Essa seção apresentará um resumo da modelagem institucional e financeira considerada nos 5 lotes concedidos.
5.4.1 Objetivo da concessão
Essas concessões têm por objetivo a exploração comercial e gestão operacional de 5 trechos de rodovias do Estado de São Paulo, abrangendo 93 municípios com aproximadamente 19 milhões de habitantes conforme informado acima.
A exploração comercial far-se-á por meio de cobrança de pedágio dos usuários com base em tarifa definida após a aplicação do deságio ofertado no leilão, mais receitas acessórias, mediante a exploração de projetos associados compatíveis com o objetivo da concessão, desde que previamente autorizados pelo Poder Concedente.
O prazo da concessão será de trinta anos a partir da data da assinatura do contrato de concessão.
5.4.2 Estrutura tarifária
As praças de pedágio deverão ser adequadas para a cobrança no sentido bi-direcional, isto é, a cobrança será feita para o fluxo de veículos nos dois sentidos das vias objeto de concessão conforme previsto no edital de licitação.
A concessionária poderá dar início à operação das praças de pedágio somente após a conclusão do Programa intensivo de Investimentos constante do Edital e autorização expressa da Agência Reguladora, no caso a ARTESP. Nas praças de pedágio já em funcionamento, a cobrança será imediata aplicando-se a menor tarifa, isto é, a praticada ou ofertada.
A classificação dos veículos e o multiplicador da tarifa serão os atualmente adotados no Estado de São Paulo, conforme o Quadro 2.
Quadro 2 - Estrutura tarifária por tipo de veículo Categoria
Tipo de Veículo Quantidade de Eixos Rodagem Multiplicador da Tarifa
1 Automóvel, caminhonete e furgão 2 Simples 1,0
2 Caminhão leve, ônibus, caminhão trator e furgão 2 Dupla 2,0 3 Caminhão trator, caminhão trator com semirreboque e ônibus 3 Dupla 3,0 4 Caminhão com reboque, caminhão trator com semirreboque 4 Dupla 4,0 5
Caminhão com reboque, caminhão trator com
semirreboque 5 Dupla 5,0
6 Caminhão com reboque, caminhão trator com semirreboque 6 Dupla 6,0
7 Automóvel ou caminhonete com semirreboque 3 Simples 1,5
8 Automóvel ou caminhonete com reboque 4 Simples 2,0
Motocicleta, motoneta e bicicleta a motor 2 Simples 0,5
Veículos isentos (item 4 do Edital) 0,0
O reajuste tarifário será com base no IPCA calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
O cálculo do reajuste tarifário será com base na seguinte fórmula: To IPCA i IPCA Ti 2/ 0 2 / (20) em que:
To a tarifa básica inicial referente a julho de 2008;
Ti a tarifa básica reajustada para o mês i;
2 0
IPCA o IPCA de maio de 2008;
2 i
IPCA o IPCA referente ao segundo mês anterior ao da data do reajuste;
i o mês de vigência da tarifa reajustada Ti.
Como pode ser observado acima, o reajuste ocorre em bases anuais, considerando o IPCA defasado de 2 meses da data do reajuste tarifário, isto é, o reajuste tarifário que ocorrerá em julho de cada ano considerará o IPCA de junho do ano anterior a maio do ano do reajuste.
5.4.3 Modelo de licitação
O modelo empregado foi o de uma licitação pública internacional, o qual permite que empresas ou entidades brasileiras ou estrangeiras, isoladamente ou reunidas em consórcio, participem do leilão desde que satisfaçam plenamente todos os termos e condições previstas no edital de licitação.
As empresas ou entidades estrangeiras deverão ter representação legal no Brasil com poderes expressos para receber citação e responder administrativamente ou judicialmente.
5.4.4 Condições de participação
O edital de licitação coíbe a participação de entidades em determinadas circunstâncias:
não poderão participar da licitação os fundos e fundações que estejam sob intervenção
da Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência Social;
nenhuma empresa ou entidade poderá integrar mais de um licitante, seja na forma de
no caso de consórcio, será vedada a substituição da empresa líder, indicada na apresentação de qualificação.
5.4.5 Fases da licitação
O processo de licitação será desenvolvido em duas fases, sendo a primeira com base na classificação dos participantes e na menor tarifa básica de pedágio ofertada, e a segunda com a Agência Reguladora fazendo uma análise crítica das propostas vencedoras no que tange a:
Habilitação jurídica:
o atos de constituição, registro e autorização de cada licitante.
Qualificação técnica da proposta:
o comprovação de experiência de pelo menos 3 anos de operação e conservação de
rodovia pedagiada, com volume médio diário de no mínimo 10.000 veículos;
o regularidade fiscal da entidade ou do consórcio: Apresentação de Certidão Negativa
de Débito (CND), inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), inscrição nos cadastros de contribuintes estadual e municipal, relativos à sede da licitante, regularidade com as Fazendas Federal, Estadual e Municipal, e regularidade perante o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Qualificação econômico-financeira:
o apresentação das demonstrações financeiras;
o certidão negativa de falência ou concordata;
o garantia de proposta (bid bond) de 1% do valor do contrato a ser depositado na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia antes da abertura das propostas.
o demonstração de capacidade financeira por meio de índices previamente definidos
Índices contábeis para instituições que não sejam do mercado financeiro e de previdência
Índice de liquidez geral: maior ou igual a 0,70 Índice de liquidez corrente: maior ou igual a 0,50 Instituições do mercado financeiro
Índice de alavancagem: menor ou igual a 14,00 Índice de liquidez corrente: maior ou igual a 0,75 Instituições de previdência privada
Índice de cobertura dos benefícios: maior ou igual a 1,00
Forma de pagamento da outorga
A outorga fixa, cujo valor foi previamente definido pelo edital de licitação, deve ser paga 20% à vista e os 80% em parcelas mensais, iguais, corrigidas anualmente pelo reajuste tarifário, sendo que a primeira parcela vence no último dia útil do mês subsequente ao da assinatura do contrato.
A outorga variável deve ser paga mensalmente com base no percentual de 3% da receita bruta de pedágio e das receitas acessórias.
Condições do modelo de licitação
Todos os riscos relativos ao valor dos investimentos, à demanda de tráfego, às condições de financiamento e à operação da concessão são de responsabilidade da concessionária.
Os pagamentos oriundos da outorga fixa da concessão serão depositados pelo licitante vencedor em conta do Tesouro do Estado.
Além dos seguros exigíveis pela legislação, a concessionária prestará garantias relativas a:
o cumprimento das funções de operação da concessão de rodovia;
o conservação e manutenção da via;
o pagamento da outorga fixa e variável;
o realização dos investimentos.
A concessionária somente poderá iniciar a cobrança de pedágio após o cumprimento do Programa Intensivo Inicial (Investimentos em recuperação de pavimento, sinalização horizontal e vertical, construção das praças de pedágio), da implantação dos pedágios manual, semiautomático e automático e da expressa autorização da ARTESP.
Nas praças de pedágio já em funcionamento a cobrança será imediata, aplicando-se a menor tarifa, praticada ou ofertada.
Os padrões de operação e manutenção deverão ser similares aos das atuais concessões de rodovias do Estado de São Paulo.
É de responsabilidade da concessionária a obtenção de todas as licenças ambientais necessárias aos novos investimentos, bem como todos os passivos ambientais já existentes serão de responsabilidade da concessionária, à exceção do trecho da Marginal do Tietê.
Após a transferência do controle do trecho rodoviário, a concessionária sujeitar-se-á à fiscalização da ARTESP.
A ARTESP será o agente executor do processo de licitação da concessão e coordenará a Comissão de Processamento e Julgamento das Propostas.
Contrato de Concessão
Deverá ser constituída uma sociedade anônima de propósito específico (SPE) para ser a entidade jurídica detentora do contrato de concessão.
Para fins legais, o valor do contrato são as receitas de pedágio ao longo dele. Inicialmente, para fins de garantia é definido o valor projetado do contrato.
Eventual recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato pode ocorrer com base nos seguintes fatores:
o prorrogação ou antecipação do prazo do contrato de concessão;
o revisão tarifária;
o revisão do cronograma de investimentos;
o utilização do ônus fixo;
o emprego de verbas do tesouro;
o utilização conjugada de duas ou mais modalidades.