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METODOLOGIA

No documento João Pessoa/PB 2020 (páginas 33-38)

O método é o pai da memória Thomas Fuller

A pesquisa aqui apresentada levou em consideração que a relação entre o pesquisador e o objeto carece de uma dinâmica particular, exigindo que sejam levados em consideração os fatos dentro de suas especificidades temporais e contextuais. Tais especificidades são características das pesquisas nas Ciências Humanas e Sociais, pesquisas estas que, quanto abordadas de forma qualiquantitativa, não possuem amarras quanto ao objeto de estudo e aos métodos ou técnicas a serem utilizadas. Nesse sentido, para Michel (2009) a metodologia deve servir como um auxílio ao alcance dos objetivos estabelecidos.

Seguindo esse entendimento, para autores como Becker (1993), o método sofre reformulações constantes devido às necessidades impostas pelos desdobramentos do objeto de pesquisa ou, podemos acrescentar, pela área do estudo e o enfoque almejado. Sendo assim, para Vidich e Lyman (2006), o método é único para cada universo de estudo e em cada uma delas, o objeto a ser estudado vai tomando forma própria na medida em que vão se obtendo os resultados, não em sentido linear, mas de forma integrada e complexa, podendo sofrer reformulações tanto no método como no objeto de estudo.

A Ciência da Informação é uma das áreas que participa ativamente dessa renovação ou remodelação no campo metodológico, com variados métodos e técnicas de coleta, na medida em que seu principal objeto de estudo – a informação, exige novos enfoques. A partir dessas implicações, para Bufrem (2013), as pesquisas na área se constituem como uma instituição social com suas práticas e argumentos, construída em processo de confrontação entre tradições e inovações, regulamentações e rupturas, ações no campo específico e ingerências externas. Sendo assim, por meio da fundamentação de que os modos de construir e organizar o conhecimento se concretiza em diferentes dimensões e níveis de complexidade na área, é que autores justificam pesquisas com modelos não reducionistas, como o método quadripolar, no qual essa pesquisa se baseia.

Quanto à abordagem, esta pesquisa será quali-quantitativa. Quantitativa no levantamento dos dados. Qualitativa uma vez que buscou analisar como as trajetórias e transformações do conceito de Patrimônio Cultural no âmbito do universo digital na Ciência da Informação, afetam os quadros da memória social e as

identidades nos ambientes socioculturais da ultramodernidade. Além disso, foram identificadas e analisadas as inciativas, políticas e práticas de salvaguarda existentes.

Inicialmente, buscou-se delimitar o contexto da pesquisa, sua problematização e o estabelecimento do paradigma que envolve essa tese, adotando assim o paradigma pós-custodial (MIRANDA, 2012), necessário e fundamental quando abordamos informações em meio digital, seguindo nossa análise conceitual.

A essa etapa, seguiu-se a formulação da hipótese desta pesquisa: é a de que (re)apropriações que ocorrem com o conceito de Patrimônio Cultural infligem nas mudanças dos quadros da memória social e das identidades nos ambientes socioculturais ultramodernos.

Partindo desse ponto, definiram-se os conceitos que fundamentam a pesquisa: Patrimônio (Patrimônio Cultural Digital), Informação (Informação Digital) Cultura (Cibercultura), e Memória (Memória Social).

Quanto às técnicas, utilizou-se, primeiramente, de uma investigação conceitual, através de uma pesquisa bibliográfica, buscando, entre os teóricos, o conhecimento sobre os conceitos estabelecidos e suas relações, constituindo assim o primeiro passo do roteiro investigativo da tese. Também se contou com uma pesquisa documental quanto às leis e políticas existentes.

No que se refere à pesquisa bibliográfica, a primeira temática explorada foram as relações conceituais referentes ao conceito de Patrimônio e sua categorização em Patrimônio Cultural e posteriormente Patrimônio Cultural Digital. Foi efetuada uma busca conceitual das apropriações conceituais do conceito de Patrimônio Cultural digital dentro da CI na base de dados da BRAPCI, onde foram pesquisados os termos “patrimônio cultural digital” e “patrimônio digital”, buscando uma revisão de literatura. Os resultados, após tratamento dos dados, são apresentados no capítulo 3.

Dentro desse referencial, efetuamos pesquisas documentais no que se refere a leis e políticas de preservação ao patrimônio cultural, além das iniciativas de proteção mais significativas em âmbito virtual.

Dando continuidade a veia teórica da pesquisa, deu-se atenção ao conceito de Informação, no que se refere a sua utilização na Ciência da Informação, visto que tomamos nessa pesquisa a informação como principio e continuidade da memória,

além de constituinte do Patrimônio Cultural Digital. Para tanto, mapeamos a natureza e utilização da informação digital na CI. Foi realizada uma busca na base de dados da BRAPCI, onde foram pesquisados os termos “informação digital” e “objetos digitais”, buscando uma revisão de literatura. Os resultados são apresentados no capítulo 4.

Em seguida foi explorado o conceito de Cultura e suas novas significações, com vias a apresentar a relação teórico-conceitual da Cibercultura com o Patrimônio, a Informação e a Memória. Tecendo assim um elo na pesquisa, pois partimos do pressuposto de que as mudanças socioculturais influenciam de forma direta e assimilativa os outros três conceitos trabalhados.

Por último, em questões teóricas, deu-se andamento na investigação dos quadros da memória social na Ciência da Informação. Foram relacionados os conceitos anteriores ao conceito de memória, com via de completar um ciclo conceitual para vislumbrar as mudanças que a atual conjuntura sociocultural ultramoderna a impôs. Essa área teórica contribuiu para as análises, assim como, para o levantamento de critérios que atribuíram valores a cada item do questionário, aplicado como instrumento de coleta de dados da pesquisa.

Buscando entender como as redes relatam as práticas sociais cotidianas e como as memórias sociais dos patrimônios culturais digitais se estabelecem nessa nova configuração espetacular das redes sociais (ambiente da cibercultura), efetuamos uma pesquisa, por meio do instrumento do questionário com jovens e adultos com idade entre 18 e 35 anos que se utilizam da internet como principal meio de comunicação. Esse recorte visou incluir duas gerações (Y e Z) que dialogaram com várias redes sociais no decorrer dos anos, incluindo o Facebook, e que vem dando preferência a rede social aqui analisada. Todas as informações coletadas são apoiadas no referencial teórico desta pesquisa.

O questionário utilizado na pesquisa (Ver Apêndice F), por ser do tipo misto3, teve incluído na sua construção questões de respostas fechadas que facilitam o tratamento e análise da informação, são objetivas e requererem um menor esforço por parte dos sujeitos aos quais é aplicado. Todavia, também dispõe de questões abertas, com o intuito de entender melhor determinadas questões culturais. Organizado em 21 questões e foi aplicado virtualmente com usuários ativos nas

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redes sociais. A divulgação do questionário se deu por meio de distintas redes, de modo a não privilegiar usuários de determinadas redes sociais em detrimento de outras.

Uma vez coletados os dados, todos foram organizados, categorizados e tabulados para facilitar a realização da análise, visto que a sua compreensão só se torna possível com sua análise e interpretação. Esta etapa confirma ou não os pressupostos da pesquisa, ampliando o conhecimento sobre o assunto pesquisado.

Quanto à apresentação dos resultados da pesquisa, foram utilizadas, representações gráficas. Estas representações foram escolhidas por fornecem uma visualização mais indicativa dos resultados.

E, justamente, por valorizar-se uma visualização iconográfica, utiliza-se do instrumento do mapa conceitual para demonstrar as relações conceituais estabelecidas e construídas ao longo desta investigação, em todas as seções teóricas, incluindo a figura 1, que representa o mapa conceitual da tese, de forma sucinta e no Apêndice A, de forma detalhada.

FIGURA 1 – Mapa conceitual da Tese – Conceitos centrais

Tal construção contribui para a visualização da teia que envolve as questões discutidas nesta pesquisa. Para a construção dos mapas conceituais foi utilizada a ferramenta aberta CmapTools.

No documento João Pessoa/PB 2020 (páginas 33-38)