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MODA E GÊNERO: EXPRESSÃO E INDIVIDUALIDADE

De acordo com Crane (2013), a moda é uma das formas de expressão mais consumidas e representa um papel importante na construção social da identidade.

Assim, o vestuário contribui no estudo da análise cultural, social e de gênero, sendo seu uso indispensável para afirmar ou corromper normas impostas durante as épocas.

As diferentes maneiras de se ornar, de se trajar e se relacionar com o mundo social formam maneiras singulares nos indivíduos, as subjetividades. Ela, se modifica devido a fatores externos que compõem valores e experiências pessoais. Elementos como, ciência, economia, biologia, engenharia, cultura, crenças, se relacionam com a Moda e esta os estetiza, tornando-os belos e harmoniosos. (MESQUITA, 2006)

Cada período traça sua história e seus riscos, determinando mudanças estéticas e sociais, que constroem-se e desconstroem-se ininterruptamente. Desta mesma forma, a moda nada mais é que o reflexo de determinada sociedade, dos indivíduos que a compõem e apresentam, sobre a pele, suas subjetividades.

(MESQUITA, 2006)

Ao tratar dessa questão Svendsen (2010) relata que, a moda é de difícil definição, e que pode ser compreendida como vestuário, ou uma ideologia, um pensamento que se aplica ao vestuário. Apesar disso, a moda não existiu em todos os períodos, porém, desde quando manifestou seus indícios em uma comunidade elevou cada vez mais seu número de seguidores.

O homem sempre possuiu instintos para se proteger, adornar ou também como forma de resguardar sua honra. Dessa necessidade de modificar seu corpo, até o final da Idade Média, lentas movimentações ocorriam, fenômenos do vestuário foram criados, principalmente devido a fatores externos, variações climáticas e dos novos processos de desenvolvimento têxtil (mastigação e sova da pele). Na Europa, é possível identificar como os conflitos e invasões interviram nas transformações da indumentária. (MESQUITA,2006)

Na segunda metade do século XIV, na Europa Ocidental, surge a ‘‘Moda’’, como sistema que guia mais rapidamente as etapas do vestuário, mobiliário e dos hábitos. Instaurada agora, as mudanças tornam-se obrigatórias, fazendo parte do funcionamento social. (MESQUITA, 2006)

Pela visão de Lipovetsky (2006), a moda além de espelhar individualidades e estilos de vida, é um símbolo das transformações que anunciam o surgimento de sociedades democráticas. Até os séculos XIX e XX, foi a roupa que adotou o papel expressivo, não havendo uma teoria de moda que não utilize o parecer como ponto central de investigação. Entende-se por tanto, que, a moda é uma ferramenta social temporária, aberta às mudanças, que pode impactar inúmeros aspectos da vida em sociedade.

Para Barthes (2005), em Imagem e Moda, moda é um objeto ao mesmo tempo sociológico e histórico, é percebida como a harmonia entre formas normativas, mas que seu todo está sempre em mudança em função dos ideais que existem em dado instante da história.

Sant’Anna (2007) exprime a relação entre o parecer e o espaço do indivíduo:

[...] o vestir é campo privilegiado da experiência estética, permitindo na apropriação dos objetos de vestimenta o usufruto de uma infinidade de signos que operam a subjetividade de cada sujeito, diariamente. A moda por sua vez é o que está subterrâneo a este ato, como agenciador que impulsiona, qualifica, seleciona, e ressignifica a ação do parecer. (SANT'ANNA, 2007, p.73)

Dentro desse contexto Mesquita (2006) expõe que à partir de 1950, a ideia de confluência entre roupa e os modos fortaleceu-se com a produção em larga escala e a maior acessibilidade das roupas pela população. Disso, os diferentes estilos de roupas, sapatos, cabelos e maquiagens desenvolveram interações com diversas histórias e realidades, revelando as singularidades. Ao reconhecer, deve-se pensar além da exterioridade, idealizar a vida, trabalho, companhias, hobby, seu passado e futuro.

Sendo assim, a habilidade de mutação é apontada como uma condição normal na era Moderna e principalmente após 1960. Movimentações intensas da contemporaneidade desorganizam com frequência territórios fixos, aclarando a subjetividade. Certamente, mudanças no mundo, na coletividade ou na individualidade aparentam modificações, visto que podem apontar novos conceitos para o ‘’eu’’.

Portanto, o romper uma determinada unidade estilística existente até 1950, a moda se torna um palco para essas mudanças, iniciando uma propulsão de sugestões. Inaugurava-se então, uma ideia de que a roupa e a Moda estimulavam o sujeito a romper as barreiras identitárias, para se sentir ‘’livre e autêntico’’. A moda

auxiliava no processo para que o indivíduo criasse variadas identidades ou perfis, seria como os ídolos da música criando diferentes personagens para seus videoclipes ou como as revistas de Moda, indicando o ‘’você’’ com diversas personalidades em determinadas etapas do dia, ‘’minimalista de manhã, sedutora a noite.’’ (MESQUITA, 2006)

Conforme Braga (2004, p.89) ‘’Na segunda metade dos anos 60, surgiu a moda unissex, ou seja, a mesma moda tanto para ele quanto para ela. Isso tudo vai passar a ideia de um modo coletivo, comunitário, um ideal jovem que resultou numa espécie de uniformização para ambos os sexos.’’

Verifica-se que nos efervescentes anos de 1980, a palavra que ditou a moda foi ‘’individualismo’’. Em diversos sentidos: uma maneira super exclusiva de se trajar ou para adequar-se a determinado grupo, originando uma forma particular dentro de um estilo.

Na análise de Crane (2013), os discursos sobre vestuário compreendem aqueles que sustentam o consentimento com as concepções predominantes dos papéis sociais e os que exprimem as tensões sociais que forçam os conceitos estabelecidos socialmente mudarem, sendo cada discurso sustentado por grupos sociais específicos, os que forçam as mudanças na sociedade abrangem grupos marginalizados, especialmente no que tange as concepções de status ou gênero dominantes.

Além disso, de acordo com Entwistle (2015, apud REILLY;BARRY, 2020) o vestir sempre foi uma ferramenta para categorizar e identificar o gênero, ou seja, o feminino e o masculino, e também, para associar homens com a masculinidade e mulheres com a feminilidade. Afirma também que o sistema de moda, assim como nossas experiências do vestir na vida cotidiana, ainda é rigorosamente controlado pela divisão dos dois gêneros. Logo, apesar da evolução nas últimas décadas em relação aos padrões estabelecidos, as roupas enfeitam e expressam, rotulando, consequentemente, os corpos entre feminino e masculino. Para Lipovetsky, a Moda se torna ambígua a partir do momento que se apresenta com a padronização do vestir e também, um objeto de distinção e individualização.

Ao tratar dessa questão, Medeiros e Moraes (2019), apontam que o gênero, se refere a tudo aquilo que foi estabelecido e que a sociedade interpreta como uma função ou comportamento esperado de alguém com base em seu sexo biológico. De forma semelhante, Reilly e Barry (2020) destacam que, gênero é o entendimento

social e político do indivíduo pautado nos padrões culturais. Isso demonstra que o gênero é um papel, no qual se molda como instrumento de diferenciação e condução do viver desde o nascimento.

Apesar disso, para Perasen e Rowel (2017) estudos da psicologia afirmam que as pessoas unem características de ambos os gêneros, em quantidades diversas, em vez de escolherem apenas um lado. Contudo, homens e mulheres ainda escolhem se sujeitar a diferentes sapatos, camisas, além de comprarem calças em lojas distintas.

O fator determinante para a escandalização quando alguém escolhe não seguir o padrão, é a crença de que a distinção de gênero é algo obrigatório, natural.

Segundo Crane (2013), com o passar do tempo, as características do estilo de vida de uma pessoa mudam conforme novas pessoas e experiências se envolvem nesse processo. Com uma variedade de diferentes estilos, o indivíduo é liberto do tradicional e faz escolhas que fomentam uma autoidentidade significativa. A partir da reavaliação da importância de eventos e compromissos passados e presentes, a construção e a apresentação do eu tornam-se preocupações essenciais. Essa compreensão muda através do tempo, conforme ele reavalia o seu eu ‘’ideal’’, construindo um senso de identidade pessoal ao criar narrativas próprias, segundo suas percepções.

A pessoa começa inovar para se diferenciar social e particularmente, mesmo que se sujeite às determinações da sociedade. Uma vez que a pessoa espelha sobre sua imagem e vestes, pode-se revelar contradições no conjunto da moda: ele serve para padronizar regras para muitas pessoas, tendências e ao mesmo tempo servir para promover diferenças. (MESQUITA, 2004)

O local onde começa o seu entendimento da roupa, da Moda e da ‘’roupa subjetiva’’ é o guarda-roupa. É na sua experimentação do tempo e da pluralidade que você irá aprender melhor tais movimentos e na sua experiência do físico. A Moda como espaço de possibilidades inovadoras. Se sentirmos a roupa como uma possibilidade, mesmo de pouca duração, de mediação sobre o corpo, podemos representar sobre a roupa para além da linguagem, como manifestação de muitos aspectos que estão nos corpos. (MESQUITA, 2004)

Svendsen (2010) relata que seria inconveniente buscar uma origem provável para determinar o significado de uma peça de roupa, uma vez que ele emerge principalmente, nos locais entre as pessoas e entre estas e o mundo, com diversas compreensões que se inquietam, onde não há poder absoluto para

estabelecer o conceito de roupas, sendo assim nenhum conceito definitivo jamais ser consolidado. Apesar que se diga com frequência, o oposto, que as roupas não são uma linguagem. A verdade é que elas não têm nem gramática, nem vocabulário em nenhum sentido habitual. Não há dúvida de que transmitem alguma coisa, mas nem tudo que comunica deve ser chamado de linguagem. As vestes podem ser vistas semanticamente codificadas, entretanto com um código com uma semântica extremamente leve e oscilante, sem normas e que podem se modificar. O tempo e o lugar modificam o significado das palavras, mas a linguagem verbal é muito estável, já a significação do vestuário está sempre modificando. Este é o relevante motivo do por que a abordagem estruturalista às modas no vestuário não vigora: esta maneira conjectura significados bastante regulares.

Foi no século XIX que surgiram os primeiros conceitos sobre moda e nossa relação com as roupas como é atualmente. A partir disso, a literatura passou a dar mais importância ao estudo da relação da sociedade com a moda. Guerras, rebeliões e transformações nunca vistas anteriormente aconteceram no século XX, e as roupas, que andaram lado a lado com o desenvolvimento humano, também mudaram.

Consequentemente, é no decorrer do século XX que a moda passa por diversas mudanças, construindo enfim sua trajetória e, por tanto, nosso relacionamento com ela. O século XX traduz a história de como a moda ultrapassa barreiras e passa a ser de todos, uma vez que outrora era apropriação e expressão de um único grupo.

(POLLINI, 2009)

Para Mesquita (2004, p.31) ‘’Moda é sonho que veste a realidade, é desejo, atitude, expressão pessoal e disfarce. Moda é imagem, constrói imagens, confunde-se com as imagens da mídia, constrói-confunde-se com as imagens de marketing.’’

2.2 GÊNERO NA MODA: RETROSPECTIVA HISTÓRICA A PARTIR DO SÉCULO XIX

2.2.1 Século XIX

Braga (2004), aponta que em relação à moda do século XIX, pode-se dividir esse período em quatro fases, sendo: Império, Romantismo, Era Vitoriana e La Belle Époque.

No fim do século XVIII, após os conflitos da Revolução Francesa, estabeleceu-se estilos práticos e mais confortáveis, o que predominaria a moda por alguns anos seria o chamado período Império. Esse estilo que inspirou o vestuário feminino foi baseado na civilização Greco-Romana, visto que o sistema de governo francês da época se espelhava na democracia grega e na República Romana. O cabelo feminino e masculino, denominado na época por ‘’cabelo à ventania’’ ou ‘’à moda Tito’’ apenas para o masculino, se assemelhavam aos cortes romanos. Esse estilo perdurou entre 1804 e 1815, ao longo do Império de Napoleão.

Com inspiração na Era Clássica, as mulheres passaram a usar vestidos mais simples, que pareciam praticamente como uma camisola. De acordo com Silva (2009), o deslocamento da cintura foi logo abaixo dos seios. De tecidos transparentes, como cambraia e musseline, o símbolo da moda Império, possuía decote acentuado e caimento leve. De mangas curtas e compridas, o vestido Império (figura 1) demonstrava-se frágil, com tecidos finos e decotes profundos. Em busca de manterem seus corpos aquecidos, as mulheres vestiam longas luvas e também, o xale, um elemento que se tornou essencial no guarda-roupa das damas durante todo século XIX. Os decotes eram geralmente V ou quadrado.

Figura 1 – Vestido Império

Fonte: Blog História da Moda, 2013.

Napoleão tomou certas decisões que refletiram diretamente na moda da época.

Proibiu a reutilização dos vestidos das damas da sua corte e também a importação de musseline da Inglaterra, com o objeto principal de desenvolver a indústria têxtil francesa na tentativa de resgatar o poderio francês como epicentro da moda, devido a vestimenta masculina que estava diretamente influenciada pela Inglaterra. (BRAGA, 2004)

A não ser pelo conforto, a moda masculina pouco mudou desde da Revolução Francesa. No século XIX, no período denominado como Romantismo, surge uma nova maneira de viver e ditar modas, o chamado Dandismo. Além de um estilo de vida, Dandismo colocou-se como uma grande referência para a moda masculina dessa época. George Brummell percursor desse estilo, estabeleceu as normas dos dândis nos 150 anos seguintes. Roupas com corte perfeito, sem amassos, tons sombrios e discretos, sem bordados e exageros. A aparência ‘’soberba’’ era definida pelo uso de golas altas, que envoltas por um plastron (lenço com nós) dava ênfase à orgulhosa postura dândi. (SCOZ et al., 2019) Podemos analisar pelas ‘’normas’’ instituídas como o estilo dândi era vaidoso e rigoroso no que se refere à vestimenta do período conforme a Figura 2.

Figura 2 – Vestimenta dos dândis.

Fonte: Blog Hist. Da Moda Unisinos, 2013.

Portanto segundo Braga (2004), um complemento masculino que entrou em uso e diferenciou-se passando a ser usado durante o século XIX foi a cartola, símbolo de forte poder econômico.

O Romantismo reivindicou a visão contrária do racionalismo iluminista. O apego ao passado, fez com que o homem buscasse privilegiar as emoções e o individualismo, em detrimento de todo pensamento acelerado presente na Revolução Industrial. Nesta época, o estilo masculino quase nada mudou, já a moda feminina resgatou referências passadas. Os homens trabalhavam e as mulheres relembravam o tradicional e exibiam o poderio dessa burguesia.

Foi apenas em 1820 que os vestidos voltaram a descer a cintura na própria cintura, mas dessa vez, amarradas pelo corpete. Preto e colorido dominavam o

guarda-roupa feminino, bem como tecidos estampados. Mangas bufantes entram em cena, e a partir de 1830 ganham proporções cada vez maiores, recebendo o nome de

‘’manga presunto’’ (Figura 3). Saias com volumes de anáguas são usadas para garantir um volume, e uma cintura aparentemente mais afunilada. Os ombros volumosos, preenchidos de plumas e fios metálicos, auxiliavam na aparência. Decotes canoa, fundos, participavam do vestuário noturno, evidenciando a fragilidade feminina, que expunha visualmente ombros caídos.

Figura 3 – Vestuário feminino do período Romântico.

Fonte: Blog Hist. Da Moda Unisinos, 2013.

A Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX, estava indo muito bem e favoreceu muitas pessoas a trabalharem com o comércio e negócios, beneficiando-os materialmente com a sociedade de consumo. Foi uma época de grande importância para a burguesia.

Em 1840, na Era Vitoriana, as mulheres utilizavam várias anáguas, um costume antigo, o que dificultava a realização de atividades sem o seu esgotamento físico.

Segundo Scoz et al., (2019) na montaria, uma prática muito alinhada entre as mulheres nesse tempo, não se pensava no uso de duas vestes por elas. Na parte superior, até a cintura, eram masculinizadas, utilizando-se gravata, paletó, cartola com um véu frouxo e colete masculino, já na inferior, uma saia muito ampla, que chegava a arrastar no chão ao cavalgar. Neste período a veste passa por mudanças mais aceleradas, em um momento, a saia das mulheres é longa, encurtando-se em outro, e por questões de princípios, em vez de anáguas, utilizavam um calção bufante debaixo da saia com uma armação, no lugar das anáguas. Por questões morais a saia novamente volta a ser longa, sem deixar à mostra as vestes inferiores ou os

tornozelos. Pelo número excessivo de anáguas, após este período, as saias ficam mais rodadas, o peso fica insustentável e é trocado em torno de 1856 pela crinolina de armação, ou anágua de arcos, desta vez mais confortáveis e fáceis de vestir. Esta armação era separada, com arcos flexíveis, presa nas saias ou utilizada solta debaixo delas. A organização da roupa toma aos poucos o aspecto mais atual: as calças passam a ter uma lapela frontal para cobrir o fechamento feito por botões.

Figura 4 – Crinolina

Fonte: Blog História da Moda, 2013.

Na década de 50, a crinolina foi muito utilizada e pode ser visualizada na Figura 4. Eram vários arcos de metal que armavam as saias, deixando-as enormemente rodadas. As roupas ficaram esteticamente exuberantes (especificamente as roupas femininas). Como a crinolina tornou-se cada vez maior com o passar dos anos, a mulher ocupava um espaço bem maior que o tamanho de seu corpo, ocorriam vários acidentes devido ao desajeitado volume que as saias adquiriam. (POLLINI, 2009)

Os vestidos femininos eram providos de profundos decotes que deixavam o colo em destaque com ombros e braços também aparentes e os tecidos eram muito pomposos como a seda, o tafetá, o brocado, a crepe, a musseline, dentre outros.

Surge então a Alta Costura, e o início da valorização do criador de moda, viabilizando a desejada diferenciação da alta classe parisiense. Charles Frederick Worth, marcou o início em 1850, e vale destacar que esta atividade teve estreita relação com a Revolução Industrial e com a predominância financeira de sua burguesia industrial.

(SILVA, 2009)

A figura masculina, segundo Braga (2004), tornou-se um verdadeiro reflexo de uma sociedade produtiva e simultaneamente a alta costura, surgiu a roupa de trabalho para o homem que passou a ficar cada vez mais sóbrio e reservado, já a mulher cada

vez mais enfeitada, mostrando o poder monetário da figura masculina da qual ela era subordinada. A mulher abusava em volumes, cores, tecidos e principalmente, em ornamentos. O contraste visual era dos mais evidentes, já que o homem omitia todo e qualquer enfeite, com exceção da gravata, cartola, barba e da corrente do relógio.

A moda adquiriu um outro aspecto, com personalidades muito particulares entre 1870 e 1890 utilizando-se de vários diferenciais possíveis para alcançar sua própria identidade.

A crinolina começa a aumentar de volume na parte posterior em 1864.

Desponta leve por volta de 1874 e segundo anúncios da época, acalorava menos. Um corpete alongado com peitilho de tecido, o cuirasse, apertado que moldava os quadris.

(BRAGA, 2004; SCOZ et al., 2019)

É creditado a Worth a mudança na silhueta feminina, após 1865, com a ênfase agora na parte posterior dos vestidos. Complicados babados e recheios (Figura 5), colocados sob as saias para enfatizar o volume na parte de trás. Assim, deu-se início o império das anquinhas. (POLLINI, 2009)

Figura 5 – Silhueta feminina após 1865

Fonte: Blog História da Moda, 2013.

Além disso, de acordo com Silva (2009), os tecidos de estofados e cortinas, usados em decoração começaram ser utilizados para a confecção dos vestidos. Os enfeites como laços, babados e rendas aumentavam cada vez mais e os espartilhos eram imprescindíveis.

Braga (2004) aponta que as mulheres se embrulharam numa porção de adornos deixando bem claro o seu papel de esposa e mãe se emaranhando em laços, babados e rendas, e toda uma série de complementos que lhe dificultavam uma vida

prática, já os homens caminhavam para uma moda previsível e prática. Nesse período, a diferença do vestuário masculino e feminino foi brusca.

De acordo com Silva (2009), A La Belle Époque, ou Bela Época, representou o período de 1890 até 1914, tendo com o marco de seu fim com o surgimento da primeira guerra mundial.

A antiga condição de estrutura de comportamento e interação modificava-se com o avanço tecnológico e a noção de novos caminhos que as pessoas agora tomavam; com a vinda de novos ricos vindos do sul da África e de diversos outros lugares, conquistando as cidadelas da aristocracia. Na Inglaterra este período é conhecido de era Eduardiana, na França foi chamado La belle époque, em que aparentavam reviver o século passado, como uma extensão de uma era que estava chegando ao fim aos poucos, a época de exibicionismo e luxo. (SCOZ et al., 2019)

Entre o fim do século XIX e início do século XX, os seios e os quadris eram valorizados, a anquinha diminuiu, e o contorno desejado a tinha o formato de uma ampulheta (Figura 6) devido à compressão da cintura com o uso do espartilho e o desenho dos vestidos, que eram justos no corpo, evidencia Pollini (2009). A aparência era de mulheres delicadas, femininas, com características sensuais, muito discreta,

Entre o fim do século XIX e início do século XX, os seios e os quadris eram valorizados, a anquinha diminuiu, e o contorno desejado a tinha o formato de uma ampulheta (Figura 6) devido à compressão da cintura com o uso do espartilho e o desenho dos vestidos, que eram justos no corpo, evidencia Pollini (2009). A aparência era de mulheres delicadas, femininas, com características sensuais, muito discreta,

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