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Modelo de Winkler

No documento MÁCIA MANUELA VIDAL DE NEGREIROS (páginas 29-36)

2.5 Modelos de representação do solo

2.5.2 Modelo de Winkler

Winkler propôs em 1867 um modelo para estudar vigas em fundações elásticas. Desde

então, este método tornou-se o mais simples que tem sido usado, o qual consiste na

representação do solo por meio de um conjunto de molas linearmente elásticas e mutualmente

independentes, discretas e rigorosamente espaçadas. Uma vez seguida tais considerações, a

deformação da fundação ocorre apenas nas regiões carregadas e é diretamente proporcional à

tensão aplicada:

𝜎(𝑥, 𝑦) = 𝑘

𝑣

. 𝑤(𝑥, 𝑦) (Eq. 2.7)

Onde:

𝜎(𝑥, 𝑦) : tensão de contato média na base da fundação;

𝑘

𝑣

: módulo de reação vertical;

𝑤(𝑥, 𝑦) : deslocamento vertical (recalque).

Por ser o mais simples, o modelo apresenta certas deficiências, a mais significante é a

não representação da continuidade do meio, tendo em mente que o solo é representado por um

conjunto de elementos isolados, em outras palavras, a existência de uma ligação coesiva entre

as partículas do solo não é levada em conta. Também, vale ressaltar que nesse modelo é

considerado o comportamento tensão-deformação linear que é aceitável em casos de pequenas

deformações.

A questão principal nesse modelo está na determinação do coeficiente de reação vertical do

solo (𝑘

𝑣

), o qual depende não só da natureza do solo, como também, das dimensões da área

carregada e da profundidade da fundação. Ele pode, por sua vez, ser determinado de diversas

formas: através do ensaio de placa, cálculo do recalque da fundação real, uso de tabelas de

valores típicos, correlações com o N

SPT

, correlações com as propriedades elásticas do solo, ou

correlação com a tensão admissível. Dentre as possibilidades, o uso do N

SPT

é bastante aceitável

uma vez que, além da praticidade tem-se informações reais sobre o sistema geotécnico local.

Para que o coeficiente de reação vertical seja obtido com base no N

SPT

, utiliza-se

formulações empíricas, como as propostas por Cérnica (1995): equação Eq. 2.8, cujo resultado

é dado em MPa/m, segundo o autor a equação apresenta valores razoáveis, sobretudo

tratando-se de radiers. Outra possibilidade é apontada por Tepedino (1980) apud Chaves (2004), a qual

abrange duas possíveis situações: argila e solos argilosos (Eq. 2.9) e areias e solos arenosos

(Eq. 2.10), ambas fornecem resultados em N/cm

3

.

𝑘

𝑣

= 1,8𝑁

𝑆𝑃𝑇

(Eq. 2.8)

𝑘

𝑣

= 3𝑁

𝑆𝑃𝑇

(Eq. 2.9)

𝑘

𝑣

= 5𝑁

𝑆𝑃𝑇

(Eq. 2.10)

A literatura também fornece valores típicos por meio de tabelas, como a de Terzaghi

(1955), tabela 4, cujos resultados foram determinados por meio de ensaio de placa, logo

necessitam de correção em função da forma e dimensão da fundação; e a de MORAES (1976),

tabela 5, que apresenta os valores de coeficiente de reação vertical em função do tipo do solo.

Tabela 4 - Valores de kv em kN/m³

Argila Rija Muito rija Dura

qu (kgf/cm²) 0,1-0,2 0,2-0,4 >0,4

Faixa de valores (1,6-3,2).104 (3,2-6,4).104 >6,4.104

Valor proposto 2,4.104 4,8.104 9,6.104

Areias Fofa Medianamente

compacta compacta

qu (kgf/cm²) (0,6-1,9)104 (1,9-9,6)104 (9,6-32)104

Faixa de valores 1,3.104 4,2.104 1,6.104

Valor proposto 0,8.104 2,6.104 9,6.104

Tabela 5 - valores do coeficiente de reação vertical de acordo com o tipo de solo

Tipo de solo Kv (kN/m³)103

Turfa leve – solo pantanoso 5 a 10

Turfa pesada – solo pantanoso 10 a 15

Areia fina de praia 10 a 15

Aterro de silte, de areia e cascalho 10 a 20

Argila molhada 20 a 30

Argila úmida 40 a 50

Argila seca 60 a 80

Argila seca endurecida 100

Silte compacto com areia e pedra 80 a 100

Silte compacto com areia e muita pedra 100 a 120

Cascalho miúdo com areia fina 80 a 120

Cascalho médio com areia grossa 100 a 120

Cascalho grosso com pouca areia 150 a 200

Cascalho grosso com pouca areia compactada 200 a 250

3 METODOLOGIA

Este trabalho apresenta um estudo de caso desenvolvido com base em uma edificação de

alvenaria estrutural, na qual ocorreram manifestações patológicas no pavimento térreo, cuja

identificação foi preservada. A edificação é do tipo térreo mais três pavimentos sobre fundação

em radier – configuração bastante comum dentre os edifícios nesse sistema. A área do

pavimento é de aproximadamente 215 m², sendo quatro apartamentos por andar, conforme

ilustrado pela Figura 5. Na execução foram utilizados blocos estruturais cerâmicos e a

resistência característica à compressão, f

bk

, foi de 10 MPa.

Figura 5 - Planta de 1ª fiada do pavimento tipo

Fonte: autora (2020)

A fundação em radier possui 17 cm de espessura e foi executada na seguinte configuração:

logo abaixo das paredes uma região maciça em concreto armado com resistência característica

à compressão (f

ck

) igual a 25 MPa; e outra nervurada localizada no meio dos vãos dos

ambientes, com o objetivo de reduzir o volume de concreto, como ilustrado pela Figura 6.

Figura 6 - Locação do radier

Fonte: autora (2020)

Essa região nervurada foi executada com quatro tijolos cerâmicos agrupados cujas medidas

unitárias são 18x18x9 cm e os grupos foram dispostos de maneira a ficarem distantes 6 cm. O

espaço remanescente foi preenchido com o mesmo concreto da região maciça.

Figura 7 - Detalhe da nervura

Fonte: autora (2020)

Os problemas estruturais apresentados nessa edificação foram mais significativos em

duas paredes da fachada, 3 e 15. A Figura 8 ilustra a localização destas paredes no pavimento

e a Figura 9 as respectivas elevações.

Figura 8 - Localização das paredes 3 e 15 no pavimento

Figura 9 - Elevação das paredes: (a) Parede 3; (b) Parede 15

A principal fissuração observada na edificação iniciou-se no topo da janela da parede 3,

Figura 10(a), também visível na parte interna do ambiente, Figura 10(b), indicando separação

total dos trechos de alvenaria situados acima e abaixo da fissura.

Figura 10 - Fissuras na parede 3: (a) Janela – vista externa; (b) Parede 3 – vista interna.

Essa fissura se propagou horizontalmente pela parede 15, Figura 11, e seguiu até a janela

do banheiro, mudando sua direção para a diagonal da janela e ocorrendo, também, em formato

de escadinha no lado oposto da abertura, Figura 12(a). Além disso, observa-se a a separação

entre a base da parede e o radier, identificada pela passagem de água do banheiro para a área

externa, Figura 12(b).

Apesar de não estar evidente na ilustração das figuras, é importante mencionar que a

fissura horizontal indicada na Figura 11, apresentou maior abertura na extremidade da parede

15, que tem amarração com a parede 3, e teve essa abertura reduzida sensivelmente à medida

que se afastava da extremidade, propagando-se até a região da abertura de janela.

Figura 12 - Parede 15: (a) Janela do banheiro; (b) Base da parede

Nesse contexto, o estudo de caso consistiu, inicialmente, na análise do tipo de fundação

utilizada, por meio de comparações entre valores de referência calculados, como momento

mínimo de fissuração, armadura necessária e forças cortantes resistentes, com os resultados

obtidos a partir da modelagem computacional do radier.

No documento MÁCIA MANUELA VIDAL DE NEGREIROS (páginas 29-36)

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