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CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA APLICADA NO ESTUDO

3. O Ambiente de Aprendizagem

3.1 Metodologia proposta

No sentido de se concretizar o objectivo de utilizar a Internet como ferramenta de apoio no processo de ensino/aprendizagem, este projecto teve de ser concebido da seguinte forma: preparação e montagem do módulo da disciplina, adaptação do material para Internet e avaliação da disciplina, conforme consta do diagrama que se segue.

1ª Fase – Montagem do Módulo da disciplina: esta fase visa a preparação do ambiente que será utilizado pela disciplina, ou seja, a realização das configurações necessárias na plataforma que serão depois disponibilizadas aos alunos.

2ª Fase – Adaptação do material para Internet: para realização desta fase, é necessário, dentro do que se preconiza para este projecto, conceber o material para a Internet segundo os princípios de Kolb, definindo claramente os papéis do professor e dos alunos de acordo com a abordagem interactiva. As condições para que isto aconteça são apresentadas na sequência, de forma genérica. Estas condições foram transferidas para uma situação real, no estudo de caso que se realizou com a disciplina de TIC.

Montagem do material para Internet: Elaborar uma aula para ser disponibilizada na Internet não é tão simples como preparar transparências ou fazer esquemas de apresentação com tópicos a serem abordados. No nosso caso o professor estava sempre presente na sala de aula, mas foi combinado com os alunos a simulação

Metodologia proposta

Montagem da disciplina Adaptação do material para Internet Avaliação da disciplina

Internet/Plataforma Ciclo de Kolb

Obtenção do material didáctico

Software Utilizado

Estrutura da disciplina

Implementação dos conteúdos da disciplina

Testes, ajustes e correcções

Manutenção e suporte à disciplina

Avaliação Fase 1 Motivação Fase 2 Apresentação Fase 3 Aplicação Fase 4 Simulação

da sua ausência, ou seja, o professor não estaria presente sempre que sua aula for “consultada”. Sendo assim, a aula deve ter uma quantidade suficiente de informação sobre o assunto (textos, imagens, sons, animações, vídeos, normas, avaliações e inclusive links para outras fontes de informação pertinentes), de tal forma que o material possa ser auto-explicativo, suprimindo, pelo menos em parte, a “ausência” do professor.

O planeamento/concepção das aulas implica o domínio de conceitos básicos das TIC e também de alguns softwares para edição gráfica.

1. Obtenção do material didáctico: é realizada pelo professor ou, dependendo da abordagem, o professor pode solicitar ou transferir o encargo parcialmente para os alunos de forma a que estes funcionem como coadjuvantes, para que, num primeiro momento, montem os módulos. Porém, o professor é que define o que é relevante para a disciplina, de acordo com os seus objectivos.

2. Software utilizado: definir qual o software a utilizar para cada média e averiguar se a escola possui licença para utilização dos mesmos.

3. Estrutura da disciplina: definir qual deve ser a estrutura da disciplina que será disponibilizada aos alunos, estabelecendo ainda que ferramentas devem ser utilizadas.

4. Implementação da disciplina: é nesta fase que o professor coloca à disposição dos alunos o curso na Internet, colocando em prática tudo o que havia sido decidido e planeado anteriormente.

5. Testes para ajustes e correcções: o professor deve estar sempre atento às adversidades, uma vez que podem ocorrer falhas durante a implementação do módulo da disciplina. Os alunos deverão dispor de um espaço de tempo adequado para poderem fazer uma análise e verificarem a existência de eventuais falhas e/ou para efectuarem sugestões de alterações.

6. Manutenção e suporte à disciplina: é um serviço que deve ser proporcionado durante a realização da disciplina para que os alunos/formandos, caso tenham dúvidas, possam esclarecê-las, servindo igualmente para acrescentar novas informações, para fazer correcções e para demais actividades relacionadas.

7. Avaliação do Módulo da disciplina: deve ser realizada ao final da disciplina/módulo, de modo a que os alunos possam apontar os pontos positivos e negativos, através de questionário, permitindo alterações e

Os quatro primeiros itens desta fase devem ser executados antes do início efectivo da disciplina. O quinto item deve ser realizado após o início, onde o professor pode conduzir, até mesmo de maneira informal, uma avaliação junto dos alunos: a forma como os alunos estão a acompanhar o curso, o que está realmente a ser utilizado e o que deveria ser acrescentado para melhorar o seu desempenho. O sexto item deve ser desenvolvido ao longo da disciplina, de maneira preventiva e, eventualmente, correctiva. O último item deverá ser realizado no final da disciplina, período no qual os alunos já disporão dos elementos necessários para realizarem uma avaliação mais fundamentada e criteriosa da disciplina/módulo. É importante observar que a adaptação do material para Internet pressupõe o uso de alguns softwares, conforme mencionado na fase 2. Em virtude disto deve-se prestar atenção às questões legais relacionadas com o uso de software, utilizando sempre versões livres ou aquelas cuja licença tenha sido adquirida pela escola. Como os alunos, em geral, não conhecem e não estão habituados à educação a distância/uso da plataforma EAD, as primeiras aulas podem ser ministradas em laboratórios ou salas de aula com acesso a computadores ligados à Internet, de modo a permitir a realização de uma pequena introdução/adaptação ao futuro ambiente de trabalho. Seguidamente, os alunos podem passar a ter aulas em ambientes tradicionais (salas de aulas) e continuam com a possibilidade de aceder ao curso na Internet fora do período de aula. Neste ambiente desenvolvem os seus trabalhos extra-aula e podem tirar dúvidas com o professor e/ou monitor através de correio electrónico, chat e/ou fórum. Além disso, os alunos/formandos são informados de qualquer novidade na disciplina/módulo através da agenda ou de outra ferramenta previamente defina para o efeito. Todas estas ferramentas estão, de um modo geral, disponíveis nos softwares que permitem a construção de cursos na Internet.

Espera-se que, no final da leccionação da disciplina, os alunos, além de aprenderem o conteúdo específico, se tenham tornado capazes de usar a Internet como fonte de informação; que tenham conhecido as potencialidades de um processo interactivo de educação e que se tenham familiarizado com os diversos sistemas de procura de informação na Internet com vista à aquisição de um conhecimento específico.

A avaliação do módulo da disciplina realizada no último item deve ser, sempre que possível, contínua e também de forma similar a avaliações anteriormente

anteriores), acrescentando-se algumas alterações/rectificações para adaptá-las a uma disciplina/curso semi-presencial. A opção de realizar a avaliação nos mesmos moldes daquelas já efectuadas anteriormente permite estabelecer uma comparação e verificar se o processo de ensino/aprendizagem revelou, de facto, melhorias nas disciplinas adaptadas para esta nova concepção.

Mas a proposta deste projecto não é, nem nunca poderia ser, apenas de transferir conteúdos da disciplina, no seu formato original, para a Internet. É preciso introduzir algumas alterações no processo de ensino/aprendizagem para o aprimorar, o que se procurará fazê-lo recorrendo à aplicação do Ciclo de Kolb. Para utilizar a Internet como ferramenta para auxiliar o professor no movimento pelo ciclo (Porquê? O quê? Como? e E se?), podem ser adaptadas as seguintes funções da Internet, computador e sala de aula:

Fase 1 - Motivação: para motivar os alunos e fazer com que eles se interessem pelo curso, pode-se apresentar antecipadamente as características mais marcantes dos módulos ou os conteúdos da disciplina que serão ministrados pelo professor. Isto pode ser feito inclusive por correio electrónico, enviando algumas questões para que eles reflictam sobre o tema a ser abordado, sempre acompanhadas de uma boa dose de estímulo e motivação. Assim, além de se disponibilizar na Internet o material do curso, deve-se incentivar os alunos/formandos a acederem, por exemplo, à página do módulo da disciplina.

Fase 2 - Apresentação: a segunda fase do ciclo pode ser conduzida em sala de aula, onde o professor, em aula presencial, expõe as informações mais importantes do tópico abordado. Em paralelo a isso, na Internet são disponibilizados os módulos para que os alunos possam aprimorar ainda mais o seu conhecimento sobre o tema, com links para que eles obtenham informações actuais e construam o seu conhecimento sob orientação do professor.

Fase 3 - Aplicação: neste momento os alunos passariam a ser auxiliados pelo professor para resolverem problemas, de forma sistematizada, atribuídos em sala de aula ou ainda enviados por correio electrónico. É interessante que o professor procure relacionar a disciplina com o dia-a- dia dos alunos, já que isso facilita a aprendizagem.

utilizando as técnicas referidas na fase anterior. O professor pode utilizar ferramentas da Internet, tais como, fórum, e-mail, chat, entre outras. Por exemplo, pode-se criar um fórum de discussão sobre um determinado problema para que os alunos discutam sobre possíveis soluções. Depois de um determinado tempo, o professor pode marcar um chat (ou uma discussão em sala de aula) para discutir a melhor solução encontrada pelos alunos ou aquela que tenha gerado maior polémica. Assim professor e alunos podem construir juntos o conhecimento.

Deve ter-se em mente que, na abordagem interactiva auxiliada pela Internet, o aluno/formando deve abandonar o comportamento passivo da educação tradicional e adoptar um comportamento activo, onde a sua principal função passa a ser a de explorar o material didáctico disponibilizado e interagir com o professor e com os outros alunos. Assim, o professor já não constituirá o centro das atenções e o aluno, por sua vez, deverá aprimorar a sua aptidão para a auto-aprendizagem orientada. Além disso, pode-se incentivar a aprendizagem cooperativa, onde os alunos se ajudam mutuamente durante o processo de aprendizagem, actuando como parceiros do professor e deles próprios.

3ª Fase - Avaliação do curso: após a aplicação da metodologia proposta para uma disciplina, espera-se que o desempenho dos alunos melhore e que, além disso, também melhore a avaliação final que os próprios alunos fazem da disciplina.

Para saber se o curso que foi concebido e implementado está realmente a surtir os efeitos desejados é torna-se necessário auscultar a opinião dos alunos ou mesmo submetê-los a um questionário no final do curso, num momento em que já há condições para avaliar o seu desempenho, o do professor e o modo como decorreu a disciplina em si. Isso não inviabiliza que no final do curso seja realizado um teste, onde o professor pode avaliar, de uma forma mais "convencional", a aprendizagem do aluno relativamente à disciplina. Esta avaliação mais “convencional” poderá mesmo ser bastante importante, inclusivamente para que, caso a disciplina tenha sido avaliada em anos anteriores, se possa fazer uma comparação dos resultados obtidos em ambas as ocasiões e verificar se houve ou não alguma alteração sensível no processo de

Para analisar os resultados obtidos, podem-se levar a cabo avaliações qualitativas ou quantitativas dos dados recolhidos nesta 3.ª fase, procurando identificar alterações no desempenho dos alunos e na avaliação da disciplina. No desempenho dos alunos pode ser levada em consideração, por exemplo, a evolução das notas por período, seja através de valores médios ou de análises mais detalhadas da distribuição de frequência das notas por faixas de valores. Para analisar os dados da avaliação da disciplina podem ser verificados inclusivamente quais os pontos mais importantes a serem considerados nas pesquisas realizadas pela escola no passado. Assim, pode ser feita uma adaptação das avaliações existentes na escola ou até mesmo basear a análise em avaliações "oficiais" da escola, desde que os alunos possam avaliar a disciplina, a pedagogia e fazer uma auto e uma hetero-avaliação. A análise comparativa pode ser semelhante à realizada para avaliar a evolução do desempenho dos alunos. Toda esta metodologia genérica assume, no entanto, características particulares de acordo com os assuntos abordados em cada curso e a forma como eles são tratados. Há que ter em conta, por exemplo, se o curso tem carácter formativo ou informativo, se o conteúdo envolve aspectos predominantemente teóricos ou práticos, se o curso exige conceitos anteriores que sejam pré-requisito e que precisem ser verificados e/ou alvo de revisão. Por isso, as condições específicas da disciplina que foi objecto de estudo nesta investigação são detalhadas a seguir, fazendo-se a adequação e adaptação deste método genérico ao contexto específico do caso estudado.