamental independentemente do tamanho e a complexidade do empreendimento, pois todo o dia de atraso verificado em relação ao planeado é traduzido num prejuízo que dificilmente pode ser recuperado.

Com as questões formuladas neste grupo o investigador pretende obter máxima informação possível sobre os métodos de controlo de custos e de prazos utilizados na gestão de obras levadas a cabo, bem como os regimes contratuais. A influência que a alocação de recursos humanos podem ter no custo de uma obra, custos de equipamentos de apoio, grau de importância que aspetos relacionados com projeto, planeamento, recursos humanos, segurança, imprevistos e causas externas, qualidade de obra, ambiente, entre outros aspetos direta ou indiretamente relacionados com o cumprimento de prazos e custos. Pretende-se também obter informação por parte dos inquiridos sobre a média de variações de prazos e custos que houve nas obras em que estiveram envolvidos.

67 4º Grupo – Competências: com as questões deste grupo pretende-se retirar conclusões acerca da importância da integração da equipa de fiscalização na gestão de projetos. Competências que para além das legais, os profissionais graduados da construção devem possuir nas áreas tais como: gestão de projetos, gestão de recursos humanos, gestão contratual, comunicação, gestão de reuniões, capacidade de negociação, responsabilidade social, motivação entre outras áreas.

Nas obras de construção é muito frequente haver divergências entre os intervenientes relativos a incompatibilidades e omissões de projeto com base nesse facto. Atendendo a esse aspeto, pretende-se com esta última questão do inquérito entender nas situações de divergências, que documentos prevaleceram nas obras em que os inquiridos fiscalizaram.

Documentos relacionados