Simula¸c˜ oes e Modelagens
3.4 Modelo Isot´ermico
No caso do modelo isot´ermico, o programa calcula o balan¸co t´ermico, por´em, a densi- dade do g´as tamb´em permanece constante. A figura 3.14 mostra predi¸c˜oes para a temper- atura, densidade do g´as e press˜ao para o modelo com temperatura constante como fun¸c˜ao da profundidade da PDR.
A figura 3.14 mostra uma queda da press˜ao pr´oximo ao centro da nuvem. Esta queda deve-se, principalmente, `a transi¸c˜ao entre hidrogˆenio neutro e ionizado, j´a que a densidade ´e definida aqui como a densidade total de pr´otons nH = n(H) + 2n(H2) + n(H+) (Le Petit,
2009). O modelo isot´ermico foi obtido apenas para compara¸c˜ao com os outros modelos, j´a que a f´ısica usada aqui ´e bastante simples, considerando apenas a press˜ao como vari´avel, ainda assim, considerando apenas o hidrogˆenio para o c´alculo de nH. Este modelo ´e pouco
plaus´ıvel, o que justifica o fato dele ter sido pouco utilizado para PDRs (uma excess˜ao ´e Cordiner et al. (2007b)).
Figura 3.14: Varia¸c˜ao dos parˆametros densidade do g´as, temperatura e press˜ao para o modelo isot´ermico.
Figura 3.15: Abundˆancias de algumas esp´ecies CHO, realtivo `a densidade, para o modelo isot´ermico ao longo da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
discrepˆancia de at´e duas ordens de grandeza quando comparadas aos trabalhos de Gerin et al. (2009) e Goicoechea et al. (2009), mas a f´ısica envolvida neste modelo ´e mais simples que a usada nos demais. Dessa forma, j´a era esperado alguma diferen¸ca com outros dados.
Mesmo assim, as abundˆancias encontradas s˜ao bastante semelhantes ao modelo com den- sidade constante.
Figura 3.16: Abundˆancia de CN, HCN e HNC para o modelo isot´ermico ao longo da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
Embora o modelo isot´ermico seja bastante simples, a figura 3.16 apresentou resultados bastante similares aos outros dois modelos, se bem que haja uma evidente instabilidade para as mol´eculas HCN e HNC pr´oximo `a log(AV) = −1 mag e o pico do HCN seja menor,
chegando a coincidir com o pico do HNC, fato que n˜ao ocorre para os demais modelos. Em todos os c´alculos a seguir utilizamos o modelo isob´arico, por ser o mais plaus´ıvel do ponto de vista f´ısico.
3.5 Nitrilas
Algumas mol´eculas simples contendo nitrogˆenio foram analisadas, pois atrav´es da rea¸c˜ao destas ´e que o nitrogˆenio se torna dispon´ıvel para a forma¸c˜ao de mol´eculas mais complexas e que s˜ao fundamentais para a vida como a conhecemos. Desta forma, foram es- colhidas para an´alise as mol´eculas C2N , C3N , C5N , C2N2, HC3N -cianoacetileno, HC5N
-cianodiacetileno e H3C3N -acrilonitrila, bem como seus c´ations, exceto para a acriloni-
incluir uma s´erie de nitrilas. Como ilustra¸c˜ao, a tabela 3.3 apresenta as rea¸c˜oes qu´ımicas e seus respectivos parˆametros para a inclus˜ao da acrilonitrila (H3C3N ). As abundˆancias
destas mol´eculas s˜ao apresentadas nas figuras 3.17 e 3.18.
Tabela 3.3 - Rea¸c˜oes qu´ımicas, parˆametros e tipos de rea¸c˜ao usados na modelagem da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo para a acrilonitrila (C3H3N).
Reagentes Produtos γ α β c5h5n photon c2h2 c3h3n 4.00e-12 0.00 1.8 c+ c3h3n c3h2+ hcn 9.84e-10 0.00 0.0 c+ c3h3n c3h3+ cn 1.80e-09 0.00 0.0 c3h3n phosec c2h3 cn 1.30e-17 0.00 375.0 c3h3n photon c2h3 cn 1.00e-10 0.00 1.7 cn c2h4 c3h3n h 1.25e-10 0.70 30.0
Figura 3.17: Abundˆancia de algumas mol´eculas nitrogenadas ao longo da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
Algumas dessas mol´eculas nitrogenadas apresentam um comportamento singular. As abundˆancias dos C5N , C5N+, HC3N , HC5N e do HC5N+ apresentam um platˆo em
Figura 3.18: Abundˆancia de algumas mol´eculas nitrogenadas na extens˜ao da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
abundˆancias caem rapidamente em dire¸c˜ao `a borda da nebulosa, concentrando-se ao redor da sua regi˜ao central.
Tanto o C5N como o HC3N apresentam ainda uma flutua¸c˜ao no limite do zero em suas
abundˆancias, assinalando alguma instabilidade na dinˆamica das rea¸c˜oes. Essa instabilidade deve ser corrigida quando suas rea¸c˜oes qu´ımicas de forma¸c˜ao e destrui¸c˜ao nos ambientes interestelares e circum-estelares forem estudadas mais profundamente.
Um resultado significativo ´e observado para as mol´eculas C2N , C3N e HC3N , pois suas
esp´ecies neutras come¸cam mais abundantes, por´em, ainda no come¸co da nuvem as esp´ecies iˆonicas se tornam mais abundantes. Este comportamento ´e esperado devido `a diminui¸c˜ao da radia¸c˜ao ultravioleta distante que ocorre dentro da nuvem, mantendo os c´ations mais est´aveis e abundantes depois de serem formados.
3.6 ´Ions
Alguns poucos ˆanions j´a possuem algumas rea¸c˜oes de forma¸c˜ao e de destrui¸c˜ao conheci- das, assim como seus parˆametros quˆanticos usados nos c´alculos de taxa de rea¸c˜ao. Essas poucas mol´eculas tamb´em foram estudadas e s˜ao mostradas nas figuras 3.19 e 3.20.
Figura 3.19: Abundˆancia de alguns ˆanions ao longo da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
Figura 3.20: Abundˆancia de ˆanions ao longo da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
Todas as esp´ecies estudadas mostraram flutua¸c˜oes em suas abundˆancias m´ınimas e todos eles chegam a praticamente zero de abundˆancia rapidamente. Isto mostra que suas rea¸c˜oes ainda n˜ao est˜ao bem definidas e que existe um problema dinˆamico que tem que ser melhor estudado, afetando a borda, como tamb´em aconteceu no caso das nitrilas.
Os ˆanions das nitrilas n˜ao foram abordados, pois nenhum deles, com exce¸c˜ao do CN−,
teve as rea¸c˜oes de forma¸c˜ao e destrui¸c˜ao estudadas. Portanto, esperam-se estudos destas rea¸c˜oes para um melhor conhecimento daquelas importantes mol´eculas.
3.7 Benzeno
Muitas mol´eculas c´ıclicas tˆem importantes fun¸c˜oes pr´e-bi´oticas. O benzeno (C6H6)
´e uma delas, j´a que este composto ´e uma das mol´eculas mais simples com anel capazes de formar algumas esp´ecies maiores e com maior importˆancia bi´otica. A substitui¸c˜ao de dois ´atomos de carbono no anel do benzeno por dois nitrogˆenios produz pirimidinas. A pirimidina (c − C4H4N2) ´e o an´alogo do anel n˜ao substitu´ıdo para as trˆes bases do DNA e
do RNA: timina, citosina e uracila, que ´e, portanto, uma mol´ecula de importˆancia extrema para a Astrobiologia (Kuan et al., 2004).
O resultado obtido no estudo do benzeno ´e mostrado na figura 3.21. Para chegarmos a este resultado foi usada a rede de rea¸c˜oes qu´ımicas de forma¸c˜ao e destrui¸c˜ao do benzeno que ´e exibida na tabela 3.4.
Tabela 3.4 - Rea¸c˜oes qu´ımicas, parˆametros e tipos de rea¸c˜ao usados na modelagem da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo para o benzeno.
Reagentes Produtos γ α β c6h7+ electr c6h6 h 5.00e-07 -0.50 0.0 c+ c6h6 c3h3+ c4h3 1.44e-10 0.00 0.0 c2h3+ c6h6 c6h7+ c2h2 1.60e-09 0.00 0.0 c3h5+ c6h6 c6h7+ c3h4 1.15e-10 0.00 0.0 ch5+ c6h6 c6h7+ ch4 2.00e-09 0.00 0.0 h3+ c6h6 c6h7+ h2 3.90e-09 0.00 0.0
h3o+ c6h6 c6h7+ h2o 1.30e-09 0.00 0.0
hco+ c6h6 c6h7+ co 1.60e-09 0.00 0.0
he+ c6h6 c6h5+ he h 7.00e-10 0.00 0.0
he+ c6h6 c5h5+ ch he 7.00e-10 0.00 0.0
Claramente, a abundˆancia do benzeno cai a zero na borda da nuvem muito rapidamente e sua abundˆancia ´e desde o in´ıcio bastante pequena. Este ´e um fato esperado e facilmente
Figura 3.21: Abundˆancia do benzeno ao longo da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
explicado, pois esta mol´ecula possui apenas uma rea¸c˜ao de forma¸c˜ao na sua rede de rea¸c˜oes conhecidas, enquanto ela ´e destru´ıda por diversas rea¸c˜oes que produzem outras mol´eculas. Por ser uma mol´ecula prebi´otica t˜ao importante, sua rede de rea¸c˜oes dever´a ser estendida para um estudo mais detalhado.
Por´em, n˜ao ´e apenas o fato de n˜ao ter suas rea¸c˜oes para o meio interestelar explici- tadas que torna este composto t˜ao pouco abundante, mas o fato deste modelo n˜ao estar considerando as rea¸c˜oes em gr˜aos na forma¸c˜ao de mol´eculas complexas. Mol´eculas com- plexas detectadas na atualidade n˜ao podem ser contabilizadas em rea¸c˜ao de fase gasosa, j´a que elas sofrem deple¸c˜ao nas superf´ıcies dos gr˜aos. As rotas de forma¸c˜ao deste tipo de mol´eculas complexas tˆem sido recentemente propostas usando rea¸c˜oes no corpo de gr˜aos de gelo reguladas pela fotoqu´ımica de f´otons ultravioletas (D’Hendecourt, 2011). Al´em disso, os modelos de Woods et al. (2002) indicam que quando a extin¸c˜ao cai para 10 mag a uma distˆancia de ∼ 1016cm da estrela central, a abundˆancia de mol´eculas como o benzeno cai
3.8 Pirrol
O pirrol (C4H5N ) ´e uma mol´ecula heteroc´ıclica fundamental. Ela ´e um importante
bloco construtor biomolecular. Esta mol´ecula e suas derivadas s˜ao essenciais para as fun¸c˜oes biol´ogicas vitais, como a hemoglobina e a clorofila. Em astrobiologia, acredita- se compostos orgˆanicos com an´eis, incluindo N-heteroc´ıclicos, podem ter desempenhado um importante papel na evolu¸c˜ao da vida terrestre e na qu´ımica prebi´otica de ambientes planet´arios. Com isso em mente, Tit˜a, com uma atmosfera substancial composta princi- palmente por nitrogˆenio e metano, ´e um objeto cativante para a comunidade cient´ıfica. De fato, estes orgˆanicos (tanto hidrocarbonetos como nitrilas), est˜ao presentes na atmosfera de baixa temperatura e g´as fotoativo, permitindo analogias com a Terra primitiva. Na tentativa de simular Tit˜a e a qu´ımica prebi´otica em experimentos de laborat´orio, pirrol e piridina foram identificados como mol´eculas chave adicionadas a outras esp´ecies molecu- lares, incluindo compostos polic´ıclicos arom´aticos contendo N (Soorkia et al., 2010).
Todavia, as respectivas fun¸c˜oes (bio)qu´ımicas do pirrol e da piridina podem ser profun- damente diferentes devido `as suas diferen¸cas estruturais intr´ınsecas. Tanto o pirrol como a piridina seguem a regra de H¨uckel’s (a qual estima se uma mol´ecula em anel planar ter´a propriedades arom´aticas; uma mol´ecula em anel segue a regra de H¨uckel quando o n´umero dos seus el´etrons ´e igual a 4n + 2), portanto tˆem propriedades arom´aticas. Mas, a principal diferen¸ca ´e que o par solit´ario de el´etrons no ´atomo de nitrogˆenio na piridina n˜ao est´a localizada no anel arom´atico, como est´a no pirrol (Soorkia et al., 2010).
Pirrol e piridina fornecem exemplos arquet´ıpicos de como as propriedades f´ısicas e qu´ımicas fundamentais poderiam ser significativamente diferentes para duas mol´eculas c´ıclicas que se diferem por apenas um ´atomo de carbono. Esp´ecies N-heroc´ıclicas pe- quenas como o pirrol e a piridina est˜ao entre aquelas que provavelmente s˜ao as mais im- portantes do ponto de vista astrobiol´ogico. As rea¸c˜oes dessas mol´eculas com radicais e/ou esp´ecies iˆonicas subsequentemente podem fornecer esp´ecies carbonadas maiores contendo nitrogˆenio. A inclus˜ao do N em PAHs poderia promover a forma¸c˜ao de an´eis hidrocarbone- tos adicionais (Soorkia et al., 2010) e, assim, essas mol´eculas poderiam contribuir para a forma¸c˜ao de PANHs muito grandes, que se acredita desempenhar um importante papel na qu´ımica interestelar. Infelizmente, a procura no meio interestelar por pirrol e piridina, entre outros compostos, n˜ao tem obtido ˆexito.
Utilizaremos, nesta se¸c˜ao e na pr´oxima, os resultados de Soorkia et al. (2010), assim como aqueles do modelo fotoqu´ımico de Krasnopolsky (2009) para a atmosfera de Tit˜a. Os resultados para o pirrol est˜ao mostrados nas figuras 3.22 e 3.23.
Figura 3.22: Abundˆancia do pirrol ao longo da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
Como o pirrol ´e uma mol´ecula de extrema importˆancia prebi´otica, ´e altamente re- levante tentar estimar sua abundˆancia na HHN, por´em os resultados obtidos para este composto constituem apenas estimativas, j´a que ele ainda n˜ao teve estudada suas rea¸c˜oes em condi¸c˜oes an´alogas `as do meio interestelar.
O ´unico canal para a produ¸c˜ao de pirrol no modelo de Krasnopolsky (2009) para a atmosfera de Tit˜a ´e a rea¸c˜ao N∗+ C
4H6 → C4H5N + H n onde N∗ ´e o nitrogˆenio atˆomico
no estado metaest´avel 2D, N (2D). N∗ ´e produzido por fotodissocia¸c˜ao ou dissocia¸c˜ao por
f´otons, el´etrons e raios c´osmicos do N2. De acordo com Nicolas et al. (2003), a fotodisso-
cia¸c˜ao radiativa do N2 produz principalmente N++ N∗. Como o N∗ decai para o estado
fundamental com uma taxa de 1.06 × 10−5 s−1, sendo muito r´apido para os processos
em uma nuvem interestelar, esse canal de produ¸c˜ao de pirrol pode n˜ao relevante para a Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
Um poss´ıvel progenitor para o pirrol ´e o butenal (Jacques Le Bourlout, comunica¸c˜ao privada), visto que o propenal e o propanal j´a foram observados no meio interestelar
(Hollis et al., 2004). Assim, resultados foram obtidos a partir de uma rea¸c˜ao de forma¸c˜ao conhecida em laborat´orio, estimando-se os parˆametros de sua taxa de destrui¸c˜ao no meio interestelar levando-se em considera¸c˜ao que este tipo de rea¸c˜ao tem, conforme a tabela 2.2, valor m´edio para a constante de rea¸c˜ao κ ≃ 10−11(cm3/s) e a partir de rea¸c˜oes de
destrui¸c˜ao estimadas causadas por f´otons UV e por raios c´osmicos, sendo os produtos da fotodissocia¸c˜ao distribu´ıdos entre cinco canais, como pode ser visto na tabela 3.5.
Tabela 3.5 - Rea¸c˜oes qu´ımicas, parˆametros e tipos de rea¸c˜ao para a produ¸c˜ao do pirrol a partir do butenal para a HHN.
Reagentes Produtos γ α β
c4h6o nh3 c4h5n h2o h2 5.00e-07 0.5 0.0
c4h5n phosec c2h5 c2n 2.00e-18 0 1000.0 c4h5n phosec h2cn c3h3 2.00e-18 0 1000.0 c4h5n phosec hc3n ch4 2.00e-18 0 1000.0 c4h5n phosec h3c2n c2h2 2.00e-18 0 1000.0 c4h5n phosec c3h4 hcn 2.00e-18 0 1000.0 c4h5n photon c2h5 c2n 2.00e-12 0 1.8 c4h5n photon h2cn c3h3 2.00e-12 0 1.8 c4h5n photon hc3n ch4 2.00e-12 0 1.8 c4h5n photon h3c2n c2h2 2.00e-12 0 1.8 c4h5n photon c3h4 hcn 2.00e-12 0 1.8
Tendo em vista a pouca quantidade da mol´ecula progenitora butenal, (C4H6O), a
pequena abundˆancia encontrada para o pirrol ´e esperada. H´a de se considerar, ainda, que tamb´em para o pirrol, assim como discutido para o caso do benzeno, ´e uma mol´ecula complexa que deve ter suas rotas de forma¸c˜ao ligadas `a poeira e aos gr˜aos de gelo, que ainda dever˜ao ser estudadas.
Devido `a importˆancia do pirrol, a necessidade de estudar mais amplamente as rea¸c˜oes de forma¸c˜ao desta mol´ecula se tornou evidente. Desta forma, baseando-se no trabalho de Peeters et al. (2005) sobre a piridina e o pirrol, onde comparece a s-triazina, exploramos um outro canal de forma¸c˜ao do pirrol tendo a s-triazina como reagente. Para isto, foi necess´ario ainda considerar que as mol´eculas reajam efetivamente com o CH para a forma¸c˜ao de compostos mais est´aveis, conforme Soorkia et al. (2010).
Desta forma, precisou-se incluir alguns compostos que n˜ao possuem suas rea¸c˜oes e taxas de rea¸c˜oes conhecidas para condi¸c˜oes do meio interestelar, como por exemplo, a pr´opria s-triazina e, assim como para o canal de produ¸c˜ao a partir do C4H6O fomos obrigados a
fazer estimativas das taxas de rea¸c˜ao e de rea¸c˜oes de destrui¸c˜ao causadas por f´otons UV e por raios c´osmicos. As rea¸c˜oes usadas neste modelo s˜ao vistas na tabela 3.6. O resultado obtido, acrescentando as rea¸c˜oes da tabela 3.5 `as da tabela 3.6, ´e mostrado na figura 3.23.
Tabela 3.6 -Rea¸c˜oes qu´ımicas, parˆametros e tipos de rea¸c˜ao usados na estimativa do pirrol a partir da s–triazina para a HNN.
Reagentes Produtos γ α β c2n2 ch3n c3h3n3 photon 5.00e-07 0.50 0.0 c3h3n3 phosec hcn hcn hcn 1.00e-17 0.00 0.0 c3h3n3 photon hcn hcn hcn 9.00e-11 0.00 1.8 ch c3h3n3 c4h4n n2 5.00e-07 0.50 0.0 c4h4n phosec c2h2 c2h2 n 3.30e-18 0.00 1000.0 c4h4n phosec c3h3 hcn 3.30e-18 0.00 1000.0 c4h4n phosec c3h3 hnc 3.30e-18 0.00 1000.0 c4h4n photon c2h2 c2h2 n 3.30e-12 0.00 1.8 c4h4n photon c3h3 hcn 3.30e-12 0.00 1.8 c4h4n photon c3h3 hnc 3.30e-12 0.00 1.8 ch c4h4n c4h5n c 5.00e-07 0.50 0.0
O novo resultado obtido aumenta em at´e quatro ordens de grandeza a abundˆancia do pirrol no estado gasoso, como mostra a figura 3.24. Este fato ´e significativo, pois ainda que n˜ao conhe¸camos todas as rea¸c˜oes de forma¸c˜ao e destrui¸c˜ao deste composto, podemos ver que adicionando apenas mais uma rea¸c˜ao de forma¸c˜ao temos uma abundˆancia muito maior e que, assim, seria mais facilmente detectada.
Por´em, em regi˜oes de g´as e poeira em envelopes de estrelas velhas, a polimeriza¸c˜ao do acetileno pode produzir benzeno, PAHs e grandes cadeias de carbono em part´ıculas de poeira (Cherchneff et al., 1992). N-heteroc´ıclicos podem ser formados como produtos da polimeriza¸c˜ao do acetileno. A substitui¸c˜ao do intermedi´ario C2H2 pelo HCN pode levar a
incorpora¸c˜ao direta de um ´atomo de nitrogˆenio dentro de um anel arom´atico (Ricca et al., 2001), formando piridinas. Devido `a pequena fra¸c˜ao HCN/C2H2 encontrada nestes en-
Figura 3.23:Abundˆancia do pirrol, acrescentando a produ¸c˜ao a partir da s–triazina, ao longo da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
Figura 3.24: Diferen¸ca entre a abundˆancia do pirrol quando estimado apenas pelas rea¸c˜oes vistas na tabela 3.5 e quando estimado incluindo as rea¸c˜oes da tabela 3.6.
velopes, este cen´ario prediz menores abundˆancias de mol´eculas arom´aticas contendo mais de um ´atomo de nitrogˆenio por anel, como a pirimidina (dois nitrogˆenios) e a s-triazina (trˆes nitrogˆenios) (Peeters et al., 2005). Tendo isto em vista, embora o cen´ario que cont´em
a forma¸c˜ao do pirrol incluindo as rea¸c˜oes da tabela 3.6 produza maior abundˆancia desta mol´eculas, ele ainda ´e limitado, j´a que ele envolve rea¸c˜oes com a s-triazina.
Contudo, este resultado ´e bastante expressivo, pois mostra a possibilidade de fazermos inferˆencias para a qu´ımica interestelar a partir de atmosferas planet´arias, em particular de Tit˜a, que possui uma atmosfera densa e fria, na qual Soorkia et al. (2010) estudou os processos de rea¸c˜ao do CH na fase gasosa que podem levar a forma¸c˜ao de piridina a partir do pirrol.
3.9 Piridina
A piridina (C5H5N ) ´e percursora de importantes nucleobases. Como o pirrol (C4H5N )
e a piridina s˜ao as mol´eculas arom´aticas heteroc´ıclicas mais simples de 5 e 6 membros, a sua investiga¸c˜ao ´e fundamental para a compreens˜ao da s´ıntese de esp´ecies c´ıclicas mais complexas do meio interestelar. S˜ao compostos bastante semelhantes ao benzeno, por´em a inclus˜ao do nitrogˆenio em seu anel arom´atico induz um momento de dipolo permanente, que permite que esta mol´ecula seja observada com um espectro puramente rotacional (Peeters et al., 2005).
Para esta importante mol´ecula, no modelo fotoqu´ımico de Krasnopolsky (2009) h´a uma ´
unica fonte dada pela rea¸c˜ao do etano com o radical C3N , conforme mostrado na tabela
3.7. Dessa forma, foi acrescentada tal rea¸c˜ao no modelo para a Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo e obteve-se o resultado apresentado na figura 3.25.
Tabela 3.7 -Forma¸c˜ao da piridina a partir do etano para Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
Reagentes Produtos γ α β
c3n c2h6 c5h5n h 4.00e-10 0.00 0.0
Como podemos ver da figura 3.25 as abundˆancias derivadas para a piridina s˜ao pratica- mente nulas, o que decorre do fato da abundˆancia do etano na Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo ser bastante baixa, como podemos ver na figura 3.26, que permite verificar a importˆancia dos principais hidrocarbonetos na Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
Figura 3.25: Abundˆancia da piridina a partir do etano ao longo da Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo.
Figura 3.26: Abundˆancia dos principais hidrocarbonetos na Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo (incluindo o CH).
Os resultados obtidos para o etano, mostram que realmente a abundˆancia deste para a Nebulosa Cabe¸ca de Cavalo ´e a menor abundˆancia dentre os hidrocarbonetos comuns com dois carbonos, e de fato, sua abundˆancia n˜ao seria capaz de produzir uma quantidade
significativa de piridina na regi˜ao. No caso dos estudos realizados por Krasnopolsky (2009), estes se referem `a atmosfera de Tit˜a, onde a abundˆancia desta esp´ecie ´e muito maior devido `a atmosfera desta lua ser rica em hidrocarbonetos.
Contudo, uma importante rea¸c˜ao de forma¸c˜ao da piridina, atrav´es da rea¸c˜ao do CH com o pirrol, foi estudada por Soorkia et al. (2010), que derivou uma constante de rea¸c˜ao κ = 4 × 10−11 cm3s−1. Embora as rea¸c˜oes de forma¸c˜ao e destrui¸c˜ao envolvendo estas
mol´eculas n˜ao sejam bem conhecidas no meio interestelar, h´a alguns experimentos de laborat´orio com a piridina que foram realizados com vista `as condi¸c˜oes do meio interestelar ou podem ser aplicados nessas condi¸c˜oes.
A se¸c˜ao de choque para a dissocia¸c˜ao da piridina foi calculada por Peeters et al. (2005) como 1.2 × 10−17 cm2 em cerca de 1800 ˚A para a lˆampada de fluxo de hidrogˆenio uti-
lizada em seus experimentos (Cottin et al., 2003). Contudo o trabalho n˜ao distingue os fragmentos e nem a faixa de comprimentos de onda ∆λ em que ocorre a fotodissocia¸c˜ao. Essas propriedades, contudo, podem ser derivadas de outros trabalhos (Lin et al. (2005), Ni et al. (2007) e Vall–llosera et al. (2008)). Assim, podemos adotar ∆λ = 500˚A, o que implica uma taxa de fotodissocia¸c˜ao total de 1.2 × 10−11 s−1. H´a tamb´em v´arios canais
para a fotodestrui¸c˜ao. Lin et al. (2005) identificou, em termos de massa dos fragmentos, seis canais, mas nem todos com os produtos univocamente determinados em virtude da dificuldade em se discernir entre isomeros de mesma massa. Consideramos neste trabalho os trˆes canais principais, com produ¸c˜ao de CH2CN , HC3N e CH2CHCN .