CAPÍTULO 2 – ENQUADRAMENTO TEÓRICO DO ESTUDO
2.3 Integração das TIC nos processos educativos
2.3.3 O Uso do Software na Educação
2.3.3.2 O software educativo e suas características
As especificações técnicas do software desenvolvem-se muito rapidamente e requerem continuamente maiores e melhores requisitos tecnológicos: mais memória RAM e de processamento numérico e gráfico. Se, por um lado, a aquisição envolve menos custos que o hardware por outro pode pressupor uma actualização mais rápida. Não é raro assistir-se à disseminação no mercado de software educativo a que as máquinas "residentes" não conseguem aceder por insuficiência tecnológica. A própria dinâmica da concorrência comercial, muitas vezes ligada aos dois sectores, impele a uma actualização também dupla.
Uma outra temática actual é a que se refere à qualidade e adequação do software aos programas curriculares. A discussão ultrapassa a comunidade escolar e alarga-se aos produtores comerciais, agentes políticos e público em geral. Parece- nos correcto este diálogo, há mesmo que incentivá-lo, potenciá-lo, mas também organizá-lo, de modo a produzir resultados concretos e definidores de políticas para o sector.
A principal característica do software educativo é a de que se baseia num ambiente multimédia, no qual os alunos são estimulados a interagir com recursos múltiplos, no qual se valoriza o papel do discente no acto comunicativo, no qual se favorece o estabelecimento de interacções directas com o conteúdo e se pode abrir espaço para a participação dos colegas e do professor.
Será oportuno atentar nas considerações de Isabel Chagas28, com a experiência
que lhe advém da coordenação do Centro de Competência Nónio, que conclui que o software educativo deve ser “flexível, atraente, surpreendente e estimulante”. “Flexível”, pois deverá adaptar-se a diversos currículos e possibilitar a utilização de variadas “estratégias”, de modo a possibilitar a diversificação de situações na sala de aula. “Atraente” porque a qualidade técnica é condição para uma utilização consequente e não castradora devido a falhas contínuas e deve possuir intuitivamente a interactividade; por outro lado, porque deverá reunir as linguagens audio-scripto-visual de uma forma “harmoniosa e agradável” para o utilizador; finalmente, porque sob o ponto de vista conceptual, deve abordar “questões atraentes e significativas e enunciados de forma adequada à sua idade
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Isabel Chagas, “Software Educativo: o que dizem os professores?” In CONSELHO NACIONAL DA EDUCAÇÃO, A Sociedade de
e nível de conhecimento”. Deve ter, ainda, a qualidade de “surpreender” e de ser “estimulante” de modo a suscitar o entusiasmo, motivar em relação a temas a estudar e contribuir para iniciar a pesquisa e investigação de temas propostos. Sendo a didáctica “a arte de bem ensinar” (Coménio), o software transporta os utensílios que a poderão valorizar: facilita a execução da tarefa ao proporcionar vários canais de comunicação educativa e comporta recursos e estratégias pedagógicas visando dosear o esforço cognitivo do aluno, potenciá-lo e encaminhá-lo para o percurso mais correcto. Contudo, o valor e grandeza da obra de arte dependerão sempre do Homem e não do utensílio que lhe ajuda a dar forma.
A dimensão didáctica do software educativo refere-se à natureza dos conteúdos, à sua cientificidade para uma aplicação didáctica adequada e credível, “susceptível de ser tratada como matéria de ensino e como objecto de aprendizagem e, principalmente, susceptível de ser interiorizada pelo aluno sob a forma de um saber efectivo, de ser empregue na aquisição de novos conhecimentos e de ser transferida para situações externas ao contexto do ambiente multimediatizado de aprendizagem e do ambiente escolar. [...] O saber efectivo é fruto de um processo contínuo de interacção do sujeito com informações ou com conhecimentos que lhe são propostos, perpassando interacções com saberes anteriormente adquiridos, com representações e interpretações previamente construídas”.29
O carácter lúdico presente no software educativo dito comercial é muitas vezes exagerado pela dinâmica do consumismo em detrimento dos outros dois aspectos abordados. Porém, a componente lúdica é sempre importante e deve estar presente. A facilidade de navegação, a intuição, os jogos, o aspecto gráfico, as imagens e a interactividade podem transformar a aprendizagem numa actividade estimulante, divertida e podem mesmo contribuir para ultrapassar constrangimentos de matérias não muito do agrado das crianças.
Parecia-nos interessante haver nas escolas padrões de classificação30, segundo
critérios discutidos e acordados, a exemplo do que acontece com os manuais
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Gilberto Lacerda Santos, A integração de princípios de comunicação visual e de Psicologia Cognitiva na concepção de um software
educativo para apoio à construção de representações acerca de questões ambientais junto a crianças em fase de início de escolarização,
escolares. A grande profusão de títulos existentes cria uma certa desorientação em pais e educadores31. A compra deste material pelas escolas deveria obedecer a um debate da comunidade educativa e não reger-se por critérios mais ou menos discutíveis.
De uma forma sucinta, os programas utilizados em sala de aula podem ser classificados/agrupados da seguinte forma:
Softwares educativos: há várias opções disponíveis no mercado, o que permite aos professores seleccionar aqueles que melhor se adeqúem às suas metodologias. Para Tajra (2000), os softwares educativos deveriam ter algumas características dos videojogos, estimulando o raciocínio, o desafio e o dinamismo e fazendo com que os alunos se entusiasmem cada vez mais com a sua utilização. Espera-se com isso, por exemplo, que as aulas se tornem mais criativas, motivadoras, dinâmicas e que envolvam os estudantes para novas descobertas e aprendizagens. O que se observa, no entanto, é que muitos
softwares supostamente educativos são concebidos sem nenhuma
orientação/motivação pedagógica. Assim, além de conterem, em alguns casos, erros ortográficos e até mesmo de conteúdo, não são adequados para a utilização em sala de aula.
Softwares administrativos: são utilizados pelas universidades para o controlo académico dos alunos, por exemplo: faltas, notas, finanças, empréstimo e devolução de livros na biblioteca, etc. Podem ser desenvolvidos pela própria universidade ou por empresa de software especializada.
Softwares aplicativos com finalidades tecnológicas: a utilização deste tipo de software (por exemplo, editores de textos, folhas de cálculos, bases de dados, editores gráficos, etc.) tem, em geral, grande relação com a proposta pedagógica da escola. Uma das vantagens da sua utilização nas escolas é que estes são programas iguais ou muito idênticos aos que são utilizados nas empresas em que futuramente os alunos irão trabalhar.
Softwares aplicativos com finalidades educativas: a utilização de aplicativos em sala de aula é uma excelente estratégia para as escolas, universidades e instituições de educação, para os professores e para os próprios alunos. Os professores podem, a partir de um projecto proposto, estimular os alunos a
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O projecto Minerva propõe uma avaliação do software didáctico pelo valor educativo estimado. Para além da avaliação é proposta uma análise baseada nos seguintes itens: “incidência curricular”, “funcionalidades”e “expectativas de
desenvolverem pesquisas e os alunos podem utilizar os aplicativos para elaborarem a apresentação dos resultados das suas pesquisas.
É interessante a sua utilização na escola, pois estes programas (por exemplo, editores de textos, folha de cálculo, bases de dados, editores gráficos, etc.) são provavelmente os mesmos disponíveis nos computadores das residências dos alunos. A proposta neste caso é que a escola apresente aos alunos noções básicas de informática e realce as vantagens da utilização do computador como ferramenta de trabalho.
Importa também realçar que o desenvolvimento de um plano de curso com estes recursos requer maior pesquisa, versatilidade, criatividade e tempo por parte do professor. Estes têm sido alguns dos motivos que têm justificado o distanciamento dos professores face aos ambientes informáticos. O professor deve prever com antecedência se irá utilizar, nas suas aulas, recursos informáticos (Tajra, 2000). Além disso, é fundamental que, ao elaborar um plano de curso envolvendo a utilização de recursos informáticos, se preveja a existência de um momento destinado para as orientações tecnológicas básicas, incluindo conceitos sobre computador, Internet, software, etc., associadas às orientações pedagógicas.
Além dos softwares, a Internet pode ser outra aliada na área educacional. A sua utilização, se feita de forma adequada, exige um projecto pedagógico bem estruturado, para que toda a motivação que ela oferece aos alunos não acabe por se tornar contraproducente.