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Modelo Conceitual de Evolução em Modelo de Negócio

A seguir, apresenta-se na Figura 8 o modelo conceitual elaborado a partir dos

conceitos apresentados anteriormente, com vistas a atender o objetivo geral deste estudo, ou

seja, desenvolver um modelo para compreensão do processo evolutivo dos modelos de

negócio, tendo como referência uma instituição de ensino superior.

Figura 8 – Modelo Conceitual – Processo de evolução do modelo de negócio ao longo do tempo

Verifica-se ao observar a Figura 8 que o modelo conceitual é fundamentado nas

definições apresentadas no tópico 2.1, onde se estabelece modelo de negócio como a

descrição do sistema de atividades de uma organização e de sua governança

(ACHTENHAGEN; MELIN; NALDI, 2013; DEMIL; LECOCQ, 2010; OSTERWALDER;

PIGNEUR, 2010; VOELPEL; LEIBOLD; TEKIE, 2004; ZOTT; AMIT, 2010). A finalidade

de todo modelo de negócio reside no tripé: criação, configuração e apropriação de valor

(MEIRELLES, 2015; WIRTZ et al., 2016).

Inicia-se a leitura do referido modelo conceitual a partir das ideias de negócio e

criação da organização, como colocam Cavalcante, Kesting e Ulhøi (2011). Elas levam a

organização a definir os nove componentes do modelo de negócio (DEMIL; LECOCQ, 2010;

OSTERWALDER; PIGNEUR, 2010), dispondo-os como um sistema de atividades. Estes

nove componentes são:

- Proposta de valor;

- Componentes relacionados à organização interna e externa: segmento de clientes,

canais, e relacionamento com o cliente;

- Componentes relacionados a recursos e competências: atividades-chave,

recursos-chave e parcerias-recursos-chave;

- Componentes relacionados a custos e receitas: estrutura de custos e fluxos de receita.

Os nove componentes interagem de acordo com o modelo RCOV, elaborado por

Demil e Lecocq (2010), levando em consideração os recursos disponíveis, as capacidades, as

competências, forças e fraquezas pré-existentes e as complementariedades existentes entre

eles (ACHTENHAGEN; MELIN; NALDI, 2013; TEECE, 1986, 2010; ZOTT; AMIT, 2010).

Esta versão inicial do modelo de negócio representada na Figura 8 é denominada “Modelo de

Negócio 1”.

Os processos de criação, configuração e apropriação de valor estão representados ao

fundo da Figura 8, em três grandes faixas coloridas. A simultaneidade dos processos de

criação e configuração de valor é simbolizada na figura pela sobreposição das faixas

correspondentes a esses processos, dispostas em azul claro e azul escuro. Já o processo de

apropriação de valor, representado pela faixa cinza, sucede os processos de criação e

configuração. Pode-se verificar nos tópicos 2.1.1, 2.1.2 e 2.1.3 as explanações quanto às

inter-relações destes processos que representam a finalidade do modelo de negócio.

Ao executar o modelo de negócio incialmente estabelecido, a organização obtém um

resultado oriundo da apropriação de valor, denominado “margem”, o qual realimenta o

modelo. A realimentação do modelo é indicada pela seta interligando os diagramas “margem”

e “proposta de valor” do modelo conceitual contido na Figura 8. Além de resultados

financeiros, a margem que realimenta o modelo de negócio representa os demais resultados

alcançados pela execução do modelo.

Mesmo em sua fase inicial, todo modelo de negócio recebe as influências de

incidentes advindos dos ambientes interno e externo à organização, os quais podem facilitar

ou trazer dificuldades para a execução do modelo, assim como exposto nos tópicos 2.2.4 e

2.2.5.

Assim como colocam Cavalcante, Kesting e Ulhøi (2011) na Figura 7 deste estudo, é

possível afirmar que até este momento o modelo de negócio é considerado um novo

empreendimento.

Os componentes do modelo de negócio e as decisões adotadas para que ele crie,

configure e aproprie valor são mantidos até que, com o passar do tempo, ocorre o

desequilíbrio inerente aos ambientes interno e externo à organização, pois as organizações

empregam de formas diversas os recursos à sua disposição (DEMIL; LECOCQ, 2010;

MCGRATH, 2010). O desejo de superar este desequilíbrio leva as lideranças organizacionais

a promover a evolução do modelo de negócio vigente. Tal desejo é mais bem explicado no

tópico 2.2.1, onde são esclarecidas as ações antecedentes à evolução de um modelo de

negócio. Na Figura 8, estes antecedentes estão representados pelas formas com bordas

vermelhas.

Uma vez que as lideranças organizacionais decidam por evoluir o modelo de negócio

da organização já estabelecida, inicia-se a formação do chamado “Modelo de Negócio 2”

descrito no Modelo Conceitual, onde os nove componentes do modelo de negócio são

alterados de forma sistêmica e simultânea, sempre com vistas a assegurar a capacidade de este

modelo criar, configurar e apropriar valor. Existam alternativas para promover o processo

evolutivo de um modelo de negócio, representadas pelas setas na cor laranja da Figura 8.

Dentre elas, destacam-se as ações de experimentação (AHOKANGAS; MYLLYKOSKI,

2014; CHESBROUGH, 2010; MCGRATH, 2010; SOSNA; TREVINYO-RODRIGUEZ;

VELAMURI, 2010); e os caminhos e as atividades de extensão/ continuidade, revisão e

terminação/ descontinuidade (CAVALCANTE; KESTING; ULHØI, 2011; MÜLLER, 2014).

O detalhamento sobre tais alternativas é objeto do tópico 2.2.2 deste estudo.

Apesar de ser impossível afirmar se ou quando ocorre a conclusão de um processo

evolutivo dos modelos de negócio (MCGRATH, 2010), são percebidas como relevantes as

recomendações dos autores Achtenhagen, Melin e Naldi (2013), Demil e Lecocq (2010),

Osterwalder e Pigneur (2010) sobre empregar instrumentos para medir o desempenho de um

modelo de negócio. Tais instrumentos fornecem suporte à organização para antever futuras

necessidades de evoluções nos modelos de negócio, como exposto no tópico 2.2.3.

A execução do processo evolutivo de um modelo de negócio produz a “margem” que

realimenta este processo, como destacado ao longo do tópico 2.2.4. Além das influências

relativas aos resultados da apropriação de valor, recomenda-se às lideranças organizacionais

dedicar atenção a outros pontos de atenção, elencados no Quadro 5, que também realimentam

o modelo de negócio. Dentre eles, estão: a capacidade do modelo em posicionar a organização

como diferenciada em relação a seus concorrentes; a eficiência ao entregar aos clientes os

benefícios contidos na proposta de valor; as movimentações dos concorrentes após a evolução

do modelo de negócio.

Mais uma vez, percebe-se no processo evolutivo de um modelo de negócio a

ocorrência de uma série de incidentes que portam facilitadores ou dificuldades ao modelo.

Todos têm origem nos ambientes interno e externo da organização. Tais facilitadores ou

dificuldades podem ter origem na forma pela qual age a liderança organizacional; na agência

dos demais indivíduos que atuam na organização; na flexibilidade dos componentes do

modelo de negócio; no uso de recursos financeiros e materiais; e no estabelecimento de

barreiras contra imitações e/ ou cópias do modelo de negócio. O tópico 2.2.5 detalha este

assunto.

Tanto a execução como a realimentação, os incidentes, os facilitadores e as

dificuldades anteriormente mencionados podem provocar futuras evoluções no modelo de

negócio, representadas no modelo conceitual pelo “Modelo de Negócio n”. As futuras

evoluções podem ser descritas da mesma forma que no “Modelo de Negócio 2”, pois as

atividades e as características descritas são as mesmas. Além disso, futuras evoluções são

influenciadas por facilitadores e dificuldades, todos já abordados no presente tópico.

Não há um limite para o total de processos evolutivos pelos quais um modelo de

negócio pode passar ao longo do tempo, exceto uma possível terminação ou encerramento do

modelo de negócio, como esclarecido por Cavalcante, Kesting e Ulhøi (2011). A Figura 8

representa esta indeterminação também com o chamado “Modelo de Negócio n”.

Uma vez concluída a revisão teórica sobre modelo de negócio, suas finalidades –

criação, configuração e apropriação de valor – e o processo de sua evolução, é necessário

esclarecer os procedimentos metodológicos adotados para responder o problema e atingir os

objetivos de pesquisa estabelecidos. O próximo capítulo detalhará tais procedimentos,

fundamentando sua relevância para este estudo.

3 Procedimentos Metodológicos

O objetivo neste capítulo é esclarecer os procedimentos metodológicos aplicados neste

estudo, com vistas a responder a seu problema de pesquisa e atender os objetivos

estabelecidos. Para estabelecer um diálogo entre a revisão teórica e o estudo de caso, foi

estabelecida a aplicação da abordagem de processo (VAN DE VEN, 2007). Tal abordagem

permite observar os eventos de forma longitudinal e em profundidade, viabilizando a

construção de uma narrativa sequencial capaz de descrever como ocorrem as mudanças

organizacionais ao longo do tempo.

Este capítulo é organizado nos seguintes tópicos: abordagem, natureza e estratégia

metodológica de pesquisa; unidade de análise e sujeito de pesquisa; coleta de dados; técnica

de análise e tratamento dos dados; validade e confiabilidade dos procedimentos

metodológicos.