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metodologia e resultados*

No documento Panorama Macroeconômico (páginas 23-27)

setembro de 2004

sentados os valores de inflação medidos nos meses de janeiro a agosto do ano de 2004. Por fim, a seção 4 apresenta as considerações finais do artigo.

2. Metodologia

O IPC da Fipe regional é um índice calculado como uma média geométrica das variações dos preços dos bens ofertados ao consumidor. O emprego da média geométrica se dá, entre outros motivos, pelo fato de essa medida ser menos influenciada por valores extre-mos do que a média aritmética, por exemplo.

Outro ponto importante a ser ressaltado diz respeito à coleta dos preços. O IPC regional é um índice mensal, diferentemente do IPC-Fipe para São Paulo, que é qua-drissemanal. Na primeira e terceira semanas do mês são coletados os preços referentes aos supermercados que compõem a amostra, enquanto que na segunda semana são coletados os preços dos demais itens que entram no cálculo do índice, como, por exemplo, me-dicamentos, livros, eletrodomésticos, vestuário etc. A variação de preços é considerada da seguinte forma:

para os itens cujos preços são coletados na primeira e terceira semanas, calcula-se a variação do preço ocorri-da entre a referiocorri-da semana de um mês contra a mesma semana do mês anterior. No caso dos itens coletados na segunda semana do mês, tal procedimento não se faz necessário. Conhecidas as variações de preços ocor-ridas na primeira e terceira semanas, calcula-se uma média geométrica de tais variações. O procedimento de cálculo do IPC é descrito a seguir.

O índice (I), tomando por base um mês t qualquer, é definido pela equação (1),

(1)

Onde,

- preço do bem i no período (no caso, mês) t;

- preço do bem i no período t-1;

- valor dos gastos dos consumidores com o bem i;

- soma dos gastos de cada um dos n bens consumidos, ou seja, valor total dos gastos (deve ser igual a 1).

Pode-se definir o preço relativo do bem i pela expres-são (2),

(2)

Dessa forma, a fórmula de cálculo do índice se tor-na:

(3)

Aplicando uma transformação logarítmica à expressão (3), encontra-se a seguinte expressão:

(4)

Ou ainda,

(5)

Pode-se aplicar uma transformação exponencial à expressão (5), obtendo-se o seguinte resultado:

(6)

Onde,

- parcela de gastos do consumidor com o bem i em relação aos gastos com o n bens;

- logaritmo natural ou neperiano do preço relativo do bem i entre os períodos t e t-1.

setembro de 2004 É possível observar que, com a manipulação

algébri-ca empregada, obteve-se uma forma equivalente de calcular o IPC. Trata-se de uma média aritmética de logaritmos de preços relativos ponderada pela parcela de gastos do consumidor com cada um dos n bens, ao qual, posteriormente, foi aplicada uma transformação exponencial.

3. IPC Fipe no Ano de 2004

A seguir são apresentados os valores do IPC regional e por subgrupo para os oito primeiros meses do ano de 2004. Na última coluna das Tabelas 1, 2 e 3 encontra-se o valor do índice acumulado no ano.

tabela 1 –IPC Fipe-UNIDERP (Campo Grande) geral e por subgrupo nos 8 primeiros meses de 2004

Grupos Ponderação Taxas de variação mensal

Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Acumulado

Geral 100,00% 1,37% 0,15% 0,16% 0,84% 0,45% 0,08% 0,98% 0,12% 4,22%

Alimentação 24,86% 1,16% 0,82% -0,32% -0,40% 0,60% -0,33% -0,31% -0,71% 0,49%

Habitação 32,02% 0,15% -0,02% 0,27% 2,96% 0,05% 0,24% -0,09% 0,23% 3,82%

Educação 10,28% 10,62% 0,05% 0,48% 0,30% 0,26% -0,22% -0,05% -0,03% 11,49%

Saúde 6,97% 0,04% -0,19% 0,27% 0,81% 1,66% -0,06% 0,14% -0,08% 2,61%

Despesas Pessoais 7,30% 0,25% -0,46% 0,06% 2,02% 0,69% 0,12% 0,34% 0,38% 3,43%

Transportes 13,88% 0,38% 0,33% 0,56% -0,70% -0,33% 0,31% 7,91% 1,36% 9,97%

Vestuário 4,69% -1,80% -1,14% -0,17% -1,57% 3,09% 1,28% -0,07% 0,41% -0,06%

Fonte: Elaboração própria.

tabela 2 – IPC Fipe-Moura Lacerda (Ribeirão Preto) geral e por subgrupo nos 8 primeiros meses de 2004

Grupos Ponderação Taxas de variação mensal

Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Acumulado

Geral 100,00% 1,76% 0,46% 0,67% 0,90% 0,55% 0,73% 0,55% 0,53% 6,31%

Alimentação 31,42% 3,01% 0,12% -0,01% 0,27% 1,19% 1,02% -0,63% 0,38% 5,37%

Habitação 27,17% -0,04% 0,45% 1,04% 2,37% 0,33% -0,11% 0,49% 0,13% 4,84%

Educação 7,91% 8,61% 0,40% 0,13% -0,15% 0,10% -0,05% -0,05% -0,07% 8,95%

Saúde 6,55% 0,42% 0,08% -0,01% 1,46% 1,15% 1,89% 4,89% 0,26% 10,49%

Despesas Pessoais 3,49% 1,06% 1,31% 0,41% 0,08% -1,12% -0,15% -0,59% 0,20% 1,22%

Transporte 18,00% 0,39% 1,12% 2,35% 0,15% -0,13% 1,38% 2,00% 2,01% 9,62%

Vestuário 5,45% -0,66% 0,08% -0,88% 1,21% 1,18% 1,48% -0,60% -0,15% 1,64%

Fonte: Elaboração própria.

tabela 3 – IPC Fipe-Dom Pedro II (São José do Rio Preto) geral e por subgrupo nos 8 primeiros meses de 2004

Grupos Ponderação Taxas de variação mensal

Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Acumulado

Geral 100,00% 0,88% -0,14% 0,11% 0,56% 0,97% 1,70% 0,82% 0,43% 5,44%

Alimentação 33,66% 0,57% 0,12% 0,82% 0,52% 1,64% 1,83% 0,55% 0,03% 6,23%

Habitação 26,12% -0,45% 0,15% 0,56% 1,11% 0,15% 0,66% 0,63% -0,61% 2,21%

Educação 8,02% 4,36% 0,10% 0,22% -0,17% 0,10% 0,02% 0,41% 1,81% 6,97%

Saúde 6,04% 0,51% 0,79% 0,00% 0,19% 2,82% 0,06% 1,27% 0,25% 6,01%

Despesas Pessoais 3,49% -0,45% 0,43% -1,14% 0,46% 0,65% 1,41% -0,04% 0,23% 1,54%

Transporte 17,32% 2,70% -1,14% -1,31% 0,64% 0,77% 4,80% 2,36% 2,46% 11,69%

Vestuário 5,36% -0,28% -1,13% -1,07% -0,55% 0,89% 0,64% -0,93% -0,20% -2,62%

setembro de 2004

figura 1 – evolução do IPC Fipe-UNIDERP ao longo de 2004

Fonte: Elaboração própria.

figura 2 – evolução do IPC Fipe-Moura Lacerda ao longo de 2004

Fonte: Elaboração própria.

setembro de 2004 figura 3 – evolução do IPC Fipe-Dom Pedro II ao longo de 2004

Fonte: Elaboração própria.

Pode-se observar pelas Figuras 1, 2 e 3 que os índices apresentam variações distintas ao longo dos meses entre as cidades consideradas. Naturalmente, alguns subgrupos que compõem o índice apresentam um comportamento parecido, como, por exemplo, o gru-po educação, que apresenta uma variação grande no primeiro mês do ano e quase nenhuma variação nos meses restantes.

No entanto, de maneira geral os subgrupos apresen-tam comporapresen-tamentos distintos de variações dos preços entre as cidades. Tal fato só corrobora a importância de se calcular índices de preços para diferentes regiões e/ou cidades que não as 11 consideradas pelo IBGE.

4. Considerações Finais

Neste artigo procurou-se apresentar, de maneira sucin-ta, a importância de se obter indicadores regionais de inflação e a metodologia empregada pela Fipe para o cálculo de um índice de preços para Campo Grande, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.

O fato de as variações nos índices e dos subgrupos que compõem o índice não serem as mesmas para as três cidades é uma comprovação do que foi discutido na introdução. Tais índices de preços podem

contri-buir para a superação de limitações importantes nas pesquisas envolvendo Economia Regional e Urbana, como, por exemplo, a comparação dos diferenciais de custo de vida entre as cidades brasileiras.

* Este artigo baseia-se numa pesquisa mensal realizada pela Fipe.

1 Para mais informações, ver Azzoni, Carmo e Menezes (2003, p.

92 e 93).

2 Em Campo Grande, o IPC é calculado em parceria com as uni-versidades UNIDERP e UNAES; em Ribeirão Preto, com o Centro Universitário Moura Lacerda, e em São José do Rio Preto, com a prefeitura local e as Faculdades Dom Pedro II.

Referências Bibliográficas

Azzoni, C.; Carmo, H.; Menezes, T. Índice de custo de vida compara-tivo para as principais regiões metropolitanas brasileiras: 1981-1999. Estudos Econômicos, v. 30, n. 1, p. 165-86, jan/mar. 2000.

Azzoni, C.; Menezes, T. Estimação de estruturas de ponderação para cálculo de custo de vida em cidades brasileiras. Universidade de São Paulo, 2003. Mimeografado.

Azzoni, C.; Carmo, H.; Menezes, T. Comparações da paridade do poder de compra entre cidades: aspectos metodológicos e apli-cação ao caso brasileiro. Pesquisa e Planejamento Econômico, Rio de Janeiro, v. 33, n. 1, p. 91-126, abr/jun. 2003.

(*) Mestre pelo IPE-USP e pesquisador da Fipe.

(**) Professor do Departamento de Economia da FEA-USP.

(***) Professor do Departamento de Economia da FEA-USP.

No documento Panorama Macroeconômico (páginas 23-27)

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