CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO
2. As Competências Emocionais
2.3. Modelo Pentagonal de Competências Emocionais
No contexto da construção das competências emocionais, Bohnert, Crnic e Lim (2003) expõem as competências do foro emocional como sendo constituídas por um conjunto de capacidades relacionadas entre si, mas que, segundo Bisquerra (2009), a sua construção encontra-se em constante processo de análise e revisão. De acordo com este modelo de Bisquerra “las competências emocionales se estructuran en cinco grandes competências o bloques: conciencia emocional, regulación emocional, autonomia personal, competência social y habilidades de vida para el bienestar” (Bisquerra, 2009, p. 147). Sendo por isso, denominado de modelo pentagonal de competências emocionais, representado na figura seguinte.
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Figura 15 – Modelo pentagonal de Competências Emocionais
De seguida proceder-se-á a uma breve explicação de cada uma destas competências, dado que em cada uma delas existem aspetos mais específicos denominados por microcompetências (Bisquerra, 2009).
2.3.1. Consciência Emocional
A consciência emocional pode ser definida como o conhecimento das nossas próprias emoções e das emoções de outras pessoas, através de uma auto-observação e de uma observação direta das pessoas que nos rodeiam (Bisquerra & Pérez, 2007). Inclui também a capacidade de captar o clima emocional de um determinado contexto. No fundo, e segundo os mesmos autores, a consciência emocional passa pela tomada de consciência e designação das próprias emoções e pela compreensão das emoções e perspetivas das pessoas que nos rodeiam, e, consequentemente, pelo envolvimento de forma empática nas suas vivências emocionais. A consciência emocional é, assim, o primeiro passo a experienciar antes de se passarem às outras competências, isto é, a consciência emocional é a primeira etapa para podermos atingir as outras competências (GROP, 2010).
Ainda, no que respeita à competência da consciência emocional, Bisquerra (2009) acrescenta que a tomada consciência das próprias emoções é imprescindível para perceber com precisão os próprios sentimentos e emoções, identificando-os e categorizando-os.
Um dos passos seguintes no que se refere a este processo de tomada de consciência das emoções, contempla o nomear das emoções, usando o vocabulário emocional adequado. Depois da tomada de consciência das próprias emoções, será necessário compreender as emoções dos outros, com precisão, envolvendo-se empaticamente nas suas vivências
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emocionais (Moreira, 2016; Queirzós, 2014). É necessário ainda proceder à tomada de consciência da interação existente entre as emoções, a cognição e o comportamento, dado que os estado emocionais influenciam o comportamento e, este, por sua vez, influencia a emoção, sendo ambos regulados pela cognição. A emoção, a cognição e o comportamento estão em constante interação (Bisquerra, 2009).
2.3.2. Regulação Emocional
A regulação emocional é a capacidade que cada indivíduo possui para gerir, avaliar e regular as emoções que está a sentir (Pacheco, 2015). À medida que vamos evoluindo no processo de crescimento, vamos adquirindo competências, como a capacidade de perceber, de avaliar e de expressar as emoções, que contribuem para a anteriormente referida consciência emocional que, por sua vez, permite desenvolver a capacidade de nos regularmos emocionalmente (Salovey & Mayer, 1990). Ainda na mesma linha de pensamento dos mesmos autores, a regulação emocional baseia-se na habilidade de avaliar e controlar as emoções, isto é, na competência para expressar as emoções e de regular e transformar as reações emocionais, dando uma resposta eficaz a um problema. Segundo Bisquerra e Pérez (2007), significa a atribuição de uma resposta adequada às emoções que vivenciamos. Deste modo, a regulação emocional representa um sistema fundamental ao desenvolvimento saudável dos indivíduos, através do recurso a estratégias que assegurem um funcionamento ajustado, informando o indivíduo a respeito do seu estado interno (Almeida, 2006).
2.3.3. Autonomia Emocional
A autonomia emocional é um conceito amplo que inclui, entre outras características relacionadas com a autogestão emocional, a autoestima (ter uma boa imagem de si mesmo), a atitude positiva perante a vida (ser otimista), a responsabilidade (comportar- se de forma ética e responsabilizar-se pela sua tomada de decisões), a capacidade para analisar de forma crítica as normas sociais (mensagens sociais e culturais) e para procurar ajuda e recursos à autoeficácia emocional (Bisquerra, 2009). De acordo com Bisquerra e Pérez (2007), a autoeficácia emocional diz respeito à capacidade de um indivíduo entender-se a si próprio aliada à capacidade de sentir-se como deseja, de acordo com os seus valores morais. Vive, assim, concluem os autores, em consonância
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com a sua teoria pessoal das emoções e mostra resiliência quando enfrenta situações adversas da vida.
2.3.4. Competência Social
As competências sociais resultam da avaliação de um comportamento social adequado, sendo influenciadas pelas relações interpessoais que alteram de cultura para cultura e através de variáveis como o sexo, a idade, o nível socioeconómico e a habilitação académica (Freitas, Simões & Martins, 2011). Dito de uma forma simples, a competência social traduz-se na capacidade de um indivíduo em manter uma boa relação com as outras pessoas (Bisquerra & Pérez, 2007). Segundo os mesmos autores, esta capacidade implica que o indivíduo domine as habilidades sociais (por exemplo, escutar, manifestar agradecimento, promover o diálogo, entre outros), que tenha uma boa capacidade de comunicação recetiva e expressiva, que possua a capacidade de partilhar emoções, que demonstre respeito pelos outros (aceitando as diferenças e valorizando os direitos humanos), que assuma comportamentos pro-sociais e de cooperação e que seja assertivo (com comportamentos equilibrados), por exemplo, na prevenção e solução de conflitos. Estes comportamentos sociais possibilitam ao indivíduo construir relações interpessoais satisfatórias e adaptar-se às diversas situações sociais de forma eficaz e ajustada, favorecendo a aceitação pelos pares (Lopes, Rutherford, Cruz, Mathur & Quinn, 2006). Por sua vez, a promoção desta competência permite desenvolver no indivíduo o interesse, a confiança em si mesmo e uma perspetiva de futuro positiva (Freitas, Simões & Martins, 2011).
2.3.5. Competências para a vida e o bem-estar
As competências para a vida e o bem-estar dizem respeito à capacidade de um indivíduo para adotar comportamentos adequados e responsáveis como resposta aos desafios diários do dia-a-dia, tanto pessoais, como profissionais e sociais (Bisquerra & Pérez, 2007). Na opinião de Bisquerra (2012), trata-se de um conjunto de valores, atitudes e habilidades que promovem experiências satisfatórias de bem-estar pessoal e social e que nos permitem organizar a vida de forma saudável e equilibrada.
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