CAPÍTULO 2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 ANÁLISE DE DISCURSO CRÍTICA ADC
2.1.4 Modalidade e Avaliação
No subitem anterior, tratei da questão da ‘intertextualidade’ e do caráter dialógico da linguagem humana, isto é, da inevitabilidade da presença de vários discursos na construção de qualquer objeto de discurso. Neste item, focalizarei a ‘modalidade’ e a ‘avaliação’, que são duas características textuais importantes para que se perceba em que medida os participantes se comprometem com o que dizem, ou seja, com seus textos.
Fairclough, em sua obra de 2003, dedica um capítulo específico à modalidade e à avaliação e, em seu preâmbulo, ressalta que tanto a modalidade quanto a avaliação serão vistas em termos de comprometimento dos autores com o que consideram verdadeiro e necessário (modalidade), e em relação ao que é desejável ou indesejável, bom ou ruim (avaliação). Para Fairclough, “o modo como as pessoas se comprometem nos textos denota uma parte importante de como elas se auto-identificam, a textura das identidades.” (ibid., p. 164, tradução minha)
Do mesmo modo que lancei mão de consagradas teorias analíticas para comprovar que um texto não subsiste sem outro texto, tomarei como base as asserções de célebres teóricos para demonstrar que, pelo fato de a modalização exprimir o ponto de vista do sujeito, pode-se dizer que ela está presente na grande maioria dos textos, de modo expresso ou perceptível em maior ou menor grau.
Primeiramente, é necessário ter-se em conta que a modalização é o fenômeno pelo qual o locutor expressa sua adesão ao texto, é um processo que designa a atitude do sujeito em relação a seu próprio enunciado, ou seja, é a expressão do modo como um determinado sujeito defende seu ponto de vista.
Fairclough (2001) aponta a modalidade como um meio para identificar o comprometimento do falante com aquilo que ele diz. Explica o citado autor (ibid. p.199) que, dada uma proposição qualquer, há vários graus de comprometimento, mais categóricos ou menos, mais determinados ou menos, contra ou a favor. Por exemplo, é possível afirmar, categoricamente, que ‘a terra é plana’ ou pode-se negar
peremptoriamente essa afirmativa: ‘a terra não é plana’. Mas há outros níveis de comprometimento menos categóricos, tais como: ‘é possível que a terra não seja plana’, ‘a terra é mais ou menos plana’, ‘provavelmente a terra é plana’, ‘dizem que a terra é plana’, ‘acho que a terra não é plana’ e assim por diante. Segundo o referido teórico, qualquer enunciado desse tipo indica o grau de afinidade com a proposição e tem, portanto, a propriedade da modalidade.
Entretanto, Fairclough (ibid., p.200) adverte que as implicações da modalidade vão além do comprometimento do(a) falante ou do(a) escritor(a) com suas proposições e associa o uso da modalidade a alguma forma de poder. Ele esclarece que os produtores indicam comprometimento com as proposições no curso das interações com outras pessoas e que é difícil separar a afinidade que expressam com as proposições de seu senso de afinidade ou solidariedade com os interagentes.
Nesse sentido, Fairclough (ibid., p.201) argumenta que expressar alta afinidade pode ter pouca relação com o comprometimento de alguém com uma proposição, mas muita relação com um desejo de demonstrar solidariedade, e pondera que a baixa afinidade com determinada proposição pode não refletir falta de conhecimento ou de convicção, mas sim falta de poder. Para o teórico, as relações de poder condicionam a expressão de alta afinidade com uma proposição e a modalidade no discurso é a interseção entre a significação da realidade e a sua representação. Fairclough acrescenta que, sob o prisma da lingüística sistêmica-funcional, a modalidade seria a interseção entre as funções ideacional e interpessoal da linguagem. .
Para Charaudeau & Maingueneau (2006, p. 334), “as modalidades são facetas de um processo mais geral de modalização, de atribuição de modalidades ao enunciado, pelo qual o enunciador, em sua própria fala, exprime uma atitude em relação ao destinatário e ao conteúdo de seu enunciado”. De acordo com os citados autores, a modalização é crucial para a análise do discurso que, por definição, lida com enunciações pelas quais os locutores, ao mesmo tempo, instituem uma determinada relação com outros sujeitos falantes e com sua própria fala.
Maingueneau diz que, em termos de análise de discurso, não basta levantar as marcas lingüísticas. É preciso colocá-las em relação aos processos globais de estruturação do discurso (tipos e gêneros de discurso, contexto, interdiscurso, etc.): “é preciso
estabelecer relação entre o estudo das marcas lingüísticas da modalização e os fatores que exercem coerções sobre a situação de comunicação específica do discurso considerado.” (ibid., p. 337)
Reunindo conceitos de Halliday, Verchueren, Hodge e Kress, Fairclough (2003, p. 166) define modalidade (modality) como a conexão que o texto estabelece entre o autor e as representações, ou seja, o nível de comprometimento do autor com o que é dito, em relação à verdade e/ou à necessidade.
Além disso, Fairclough reporta-se à distinção que faz entre as quatro principais funções do discurso relacionadas a trocas1 – duas associadas às trocas de conhecimento (declarações, perguntas) e duas relacionadas às trocas de atividade (procura, oferta) – para assinalar que a questão da modalidade pode ser vista como a questão do envolvimento das pessoas com suas declarações, perguntas, ofertas ou procuras. O ponto importante a se destacar é que existem várias formas de fazer cada uma dessas trocas com níveis diferentes de envolvimento, e Fairclough sintetiza esses níveis da seguinte maneira (ibid., pp.167-8, tradução minha):
● Troca de conhecimentos (modalidade ‘epistêmica’)
Declarações: envolvimento do ‘autor’ com a verdade Afirmação: A janela está aberta.
Modalização: A janela pode estar aberta. Negação: A janela não está aberta.
Perguntas: o autor provoca o comprometimento dos outros com a verdade. Positivas, não modalizadas: A janela está aberta?
Modalizadas: A janela poderia estar aberta?
Negativas, não modalizadas: A janela não estava aberta?
● Troca de atividade (modalidade ‘deôntica’)
Exigência: envolvimento do ‘autor’ com a obrigação/necessidade Ordem formal: Abra a janela!
Modalização: Você deveria abrir a janela. Proibição: Não abra a janela!
Oferta: envolvimento do autor com o ato Garantia: Eu abrirei a janela. Modalizada: Eu posso abrir a janela. Recusa: Eu não abrirei a janela.”
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“Uma ‘troca’ é uma seqüência de dois ou mais ‘turnos ou ‘movimentos’ conversacionais com falantes alternando-se, em que a ocorrência do movimento 1 leva à expectativa do movimento 2, e assim por diante – com a ressalva de que o que é ‘esperado’ nem sempre ocorre.” (Fairclough, 2003, p. 106, tradução minha).
Fairclough (ibid., p.168) enumera como principais marcadores típicos da modalidade os verbos modais ou ‘de ligação’: poder, parecer, dever, estar, etc. Todavia, no caso das declarações, as situações modalizadas são, segundo o teórico, apresentadas como aquelas que se situam entre afirmações e negações, as quais geralmente são expressas com declarações positivas (Ex.: ‘o conflito é visto como criativo) ou negativas (Ex.: ‘o conflito não é visto como criativo’), sem verbos modais (de ligação) e outros marcadores. De acordo com o teórico, tudo isso está incluído na ampla categoria da modalidade, cuja abrangência vai além dos casos explícitos de modalização, isto é, além dos casos nos quais há um marcador explícito de modalidade.
Koch (2006a) também dedica atenção especial às modalidades do discurso, para a qual a relação entre enunciados é freqüentemente projetada a partir de certas relações de modalidade. Koch trata a questão sob o ponto de vista da pragmática lingüística e considera que as modalidades são parte da atividade ilocucionária, pois revelam a atitude do falante diante do enunciado que ele produz.
O recurso às modalidades permite, pois, ao locutor marcar a distância relativa em que se coloca com relação ao enunciado que produz, seu maior ou menor grau de engajamento com relação ao que é dito [...] possibilita-lhe, também, deixar claros os tipos de atos que deseja realizar e fornecer ao interlocutor ‘pistas’ quanto às suas intenções; permite, ainda, introduzir modalizações produzidas por outras ‘vozes’ incorporadas ao seu discurso, isto é, oriundas de enunciadores diferentes1; torna possível, enfim, a construção de um ‘retrato’ do evento histórico que é a produção do enunciado. (ibid., p. 86)
As principais modalidades, aquelas tradicionalmente reconhecidas segundo Koch, são as modalidades ‘deônticas’ (ligadas à conduta e às normas), epistêmicas (relativas às crenças e conhecimentos) e aléticas (relacionadas à existência, ao valor de verdade das proposições).
Na obra intitulada “Introdução à Lingüística Textual”, Koch (2006b) apresenta a modalização como um processo que marca as articulações na progressão textual e descreve os ‘articuladores metadiscursivos’ como marcadores que servem para introduzir comentários ora sobre a forma ou modo de formulação do enunciado, ora sobre a própria enunciação. Concentrarei minha atenção sobre os ‘modalizadores’, que, a meu ver, são os marcadores/articuladores metadiscursivos de maior relevância para o presente trabalho.
Koch (ibid., pp.135-139) organiza os modalizadores, de duas maneiras: modalizadores stricto sensu, aqueles que expressam as modalidades que costumam ser
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objeto de estudo da lógica e da semântica (epistêmicas, deônticas, aléticas); e modalizadores lato sensu (axiológicos, atitudinais e atenuadores).
Segundo a autora, os modalizadores epistêmicos revelam o engajamento e/ou comprometimento do sujeito falante, isto é, expressam o grau certeza ou probabilidade com relação aos fatos enunciados, e os deônticos indicam obrigatoriedade ou facultatividade, ou seja, o grau de imperatividade ou facultatividade atribuído ao conteúdo proposicional. O terceiro tipo básico de modalizadores, os aléticos, diz respeito à necessidade ou possibilidade da própria existência dos estados de coisas no mundo e são pouco comuns em textos da língua natural, por se confundirem com os epistêmicos ou com os deônticos. Na prática, “ou nos referimos ao conhecimento que temos a respeito dessa existência ou à sua obrigatoriedade/facultatividade”. (ibid., 135)
Tomo alguns exemplos de modalizadores stricto sensu citados pela autora:
Modalizador epistêmico: “Evidentemente, a divisão social do trabalho, associada aos direitos de propriedade e mediada pelo dinheiro, é uma maneira um tanto engenhosa de organizar a produção (...)”1
Modalizador deôntico: “É indispensável que se tenha em vista que, sem moralidade, não pode haver justiça social”
Modalizador alético: “É impossível não se comover com essas lúcidas palavras de Nilo Ouriques (...)”2
Quanto aos modalizadores lato sensu, Koch esclarece que os ‘axiológicos’ expressam uma avaliação dos eventos, ações, situações a que o enunciado faz menção. Exemplo: “Ainda não se sabe ao certo quem matou Toninho do PT. Inexplicavelmente, o caso foi dado como encerrado e não se falou mais nisso.” (ibid., p.138). Os modalizadores ‘atitudinais’ ou ‘afetivos’ são aqueles que encenam a atitude psicológica com que o enunciador se representa diante dos eventos de que fala o enunciado: “Desgraçadamente, nem sempre se pode confiar nas notícias veiculadas pela grande imprensa.” (ibid., id.). Há, ainda, os modalizadores que funcionam como ‘atenuadores’, ou seja, que servem para preservar as faces dos interlocutores: “Talvez fosse melhor pensar em modificar o atual estatuto, que, ao que me parece, apresenta algumas lacunas que poderão criar problemas futuros.” (ibid., id.).
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Nota da autora no texto original: Marcelo Manzano,“Eu e o mundo”, caros Amigos, nº. 54, set. 2001. 2
Para concluir o item sobre Modalidade, acrescento breves comentários sobre modalizadores que se apresentam sob forma de oração. Na obra de 2006a, Koch dedica um capítulo às “Orações Modalizadoras”, no qual examina algumas expressões modalizadoras de enunciados que possuem estrutura oracional e, por este motivo, são analisadas por vários gramáticos e lingüistas como ‘orações principais’ em relação a outras consideradas ‘subordinadas’. Para Koch, entretanto, com base na teoria da linguagem que leva em conta a enunciação, modalizadores são “todos os elementos lingüísticos diretamente ligados ao evento de produção do enunciado e que funcionam como indicadores das intenções, sentimentos e atitudes do locutor com relação ao seu discurso.” (ibid., p. 136)
A autora salienta que, do ponto de vista sintático, certos modalizadores se apresentam sob forma oracional, identificando o tipo de ato que o locutor pretende produzir: ‘ordem’, ‘promessa’, ‘declaração’, ‘pergunta’, ‘aviso’. Em alguns casos, esses modalizadores, podem ser expressos ou implícitos, sem alterar o conteúdo proposicional da oração. Koch demonstra que tais expressões não fazem parte do conteúdo proposicional, exatamente pelo fato de poderem ser omitidas, como também de aparecerem como orações justapostas, intercaladas ou pospostas, como nos seguintes exemplos: “Eu aviso: não compartilharei com essa farsa.”, “Não compartilharei – eu aviso – com essa farsa.” e “Não compartilharei com essa farsa”. {é um aviso}. Em outras situações, as orações modalizadoras indicam o grau de engajamento do locutor com relação ao conteúdo proposicional ou o estado psicológico do locutor diante dos fatos veiculados no enunciado. Exemplos: “[É evidente (claro, indubitável...)] que Pedro está enganado.”,“[É possível (provável...)] que o jornalista tenha razão.” “[É lamentável que] ele seja um delator.” (ibid., p. 137)
Ainda em relação à oração modalizadora, Koch ressalta que, em alguns casos, ela pode ser substituída por advérbios ou locuções atitudinais, como felizmente, lamentavelmente. Ex: “[É lamentável que] ele seja um delator.” ou “Lamentavelmente, ele é um delator.”
Para tratar de avaliação, tomarei como base os conceitos de Fairclough (2003), que utiliza o termo ‘avaliação’ em um sentido mais geral, de modo a incluir diversas formas de expressão, implícitas ou explícitas, por meio das quais os autores se comprometem com determinados valores. O autor distingue e agrupa essas formas de expressão nas seguintes
categorias: declarações avaliativas; declarações com modalidades deônticas; declarações com verbos de processos mentais afetivos; pressuposições de valor. (ibid., p. 171)
As declarações avaliativas, nos casos mais óbvios, referem-se a declarações sobre o que é desejável ou indesejável e têm em sua constituição palavras que deixam explícitos tais sentimentos: ‘bom’, ‘ruim’, ‘maravilhoso’, ‘terrível’, etc. Todavia, as declarações de juízo de valor também podem estar relacionadas à importância que se dá a algo, à sua utilidade e assim por diante. Por meio dos exemplos ‘este é um livro importante’ e ‘este é um livro inútil’, Fairclough (ibid., p.172) estabelece implicações com o sentimento de desejabilidade e indesejabilidade. Quando alguém diz que o livro é ‘importante’ estabelece uma auto-evidência de que ele é ‘desejável’.
Fairclough prossegue em sua argumentação, dizendo que as declarações podem, ainda, ser relativas no que se refere ao discurso. Por exemplo, quando se diz que ‘ela é uma comunista’, pode-se considerar que esta declaração tem juízo de valor, mas apenas para um tipo específico de discurso. Muitas outras palavras que figuram nesses tipos de declaração têm, segundo ou autor, significados complexos que incluem juízo de valor – ‘corajoso’, ‘covardemente’, ‘honesto’, ‘desonesto’. É difícil dissociar a imagem de uma pessoa ‘honesta’ ou ‘corajosa’ da imagem de uma ‘boa pessoa’, entretanto, em contextos específicos, tais avaliações podem assumir diferentes conotações e “suas implicações avaliativas podem ser subvertidas (ex.: ‘bons soldados são vistos pelo senso comum como covardes’)” (ibid., id.)
De acordo com White1, citado por Fairclough, a avaliação efetiva-se em uma ‘escala de intensidade’. Os adjetivos e advérbios de juízo de valor, bem como os verbos referentes a processos mentais afetivos mesclam-se em conjuntos semânticos de termos, dentro de uma escala que varia entre baixa e alta intensidade. Fairclough apresenta alguns exemplos dessas escalas de intensidade, como: ‘eu gosto/amo/adoro este livro’, ‘este livro é bom/maravilhoso/fantástico ou, ainda, ‘os soldados mataram/ massacraram os habitantes do povoado.’ (ibid., pp.172-3)
A segunda categoria de avaliação proposta por Fairclough agrupa as declarações com modalidade deôntica , que são de as de caráter de obrigação e estão ligadas à de juízo
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Fairclough (2003) faz referência à obra de White (2001), intitulada An introductory tour through appraisal
de valor. Para ilustrar esta modalidade, Fairclough apresenta uma fala de Tony Blair: ‘Os valores nos quais acreditamos devem refletir nas nossas ações no Afeganistão’, e assevera que ele, Blair, quer dizer que, de um modo geral, agir com base em valores é algo desejável, é uma boa coisa a ser feita. (ibid., p.173). Ainda nesta segunda categoria de declarações, o referido teórico distingue aquelas em que as avaliações são de caráter subjetivo, expressas com processos mentais afetivos (‘gosto deste livro’, ‘detesto este livro’) ou com processos relacionais onde o atributo é afetivo (‘este livro me fascina’ e ‘este livro é fascinante’).
As pressuposições de valor, terceira categoria de avaliação, conforme Fairclough, contemplam os casos que não possuem marcadores de avaliação claros como nos casos anteriores (declarações de juízo de valor, modalidades deônticas e verbos referentes a processos relacionais). Os valores encontram-se inseridos em uma esfera muito mais profunda do texto.
Se nós usarmos a metáfora da ‘profundidade’, estarão um estágio ‘abaixo’ as avaliações que são desencadeadas nos textos por meio de palavras como ‘ajuda’: por exemplo, se eu escrevo ‘este livro ajuda...’, qualquer expressão que vier depois de ‘ajuda’ será uma avaliação positiva (por exemplo, ...ajuda a ‘clarear o debate sobre globalização’). Em um nível ainda mais profundo, estão os valores que não são ‘acionados’ do mesmo modo, mas dependem da pressuposição de uma familiaridade compartilhada com sistemas de valores implícitos, entre o autor e o intérprete [...] dizer que a coesão social é uma fonte de eficiência e adaptabilidade implica que é algo desejável, de acordo com o discurso neoliberal, segundo o qual eficiência e adaptabilidade são bens primários (ibid., p. 173)1. Para encerrar este tópico, reitero que minhas considerações acerca da ‘avaliação’ estão baseadas nas proposições de Fairclough (2003), cujo texto é posicionado pelo próprio autor dentro de um sistema valorativo do capitalismo contemporâneo. Entretanto, minhas reflexões conduzem-me à conclusão de que as proposições do teórico são aplicáveis a qualquer outro momento histórico e a quaisquer situações e contextos. Em termos de avaliação, todos os envolvidos em um discurso estão explícita ou implicitamente posicionados dentro de um sistema de valores.