• Nenhum resultado encontrado

3.4 Modelo Proposto para o Problema de Fluxo de Carga

3.4.1 Modelo com Restri¸c˜oes de Complementaridade

Na formula¸c˜ao b´asica do problema, as vari´aveis de tens˜ao das barras do tipo P V e de referˆencia s˜ao fixadas em algum valor espec´ıfico e consideradas como dados do problema, gerando um conjunto de equa¸c˜oes da rede el´etrica igual ao n´umero de inc´ognitas, o qual pode ser resolvido por um m´etodo cl´assico para resolu¸c˜ao de equa¸c˜oes n˜ao lineares como o m´etodo de Newton. Essas barras tamb´em recebem a denomina¸c˜ao de barras de tens˜ao controlada, pois s˜ao associadas com equipamentos com capacidade de regula¸c˜ao de tens˜ao. O modelo proposto neste trabalho para o c´alculo do fluxo de carga permite o ajuste das magnitudes de tens˜ao de barras com controle de gera¸c˜ao de potˆencia reativa durante o processo de resolu¸c˜ao, sendo que tais vari´aveis permanecem em seus valores especificados se as barras com gera¸c˜ao de potˆencia reativa n˜ao est˜ao pr´oximas de operar nos limites m´aximos ou m´ınimos estabelecidos.

A reformula¸c˜ao para o problema de fluxo de carga considera uma nova associa¸c˜ao para as barra de gera¸c˜ao e de referˆencia em fun¸c˜ao dos dados fornecidos e das inc´ognitas, como mostra a Tabela a seguir:

Tabela 3.2 – Tipos de barras - FC modificado. Tipo de Barra Nota¸c˜ao Dados Inc´ognitas Barras de Carga P Q Pk e Qk Vk e θk

Barras de Gera¸c˜ao P V Pk Vk, Qk e θk

Referˆencia/Slack θV θk Vk, Pk e Qk

Pode-se notar que nesta formula¸c˜ao as vari´aveis de tens˜ao n˜ao s˜ao mais consideradas como dados do problema e sim como inc´ognitas. A fundamenta¸c˜ao para esta nova associa¸c˜ao se justifica mediante a adi¸c˜ao de restri¸c˜oes de complementaridade, as quais possibilitam a varia¸c˜ao da magnitude de tens˜ao das barras com controle de gera¸c˜ao de potˆencia reativa em casos nos quais os limites de gera¸c˜ao de potˆencia reativa est˜ao relativamente pr´oximos de serem violados. Sob outro ponto de vista, o ajuste dessas vari´aveis pode ser tomado como a¸c˜oes de controle no modo corretivo, onde tal corre¸c˜ao auxilia a prevenir a viola¸c˜ao das restri¸c˜oes de opera¸c˜ao e manter o sistema operando no estado “normal-alerta”.

3.4 - MODELO PROPOSTO PARA O PROBLEMA DE FLUXO DE CARGA 49

As equa¸c˜oes de balan¸co de fluxo de potˆencia nesta nova formula¸c˜ao continuam com o mesmo n´umero de equa¸c˜oes, formando um sistema de (2N P Q + N P V ) equa¸c˜oes n˜ao lineares:

∆Pk = 0, k = 1, ..., N P Q + N P V,

∆Qk= 0, k = 1, ..., N P Q,

(3.14) por´em, com um n´umero maior de inc´ognitas. No sistema (3.14) o n´umero de inc´ognitas ´e considerado como (2N B − 1), que ´e o n´umero de vari´aveis de magnitude e ˆangulo das tens˜oes para cada barra do sistema menos um (pois o ˆangulo da barra de referˆencia ´e zero). No caso em que os taps dos transformadores s˜ao considerados como vari´aveis, tem-se o total de (2N B + N T − 1) vari´aveis.

Para manusear simultaneamente as restri¸c˜oes de carga e de opera¸c˜ao do problema de fluxo de carga e possibilitar o ajuste das vari´aveis de tens˜ao referentes `as barras de gera¸c˜ao e de referˆencia, um conjunto de restri¸c˜oes de complementaridade foi adicionado ao sistema (3.14). Essas restri¸c˜oes de complementaridade foram apresentadas em Rosehart, Roman e Schellenberg (2005), para modelar a rela¸c˜ao entre as tens˜oes e a gera¸c˜ao de potˆencia reativa nas barras com controle de gera¸c˜ao, para problemas de m´aximo carregamento em sistemas de energia el´etrica. Neste trabalho, empregamos tais restri¸c˜oes para o problema do c´alculo do fluxo de carga, de modo a construir um modelo geral para a representa¸c˜ao do problema. Considerando N G o conjunto das barras do tipo P V mais a barra slack (N G = N P V + 1), tais condi¸c˜oes de complementaridade s˜ao definidas como:

0 ≤ Qgerk − Q min k  ⊥ Vka≥ 0, k = 1, ..., NG, (3.15a) 0 ≤ (Qmaxk − Q ger k ) ⊥ V b k ≥ 0, k = 1, ..., NG, (3.15b)

onde o operador ⊥ denota o seguinte: Qgerk − Qmin k  ≥ 0, Va k ≥ 0 e (Q ger k − Qmink ) Vka= 0, k = 1, ..., N G, (3.16a) (Qmaxk − Q ger k ) ≥ 0, V b k ≥ 0 e (Qmaxk − Q ger k ) V b k = 0, k = 1, ..., N G. (3.16b)

Para que essas restri¸c˜oes representem adequadamente a rela¸c˜ao entre a gera¸c˜ao de potˆencia reativa Qger e a magnitude de tens˜ao V especificada em cada barra de gera¸c˜ao,

considera-se a seguinte restri¸c˜ao (ROSEHART; ROMAN; SCHELLENBERG, 2005):

Vk= Vkesp+ Vka− Vkb, k = 1, ..., N G. (3.17)

Dessa maneira, a magnitude de tens˜ao para as barras definidas no conjunto de barras com controle de gera¸c˜ao ´e dada pela soma de trˆes termos: Vesp, Va e Vb. A

permite ajustar as vari´aveis de tens˜ao das barras com controle de gera¸c˜ao e definir trˆes situa¸c˜oes em que o sistema pode operar:

1. Estritamente dentro dos limites de gera¸c˜ao: este ´e o modo de opera¸c˜ao em que a potˆencia reativa gerada est´a estritamente dentro do intervalo de opera¸c˜ao definido, ou seja, o limite inferior ou superior n˜ao est´a pr´oximo de ser violado. Nesse caso, as restri¸c˜oes de complementaridade for¸cam Va= 0 e Vb = 0, j´a que (Qger− Qmin) > 0

e (Qmax− Qger) > 0, respectivamente;

2. Limite m´ınimo alcan¸cado: o limite m´ınimo de gera¸c˜ao de potˆencia reativa na barra k ´e alcan¸cado, ou seja, Qgerk = Qmin

k . Visto que (Q ger k −Q

min

k ) = 0, as condi¸c˜oes

de complementaridade em (3.16) resultam em Va > 0 e consequentemente Vb = 0,

o que implica que a tens˜ao vai aumentar na barra k (Vk > Vkesp);

3. Limite m´aximo alcan¸cado: o limite m´aximo de gera¸c˜ao de potˆencia reativa na barra k ´e alcan¸cado, ou seja, Qgerk = Qmaxk . Visto que (Qmaxk −Q

ger

k ) = 0, as condi¸c˜oes

de complementaridade em (3.16) resultam em Vb > 0 e consequentemente Va = 0,

o que implica que a tens˜ao vai diminuir na barra k (Vk< Vkesp);

Assim, o ajuste dessas vari´aveis ´e feito implicitamente durante a resolu¸c˜ao do c´alculo do fluxo de carga, pois tal processo est´a definido no pr´oprio modelo por meio das restri¸c˜oes de complementaridade definidas em (3.16) e da restri¸c˜ao adicional (3.17). Esse procedimento evita a resolu¸c˜ao do problema de fluxo de carga em dois est´agios, com mudan¸cas da dimens˜ao da matriz do sistema, como ´e feito, por exemplo, no m´etodo de Newton. Essa formula¸c˜ao propicia a atua¸c˜ao do controle de emergˆencia no modo corretivo, por meio da varia¸c˜ao das tens˜oes controladas e dos taps de transformadores e possibilita a obten¸c˜ao de uma solu¸c˜ao que satisfa¸ca simultaneamente as restri¸c˜oes de carga e de opera¸c˜ao do sistema.

Dessa maneira, considerando inicialmente que todas as vari´aveis do problema assumem valores cont´ınuos, o modelo proposto para a resolu¸c˜ao do problema de fluxo de carga ´e representado pelo conjunto de equa¸c˜oes da rede el´etrica dado em (3.14) e pelas restri¸c˜oes de complementaridade apresentadas em (3.16) e (3.17), formando o seguinte sistema n˜ao linear:

3.4 - MODELO PROPOSTO PARA O PROBLEMA DE FLUXO DE CARGA 51 Piesp− Pcal i = 0, i = 1, ..., N P Q + N P V, (3.18a) Qespj − Q cal j = 0, j = 1, ..., N P Q, (3.18b) Qgerk − Qmink  ≥ 0, k = 1, ..., N G, (3.18c) (Qmax k − Q ger k ) ≥ 0, k = 1, ..., N G, (3.18d) Qgerk − Qmink  Vka= 0, k = 1, ..., N G, (3.18e) (Qmax k − Q ger k ) V b k = 0, k = 1, ..., N G, (3.18f) Vk− Vkesp− V a k + V b k = 0, k = 1, ..., N G, (3.18g) Vka≥ 0, V b k ≥ 0, k = 1, ..., N G, (3.18h) Vmin l ≤ Vl ≤ Vlmax, l = 1, ..., N B, (3.18i) tminm ≤ tm ≤ tmaxm , m = 1, ..., N T. (3.18j)

Documentos relacionados