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METODOLOGIA

No documento LETICIA KNECHTEL PROCOPIAK (páginas 121-124)

Este estudo se trata de pesquisa quali e quantitativa. A pesquisa de campo foi realizada de Março/2008 a Setembro/2008, aplicando-se entrevistas aos oficiais (comandantes e/ou imediatos) dos navios que atracaram nos Terminais Portuários da Ponta do Félix S.A. (TPPF), em Antonina e no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP). Foram realizadas vinte entrevistas no total. Destas, nove nos navios atracados nos TPPF e onze no TCP. Tais terminais portuários foram escolhidos serem parceiros em projetos desenvolvidos pela ADEMADAN a qual a presente pesquisadora fazia parte.

O pequeno número amostral se deve à enorme dificuldade em conseguir ter acesso aos oficiais no navio por parte da pesquisadora. Foram inúmeras as tentativas de se enviar os questionamentos por e-mail ou via agências marítimas para os oficiais. Na totalidade destes casos, os questionários nunca voltaram e obviamente nem foram preenchidos. Porém, percebeu-se que o trabalho presencial da pesquisadora na embarcação, a seriedade, a importância de seu trabalho, além da insistência em fazer a pesquisa, de certa forma, obrigavam o entrevistado a lhe prestar as informações solicitadas. Para o acesso da doutoranda aos navios, foi necessário que os terminais portuários enviassem um pedido de autorização formal para a Receita Federal e a Polícia Federal (apêndice), explicando o motivo de sua subida a bordo. Este procedimento é exigido pelo ISPS Code27 para qualquer pessoa adentrar as dependências portuárias, incluindo os navios, tripulantes, estivadores, agentes, dentre outros.

Inicialmente as entrevistas seriam feitas somente nos TPPF, devido à parceria deste terminal com os projetos desenvolvido pela ADEMADAN no início das amostragens. No entanto, estes terminais tiveram uma queda brusca na movimentação portuária, recebendo cerca de um a dois navios por mês, ou mesmo nenhum. Por isso, foi necessário pedir auxílio a outro terminal portuário, no caso o TCP. O processo de autorização de entrada nos navios também levou cerca de vinte dias para ser disponibilizado.

27 O ISPS Code (Código Internacional de Segurança e Proteção de Navios e Instalações Portuárias) foi criado a partir do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center, em Nova Iorque, que obrigou todos os portos a adotarem este código internacional, criado pela IMO (Organização Marítima Internacional) que visa a segurança de instalações portuárias e navios (CÓDIGO INTERNACIONAL DE SEGURANÇA E PROTEÇÃO DE NAVIOS E INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS, 2007).

Em relação às entrevistas, as questões eram abertas e semi-estruturadas, sendo os dados analisados quali e quantitativamente (apêndice). A pesquisa qualitativa28 buscou compreender a noção dos atores envolvidos com a realidade e a busca de significados, aspirações e motivos das relações humanas (LÜDKE; ANDRÉ,1996; MINAYO et al., 199429).

Todas as entrevistas foram realizadas em idioma inglês devido às diversas nacionalidades dos oficiais entrevistados e a entrevista foi estruturada com a finalidade de, principalmente, levantar o conhecimento formal e não formal dos entrevistados em relação à bioinvasão por água de lastro, os impactos por ela causados ao ambiente e suas formas de prevenção. Também se buscou levantar o conhecimento destes atores em relação aos principais documentos, programas, normas e convenções internacionais sobre poluição marinha e bioinvasão, a fim de avaliar se eles realmente os conhecem e se estão capacitados a lidar com os impactos ambientais causados por navios. Os entrevistados também foram questionados sobre a Educação Ambiental e sua importância em termos de prevenção de problemas ambientais e sensibilização de pessoas. No decorrer das entrevistas, os dados obtidos eram simultaneamente transcritos no formulário.

Além das entrevistas, foram obtidos com os entrevistados os formulários sobre a água de lastro dos navios exigidos pela NORMAM 20. Estes formulários contêm informações sobre a origem do lastro, local onde foi realizada a troca oceânica, volume total de lastro e lastro a bordo, número de tanques de lastro, número de tanques com lastro a bordo, existência ou não de documentos sobre o gerenciamento da água de lastro, entre outros (apêndice).

Sempre se procurou entrevistar os comandantes dos navios, mas na impossibilidade destes, os imediatos foram entrevistados, e, em apenas um caso, um terceiro oficial e as entrevistas eram agendadas previamente com a equipe responsável pelo Departamento de Meio Ambiente dos terminais e na véspera da chegada do navio, a visita era confirmada via telefone ou e-mail, com a finalidade de verificar se haveria navio atracado no terminal.

28 Segundo Minayo et al. (1994), a pesquisa qualitativa não é representada pelo critério numérico, mas abrange a totalidade do problema investigado nas suas várias dimensões.

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Além das análises qualitativas, empregou-se análise estatística quando pertinente para comparar os postos dos oficiais ou dos terminais portuários. Na comparação entre os postos, o 3º. oficial foi incluído no grupo dos imediatos.

Para a comparação de médias de duas amostras independentes, como comprimento do navio, idade dos oficiais e tempo de ocupação no posto, foi utilizado o teste t-student, previamente verificando (Shapiro-Wilk) se o pressuposto da normalidade foi atendido. No caso de heterocedasticidade, avaliada com o teste de Levene, a probabilidade do teste-t foi determinada com o cálculo da estimativa das variâncias em separado (ZAR, 1999; ARANGO, 2001).

Para verificar a correlação entre duas variáveis (comprimento do navio/número total de tanques de lastro e volume de lastro), bem como sua significância, foi utilizado o Coeficiente de Correlação por Postos de Spearman, no caso de não normalidade dos dados, ou o Coeficiente de Correlação de Pearson, no caso de normalidade dos dados (SIEGEL, 1975; ZAR, 1999).

Para verificar quais normas, leis, convenções e temas ambientais (ISO 14.000, programa GLOBALLAST, Educação Ambiental, NORMAM 20 e MARPOL) possuíam distribuições mais semelhantes entre si, em relação à sua magnitude de conhecimento, segundo a percepção do entrevistado (nenhum, pobre, razoável, bom e muito bom), foi realizada uma Análise de Agrupamento Hierárquica pelo Método da Associação Média (KREBS, 1999; VALENTIN, 2000), índice de similaridade de Morisita-Horn (KREBS, 1999). Para se verificar a representação dos dados no dendograma, resultante da Análise de Agrupamento Hierárquica, foi determinado o Coeficiente Cofenético, coeficiente de correlação entre as matrizes de similaridade e cofenética, cujos valores próximos de 0,8 indicam uma representação gráfica aceitável (VALENTIN, 2000).

Para a fundamentação teórica foi referenciada principalmente nos autores: Enrique Leff, Isabel Carvalho, Edgar Morin, Mauro Guimarães, Paulo Freire, Genebaldo Freire Dias, Ulrich Beck e Anthony Giddens.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No documento LETICIA KNECHTEL PROCOPIAK (páginas 121-124)