3.3 Museus de ciˆencias na contextualiza¸c˜ao do curr´ıculo escolar
3.4.1 O modelo contextual de aprendizagem
Devido ao seu car´ater complexo, muitos estudiosos de educa¸c˜ao em museus de ciˆen- cias tˆem buscado maneiras de avaliar a aprendizagem nestes espa¸cos. Dentre eles, Falk e Dierking (1992) elaboraram o Modelo de Experiˆencia Interativa que considera a apren- dizagem sob a perspectiva dos visitantes considerando trˆes contextos que influenciam na aprendizagem em museus de ciˆencias; pessoal, f´ısico e social (figura 1).
O contexto pessoal seria uma variedade de conhecimentos, experiˆencias e interesses, cren¸cas e motiva¸c˜oes pessoais que s˜ao influenciadas pelas caracter´ısticas do museu ou contexto f´ısico. Ao chegar no museu, o visitante traz consigo uma s´erie de expectativas e motiva¸c˜oes que ir˜ao influenciar seu aprendizado dentro deste espa¸co. O contexto f´ısico engloba as caracter´ısticas do ambiente como arquitetura, qualidade da apresenta¸c˜ao, ilu- mina¸c˜ao e disposi¸c˜ao do espa¸co e objetos contidos nas exposi¸c˜oes. O comportamento do visitante ´e fortemente influenciado pelo contexto f´ısico. Ao mesmo tempo, o contexto so- cial tamb´em ´e importante, uma vez que ao caminhar por dentro das exposi¸c˜oes h´a muitas vezes, di´alogos entre os visitantes e com colaboradores do museu em busca de um sentido pessoal para o que est˜ao vendo, ouvindo ou lendo.
Desta forma, os trˆes contextos do Modelo de Experiˆencia Interativa se combinam para promover uma experiˆencia ´unica ao visitante. Portanto, n˜ao h´a dois visitantes que vejam uma exposi¸c˜ao da mesma forma, uma vez que num dado momento, cada contexto
pode assumir um papel mais relevante para o visitante, a sua experiˆencia ´e resultado das intera¸c˜oes dos trˆes contextos (FALK; DIERKING, 1992).
Posteriormente, estes mesmos autores acrescentaram ao modelo, a dimens˜ao temporal. Ou seja, o fato de que recorda¸c˜oes de experiˆencias em museus que ocorreram anos atr´as, mesmo que incompreens´ıveis podem contribuir para um aprendizado futuro. O modelo passou a ser chamado de Modelo Contextual de Aprendizagem, de Falk e Dierking (2000) onde sub-dividiram os trˆes contextos em onze fatores. S˜ao estes:
Contexto Pessoal:
❼ Motiva¸c˜ao e expectativas: Afeta diretamente o que uma pessoa faz e aprende em um visita; h´a aprendizagem quando suas expectativas s˜ao atendidas.
❼ Conhecimentos pr´evios e experiˆencias: Desempenham um papel importante na aprendizagem, uma vez que toda aprendizagem ´e filtrada pela lente do conhecimento pr´evio e experiˆencias. Fazendo com que a aprendizagem em museus de ciˆencias seja altamente pessoal e ´unica.
❼ Cren¸cas e interesses pr´evios: Por meio destes ´e que a pessoa seleciona quando e o que deseja aprender, influenciando qual exibi¸c˜ao ser´a vista, o que vale a pena aprender, qual museu visitar etc. A grande diversidade de interesses dos visitantes contribui para que a experiˆencia no museu seja pessoal e ´unica.
❼ Escolha e controle: Os museus de ciˆencias oferecem oportunidade de escolha e con- trole, uma vez que o indiv´ıduo pode assistir, ler e ver o que mais lhe interessa, exercendo a aprendizagem por livre escolha.
❼ Eventos subseq¨uentes e experiˆencias ap´os a visita: A aprendizagem ´e um processo cumulativo. O p´ublico entra no museu com certos conhecimentos, sai com outros, estes conhecimentos passam a fazer sentido a partir do momento em que h´a aconte- cimentos na vida do indiv´ıduo que facilitam e exigem tais conhecimentos. Portanto, as experiˆencias e eventos que refor¸cam o que foi visto no museu s˜ao t˜ao importantes para a aprendizagem quanto o que foi visto dentro do museu.
Contexto F´ısico:
❼ Organizadores avan¸cados: Estudos apontam que os visitantes aprendem mais sobre uma exibi¸c˜ao no museu se tiverem informados a respeito da exposi¸c˜ao anteriormente. ❼ Orienta¸c˜ao no espa¸co f´ısico: Estudos mostraram que a aprendizagem ´e refor¸cada quando as pessoas sabem se mover dentro de um espa¸co f´ısico e, portanto, n˜ao se encontram desorientadas.
❼ Arquitetura e espa¸co f´ısico: A temperatura, tamanho, popula¸c˜ao, novidades e at´e mesmo as cores do espa¸co podem influenciar a aprendizagem.
❼ Planejamento das exibi¸c˜oes: As pessoas v˜ao ao museu para verem objetos reais num meio rico em experiˆencias educacionais. Exibi¸c˜oes bem estruturadas s˜ao grandes ferramentas de aprendizagem.
Contexto S´ocio cultural:
❼ Media¸c˜ao dentro do grupo: Todos os grupos sociais nos museus podem interagir para decifrarem informa¸c˜oes, refor¸carem cren¸cas, trazerem significado ao que est´a sendo visto, lido etc.
❼ Media¸c˜ao facilitada por outros: Docentes, guias, monitores podem atrair, facilitar ou mesmo inibir a aprendizagem dos visitantes.
O Modelo Contextual de Aprendizagem ´e uma ferramenta importante para se investigar a aprendizagem em museus de ciˆencias, uma vez que considera a intera¸c˜ao de diferentes contextos que influenciam neste processo. Assim, julgamos importante investigar como os diferentes contextos interagem na aprendizagem dos temas Sol e f´ısica solar no Obser- vat´orio do CDCC/USP, uma vez que a aprendizagem neste espa¸co ´e um processo pessoal, altamente dependente de experiˆencias anteriores, ocorrendo num contexto s´ocio-cultural e envolvendo muitas fontes, experiˆencias e informa¸c˜oes que juntas s˜ao respons´aveis pela constru¸c˜ao do conhecimento.
No pr´oximo cap´ıtulo iremos conhecer um pouco sobre os equipamentos, t´ecnicas adota- das nas observa¸c˜oes do Sol e de seu espectro e o local onde as atividades foram realizadas, o Observat´orio Astronˆomico do CDCC/USP.
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O Observat´orio Astronˆomico do CDCC/USP
4.1
Instala¸c˜oes
O Observat´orio foi fundado em 1986, no campus da Universidade de S˜ao Paulo em S˜ao Carlos, por ocasi˜ao da passagem do cometa Halley, tendo como foco a divulga¸c˜ao de Astronomia. Sua cria¸c˜ao foi uma iniciativa do, ent˜ao, Instituto de F´ısica e Qu´ımica de S˜ao Carlos e da Coordenadoria de Divulga¸c˜ao Cient´ıfica e Cultural (CDCC). O ent˜ao, Instituto Astronˆomico e Geof´ısico da Universidade de S˜ao Paulo cedeu o Telesc´opio Refrator Grubb de montagem equatorial alem˜a para ser instalado em S˜ao Carlos. As instala¸c˜oes f´ısicas iniciais do Observat´orio contaram com o apoio financeiro da USP, do CNPq e de ind´ustrias de S˜ao Carlos (H ¨ONEL, 1996).
Figura 2 - Observat´orio Astronˆomico do CDCC/USP no Campus I de S˜ao Carlos .
O Observat´orio est´a localizado no Campus I da Universidade de S˜ao Carlos e possui instala¸c˜oes semelhantes a de um Observat´orio profissional. Uma foto da entrada do Ob- servat´orio pode ser vista na figura 2. No primeiro andar, existe uma exposi¸c˜ao de quadros contendo fotos e informa¸c˜oes astronˆomicas, sendo que futuramente ser˜ao instaladas ma- quetes para explicar os eclipses e fases da Lua. No piso superior existe um almoxarifado
Figura 3 - O refrator Grubb.
com paredes de vidro, onde os equipamentos s˜ao guardados, de modo que ´e poss´ıvel para os visitantes ver telesc´opios, globos (lunar, terrestre e marciano) e esferas celestes. Neste mesmo piso encontramos a sala solar que ser´a descrita com mais detalhes na terceira se¸c˜ao deste cap´ıtulo. No terceiro piso est´a a c´upula do Observat´orio, onde est´a instalado o re- frator principal, Grubb, com 204 mm de diˆametro e 3000 mm de distˆancia focal (figura 3). Saindo pela porta da c´upula existe uma ´area externa de observa¸c˜ao, onde s˜ao montados temporariamente outros telesc´opios.
Al´em disso, recentemente foi instalado no campus I de S˜ao Carlos, uma maquete em escala do Sistema Solar ocupando todo o campus. Esta maquete permite que uma pessoa andando pelo campus tenha uma id´eia das propor¸c˜oes, tamanhos e distˆancias entre os planetas. Al´em do Sistema Solar no campus, tamb´em existe uma esfera armilar para mostrar o movimento pendular do Sol ao longo do ano, dentre outras inova¸c˜oes para divulga¸c˜ao de Astronomia. Neste trabalho, iremos nos concentrar na sala solar onde grande parte do projeto foi desenvolvido.