CAPÍTULO III MODELOS APLICADOS
3.3 MODELO PROPOSTO DE COBRANÇA
A proposta apresentada neste trabalho seguirá a estrutura dos mecanismos de cobranças existentes, que considera como base de cálculo os volumes outorgados para captação e lançamento. Os modelos utilizados em bacias federais e no Estado da Paraíba foram discutidos no item 2.3. Processo Interativo de Avaliação de pedidos p=número total de pedidos? Fim
Cálculo dos parâmetros de evaporação
Calcular garantias do pedido p Alocação anterior =
p K K R 1 Entrada de dados:Caract. dos Reservatórios; Relação Área – Volume Afluências Evaporação Pedidos de outorga Salvar resultados em arquivo Plotar Gráficos Não S im p =1 Alocação anterior = 0
Ler demandas do pedido p Avaliar pedido p via modelo de otimização Rp = alocação de pedidos p obtidos pela otimização
Neste sentido, propõe-se a seguinte formulação para a cobrança pelo uso da água bruta na bacia hidrográfica do rio Paraíba:
Valortotal = Valorcap + Valorlanç (3.22) Onde:
Valortotal = valor anual total de cobrança, em R$/ano;
Valorcap = valor anual de cobrança pela captação de água, em R$/ano;
Valorlanç = valor anual de cobrança pelo lançamento de carga orgânica, em R$/ano;
Igualmente ao que foi adotado bacia hidrográfica do Rio Doce não será considerada a parcela consumo no equacionamento da cobrança pelo uso da água bruta na bacia hidrográfica do rio Paraíba também pelo fato da imprecisão para calcular o volume de consumo considerando a dificuldade de se obter retorno da água ao corpo hídrico e consequentemente o consumo do usuário irrigante, além de proporcionar uma pequena indução ao uso racional da água, já que o usuário tem pouca sensibilidade quanto a diferença das parcelas captação e consumo. O aspecto do consumo estará contemplado em forma de coeficiente da parcela da captação, conforme será visto em seguida.
Proposta de valor da cobrança pela captação de água bruta
Valorcap= Qcap out x PUBcap x Kcap + max(0, (Kreservx Qcap out - Qcap med)) x PUBcap x Kextra
(3.23) Onde:
Valorcap = valor anual de cobrança pela captação de água, em R$/ano; Q
cap out= volume outorgado anual para cada tipo de uso (m³); PUB
cap = Preço unitário para cada tipo de uso (R$/m 3
); K
cap= X1.X2.X3.X4.X5
K reserv = Valor máximo do volume anual de água captado medido em relação ao volume anual captado outorgado, definido pelo comitê, por tipo de uso;
Q
cap med= Volume captado (utilizado) medido ou informado pelo usuário (m³);
K
Similar ao que foi proposto pelos comitês do Paraíba do Sul e do PCJ e visando desestimular a criação de “reservas de água” propõe-se um tratamento diferenciado para os usuários cujo volume anual de água captado medido for inferior a KreservxQcapout (volume anual de água captado outorgado). Como exemplo, adotando-se Kreserv=0,7, é acrescida a parcela de volume a ser cobrado correspondente à diferença entre 0,7 x Qcapout e Qcapmed, com um diferencial em relação às propostas dos referidos comitês quanto a determinação do K
extra, o qual poderá ser variável, conforme determinado abaixo: Para:
Q
cap med/ Qcap out ≥ Kreserv, então Kextra = 1 Quando:
Q
cap med/ Qcap out< Kreserv, então Kextra >1 e é calculado pela seguinte fórmula: K
extra = 1 + (Kreserv x Qcapout - Qcapmed) / Qcapout
Coeficientes de ponderação
Os coeficientes de ponderação tiveram por base os estudos apresentados pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tietê Jacaré (CBH-TJ, 2009) e estudos da SABESP - Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP, 2008), além dos sugeridos pela autora, de forma a considerar características diversas que permitem a diferenciação dos valores a serem cobrados, servindo, de mecanismos de incentivo aos usuários para o uso racional da água.
Coeficientes para Captação
Natureza do corpo d'água, superficial ou subterrâneo - X1
Por estes índices, pode-se avaliar qual tipo de captação está, no momento, sendo preferencialmente utilizada e com isso, privilegiar ou desestimular sua utilização.
Classe de uso preponderante em que estiver enquadrado o corpo d'água no local da captação –X2
Este critério terá maior representatividade após ser estabelecido o reenquadramento dos corpos d’água pelo Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba. Neste sentido propõe-se: Classe 1 - 1,02
Classe 2 - 1,0 Classe 3 – 0,98 Classe 4 – 0,95
Disponibilidade hídrica local – X3
Tem como parâmetro de definição o Índice de Ativação da Disponibilidade (IAD), que relaciona a Disponibilidade Atual e a Disponibilidade Máxima de água (IAD = DispAtual/DispMáx), conforme determinado pelo Plano Estadual de Recursos Hídricos (AESA, 2006). Quando o IAD para a área de estudo tem o valor de 0,7, indicando que 70% da água disponível está sendo explorada. Os valores propostos para o coeficiente são:
IAD X3 Categoria da disponibilidade 0 < IAD < 0,5 0,98 Alta
0,5 ≤ IAD < 0,9 1,0 Média 0,9 ≤ IAD ≤ 1,0 1,02 Baixa
Garantia da vazão outorgada por reservatórios – X4
Propõe-se os seguintes valores para o coeficiente, no sentido de se cobrar menores valores quanto menor for a garantia do volume outorgado:
100% de garantia x4 = 1,0 entre 95% e 100% x4 = 0,98 entre 90% e 95% x4 = 0,95
Eficiência do sistema ou consumo efetivo – X5
Este coeficiente visa incentivar o usuário a fazer uso de sistemas mais eficientes, minimizando as perdas. No caso de usuários irrigantes, o coeficiente será definido com base na eficiência do sistema utilizado, definido na literatura. Quanto a empresas de saneamento, será considerado o percentual de perdas informado em publicações oficiais. O coeficiente visa minimizar a diferença em um volume efetivamente consumido em relação ao volume captado. Os usuários que apresentem baixa eficiência serão mais onerados.
perdas <=10% x5 = 1,0 entre 11% e 30% x5 = 1,025 entre 31% e 50% x5 = 1,050 entre 51% e 70% x5 = 1,075 perdas > 70% x5 = 1,100
Proposta de valor da cobrança pelo lançamento de efluentes
Valorlanç = Q
diluiç x PUBlanç x Klanç x Ktratament + Qdiluiç x PUBlanç x (Ktratament i–K
tratament i-1
) (3.24)
Onde:
Valorlanç = valor anual de cobrança pelo lançamento de carga orgânica, em R$/ano; Q
diluiç = volume outorgado anual para diluição de esgotos e demais efluentes (m³);
PUB
lanç = preço unitário cobrado para o lançamento de esgotos e demais efluentes (R$/m 3
); Klanç = Y1.Y2.Y3.Y4
Ktratament = 1+ (1- k2 x k3), onde:
K2 representa o percentual do volume de efluentes tratados em relação ao volume total de efluentes produzidos, ou a razão entre a vazão efluente tratada e a vazão efluente bruta;
K3 representa a eficiência de redução da carga orgânica (medida em demanda bioquímica de oxigênio – DBO) do efluente tratado pelo usuário. Valores adotados: K3 = 0,95 (0,50<DBO< 0,70); K3 = 0,98 (0,70 ≤ DBO<0,80); K3 = 1,0 (0,80 ≤ DBO ≤ 1,00).
Seguindo os critérios determinados em outros comitês, a cobrança pelo lançamento, diluição, e assimilação de efluentes utilizará o parâmetro DBO5,20.
Caso o usuário, durante o processo de renovação da outorga para lançamento de efluente, apresente um redução no valor de Ktratament em relação à outorga anterior, o que significaria um aumento do volume de efluente tratado em relação ao total produzido e ou redução da carga orgânica do efluente tratado, o usuário seria beneficiado com um decréscimo do valor cobrado pelo lançamento de efluente (Q
diluiç x PUBlanç x (Ktratament i –K
tratamenti-1). Desta forma, o usuário seria estimulado a promover melhorias no tratamento dos efluentes por ele produzidos.
Coeficientes de ponderação para lançamento de efluentes
Classe de uso preponderante do corpo d'água receptor – Y1
Igual ao coeficiente de captação X1, o Y1 terá maior representatividade após ser estabelecido um reenquadramento dos corpos d’água pelo Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba. Neste sentido propõe-se:
Classe 1 - 1,02 Classe 2 - 1,0 Classe 3 – 0,98
Classe 4 – 0,95
Vulnerabilidade dos aquíferos – Y2
Visa identificar o grau de vulnerabilidade natural dos aquíferos para evitar lançamento de efluentes em áreas em torno de poços sujeitas à contaminação. Para grau alto, Y2 = 1,05; grau médio Y2 = 1,02 e grau baixo; Y2 = 1,0.
Distância do lançamento – Y3
Para determinado ponto de lançamento considera-se as distâncias: pequena, média e grande, entendendo-se que ao longo das grandes distâncias pode-se haver depurações dos efluentes lançados. Adotar-se-ia os valores do coeficiente de Y3 iguais a 0,95; 1,0 e 1,05 para grande, média e pequenas distâncias do lançamento do efluente, respectivamente, ao ponto de captação.
Local do lançamento – Y4
Diferencia valores para os locais onde serão lançados os efluentes (açudes, rios, mananciais subterrâneos). Permite especificar o local onde será realizado o lançamento de efluente, caracterizando o impacto no meio. O aumento desta variável segue a seguinte ordem: rios: Y4=1,0; águas subterrâneas Y4=1,02; e açudes: Y4=1,05.
Em resumo, a formulação da cobrança pelo uso da água bruta proposta para a bacia hidrográfica do rio Paraíba é apresentada da seguinte forma:
Valortotal = [Q
cap out x PUBcap x Kcap + max (0, (Kreservx Qcap out - Qcap med)) x PUBcap x
K
extra] + [Qdiluiç x PUBlanç x Klanç x Ktratament + Qdiluiç x PUBlanç x (Ktratament i–K
tratament i-1