3. Base de dados do Edificado – Ambiente SIG
3.2 Modelação de Dados
Após a escolha de um SIG como plataforma adequada ao armazenamento de dados do conjunto do edificado a utilizar neste trabalho decidiu-se qual a informação que se pretende introduzir no software.
Aproveitou-se alguma informação utilizada em trabalhos anteriores do mesmo género, uma vez que o
objetivo envolve a criação de uma plataforma geral para o edificado nacional e é do interesse que essa informação seja coerente com o que tem vindo a ser trabalhado.
Desta forma, escolheu-se o sistema de informação geográfica ArcGIS versão 10.1 (ESRI, 2013), por ser de fácil aprendizagem, pela capacidade de manter e manusear os dados do edificado e por ser capaz de apresentar de uma forma útil ao trabalho subsequente toda a informação necessária para caracterizar os edifícios em estudo.
O Sistema de Informação Geográfica separa a informação em diferentes camadas temáticas e armazena-as independentemente. No programa estas camadas têm o nome de layers, permitindo ao operador ou utilizador analisar a informação existente através da posiçãodos objetos, com o fim de gerar nova informação.
Os SIG consideram duas abordagens principais como representação dos componentes espaciais associados às informações geográficas: o modelo matricial (também definido por raster) e o modelo vetorial. De forma sucinta, o modelo vetorial é caraterizado por ter fronteiras bem definidas, representado por pontos, linhas ou polígonos e associado a cada uma destas entidades a existência de uma tabela de atributos com capacidades de armazenamento de informação. Por outro lado, o modelo matricial corresponde a uma classificação ou quantificação de algo distribuído pelo espaço, é caracterizado por uma grelha regular de células em que a cada célula é associado o valor de um dado atributo. As relações espaciais dos objetos estão implícitas na estrutura em grelha, não sendo por isso necessárias as relações explícitas de armazenamento, comparativamente aos modelos vetoriais (Painho e Curvelo, 2008). Na figura 3.1 está representado o mapa do continente Africano nos dois formatos acima mencionados.
Figura 3.1 - Modelo Vetorial Vs Modelo Matricial (raster) (adaptado de Davis, B (1996))
No presente caso, adotou-se o modelo vetorial pelo que nas layers estão representados pontos, linhas e polígonos. Os edifícios são representados por polígonos enquanto as linhas representam os eixos da rede viária, tal como pode ser observado na figura 3.2. É de salientar que o conjunto de dados do edificado e rede viária de Lisboa já se encontrava previamente reproduzida em formato SIG, pelo que apenas se desenvolveu o trabalho de complementar essa informação com os atributos tidos por relevantes para a descrição do edificado na zona de estudo deste trabalho.
Vetor
Pontos, linhas, polígonos
Matricial Estrutura em grelha
Figura 3.2 Representação das vias de comunicação e edificado em SIG
Foram escolhidos 23 atributos que se consideraram serem os que melhor representavam e definem as características dos edifícios, estrutural e construtivamente:
Morada - corresponde ao endereço postal de cada edificado;
Número de Obra – indica o número do processo de obra registado no Arquivo Municipal de Lisboa;
Área – apresenta o valor da área de implantação da estrutura;
Perímetro – indica o perímetro ocupado pelo polígono do edifício escolhido;
Ano – refere qual o ano de construção da estrutura;
Ocupação – qual o tipo de utilização da estrutura selecionada;
Andares – indica o número de pisos;
Caves – indica o número de pisos subterrâneos;
Aberturas por Piso – corresponde ao número de aberturas por piso na fachada;
Formato – refere qual o formato em planta da estrutura: “rabo de bacalhau”, retangular ou gaveto. No caso de “rabo-de-bacalhau”, indica-se ainda, qual o tipo correspondente ao edificado em questão;
Tipo de Solo – solo presente no local do edificado;
Fundações – breve descrição das fundações do edifício, materiais e tipo de fundações;
Material de Fachada – indica o material estrutural utilizado na fachada e as respetivas espessuras, se indicado;
Material de Tardoz – indica o material estrutural utilizado na zona posterior da estrutura, e as respetivas espessuras, se indicado;
Material da Empena – indica o material estrutural utilizado nas empenas do edifício, e as respetivas espessuras, se indicado;
Paredes Interiores – quais os materiais utilizados para a construção das paredes interiores;
Pavimento de Betão – indica a existência ou não de laje de betão ou escadas, e ainda a respetiva localização;
Pavimento em Madeira – informa a existência ou não de pavimento ou escadas, em madeira, e ainda, a sua respetiva localização;
Materiais de Cobertura – descrição dos materiais utilizados na cobertura e se indicado as respetivas secções;
Desenhos – existência ou não de plantas, cortes, entre outros desenhos, referentes à estrutura selecionada;
Notas – qualquer facto considerado relevante e que não esteja representado na tabela.
Definida a tabela de atributos, utilizou-se o site “lisboainteractiva.cm-lisboa.pt” onde é possível retirar os números de obra correspondentes aos edifícios que se pretendem estudar e assim poder usar esse número de obra para consultar a informação disponível em arquivo sobre os mesmos. No presente trabalho, a informação foi maioritariamente recolhida no Arquivo Municipal do Arco do Cego, onde, através de uma plataforma informática, foi possível obter informação de modo a completar a tabela de atributos, tal como se exemplifica na figura 3.3. Elementos como plantas, cortes, alçados e memórias descritivas foram alguns dos documentos consultados no arquivo.
Figura 3.3 Exemplo de informação disponível na tabela de atributos
Refira-se que uma grande parte dos edifícios analisados no Arquivo Municipal do Arco do Cego não continha informação suficiente para uma correta definição da tabela de atributos. Muitos edifícios não continham qualquer tipo de informação ou, noutros casos, apenas continham informação acerca da sua idade ou geometria, pelo que, optou-se pelo não preenchimento da tabela de atributos, uma vez
que a geometria ou a idade do edifício não são normalmente suficientes para se poder afirmar qual o tipo de estrutura que se está a trabalhar. Uma alternativa seria a análise detalhada dos processos e plantas dos edifícios em formato de papel, consultado, através de marcação, no arquivo municipal de Campolide; no entanto, esta alternativa apenas foi utilizada para o edifício que será estudado em detalhe.