CMMI-DEV CMMI-AQC CMMI-SVC Process and Product
4 O MODELO PARA SAAS COLABORATIVO
Este capítulo tem como objetivo apresentar o Modelo desenvolvido nesta tese, detalhando as suas características. O processo do seu desenvolvimento é apresentado no capítulo a seguir.
O Modelo desenvolvido nesta tese é bidimensional, possuindo a dimensão de processos e a dimensão de capacidade e maturidade. Essas duas dimensões definem os critérios que, com base em um PRM definido, indicam as habilidades necessárias para que um processo seja melhorado, auxiliando assim a empresa a atingir seus objetivos.
A dimensão dos processos foi dividida em duas partes: a parte dos processos colaborativos e a parte dos processos de desenvolvimento de serviços de software. Essas duas partes foram definidas para suprir o cenário SaaS Colaborativo, que na parte de SaaS o Modelo visou abranger os processos de desenvolvimento de serviços e na parte da Colaboração visou abranger os processos necessários para que essa parceria ocorresse. Como essas duas partes são distintas, ou seja, acontecem em momentos diferentes e tem propósitos diferentes, optou- se em separar esses processos.
Desta forma, a empresa provedora SaaS que decidir adotar o Modelo pode optar por apenas implementar e melhorar os processos de desenvolvimento serviços, os processos colaborativos ou ambos. O objetivo principal do Modelo é que os provedores, ao adotá-lo, tenham uma melhor base na qual se apoiar para melhorarem os seus processos de desenvolvimento de serviços. Adicional e complementarmente, os provedores passam a ter uma base sobre como devem colaborar, aumentando assim suas chances de participarem em colaborações com outros provedores e, por conseguinte, de maiores negócios.
A Figura 21 apresenta a lista completa dos processos de serviços e colaborativos do Modelo proposto.
Figura 21 - Dimensão de processos do Modelo Fonte: própria
Cada um dos processos foi especificado para que eles pudessem ser melhor compreendidos e implementados. A estrutura da especificação dos processos e o layout estão alinhados à norma ISO/IEC 15504. Fazem parte dessa especificação: (i) Identificador do processo (ID): código gerado por três letras e um número sequencial. As letras provém do grupo de processos na qual o processo está inserido; (ii) Propósito (purpose): define o propósito de um dado processo; (iii) Práticas-base (Base Practices): é uma atividade que direciona ao propósito de um processo em particular; e (iv) Resultado (outcomes): resultados esperados para cada processo.
A codificação das práticas-base foi gerada apartir das três letras do ID, adicionado com “BP” (de Base Practice) e uma sequência numeral, por exemplo: CRE.2.BP1 (“CRE”, da categoria Creation). As categorias foram criadas para agrupar os processos de acordo com onde devem ser executados dentro do ciclo de vida de um trabalho colaborativo.
Assim, os processos colaborativos foram agrupados nas seguintes fases: Creation, Operation & Evolution e Dissolution. Já os processos de serviços foram agrupados em: Agreement Processes, Project Proces, Development Processes, Reuse Processes, Quality Management Processes e Support Processes. Esses agrupamentos sao apresentados em mais detalhes no Capítulo 5.
A Figura 22 apresenta um dos processos do Modelo e a sua especificação.
Figura 22 - Especificação dos processos do Modelo Fonte: própria
A dimensão de capacidade e maturidade do Modelo pode também ser chamada de representação. O Modelo possui duas representações: a contínua e por estágios. A contínua, que é associada à dimensão Capacidade, possibilita que uma organização escolha uma determinada área de processo (ou grupo de áreas de processo) e melhore os processos relacionados a ela, permitindo melhorar em diferentes níveis. Esta ação de melhoria é caracterizada pelos níveis de capacidade. Já a representação por estágios (por vezes também denominada de estagiada), associada à dimensão Maturidade, utiliza conjuntos predefinidos de áreas de processo e objetivos para definir um caminho de melhoria para a organização e atingir um determinado nível de maturidade.
Os níveis de Capacidade do Modelo foram diretamente extraídos da norma ISO/IEC 15504, pois ela já define esses níveis e os
sugere para uso por outros modelos. Ou seja, os níveis podem ser utilizados para quaisquer processos, que é o caso da capacidade de um processo, quando ele é escolhido e então melhorado. No modelo proposto, esses níveis de capacidade são utilizados tanto para os processos colaborativos quanto para os processos de desenvolvimento de serviços de software. Os níveis de Capacidade são apresentados a seguir:
Level 0: Incomplete.
There is general failure to attain the purpose of the process. There are few or no easily identifiable work products or outputs of the process. Level 1: Performed.
The purpose of the process is generally achieved. The achievement may not be rigorously planned and tracked. Individuals within the organization recognize that an action should be performed, and there is general agreement that this action is performed as and when required. Level 2: Managed.
The process delivers work products according to specified procedures and is planned and tracked. Work products conform to specified standards and requirements. The primary distinction from the Performed Level is that the performance of the process now delivers work products that fulfil expressed quality requirements within defined timescales and resource needs.
Level 3: Established.
The process is performed and managed using a defined process based upon good software engineering principles. Individual implementations of the process use approved, tailored versions of standard, documented processes to achieve the process outcomes. The resources necessary to establish the
process definition are also in place. Level 4: Predictable.
The defined process is performed consistently in practice within defined control limits, to achieve its defined process goals. Detailed measures of performance are collected and analyzed. This leads to a quantitative understanding of process capability and an improved ability to predict and manage performance. Performance is quantitatively managed.
Level 5: Optimizing.
Performance of the process is optimized to meet current and future business needs, and the process achieves repeatability in meeting its defined business goals. Quantitative process effectiveness and efficiency goals (targets) for performance are established, based on the business goals of the organization.
Continuous process monitoring against these goals is enabled by obtaining quantitative feedback and improvement is achieved by analysis of the results.
Quadro 1 - Níveis de Capacidade Fonte: (ISO/IEC, 2002)
Já os níveis de Maturidade tiveram que ser concebidos exclusivamente para este Modelo, já que aqui, agrupamentos de processos eram necessários para que as empresas provedoras SaaS pudessem implementar grupos de processos para entao atingir determinados níveis de maturidade. Como os processos foram separados em colaborativos e de serviços, foram criados níveis de maturidade para cada um (Figura 23 e 24).
Foram cinco os níveis de Maturidade (ML – Maturity Level) criados, seguindo a recomendação da norma ISO/IEC 15504. A distribuição dos processos em cada nível foi baseada em uma priorização realizada durante o desenvolvimento do Modelo, detalhada no capítulo 5.
Figura 23 - Maturidade dos processos Colaborativos Fonte: própria
Figura 24 - Maturidade dos processos de Serviços Fonte: própria
Para implementar os processos em seus grupos de maturidade, foram definidos níveis que cada processo deve alcançado ao longo do seu ciclo de vida. Esses níveis foram diretamente extraídos da norma ISO/IEC 15504, como segue: