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1. INTRODUÇÃO

2.6. Processo de Desenvolvimento de Produtos (PDP)

2.6.3. Modelo de referência

Segundo Fernandes et al. (2009), os modelos de desenvolvimento de produtos fornecem um roteiro para transformar uma ideia em um conceito e em um produto viável. Para que o processo-padrão de desenvolvimento de produtos possa ser reutilizado por várias pessoas, ele é documentado na forma de um modelo, o qual serve para representar a realidade. O modelo se tornará um linguajar único para todos, facilitando a comunicação entre os integrantes do processo, bem como a integração de métodos e técnicas de apoio (ROZENDELD et al., 2006). Há diversos modelos de referência disponíveis na literatura: todos eles objetivam reduzir o tempo de desenvolvimento e aumentar a taxa de sucesso do processo de inovação (FERNANDES et al., 2009).

Esta dissertação esmiuçará apenas o Modelo Unificado de Desenvolvimento de Produtos, proposto por Rozenfeld et al. (2006), por ser este o processo-padrão utilizado na disciplina de “Gestão do Processo de Desenvolvimento de Produtos” dos cursos de graduação e pós- graduação da UNIFEI.

Segundo Rozenfeld et al. (2006), o PDP, assim como outros processos de negócio, pode ser representado simbólica e formalmente por meio de um modelo de referência, que descreve as atividades, os resultados esperados, os responsáveis, os recursos disponíveis, as ferramentas de suporte e as informações geradas neste processo. O desempenho do PDP depende de um modelo geral para sua gestão, o qual determina a capacidade de as empresas controlarem o processo de desenvolvimento e de aperfeiçoamento de seus produtos, e de interagirem com o mercado e com as fontes de inovação tecnológica.

A formalização do modelo de gestão e de estruturação do desenvolvimento de produto possibilita que todos os envolvidos (alta administração, pessoal das áreas funcionais da empresa e os parceiros) tenham uma visão comum desse processo: o que se espera de resultados do PDP, quais e como as atividades devem ser realizadas, as condições a serem atendidas, as fontes de informação válidas e os critérios de decisão a serem adotados (ROZENFELD et al., 2006, p. 34).

Tendo isso em vista, estes autores comentam que é fundamental que as empresas façam uso de um modelo de referência, que seja devidamente adequado às suas necessidades e realidade, o qual servirá de guia para auxílio no gerenciamento do PDP.

O Modelo Unificado de Desenvolvimento de Produtos surgiu da união das metodologias, estudos de caso, modelos, experiências e melhores práticas desenvolvidas e coletadas nos últimos anos pelas equipes de Rozenfeld et al. (2006). O modelo proposto pelos autores é voltado principalmente para empresas de manufatura de bens de consumo duráveis e/ou de capital, com ênfase na tecnologia mecânica de fabricação.

A Figura 2.3 representa visualmente as três macrofases, e respectivas fases, deste modelo: Pré-Desenvolvimento, Desenvolvimento e Pós-Desenvolvimento. Os autores ressaltam que, embora a representação das fases do modelo seja sequencial, certas atividades de uma fase podem ser realizadas dentro de outra fase. O que determina uma fase é a entrega de um conjunto de resultados, os quais possibilitarão uma evolução do projeto. A avaliação dos resultados de cada fase serve, igualmente, como um marco para ponderação sobre o status do projeto, antecipando problemas e gerando lições aprendidas. Isso significa revisar amplamente e minuciosamente a qualidade dos resultados obtidos, a situação do projeto diante do planejado, o impacto dos problemas encontrados e a importância do projeto dentro do portfólio da empresa. Tais avaliação e revisão são usualmente realizadas por meio de um processo formalizado chamado de transição de fase ou gate (do inglês: portão) (ROZENFELD et al., 2006).

Para Rozenfeld et al. (2006), a macrofase de Pré-Desenvolvimento contribui para o uso eficiente dos recursos de desenvolvimento; foco nos projetos prioritários definidos pelos critérios da empresa; início mais rápido e mais eficiente; e estabelecimento de critérios claros para a avaliação dos projetos em andamento. Já a macrofase de Desenvolvimento resultará em especificações finais (informações técnicas detalhadas, tanto de produção quanto comerciais), liberação da produção e documento de lançamento. Por fim, a macrofase de Pós-

Desenvolvimento compreende a retirada sistemática do produto do mercado e um avaliação de todo o ciclo de vida do produto, para que as experiências contrapostas ao que foi planejado anteriormente sirvam de referência para desenvolvimentos futuros.

Figura 2.3 – Modelo Unificado de Desenvolvimento de Produtos Fonte: Rozenfeld et al. (2006)

A seguir, serão esmiuçadas as fases pertencentes ao modelo (ROZENFELD et al., 2006):

2.6.3.1. Planejamento Estratégico de Produtos (Pré-Desenvolvimento)

Quanto mais competitivo e volátil o ambiente de desenvolvimento, mais inovador é o produto, menor seu tempo de vida no mercado e maior a complexidade em quantidade de peças e processos de fabricação específicos. Um cenário assim torna ainda mais relevante para essas empresas a macrofase de Pré-Desenvolvimento. O Planejamento Estratégico de Produtos resulta em dois documentos principais. O primeiro deles é o portfólio de produtos, que descreverá cada um dos produtos e suas datas de início de desenvolvimento e lançamento, segundo as perspectivas de mercado e tecnológicas. O segundo documento resultante desta fase é a Minuta do Projeto, que contém uma primeira e sucinta descrição do produto.

2.6.3.2. Planejamento do Projeto

Esta fase é a primeira da macrofase de Desenvolvimento e consiste na descrição das ações e dos recursos a serem empregados pela empresa, visando à obtenção de um novo produto. O Plano de Projeto é constituído por: escopo do projeto, escopo do produto (conceito do produto), atividades e sua duração, prazos, orçamento, pessoal responsável, recursos necessários, especificação dos critérios e procedimentos para avaliação da qualidade, análise de riscos, indicadores de desempenho selecionados e seus respectivos valores-alvo.

2.6.3.3. Projeto Informacional

Esta fase do Desenvolvimento cria, a partir do Plano do Projeto, as Especificações-Meta do futuro produto, que são aquelas que se deseja obter no final das atividades de engenharia, compostas pelos requisitos e pelas informações qualitativas sobre o futuro produto.

2.6.3.4. Projeto Conceitual

Esta fase do Desenvolvimento gera soluções de projeto que serão estudadas detalhadamente, até se encontrar a melhor solução possível que seja capaz de atender às Especificações-Meta concebidas na fase anterior. As soluções de projeto são resumidas em um conjunto de documentos que receberá o nome de Concepção do Produto.

2.6.3.5. Projeto Detalhado

Esta fase do Desenvolvimento envolve um detalhamento da Concepção do Produto e sua transformação em Especificações Finais, que podem abranger uma ampla gama de documentos, como Protótipo Funcional, Projeto dos Recursos (dispositivos e ferramentas) e Plano de Fim de Vida (descontinuidade e reciclagem do produto). Isso levará à aprovação do protótipo e homologação do produto.

2.6.3.6. Preparação da produção

Nesta fase do Desenvolvimento o produto é certificado com base nos resultados dos lotes- piloto. Isso significa que os testes são realizados com produtos fabricados com peças oriundas da linha de produção. Acontece a homologação da produção, culminando com a sua liberação e posterior lançamento no mercado.

2.6.3.7. Lançamento do produto

Esta é a última fase do Desenvolvimento e envolve planejar o evento de lançamento, contratar os serviços para o lançamento e promover o evento de lançamento. Além disso, é fundamental gerenciar os resultados (venda, custo, retorno e fatia de mercado), a aceitação inicial e a satisfação do cliente.

2.6.3.8. Acompanhamento do Produto / Processo (Pós-Desenvolvimento)

O acompanhamento sistemático e a documentação correspondente das melhorias de produto ocorridas durante o seu ciclo de vida são atividades centrais do Pós-Desenvolvimento.

2.6.3.9. Descontinuação do Produto (Pós-Desenvolvimento)

A retirada do produto do mercado pode envolver o reuso do produto (ou parte dele) em um outro, a desmontagem do produto e a utilização de suas partes ou material, a reciclagem do material empregado no produto, ou o descarte completo. Como a empresa precisa garantir a assistência técnica por vários anos, mesmo após o encerramento da produção, esta fase é acompanhada da definição de quem será o fornecedor de produtos de reposição e serviços.

De acordo com Rozenfeld et al. (2006), as macrofases de Pré- e Pós-Desenvolvimento são mais genéricas e podem ser utilizadas em outras empresas com pequenas alterações. Já a macrofase de Desenvolvimento enfatiza os aspectos tecnológicos correspondentes à definição do produto em si, suas características e forma de produção. Portanto, tais atividades são dependentes da tecnologia envolvida no produto. Em relação à temporalidade usual dessas

fases, o Pré-Desenvolvimento leva dias e pode estar associado ao ciclo do Planejamento Estratégico das empresas – que normalmente é realizado uma vez por ano. A fase de Desenvolvimento varia significativamente conforme a complexidade do produto e a novidade que ele representa para a empresa. Mas, usualmente, para empresas de manufatura de bens de consumo duráveis e/ou de capital (foco deste modelo), o desenvolvimento pode levar meses. Por fim, o Pós-Desenvolvimento dura até o final da vida do produto (ROZENFELD et al., 2006).

O modelo de Rozenfeld et al. (2006) abrange ainda dois processos de apoio, os quais estão diretamente relacionados ao PDP, porém nem sempre ocorrem e, quando ocorrem, podem estar ligados a qualquer uma das fases do PDP. Toda vez que surgir uma oportunidade de melhoria, deve-se analisar com o que ela está relacionada:

 Quando a melhoria estiver relacionada com o produto e/ou seu processo de fabricação, aciona-se o processo de apoio Gerenciamento de Mudanças de Engenharia;

 Quando a melhoria estiver relacionada com o PDP, aciona-se o processo de apoio Melhoria Incremental do PDP.