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Regime de Fluidos

5.2 Microtermometria das inclusões fluidas

Os dados microtermométricos coletados para os depósitos Luizão, Pé Quente e Francisco encontram-se sumarizados na Tabela 5.1 e reunidos nos Anexos 4A-D. Os dados referentes ao depósito X1, contudo, foram extraídos de Trevisan (2012b).

Tab. 5.1. Súmula dos dados microtermométricos das inclusões descritas para os depósitos Luizão, Pé Quente, X1 e Francisco (Temperaturas em °C e salinidades em % em peso eq. NaCl).

Depósito Inclusão

Fluida TfCO2 Te Tfgelo Tfclatrato ThCO2

Thtotal Salinidade (% em peso eq. NaCl) Luizão (Anexo 04A) Aquosas bifásicas - -82,9 a -39,1 -9,7 a -1,3 - - 60,9 a 185 2,5 a 15 Aquosas trifásicas - -80 a -41,6 -6,1 a 0,7 - - 200,2 a 280,3 33,6 a 37 Pé Quente (Anexo 04C) Aquosas bifásicas - - (tipo Ia) 2,3 a 9,1 (tipo Ib) -8,7 a -0,3 - - - (tipo Ia) 0,5 a 12,5 (tipo Ib) 3,8 a 12,9 Aquo- carbônicas -57,8 a -56,1 - - 5,2 a 9 21,9 a 31,7 - 2,9 a 8,3 X1 (Anexo 04B) Aquosas bifásicas - -48,6 a -29,7 (tipo Ia) 6,5 a 7,9 (tipo Ib) -25 a 0 - - 126,5 a 268,4 (tipo Ia) 2 a 26,06 (tipo Ib) 3,8 a 9,3 Aquo- carbônicas -58,1 a -55,4 - - 5,8 a 9,1 20 a 32,3 218 a 334,6 6,1 a 8,9 Francisco (Anexo 04D) Aquosas bifásicas - -79,4 a -42,6 -22,9 a 0 - - 85,3 a 184,2 6,9 a 24,2 LEGENDA: (TfCO

2) Temperatura de fusão do CO2; (Te) Temperatura do eutético; (Tfgelo) Temperatura de fusão do gelo; (Tfclatrato) Temperatura de fusão do clatrato; (ThCO

2) Temperatura de homogeneização do CO2; (Thtotal) Temperatura de homogeneização total; (-) dados não obtidos ou incompatíveis para o tipo de inclusão.

As temperaturas do eutético (Te; Fig. 5.7) obtidas para as inclusões aquosas bifásicas do depósito Luizão apresentam valores que variam de -82,9°C a -39,1°C (moda = -62,55°C), enquanto que para o depósito X1, esse mesmo tipo de inclusões apresenta Te entre -48,6 a - 29,7°C (moda = -43,5°C). No depósito do Francisco, o regime de fluidos, eminentemente aquoso e bifásico, registra ampla variação nas Te, as quais estão compreendidas entre -79,4 e -42,6°C, com moda em dois picos principais: de -57 a -55°C e entre -50 e -47°C. Para o depósito Pé Quente, no entanto, devido à metaestabilidade observada nas inclusões, não foi possível a obtenção das suas temperaturas do eutético.

Fig. 5.7. Gráfico de frequência para as temperaturas do eutético obtidas para as inclusões aquosas bifásicas dos depósitos estudados.

As temperaturas para a fusão do gelo (Tfgelo; Fig. 5.8) registradas para o grupo de inclusões aquosas bifásicas do depósito Luizão variam de -9,7°C a -1,3°C (moda = -3,6°C), enquanto que o depósito do Francisco, novamente, apresenta grande dispersão dos dados, com Tfgelo entre -22.9 e 0°C (moda = -5,5 a -2°C). Nos depósitos Pé Quente e X1, entretanto, são observados dois subgrupos principais de inclusões com base na Tfgelo: (1) um subgrupo com pequenas quantidades de CO2(l) dissolvido à fase aquosa e, portanto, com formação de clatrato

(inclusões tipo H2O(l) ± CO2(l)), e um (2) segundo subgrupo, eminentemente aquoso sem fases

voláteis dissolvidas à fase líquida. No depósito Pé Quente, as temperaturas de fusão do clatrato (Tfc) registradas para o primeiro grupo (inclusões tipo I) ocorrem no intervalo de 2,3 a 9,1°C

(moda entre 7 e 8°C), enquanto que as Tfgelo referentes ao segundo subgrupo variam de -8,7 a - 0,3°C (moda = -2.5°C). No depósito X1, são observados valores semelhantes para as Tfc (6,5 a

7,9°C), porém, mais discrepantes para a Tfgelo (-25 a 0°C; moda = -19.4 a -25.8°C).

Fig. 5.8. Gráfico de frequência das temperaturas obtidas para a fusão do gelo das inclusões aquosas bifásicas dos depósitos estudados, com maximação da área de frequência dos resultados coletados para os depósitos Pé Quente, X1 e Luizão.

As temperaturas de homogeneização total (Thtotal; Figs. 5.9) das inclusões aquosas bifásicas variam de 60,9°C a 185°C (moda = 129,1°C) no depósito Luizão, porém, são ligeiramente mais elevadas para o depósito do Francisco (85,3 < Thtotal < 184,2 °C), com moda em torno dos 150-170°C. O depósito do X1, no entanto, registra Thtotal mais elevadas, entre 126,5 e 268,4°C (150° < moda < 160°C).

Fig. 5.9. Gráfico de frequência para a temperatura de homogeneização total das inclusões aquosas bifásicas do conjunto de depósitos analisados.

As inclusões trifásicas salinas do depósito do Luizão exibem Te entre -80°C e -41,6°C, com maior concentração dos valores em -64,6°C. As Tfgelo variaram de -6,1 a 0,7°C (moda = - 2,63°C). Temperaturas de fusão do gelo acima dos 0°C são justificáveis devido à natureza metaestável que o fluido pode apresentar em certos casos (Diamond, 1992). Entretanto, visto este grupo corresponder a inclusões compostas por cristais de saturação, a sua salinidade não está em função da Tfgelo, mas da temperatura de homogeneização do cristal de sal presente. Neste sentido, a temperatura de dissolução do sal para essas inclusões saturadas, definido como a Thtotal, varia de 200,2° a 280,3°C (moda = 220-230°C). Em adicional, a homogeneização da bolha interna (H2O(g)) ocorreu em torno dos 133,3°C e sempre anterior à dissolução do cristal de saturação.

Finalmente, as inclusões aquo-carbônicas do depósito Pé Quente exibem temperaturas de fusão do CO2 (TfCO

2) concentradas entre -57,8 e -56,1°C (-57,2 < moda < -57°C), enquanto que

para o depósito X1 (Trevisan, 2012b) essas temperaturas concentram-se no intervalo de -58,1 a - 55,4 (moda = -56°C) (Fig. 5.10). As temperaturas de fusão do clatrato (Tfclatrato), formado no

°C) e de 5,8° a 9,1°C para os depósitos Pé Quente e X1 (Fig. 5.11). Em adicional, a homogeneização do CO2 líquido (ThCO

2) das inclusões aquo-carbônicas do depósito X1 ocorre

entre 20° e 32,3°C, com maior concentração em 31ºC, enquanto que para o depósito Pé Quente, essas temperaturas variam de 21,9 a 31,7 °C (moda = 31,5°C). Indepententemente do depósito em questão, essa homogeneização se processa majoritariamente para o estado líquido.

As Thtotal das inclusões aquo-carbônicas do depósito X1 distribuem-se entre 218°C e 334,6°C, com predominância em 240ºC. Em todas as inclusões analisadas, a homogeneização total ocorre para o estado líquido.

Fig. 5.10. Gráfico de frequência para as temperaturas de fusão do CO2 para o grupo de inclusões aquo- carbônicas provenientes dos depósitos Pé Quente e X1.

As salinidades registradas para os grupos de inclusões fluidas nos depósitos investigados variam consideravelmente entre si (Fig. 5.12). As inclusões aquo-carbônicas do depósito Pé Quente, por exemplo, exibem baixas salinidades, entre 2,9 e 8,3% em peso eq. NaCl, enquanto que os valores obtidos para o depósito X1 são uniformes, porém, dentro do mesmo intervalo: de 6,1 a 8,9% em peso eq. NaCl (Fig. 5.12A). O grupo de inclusões aquosas bifásicas que

registraram formação de clatrato (CO2 dissolvido na fase aquosa) exibe salinidades entre 3,86-

12,95% e 3,86-9,33% em peso eq. NaCl, respectivamente para os depósitos Pé Quente e X1 (Fig. 5.12A). Contudo, maior variação foi observada entre as inclusões aquosas bifásicas sem CO2

dissolvido à fase fluida, visto os valores variarem de 0,53 a 12,5% em peso eq. NaCl para o depósito Pé Quente, e até 26,06% em peso eq. NaCl para o depósito X1 (Fig. 5.12A). No depósito do Luizão, contudo, os fluidos aquosos bifásicos exibem baixas a moderadas salinides (2,5 a 15% eq. NaCl), enquanto que as inclusões aquosas-salinas trifásicas exibem altos valores de salinidade, com variação de 33,6 a 37% eq. NaCl (Fig. 5.12B). As inclusões aquosas do depóstio do Francisco, contudo, exibem ampla dispersão nas saliniades obtidas: de 6,97 a 24,27% em peso eq. NaCl (Fig. 5.12B).

Fig. 5.11. Gráfico de frequência para as temperaturas de fusão do clatrato para o grupo de inclusões aquo- carbônicas dos depósitos Pé Quente e X1.

Fig. 5.12. Variação dos valores de salinidades obtidos para os depósitos (A) Pé Quente e X1; e (B) Luizão e Francisco.