O CICLO DA VIDA E TIPOLOGIA DOS AGLOMERADOS (1)
2.8 MODELOS DE COMPETITIVIDADE APLICÁVEIS A REGIÕES ECONÔMICAS E A AGLOMERADOS INDUSTRIAIS
2.8.3 Modelo de competitividade sistêmica de Meyer-Stamer
A abordagem de Meyer-Stamer (2001) tem o predicado de detalhar o conceito de competitividade sistêmica em diferentes dimensões espaciais – supranacional, nacional, regional e local o que se ajusta aos propósitos da tese, qual seja os de entrelaçar os diferentes níveis de relações entre Atores locais e de outras esferas, incluindo redes e cadeias globais de valor. Contexto para a estratégia e rivalidade da empresa Setores correlatos e de apoio
Condições dos insumos e outros fatores de
produção
Este Autor (2001, p. 21) frisa que “são cada vez mais raros os casos de empresas de controle local (13). Algumas fazem parte de ‘cadeias globais de valor’, ou sejam, não produzem para um mercado global anônimo, mas para empresas externas específicas, na base de relações externas seguras de entrega e não por meio de transações spot”.
Quadro 13: Elementos de competitividade – níveis de análise e níveis de agregação sob a perspectiva do conceito sistêmico de competitividade.
NÍVEL NACIONAL REGIONAL LOCAL
Meta Integração nacional. Capacidade estratégica dos atores nacionais. Estrutura econômica competitiva
Identidade regional.
Capacidade estratégica dos atores regionais.
Identidade local. Capacidade
estratégica dos atores locais.
Ambiente criativo (“creative milieu”). Macro Estrutura macro estável e
atividade empresarial favorável. Política liberal de comércio. Política de competição. Política ambiental genérica.
Política fiscal coerente. Capacidade de investimento. Política fiscal coerente. Capacidade de investimento. Meio ambiente atraente e boa qualidade de vida. Meso Controle de subsídios.
Política de tecnologia. Política educacional. Política regional relacionada com o desempenho. Política industrial. Política específica para importações.
Promoção de exportações. Política ambiental específica para o setor.
Promoção econômica regional. Centros de demonstração de tecnologias. Instituições de pesquisa e desenvolvimento. Instituições educacionais e de treinamento. Instituições financeiras. Troca inter-regional de experiências e informações. Promoção econômica local. Instituições educacionais e de treinamento. Centro de tecnologia. Incubadoras. ACIs eficientes.
Micro Empresas médias e grandes. Redes dispersas. Relacionamento com fornecedores. Alianças nacionais. Agrupamentos de PMEs. Relacionamento com fornecedores. Agrupamentos de PMEs. Distritos industriais.
Fonte: MEYER-STAMER, Jörg. Estimular o crescimento e aumentar a competitividade no Brasil. Policy Paper, nº 23, março de 1999.
Meyer-Stamer (2001, p. 23) aborda um aspecto crítico para o exame e para a determinação de políticas de fomento a redes e a aglomerados, que é a discriminação de tarefas entre os variados tipos de atores:
“de natureza genuinamente governamental (o plano piloto, o processo de autorização / licenciamento, etc.)
executadas independentemente pelo setor privado (consultoria empresarial, organização de núcleos de empresários, etc)
organizadas em parceria público-privada (PPP) (gerenciamento de terrenos, apresentação pública¸etc)”.
Este autor fala sobre painel contraditório e sobre limites de margens para o estabelecimento de ganhos de competividade local e regional: – a posição de poder de empresas locais – de um lado, micros e pequenas empresas (MPEs) com fortes raízes locais, matrizes de grandes empresas ou unidades de negócios estratégicos, e, de outro, fábricas e montadoras sem poder de decisão. ‘Tal quadro determina ou é determinado pela estrutura de poder ou pela posição das empresas na rede ou no aglomerado e a posição da empresa local (do aglomerado) no ciclo de vida.
Meyer-Stamer (2001) introduz uma abordagem mais abrangente da competitividade, de natureza sistêmica, nos planos local e regional destacando:
no nível meta, o “status” social dos empreendedores e sua disposição para mudar e aprender; a estrutura competitiva da economia, a capacidade para formulação de visões e de estratégias; a memória coletiva e a coesão social;
no nível macro, o ambiente econômico e legal estável; as políticas cambial, monetária, orçamentária, fiscal, de comércio exterior, de proteção ao consumidor e de antitrust;
no nível meso, as políticas específicas para a criação de vantagens competitivas, tais como: promoção das exportações, política regional e de promoção econômica, política de infra-estrutura, política industrial, política ambiental, política de educação e política tecnológica e
no nível micro, as atividades dentro das empresas para que sejam criadas vantagem competitiva e a cooperação formal e informal; as alianças e a aprendizagem conjunta.
Na proposta de Meyer-Stamer (2001, p.19-20), os aglomerados são enquadrados no nível da competitividade micro, porém com duas vertentes quanto às definições do espaço das políticas. Uma, na esfera regional (clusters regionais) e outra, na local (clusters locais).
A maioria dos autores, cujas obras foram consultadas, considera os aglomerados e suas diferentes manifestações como um recorte em nível mesoeconômico, tese a qual me filio.
Figura 12: Visões mais abrangentes: competitividade sistêmica. Fonte: MEYER-STAMER, Jörg, 2001, p. 19.
Meyer-Stamer (2001, p. 20-21) também descortina um interessante esquema que contém num dos vetores, os níveis de competitividade e, noutro, os espaços, desde o supranacional ao local. Em nível de competitividade micro, realça: no espaço supranacional, as cadeias de suprimento globais e as empresas transnacionais; no nacional, salientam-se as redes dispersas e as empresas de grande e médio porte; no regional, as médias e pequenas empresas e os clusters regionais e no local, os clusters locais (distritos industriais) os contatos locais com fornecedores.
Porter (1999, p. 225) mostra o potencial de ganhos de produtividade na dimensão dos aglomerados, tais como: “o acesso a insumos e pessoal especializado, os menores custos para o recrutamento de pessoal e a facilidade em absorver talentos e experiências adquiridas em outras empresas, o acesso a informações e a instituições, além de maior possibilidade de obtenção de incentivos e de poder mensurar melhor o desempenho individual”.
O que se depreende da análise deste item é que a conquista da competitividade por regiões e, nelas, de espaços que concentrem coleções de empresas especializadas, revela múltiplas dependências quanto aos grandes níveis de competitividade e não somente do avanço dos aglomerados e das redes de empresas.
Há dependência:
de fatores e atributos em nível sócio-cultural;
de políticas governamentais de natureza geral e daquelas mais diretamente direcionadas ao desenvolvimento das atividades produtivas;
do estado de equilíbrio macroeconômico, nacional e regional, e da situação da economia mundial;
dos setores de atividades existentes nos espaços de aglomerações produtivas, que afetam o potencial de ganhos de eficiência coletiva e de ação conjunta;
dos estágios de desenvolvimento dos aglomerados e dos atributos dos atores privados e públicos;
dos resultados de experiências anteriores em ação conjunta e
da vontade de mudar tendências desfavoráveis com esforços sinérgicos de múltiplos atores.
Lins (2000, p. 250) ao se referir à capacidade de adaptação dos clusters em mudanças de contexto e para transitar em períodos adversos, captou de Cawthorne (1995, p. 54) o seguinte alerta sobre a importância de outras dimensões da competitividade, além das nos níveis micro e meso: “não é a aglomeração (clustering) (Sic) de per se que provoca o sucesso industrial, mas sim a aglomeração (clustering) (Sic), num contexto macroeconômico propício”.
As potencialidades dos aglomerados são dependentes dos fatores existentes em dimensões superiores, tais como as meta, macro e meso, nas quais é baixa a capacidade de influência direta dos agentes que participam dos aglomerados, em razão das variáveis serem classificadas como de intenção, contrariamente aquelas ditam de decisão.
2.9 GOVERNANÇA E CONFIANÇA