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O CICLO DA VIDA E TIPOLOGIA DOS AGLOMERADOS (1)

INSTRUMENTOS CONTRATUAIS

2.14 TEORIA DA AGÊNCIA E COMPORTAMENTOS INEFICIENTES

Esta teoria, como já foi mencionado, está vinculada à abordagem teórica da corrente tradicional ou da microeconomia ortodoxa, cujas características estão discriminadas no item 2.6.

Nestas relações o arcabouço contratual é muito valorizado, a ponto de as empresas serem consideradas como um nexo de contratos (BRITTO, 1999, p. 65).

Este mesmo Autor frisa que a Teoria da Agência é utilizada na análise das formas de organização das atividades econômicas e das relações entre parceiros.

Nela, estabelecem-se relações do tipo ‘agente-principal’, nelas um ator é considerado como ‘principal’, o qual delega algum poder de decisão a um terceiro, denominado agente ou executor. O principal coordena as relações pelo principal.

Alerta-se para a impropriedade da tradução do termo inglês principal para o português principal, que é um adjetivo e não o substantivo comum adequado para sua aplicação.

Os comportamentos oportunistas mais comuns são: o risco moral decorrente das diferenças de interesses dos atores e a ‘seleção adversa’, quando o principal tem dificuldade para avaliar a capacidade do agente para realizar as tarefas delegadas.

Os descumprimentos ou as falhas no cumprimento das condições constantes do pactuado decorrem do fato do mundo real ser complexo, e se configurar num ambiente em que impera a racionalidade limitada e com alto grau de incerteza, o que induz a situações denominadas de assimetria informacional.

Tais relacionamentos tendem a ocorrer em períodos determinados.

Esta restrição esta inserida como uma das três limitações constantes de um “contrato ótimo”.

A incerteza quanto ao alcance ou consecução dos resultados da relação provoca situações de:

risco moral (moral hazard) decorrente da possibilidade do agente realizar um nível de desempenho ou de esforço inferior definidos nos termos contratuais de forma implícita ou explícita sem que o ‘principal’ possa avaliar as intenções do agente por falta de informações;

possibilidade de ocorrer o fenômeno denominado de “seleção adversa” e

riscos associados à ocorrência de mudanças aleatórias nas condicionantes do macro-ambiente que foram consideradas como marcos de referência para instruir o

pacto entre firmas.

Para minimizar os riscos expostos há necessidade de lavrar, firmar e acompanhar os contratos, cujos custos são denominados custos de agência. O custo de agência decorre das perdas por comportamentos não-eficientes e incompatíveis com a maximização dos interesses globais das partes contratantes, e dos gastos necessários para evitar tais comportamentos (BRITTO, 1999, p. 67).

Segundo Britto (1999, p. 67), para operacionalizar as relações entre o ‘principal’ e o agente faz-se necessário:

a montagem de uma estrutura contratual adequada às características das relações; a construção de mecanismos de incitação e

o monitoramento das relações. Ou seja, que se concebam formas de governanças capazes de promover a gama de resultados mais próximos das situações em que impera o sistema de informações perfeitas (BRITTO, 1999, p. 65).

Os mecanismos de incentivos já foram apreciados no item 2.13.2 ao se discorrer sobre os dispositivos de incitação.

A ocorrência de risco moral em relações interindustriais está associada a três fatores: a divergência potencial de interesses entre as partes contratantes; os empecilhos para a realização de acordo para o estabelecimento de bases adequadas de repartição de ganhos e a dificuldade de avaliação do real engajamento do parceiro para o justo cumprimento da relação.

Dentre as ações para minimizar o risco moral salientam-se: o aperfeiçoamento do sistema de monitoramento preventivo, maximizando sua transparência; redução da assimetria informacional adotando-se novas fontes de informações sobre a efetiva capacidade de a contraparte executar sua obrigação e de empregar artifícios como o de instigar a competição entre partes em princípio conflitantes, como é o caso de envolver concorrentes na expectativa de mitigar os conflitos na relação cliente ‘principal’ – fornecedor (agente); montagem e operação de sistemas mais atraente e confiável de incentivo, com claros sinais de que o prêmio do agente variará em função do seu desempenho e de que haja um equilíbrio entre os riscos e os ganhos potenciais (BRITTO, 1999, p. 67-70).

Britto (1999, p. 67) adaptou de Nilakami e Rao (1994, p. 657) um quadro que relaciona os níveis de conhecimento da relação esforço-resultado no relacionamento e quanto ao grau de consenso entre as partes relativas aos esforços e aos resultados.

líder) e fornecedor (empresa que exerce o papel de agente) no campo da subcontratação e de desverticalização em geral, desde que sejam empregados processos de coordenação pautados em modos de governanças cooperativos.

Quadro 22: Tipologia do contexto de relacionamento entre as partes envolvidas em situações de dependência bilateral. Conhecimento sobre a relação esforço-resultado no relacionamento III Redução da incerteza por

mecanismos estruturais e sociais de interação entre as partes, que facilitam a coordenação de ações.

I

Viabilidade da redução da incerteza por processo de contratação com definições de incentivos: primeira melhor

solução.

IV

Redução da incerteza através de normas e valores culturais socialmente construídos que facilitam a interação entre as partes.

II

Possibilidade de redução de incerteza através do processo de contratação com definição de incentivos: segunda melhor

solução.

Grau de consenso entre as partes relativas aos esforços e aos resultados.

Fonte: BRITTO, 1999, p. 75, adaptado de Nilakani e Rao (1994, p. 657).

As soluções para mitigar os comportamentos não-eficientes, que produzem o efeito de risco moral (moral hazard), podem ser enquadradas em dois cenários: um o de primeira melhor solução (first best solution) pela qual se procura reduzir a incerteza quanto ao resultado da relação mediante a aplicação de incentivos inseridos no arcabouço contratual. Nesta condição há conjuntamente um elevado grau de consenso em relação ao conhecimento da relação esforço-resultado e consenso em relação aos esforços a serem despendidos e aos resultados esperados.

Alto

Baixo

A segunda melhor solução (the second-best solution) discrepa da primeira melhor solução por inexistir um elevado grau de conhecimento em relação aos esforços-resultado no relacionamento, embora haja consenso quanto aos esforços e resultados esperados, (BRITTO, 1999, p. 74-75).

Os custos de agência podem ser representados, mediante modelo matemático simplificado, pela equação seguinte: Z = e + x, em que ‘z’ significa o esforço total para o agente ‘e’corresponde ao esforço aplicado, enquanto ‘x’ é uma variável aleatória.