Parte II – Enquadramento Empírico
Capítulo 4. Problemática e Objetivos do Estudo
4.1. Metodologia
Este projeto de investigação trata-se de estudo de casos múltiplos, que seguiu uma metodologia qualitativa numa perspetiva de investigação-ação, de caráter quer exploratório analítico, quer descritivo e interpretativo.
De acordo com Ponte (2006), citado por Félix (2014), um estudo de caso consiste numa investigação que se debruça propositadamente sobre uma situação específica, pretendendo descortinar o que existe de mais essencial e característico nela, com o intuito subjacente de compreender globalmente um determinado fenómeno ou interesse. A investigação é dirigida à problemática intrínseca da Tecnologias Digitais, tirando benefício do contributo das metodologias qualitativas, devido ao seu caráter descritivo (Coutinho & Chaves, 2002).
Os estudos de casos múltiplos apresentam algumas fragilidades, designadamente pouca precisão, objetividade e rigor (Yin, 2005). Importou, por isso, atribuir especial importância à qualidade e credibilidade da investigação realizada, diligenciando incluir três critérios fundamentais para a avaliação da investigação desenvolvida, designadamente a fiabilidade, a validade interna e externa (Coutinho & Chaves, 2002). Assim sendo, a validade interna diz respeito à precisão dos resultados e conclusões obtidas, devendo estes representar fielmente a realidade estudada, atribuindo-lhe credibilidade (Aires, 2011). Atribuiu-se, deste modo, grande importância a triangulação de fontes para sustentar a investigação.
Embora a diversidade de perspetivas da investigação qualitativa desencadeie algumas dificuldades, no âmbito deste paradigma é possível definir pautas rígidas de atuação, sendo possível delinear os aspetos teóricos e metodológicos básicos, que dão consistência aos estudos desenvolvidos (Aires, 2011). Deste modo, as diferentes fases do processo de investigação qualitativa, não ocorrem de forma linear mas interactivamente, existindo uma estreita ligação entre o modelo teórico, estratégias de pesquisa, métodos de recolha, análise de informação, avaliação e apresentação dos resultados do projeto de pesquisa (Coutinho, 2011). O processo de investigação qualitativa define-se pela inter- relação de três níveis de atividade, sujeitos a uma grande variedade de terminologias: 1) teoria, método e análise; 2) ontologia epistemologia; e 3) metodologia (Denzin e Lincoln, 1994).
Se por um lado se considera que o estudo tem um caráter analítico, descritivo e interpretativo uma vez que existe material já efetuado e utilizado, por outro terá um caráter exploratório, relativamente aos «Jogos Educativos Digitais» que foram modificados e também aos que foram criados, sendo testado o real impacto destes, no desenvolvimento da consciência fonológica em crianças com NEE. Os estudos exploratórios prendem-se com o processo inicial de pesquisa, pela experiência, o que acarreta a formulação de hipóteses significativas para posteriores pesquisas. Não elaboram, no entanto, hipóteses a serem testadas na investigação, restringindo-se a definir objetivos, na procura de mais informação sobre um determinado tema. Este tipo de estudos procuram a aproximação ao tema e o conhecimento de fatos e fenómenos relacionados com o mesmo, implicando a pesquisa de informações disponíveis e técnicas associadas ao levantamento bibliográfico, entrevistas aos agentes envolvidos, a análise documental e a observação. Esta pesquisa necessitou de um planeamento flexível para possibilitar a consideração dos mais diversos aspetos de um problema ou de uma situação. Recorreu-se a este tipo de estudo, com base no referido por Cohen, Manion & Morrison (2007), já que se desconhecia e não existiam dados relativos ao impacto dos «Jogos Educativos Digitais» efetuados pela investigadora, no desenvolvimento da consciência fonológica de crianças com NEE.
Por fim, este estudo assenta numa investigação qualitativa do tipo investigação-ação. Esta consiste numa metodologia de pesquisa, especialmente prática e aplicada, que tem como finalidade a resolução de problemas verídicos. Neste processo de investigação há uma ação que visa transformar a realidade e, consequentemente, produzir conhecimentos. A investigação-ação é a metodologia indicada para a resolução de problemas ou para a obtenção de informação que conduz à sua resolução (Hugon & Seibel, 1998 citado por Félix, 2014). Este estudo implicou o envolvimento participativo/cooperativo do investigador e dos demais participantes no trabalho de investigação, constituindo um processo interativo e recorrente. Neste sentido, teve um duplo objetivo de ação e investigação, já que se pretendeu obter resultados em ambas as vertentes: ação, para obter mudança num grupo de crianças e eventualmente promover a mudança no programa de ensino; investigação, no sentido de aumentar a compreensão por parte do investigador (Félix, 2014) do impacto dos «Jogos Educativos Digitais» por ele construídos, possibilitando-lhe encontrar as suas limitações, de modo a poder esbate-las, melhorando a sua performance no desenvolvimento da consciência fonológica.
Optou-se por uma investigação–ação, visto que se aspirava a observação e o envolvimento entre o investigador, as crianças e especialistas em TIC e em EE, de modo a efetuar as alterações necessárias, através da avaliação e correção constante dos «Jogos Educativos Digitais» que se pretendem validar, como sugerem Gros (2000), Niederhauser e Stodart (2001). Segundo Cohen, Manion e Morrison (2007), a investigação-ação traduz-se num procedimento in loco, visando lidar com um problema concreto localizado num contexto imediato, o que significa que o processo é constantemente controlado, durante períodos de tempo variáveis, conduzindo os resultados obtidos, a reformulações, modificações, ajustamentos e mudanças.
De uma forma resumida, a investigação-ação é uma metodologia orientada para a melhoria da prática nos diversos campos de ação. Por conseguinte, o duplo objetivo básico e essencial é, por um lado obter melhores resultados naquilo que se estuda e, por outro, facilitar o aperfeiçoamento das pessoas e dos grupos com quem se trabalha. Este tipo de investigação tem um caráter cíclico, já que através dela se gera um processo que vários autores designaram de espiral (Cohen, Manion &
Morrison, 2007). De facto, na investigação-ação existe um conjunto de fases que se desenvolvem de forma contínua, que se resumem na: planificação, ação, observação/avaliação e reflexão/teorização. Este conjunto de procedimentos em movimento circular dá início a um novo ciclo que, por sua vez, desencadeia novas espirais de experiências de ação reflexiva, nomeadamente: plano, ação, observação e reflexão. Isto porque, esta metodologia pretende operar mudanças práticas, tendo em vista alcançar melhorias nos resultados, repetindo-se esta sequência de fases ao longo do tempo, já que o investigador, necessita de explorar e analisar convenientemente e com consciência o conjunto de interações ocorridas durante o processo, não deixando de lado os eventuais desvios processados por razões exógenas, que têm que ser levados em conta e, desse modo, proceder a reajustes na investigação do problema (Félix, 2014).