MINÉRIO DE FERRO E PELOTAS
A consolidação da liderança global da CVRD
A CVRD realizou duas importantes aquisições durante o ano de 2001, as quais contribuíram para a consolidação de sua liderança no mercado global de minério de ferro. Esse movimento estratégico produz repercussões importantes, na medida em que viabiliza a obtenção de menores custos de produção e a ampliação da oferta de um portfolio de produtos mais diversificado e de melhor qualidade para os clientes.
A CVRD concluiu em 27 de abril de 2001 as negociações para a aquisição de 100% do capital da Ferteco por US$ 566 milhões. A Ferteco opera duas minas de minério de ferro, Fábrica e Feijão, e uma planta de pelotização localizadas na região do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais. Possui capacidade de produção de 16,2 milhões de toneladas de minério de ferro e 4,3 milhões de toneladas de pelotas por ano. A Ferteco detém 10,5% do capital total da MRS e opera um terminal marítimo no porto de Sepetiba, estado do Rio de Janeiro.
Em 7 de dezembro de 2001, a CVRD finalizou a compra de 50% das ações ordinárias da CAEMI por US$ 278,7 milhões. A CAEMI é uma holding não operacional, com participações relevantes em negócios de minério de ferro, através do controle acionário da MBR, segunda maior produtora brasileira, em caulim e bauxita refratária. A MBR detém 31,95% do capital total da MRS. O volume de vendas de minério de ferro da MBR em 2001 foi de 28,1 milhões de toneladas, enquanto que a CADAM, produtora de caulim, vendeu 771,9 mil toneladas desse produto.
A aquisição da CAEMI foi aprovada pela Comissão Européia, com o compromisso de venda de sua participação de 50% na Quebec Cartier Mining Company, empresa canadense produtora de minério de ferro e pelotas.
Com a aquisição da Samitri em maio de 2000 e sua posterior incorporação em outubro de 2001, a CVRD conseguiu alcançar importantes reduções de custos e aumento de flexibilidade em suas operações no Sistema Sul. É importante mencionar, por exemplo, a realização de economias em gastos com compras de materiais e insumos e em contratos de serviços. A Companhia ganhou flexibilidade para composição dos produtos finais ao ampliar seu portfólio, permitindo blendings alternativos para melhoria de qualidade e facilitando sua manipulação por parte dos clientes. A mina de Capanema, em exaustão, deverá ser substituída pela mina de Fábrica Nova, anteriormente pertencente à Samitri. Além
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Novo recorde de vendas
A produção global de aço bruto diminuiu apenas marginalmente durante o ano de 2001, passando, de acordo com os dados do International Institute for Steel and Iron (IISI), de 847,2 milhões de toneladas no ano passado para 839,9 milhões de toneladas.
A demanda por minério de ferro continuou firme, estimando-se que o volume no mercado transoceânico tenha atingido 450 milhões de toneladas, nível ligeiramente inferior ao recorde histórico de 455 milhões de toneladas registrado em 2000. O impacto do ciclo de baixa dos preços do aço sobre a demanda por minério de ferro consistiu no redirecionamento para produtos com preços menores. Isso se refletiu na retração da demanda por pelotas, com a diminuição da produção de ferro esponja (direct reduced iron), consumidora de pelotas de redução direta, e a substituição de usinas de alto forno pelas pelotas por minério fino.
As importações chinesas de minério de ferro continuaram a crescer em ritmo acelerado, passando de 70 milhões de toneladas em 2000 para 92,3 milhões, em 2001 numa expansão de 32%, compensando a queda na demanda em outros países. Um exemplo é o Japão, maior importador mundial de minério de ferro que diminuiu suas compras, de 131,7 milhões de toneladas em 2000 para 126,3 milhões de toneladas em 2001.
A indústria siderúrgica da China vem substituindo o minério de ferro doméstico pelo importado, com o objetivo de elevar sua produtividade e fabricar produtos de melhor qualidade. Esta é uma tendência de longo prazo, que vem se pronunciando desde o início da década de 1990, tendo as importações de minério de ferro desse país crescido à taxa média anual de 18,4% entre 1990 e 2001.
Estima-se que a demanda transoceânica por minério de ferro alcance 500 milhões de toneladas em 2006, com crescimento médio anual de 2,1% no decorrer dos próximos cinco anos. Boa parte dessa expansão deverá ocorrer em decorrência do aumento das importações chinesas.
As vendas consolidadas de minério de ferro e pelotas da CVRD atingiram o nível recorde de 143,7 milhões de toneladas em 2001, com crescimento de 21,7% em relação ao ano passado. Esse montante compreende o volume vendido pela CVRD, joint ventures, Ferteco, Samarco e GIIC, eliminadas as transações entre empresas. No caso destas duas últimas, o volume é computado proporcionalmente às participações acionárias d a Controladora. Cerca de 81% das vendas foram realizado pela CVRD e joint ventures, enquanto que 19%, ou 26,9 milhões de toneladas, refere-se à contribuição das empresas adquiridas nos anos de 2000 e 2001.
As vendas de minério de ferro cresceram 25,8% enquanto que as de pelotas registraram taxa de expansão mais baixa, de 9,9%, refletindo a desaceleração cíclica da demanda por esse produto. Do volume total vendido, 121,8 milhões de toneladas, representando 85%, foram destinadas ao mercado externo.
A CVRD conseguiu aumentar sua penetração no mercado chinês, expandindo a base de clientes de 13 no ano passado para 23 usinas siderúrgicas em 2001. Um marco importante foi a assinatura de contrato com a Baosteel, a maior siderúrgica da China, para o fornecimento de 6 milhões de toneladas anuais de minério de ferro pelo prazo de 20 anos. Além disso, a
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CVRD tem firmado acordos de cooperação técnica com diversos produtores de aço desse país, como Jinan, Handan, Beitai e Changzhi/Xingtai.
As exportações da Controladora para a China cresceram substancialmente, de 9,2 milhões de toneladas em 2000 para 14,9 milhões de toneladas em 2001, refletindo a qualidade dos produtos e o sucesso de sua política de marketing.
No mercado brasileiro, onde suas vendas cresceram 24,4% em 2001, a CVRD assinou contrato de fornecimento exclusivo de minério de ferro e pelotas, pelo prazo de 10 anos, com a Acesita, maior produtora de aço inoxidável da América Latina. Contratos dessa natureza vêm permitindo aos clientes a realização de aumentos de produtividade e a melhoria de qualidade de seus produtos.
Em 2001, o preço do minério de ferro fino sofreu aumento de 4,3% enquanto que as pelotas tiveram acréscimo de preços de 1,75%.
A imposição pelo governo norte-americano de barreiras à importação de aço retarda a inevitável reestruturação da indústria siderúrgica desse país e provoca o aumento do protecionismo no mundo, mas não produz efeitos sobre as vendas de minério de ferro e pelotas da CVRD.
As boas perspectivas de recuperação sincronizada da economia mundial e do crescimento das importações da China permitem expectativas positivas sobre o desempenho dos embarques de minério de ferro e pelotas em 2002.
Nova Usina de Pelotização
O perfil da produção siderúrgica está mudando. Existe tendência de cr escimento na participação da capacidade global de produção de aço de usinas de forno elétrico (mini-mills) que consomem ferro esponja (produto fabricado a partir de pelotas), ao mesmo tempo em que as usinas siderúrgicas tradicionais procuram diminuir impactos ambientais, com o uso mais intenso de pelotas. Como conseqüência desse processo, a CVRD acredita na continuação da tendência dos últimos dez anos de expansão mais acelerada da demanda mundial por pelotas e tem realizado investimentos para atender às necessidades de seus clientes.
Nesse sentido, foi inaugurada em março de 2002 a usina de pelotização de São Luís, localizada no porto de Ponta da Madeira, no estado do Maranhão, a décima segunda da CVRD. Esta planta, a mais moderna do mundo pelo grau de automatização, eficiência no consumo de energia e proteção ao meio ambiente, possui capacidade de produção de 6
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MANGANÊS E FERRO-LIGAS
Crescimento apesar do racionamento de energia
A CVRD é, respectivamente, a segunda e a terceira maior produtora mundial de manganês e ligas de ferro manganês. É, simultaneamente, uma das produtoras de custo mais baixo do mundo e uma das poucas produtoras integradas, uma nova tendência na indústria.
Como o principal cliente desses produtos é a indústria siderúrgica, há complementaridade com o minério de ferro, o que permite a exploração de economias de escala em logística e marketing.
Em 2001, a produção de minério de manganês da CVRD - minas de Igarapé do Azul e Urucum - atingiu 1,67 milhão de toneladas. As vendas somaram 1,75 milhão de toneladas e registraram um aumento de 8,9% em relação a 2000.
A produção de ferro-ligas da CVRD pela SIBRA, CPFL e RDME – foi inferior em 5,6% ao nível do ano passado, alcançando 367,7 mil toneladas. Esse volume foi inferior em 70 mil toneladas ao planejado no início do ano, tendo em vista que a SIBRA e CPFL foram obrigadas a reduzir suas atividades, devido ao racionamento do consumo de energia elétrica no Brasil.
As vendas de ferro-ligas em 2001 foram de 362,4 mil toneladas, sendo que 65% foram destinadas ao mercado externo e 35% para o mercado doméstico. A contração da produção obrigou SIBRA e CPFL a eliminar vendas de produtos fora de sua linha principal, mantendo o fornecimento a seus clientes tradicionais.
As receitas com vendas de manganês e ferro-ligas contribuíram com 5,7% da receita consolidada da Companhia.