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2.2 M´etodos de previs˜ao do m´ıldio na videira

2.2.2 Modelo POM

onde:

Um : humidade relativa do ar di´aria;

T : temperatura m´edia do dia;

UM : humidade relativa do ar m´edia do mˆes, em 20-30 anos;

T M : temperatura m´edia do mˆes, em 20-30 anos.

2.2.2

Modelo POM

O modelo POM – Previs˜ao de ´Otimo de Matura¸c˜ao – criado para a regi˜ao francesa de Bord´eus, em 1987, por C´ecile Sung [63], foi ensaiado em regi˜oes Francesas, como Champagne [33] e experimentado em outros pa´ıses, principalmente em It´alia [67]. A vari´avel deste modelo ´e apenas uma, a precipita¸c˜ao que ocorre entre 21 Setembro e 31 de Janeiro, e o seu objectivo ´e determinar a data do per´ıodo ´otimo de ma- tura¸c˜ao dos o´osporos, sem ser necess´ario qualquer observa¸c˜ao. Este modelo permite quantificar, a partir de 1 de Fevereiro, qual a gravidade e possibilidade de ataques na Primavera, sendo que, quanto mais cedo ocorrer a matura¸c˜ao dos ´oosporos, mais forte ser´a o ataque do m´ıldio [6, 48, 53].

Na opini˜ao da autora do POM, sendo a chuva elevada e bem distribu´ıda entre final de Setembro e Janeiro, permite explicar a previs˜ao de riscos elevados relativos `a matura¸c˜ao precoce dos o´osporos mas, no entanto, n˜ao permite prever quando ´e que o m´ıldio se ir´a declarar uma vez que, este est´a dependente do clima que ir´a decorrer na Primavera (ver Tabela2.1e Figura2.3). Relativamente a Portugal, Albino Bento [55] aplicou este m´etodo na regi˜ao do Douro, obtendo resultados incertos, isto ´e, em alguns anos o m´etodo estava correto e em outros j´a n˜ao.

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Em suma, diferentes autores dizem poder ser interessante usar este modelo como complemento a outros. Embora o POM n˜ao permita obter uma estimativa concreta da possibilidade de surgir m´ıldio da videira na Primavera [6, 25, 32, 33, 48, 53], poder´a, por´em, ser interessante para o SNAA na determina¸c˜ao da data de matura¸c˜ao dos o´osporos.

2.2.3

Modelo PCOP

O modelo denominado PCOP – Previs˜ao das Contamina¸c˜oes Prim´arias –, foi criado para a regi˜ao de Bord´eus, em 1987 [25,33,67]. O modelo PCOP faz uso de valores di´arios de precipita¸c˜ao e de temperatura m´edia, desde o momento que os o´osporos atingem a matura¸c˜ao, para assim determinar as datas de germina¸c˜ao, esporula¸c˜ao e das primeiras infec¸c˜oes (ver Tabela 2.1 e Figura 2.3).

A autora afirma que o ensaio realizado com o modelo ´e aceit´avel, mas as datas determinadas n˜ao coincidem com as observadas, embora estejam pr´oximas. Al´em disto, tal como acontece no POM, o modelo PCOP tem apenas interesse como com- plemento a outros, dado n˜ao abranger todas as fases do ciclo de vida do fungo [53].

2.2.4

Modelo PALM

O modelo PALM – Plasmopara Artificial Life Model –, foi desenvolvido em Portugal por uma equipa do Instituto Superior T´ecnico (IST) liderado por Agostinha Rosa e Lu´ıs Mourinha, e consiste numa metodologia completamente distinta, baseada no desenvolvimento de uma popula¸c˜ao virtual do fungo, considerando modelos do m´ıldio (fase sexuada e assexuada, Tabela 2.1 e Figura 2.3), e a videira, isto ´e, a casta, o porta-enxerto, caracter´ısticas do solo e as t´ecnicas culturais, e tendo em conta a influˆencia da precipita¸c˜ao, temperatura e humidade relativa do ar [54].

Este modelo ´e recente estando ainda em fase de ensaio, onde algumas das vari´aveis utilizadas s˜ao dificeis de definir e podem levar `a obten¸c˜ao de erros de previs˜ao elevados. Por outras palavras, na perspectiva da engenharia n˜ao se torna vi´avel a

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sua aplica¸c˜ao, pelo menos, `a data actual.

Figura 2.3 – Modelos de dete¸c˜ao da epidemia do mildio e as respectivas fases de aplica¸c˜ao, no ciclo da videira e do fungo [8].

2.2.5

Modelo MILVIT

O modelo MiLVIT – MILdio das VIT´aces – surgiu em 1988, a pedido do Servi¸co Regional da Prote¸c˜ao das Plantas da Borgonha com o intuito de melhorar a previs˜ao da ocorrˆencia da doen¸ca. ´E um modelo quantitativo e descritivo dos ciclos infeciosos das fases primaveril do m´ıldio da videira. A sua implementa¸c˜ao para valida¸c˜ao foi em regi˜oes francesas, como por exemplo: Borgonha, Champanhe, Nimes, Bordelais [14,20,35, 46].

A base deste modelo ´e a utiliza¸c˜ao de dados de precipita¸c˜ao, temperatura e humidade relativa, possuindo uma estrutura ramificada e decalcada do ciclo biol´ogico, com as seguinte fases: contamina¸c˜ao/sobrevivˆencia, incuba¸c˜ao/esporula¸c˜ao potencial, esporula¸c˜ao e dispers˜ao dos esporos [14,35, 46].

O MILVIT apenas abrange a fase assexuada (ver tabela 2.1) [46]. Isto significa que ´e um bom complemento a qualquer m´etodo que permita determinar a infe¸c˜ao

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prim´aria, j´a que a infec¸c˜ao secund´aria s´o pode ocorrer se j´a houver focos da con- tamina¸c˜ao prim´aria. Ao se trabalhar depois de surgir a primeira contamina¸c˜ao, significa que j´a h´a forte possibilidade de existirem perdas, uma vez que a vinha j´a se encontra afetada. Assim sendo, este modelo n˜ao ser´a o mais indicado para o pre- sente trabalho, caso seja aplicado sozinho, mas pode ser interessante para enriquecer trabalhos relativos `a fase sexuada.

Tabela 2.1 – Modelos de dete¸c˜ao do m´ıldio da videira e respectivas fases de aplica¸c˜ao. Forma¸c˜ao

dos o´osporos

Previs˜ao da data de matura¸c˜ao dos o´osporos e gravi- dade dos focos

Matura¸c˜ao dos o´osporos

Previs˜ao da data da primeira infe¸c˜ao Previs˜ao da data da segunda infe¸c˜ao POM × × PCOP × × MILVIT × EPI × × × × × PALM × × × × ×

Per´ıodo Outono Inverno Inverno / Primavera

Primavera Ver˜ao

2.2.6

Infe¸c˜ao prim´aria

Para que ocorra a infe¸c˜ao prim´aria do m´ıldio da videira, s˜ao necess´arias determinadas condi¸c˜oes. Uma delas ´e a precipita¸c˜ao, por ser fulcral para que haja a liberta¸c˜ao dos zo´osporos, pois ´e a for¸ca dos salpicos que faz com que os zoosporos atinjam a videira dando-se, desta forma, a contamina¸c˜ao da videira atrav´es da emiss˜ao do tubo germinativo. Por esta raz˜ao, os principais alvos da infe¸c˜ao prim´aria do m´ıldio da videira s˜ao as folhas mais pr´oximas do solo [7, 51].

O m´etodo denominado por ”Regra 3–10”, ou modelo de Baldacci (1947), ´e muito utilizado na Europa tendo sido desenvolvido no norte de It´alia, e representa um

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m´etodo de estimativa de risco para as infe¸c˜oes prim´arias de P. viticola. Esta regra faz uso das seguintes condi¸c˜oes, que ter˜ao de ocorrer de forma simultˆanea [11]:

• Tamanho dos pˆampanos superior a 10 mm;

• Temperatura m´edia dos ´ultimos dois dias superior a 10o

C;

• Acumula¸c˜ao de precipita¸c˜ao pelo menos 10 mm de chuva durante um a dois dias;

Na perspetiva da Engenharia ´e um modelo muito interessante de se aplicar, pois faz uso de vari´aveis concretas, cujo dados necess´arios se conseguem obter atrav´es de sensores, em tempo real, o que permite aplicar esta regra e obter uma estimativa do grau de risco para um determinado momento.

2.2.7

Modelo Goidanich

Este modelo foi criado por Gabriele Goidanich [30], em 1959, e baseia-se no c´alculo do desenvolvimento do fungo, uma vez verificada a infe¸c˜ao prim´aria. Para a sua implementa¸c˜ao, ´e necess´ario ter as seguintes considera¸c˜oes:

• Dispor de diversas esta¸c˜oes meteorol´ogicas, o que permite recolher v´arios dados da regi˜ao em estudo;

• Dete¸c˜ao precoce dos primeiros sinais de m´ıldio na videira, ou seja, dete¸c˜ao de infe¸c˜oes prim´arias, seja por observa¸c˜ao, seja por meio de um modelo como o EPI ou a ”Regra 3–10”;

• Os alertas produzidos por este modelo devem ser preventivos, informando que existem danos na videira antes do fungo atingir 100% de desenvolvimento.

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• M´edia da humidade relativa do ar;

• M´edia da temperatura;

• Acumula¸c˜ao da precipita¸c˜ao di´aria.

Os dois primeiros parˆametros permitem determinar a percentagem di´aria de desen- volvimento de P. viticola, como se pode ver na Tabela 2.2, enquanto que o ´ultimo parˆametro d´a a possibilidade de verificar qual o fungicida que pode atuar devida- mente sobre a doen¸ca. O funcionamento do modelo faz uso da soma acumulada do desenvolvimento di´ario do fungo. Se esta exceder os 70%, o risco de preju´ızos na videira ´e alto sendo por isso, necess´ario intervir o mais r´apido poss´ıvel. Caso o fungicida seja aplicado, o desenvolvimento ´e reiniciado e suspenso de ser calculado por um certo n´umero de dias, ou at´e que o produto aplicado tenha sido lixiviado pela chuva. Este per´ıodo depende do tipo de tratamento e da substˆancia ativa isto ´e, os per´ıodos s˜ao diferenciados de acordo com o tipo de tratamento.

Produto de contacto – A sua efic´acia tem uma dura¸c˜ao de cerca de seis dias. Caso ocorram precipita¸c˜oes ap´os ser aplicado, se o somat´orio das mesmas, num m´aximo de trˆes dias, for superior a 10 l/m2

, o produto ´e lixiviado e perde toda a sua efic´acia.

Produtos penetrantes – A sua efic´acia tem uma dura¸c˜ao m´axima de dez dias, mas se existir precipita¸c˜ao antes de passar uma hora ap´os ter sido aplicado, este perde toda a sua efic´acia. Por outro lado, o produto mant´em a sua plena efic´acia se a precipita¸c˜ao acumulada, num m´aximo de trˆes dias, n˜ao exceda os 40 l/m2

. Caso esta barreira seja excedida, a efic´acia ser´a perdida de forma proporcional at´e atingir 100 l/m2

, podendo reduzir em 20% a sua eficiˆencia, o que significa que o per´ıodo m´aximo de efic´acia dura apenas oito dias. No pior cen´ario, se a precipita¸c˜ao exceder os 100 l/m2

(situa¸c˜ao improv´avel), a efic´acia do produto ser´a totalmente perdida e o ciclo de desenvolvimento recome¸car´a, isto se a colheita n˜ao tiver j´a sido totalmente destru´ıda.

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Produtos sist´emicos – O comportamento destes produtos em termos do per´ıodo de a¸c˜ao ´e semelhante ao dos penetrantes, com a ´unica diferen¸ca de que o per´ıodo m´aximo de persistˆencia ´e de catorze dias e o m´ınimo ser´a dez.

2.2.8

Infe¸c˜ao secund´aria

Como foi referido anteriormente, a infe¸c˜ao secund´aria surge ap´os o aparecimento da infe¸c˜ao prim´aria e est´a dependente da temperatura, humidade relativa do ar e ausˆencia de horas de luz. Segundo Morando [45], para que esta ocorra ´e essencial uma humidade abundante ou at´e mesmo um forte orvalho. Outros autores [11,

19, 36], afirmam que orvalhos intensos tˆem grande influˆenciam, principalmente nos ambientes protegidos. Estas infe¸c˜oes ocorrem normalmente de manh˜a, uma vez que os zo´osporos surgem, habitualmente, `a noite [49]. O que leva a verificar o segundo sintoma, ap´os a ocorrˆencia da primeira infe¸c˜ao, que ´e a existˆencia de esporula¸c˜ao. Para que isso ocorra ´e preciso [2, 12, 13]:

• Humidade relativa do ar superior a 92%; • Temperatura do ar igual ou superior a 11o

C; • Ausˆencia de luz igual ou superior a 4 horas.

Desta forma, uma vez atingida a infe¸c˜ao prim´aria e a esporula¸c˜ao, verifica-se existe possibilidade de ocorrˆencia da infe¸c˜ao secund´aria. Segundo [2,13,30,49], admite-se que estas podem ocorrer se o produto da temperatura m´edia do per´ıodo de tempo considerado pelo n´umero de horas de humecta¸c˜ao for igual ou superior, a 50. Caso esta condi¸c˜ao se verifique pode-se estar perante a ocorrˆencia da infe¸c˜ao secund´aria.

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Tabela 2.2 – Desenvolvimento di´ario do fungo P. viticola (Tabela de Goidanich) [30]. Temperatura Humidade relativa Humidade relativa

m´edia (o C) (%) <75% (%) >75% 12.00 0.0 5.25 12.25 4.4 5.75 12.50 4.7 6.20 12.75 5.0 6.70 13.00 5.3 7.10 13.25 5.7 7.70 13.50 6.0 8.00 13.75 6.4 8.50 14.00 6.6 9.00 14.25 6.8 9.40 14.50 7.1 9.70 14.75 7.3 10.2 15.00 7.6 10.6 15.25 7.8 10.8 15.50 8.1 11.1 15.75 8.3 11.3 16.00 8.5 11.7 16.25 9.0 12.0 16.50 6.3 12.5 16.75 9.6 12.9 17.00 10.0 13.25 17.25 10.3 13.6 17.50 10.5 14.3 17.75 10.75 14.75 18.00 11.1 15.3 18.25 11.48 15.2 18.50 11.7 16.0 18.75 12.1 16.3 19.00 12.5 16.6 19.25 12.9 17.5 19.50 13.4 18.3 19.75 13.7 19.3 20.00 14.2 20.0 20.25 14.5 20.5 20.50 14.8 21.0 20.75 15.0 21.5 21.00 15.3 22.2 21.25 15.7 22.2 21.50 16.0 22.2 21.75 16.3 22.2 22.00 16.6 22.2 22.25 17.0 22.2 22.50 17.3 23.5 22.75 17.7 24.4 23.00 18.1 25.0 23.25 18.1 25.0 23.50 18.1 25.0 23.75 18.1 25.0 24.00 17.7 24.3 24.25 17.3 23.5 24.50 17.0 23.2 24.75 16.6 22.2

2.3. FORMAS DE LUTA CONTRA O M´ILDIO DA VIDEIRA 23

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