Considerando a cidade de Volta Redonda para aplica¸c˜ao da proposta, no estado do Rio de Janeiro, localizada na micro regi˜ao do Vale do Para´ıba Fluminense, conta com uma ´
area de 182,5 Km2 e uma m´edia de 260 mil habitantes.[64]
A cidade cresceu e se desenvolveu ao redor da Companhia Sider´urgica Nacional (CSN). Entretanto, essa proximidade da popula¸c˜ao com uma sider´urgica ´e uma fonte de perigo `a sa´ude das pessoas. Os habitantes da cidade tem sofrido cada vez mais com problemas respirat´orios e al´ergicos, e tamb´em com a polui¸c˜ao do rio Para´ıba do Sul.
Segundo dados do DETRAN, cerca de 250 carros e motos entram em circula¸c˜ao a cada mˆes, a cidade tem uma taxa de 1,8 habitantes/ve´ıculo.[71] Com isso, surgem muitas reclama¸c˜oes vinda da popula¸c˜ao sobre falta de vagas de estacionamento.
A secretaria municipal de Transporte e Mobilidade Urbana,afirma que n˜ao ´e poss´ı- vel criar espa¸co para tantos ve´ıculos na mesma velocidade em que eles se integram `a frota j´a existente e que h´a a inten¸c˜ao de incentivar as pessoas deixarem o carro na garagem, para evitar caos no trˆansito, por excesso de ve´ıculos.[72]
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E necess´ario que a cidade permita o cidad˜ao se locomover mais r´apido e com conforto, transformando a ideia de que o carro ´e a maneira mais r´apida de se locomover. Com o olhar no foco da mobilidade urbana, o uso da bicicleta j´a ´e uma realidade na cidade. A bicicleta como meio de transporte ´e algo que faz sentido em Volta Redonda, a cidade apresenta uma topologia plana, sem muitas ladeiras.
Encontram-se no plano da cidade trˆes tipos de vias sinalizada para bicicletas. ci- clorrotas, ciclofaixas e ciclovias, as faixas ciclovi´arias citadas s˜ao caracterizadas por:
• Ciclorrotas: s˜ao sinalizadas atrav´es de uma pintura indicativa, autom´oveis e ciclistas compartilham a mesma faixa nas ruas, indicadas para vias sem muito tr´afego, onde conseguem conviver bem (ciclista e motoristas).
• Ciclofaixas: feitas em vias de mais movimento, a separa¸c˜ao entre ciclistas e mo- toristas ´e feita com um faixa sinalizada tamb´em atrav´es de pintura, mas de modo exclusivo para os ciclistas, ao lado das faixas dos autom´oveis.
• Ciclovias: ´areas de segrega¸c˜ao total entre carros e bicicletas, com barreira f´ısica entre os motoristas e ciclistas.[65]
19 A cidade tem a¸c˜oes como a iniciativa ”De bike ao trabalho”, feita pela Associa¸c˜ao pela Mobilidade Sustent´avel em Volta Redonda em conjunto com o coletivo Bike Anjo que promove o uso de bicicletas como meio de transporte ao trabalho.[66] O que mostra um interesse n˜ao s´o da prefeitura, como tamb´em de membros da comunidade em fazer uso desse tipo de recursos.
As autoridades de Volta Redonda, est˜ao trabalhando na implementa¸c˜ao de ciclor- rotas e, desde o inicio de 2018. A cidade j´a conta com mais de 5km. O objetivo da prefeitura ´e interligar todos os espa¸cos com uma malha ciclovi´aria.
H´a manifesta¸c˜oes de um grupo, chamado Massa Cr´ıtica Volta Redonda, voltadas para o uso de bicicletas na cidade. A partir da p´agina desse grupo na internet, foi poss´ıvel coletar dados de necessidade reais da popula¸c˜ao quanto ao assunto.[67]
Podemos citar como exemplo dessas necessidades, um v´ıdeo da arquiteta e ur- banista A´ıda Cardoso, expressando a necessidade de uma ciclovia em uma determinada Avenida crucial no centro da cidade.
Al´em disso, na p´agina vimos que muitas das ciclofaixas, rec´em implementadas na cidade, n˜ao s˜ao respeitadas por parte tanto da popula¸c˜ao quanto dos motoristas. O que nos mostra que deveria haver um trabalho de conscientiza¸c˜ao maior por parte dos poderes p´ublicos e privados da cidade.
A cidade ainda relata diversos casos de carros estacionados nas ciclofaixas, impe- dindo o ir e vir do ciclista, o obrigando a transitar na faixa dos autom´oveis, colocando sua vida em risco. Tamb´em s˜ao vistos pedestres andando nas ciclofaixas, o que pode gerar acidentes, sendo que a inten¸c˜ao de uma ciclofaixa ´e gerar mais seguran¸ca e n˜ao o contr´ario.
Cap´ıtulo 4
Principais Cidades Inteligentes e
suas solu¸c˜oes
O presente cap´ıtulo divide-se entre estrat´egias encontradas em bibliografias especializadas e em pesquisas j´a realizadas ou ainda em desenvolvimento no exterior. E tamb´em descri¸c˜ao das solu¸c˜oes pr´aticas j´a aplicadas nas principais Cidades Inteligentes ao redor do mundo, escolhidas de acordo com a solu¸c˜ao ou tecnologia adotada no trˆansito da localidade em destaque.
A partir desta etapa do estudo, ´e poss´ıvel avaliar qual ou quais solu¸c˜oes podem ser vi´aveis e adequadas para aplica¸c˜ao na cidade de Volta Redonda.
Uma Cidade Inteligente ´e a que coloca as pessoas no centro do desenvolvimento, incorpora tecnologias da informa¸c˜ao e comunica¸c˜ao na gest˜ao urbana e utiliza esses ele- mentos como ferramentas que estimulam a forma¸c˜ao de um governo eficiente, que engloba o planejamento colaborativo e a participa¸c˜ao cidad˜a. Smart Cities favorecem o desenvol- vimento integrado e sustent´avel, melhorando seguran¸ca p´ublica, transporte, governan¸ca, educa¸c˜ao, planejamento e apresenta transparˆencia em todas as suas a¸c˜oes.
Foram usadas duas pesquisas que ranqueiam cidades inteligentes para a escolha das cidades que teriam suas solu¸c˜oes de mobilidade estudadas mais profundamente. A primeira lista de classifica¸c˜ao usada foi a IESE - Cities in Motion, 2018,al´em de uma lista das cidades mais inteligentes ao redor do mundo considerando diferentes fatores, h´a listagens por tema, como mobilidade, dimens˜oes da cidade, por regi˜ao, governa¸ca.[6] A lista ´e feita todo ano, pelo Instituto de Estudos Superiores da Empresa da Universidade de Navarra (IESE), sediada na Espanha.
O outro ranking usado para escolha das cidades para estudo foi o Ranking Con- nected Smart Cities 2018, desenvolvido pela Urban Systems, atrav´es de uma metodologia pr´opria e exclusiva, em parceria com a Sator, empresa l´ıder em elabora¸c˜ao de plataforma de neg´ocios. Tem como objetivo definir as cidades com maior potencial de desenvolvi- mento no Brasil.
S˜ao quatro resultados divididos em eixos: Geral, Tem´atico, Regi˜ao e Faixa Po- pulacional. ´E direcionado a cidades com maior potencial de desenvolvimento no Brasil, atrav´es de indicadores de inteligˆencia, conex˜ao e sustentabilidade.
Em seguida, as cidades exploradas mais profundamente, aparecem nos relat´orios, mas n˜ao est˜ao em ordem de classifica¸c˜ao. A considera¸c˜ao maior pelo estudo de cada uma, ´e pela solu¸c˜ao de destaque em mobilidade alinhada a tecnologia, que a cidade apresenta. A mobilidade e o transporte s˜ao cruciais para que uma cidade funcione adequada- mente.
4.1
Amsterdam, Holanda
A cidade de Amsterdam ´e capital da Holanda do s´eculo 17[19]. Com aproximadamente 800 mil habitantes [20], ´e tradicionalmente conhecida pelo transporte de bicicletas e tamb´em uma das primeiras cidades europeias a investir no conceito de cidades inteligentes.
No quesito mobilidade urbana, a cidade conta com a disponibiliza¸c˜ao e dados sobre tr´afego, op¸c˜oes de transporte e informa¸c˜oes de disponibilidade de estacionamento, localiza¸c˜ao de t´axis e ciclovias.
O uso da bicicleta ´e muito difundido principalmente pelo terreno plano do pa´ıs inteiro, que oferece uma infraestrutura ideal para esse meio de transporte; a bicicleta ´e o meio mais econˆomico e f´acil de interagir com a cidade. Al´em de econˆomico, o ciclismo ´e seguro, pois a cidade conta com 400km de ciclovia, que representa mais do que a distˆancia entre Amsterdam e a cidade de Londres.
Amsterdam tem 32% do seu movimento do tr´afego feito de bicicleta e 63% dos habitantes usam a bicicleta diariamente. O n´umero de propriet´arios de carros el´etricos registrados aumentou em 53% em 2016. Desde 2008, o compartilhamento de carros au- mentou em 376%. No entanto, isso ´e menos de 1% do uso total do carro. [21]
e 2018, os principais objetivos s˜ao de melhorar a seguran¸ca, acessibilidade, mobilidade, qualidade do ar, qualidade de vida e visitas aos atrativos de Amsterdam.[22]
Sem´aforos mais inteligentes e integrados aos ve´ıculos ´e um dos maiores objetivos da mobilidade da cidade, para que eles possam operar com mais inteligˆencia e mais dina- micamente.
Dispositivos chamados de thermican, est˜ao em teste junto aos sem´aforos para detec- tar o grau de calor de acordo com o n´umero de bicicletas que se aproximam. Os sensores de calor s˜ao pequenos dispositivos arredondados no topo do sem´aforo, que detectam o calor do corpo de uma pessoa.
Quando muitos ciclistas se aproximam, o sem´aforo fica verde antes do tempo pro- gramado, e permanece no estado de aberto por mais tempo e com maior frequˆencia tam- b´em para que o trajeto siga com um fluxo constante. Simultaneamente, o sem´aforo dos autom´oveis se ajusta para garantir a seguran¸ca de pedestres, ciclistas e motoristas.
Na cidade vizinha, em Roterdam, est˜ao sendo testados sem´aforos com sensores de infravermelho e meteorol´ogicos, como pode-se ver na figura 4.1.[23]
Figura 4.1: Sensor para dias de chuva - “mais verde para ciclistas na chuva”.[24] Roterdm, est´a experimentando sensores nos sem´aforos da cidade[24], como senso- res de chuva. Eles fazem com que a luz do sinal fique verde para o ciclista com mais frequˆencia quando est´a chovendo. H´a ainda outros projetos em fase de pesquisa e de- senvolvimento, como um sistema de controle e gerenciamento de multid˜ao para dias de eventos ou situa¸c˜oes do dia a dia.
A cidade ainda conta com aplicativos, para fornecer mais comodidade nas ativida- des de rotina como o “Drive Carefully” que serve para alertar os motoristas a reduzirem
23 a velocidade ao dirigir perto de escola, o que faz com que tenham redu¸c˜ao na quantidade de atropelamentos.
Ainda h´a o “Portal de mobilidade”[25], onde ´e poss´ıvel encontrar informa¸c˜oes de trˆansito at´e as melhores rotas. E quando se ´e turista tem uma se¸c˜ao de sugest˜oes de passeios, al´em de permitir o pagamento adiantado do bilhete do ˆonibus, trem e at´e mesmo locais com estacionamento dispon´ıvel.