Satisfação das necessidades Racionalidade económica Análises da água baseadas em parâmetros físico-químicos
Análises aos parâmetros físico-químicos biológicos e testes de toxicidade Protecção de origens de água destinadas a consumo humano Protecção de todas as origens de água dumping ambiental confiando na capacidade regeneradora da natureza Procura de soluções de mitigação de poluição Controlo da poluição por via da legislação
ambiental Integração dos princípios ambientais em todas as políticas Visão quantitativa (quase em exclusivo)
Interacção dos aspectos quantitativos e
qualitativos
Visão isolada de águas doces e
marinhas
Visão integrada das águas doces e marinhas
Água gerida globalmente e de forma homogénea
Água gerida com base nas regiões e bacias
hidrográficas Soluções de "fim de linha" para os problemas de poluição Correcção dos problemas de poluição nas origens
Bem homogéneo Bem diferenciado
172
I
IVVPPAARRTTEE––
PPRROOPPOOSSTTAASSCCOONNCCLLUUSSIIVVAASS
1 111 –– CCOONNDDIIÇÇÕÕEESS PPAARRAA OO SSUUCCEESSSSOO NNAA DDEEFFIINNIIÇÇÃÃOO EE IIMMPPLLEEMMEENNTTAAÇÇÃÃOO D DEEUUMMAAPPOOLLÍÍTTIICCAADDAAÁÁGGUUAAAnalisados os aspectos teóricos de enquadramento da problemática da água (Parte I), bem como as condicionantes postas, quer pelos objectivos da DQA e os aspectos económicos dela resultantes (Parte II), quer pelos modelos e pela realidade portuguesa (Parte III), é objectivo definir um conjunto de propostas para a desejável sustentabilidade do sector.
Em resumo as propostas são as seguintes:
- Definição de uma Estratégia Global de Política ( secção 11.1);
- Definição de um novo Modelo Financeiro Institucional — Banco da Água (secção 11.2);
- Propostas sobre os Regimes Tarifários (nomeadamente a criação de um Fundo de Regularização Tarifária (FET), Secção 11.3);
- Incremento do papel do sector privado (aumento da Regulação, Secção 11.4)
- Protecção acrescida para o Consumidor (secção 11.5);
- Definição de uma estratégia geral de informação (Seccção 11.6);
- Procura da fase de Excelência e Planeamento pela procura (Secção 11.7); - Outros aspectos relevantes de política (Secção 11.8);
- Utilização da metodologia Oikomatrix (Secção 11.9); 11.1 – Definição da Estratégia Global da Política da Água
A política da água, como qualquer política, deverá ter como pontos prévios à sua implementação, a definição dos seguintes elementos:
Objectivo principal da política; Objectivo intermédio da política;
Programas, instrumentos e medidas de actuação; Avaliação dos resultados.
11.1.1- Definição do Objectivo Principal
O objectivo principal deverá, no espírito da DQA, ser a Qualidade da Água. De facto, a DQA exige a melhoria de todas as águas, independentemente das suas utilizações.
As razões para esta escolha baseiam-se nos argumentos que se apresentaram ao longo deste trabalho e que, em síntese, são os seguintes:
A melhoria da qualidade de água faz melhorar a produtividade de vários sectores de actividade que a utilizam como input (indústria ou agricultura, por exemplo). Estudos científicos mostram mesmo uma relação directa entre a melhoria da qualidade de água e os valores de propriedade (Leggett e Bockstael, 2000);
A qualidade da água afecta directamente a saúde pública e dos ecossistemas;
A qualidade da água dita a capacidade dos corpos de água em assimilarem, ou não, determinados fluxos de poluição;
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Esse objectivo contribui para a procura, por parte dos agentes económicos, de melhorias tecnológicas (eficiência dinâmica).
11.1.2- Definição do Objectivo Intermédio
O objectivo intermédio será aquele que contribuirá para que melhor se atinja o objectivo principal. Este objectivo será o de assegurar a disponibilidade de água em quantidade. Não podendo ser considerado em si mesmo um objectivo — ressalve-se as situações críticas de seca —, contribui de modo directo para a qualidade da água e de todos os ecossistemas que dela dependem.
Os níveis de quantidade de água — compatíveis com os níveis de qualidade pré-definidos — e a eventual necessidade de regularização inter e intra-anual dos caudais poderão fundamentar a construção de novas infra-estruturas ou melhor gestão das existentes, bem como servir de base de argumentação às negociações com Espanha no que concerne aos rios internacionais.
11.1.3- Formas de Intervenção
Os programas, instrumentos e medidas são meios à disposição das Autoridades para que em todo o território — perante realidades específicas e diferenciadas — possam atingir os objectivos com a melhor relação custo-eficácia. Em síntese, as componentes referidas da Estratégia Política para o sector da Água estão representadas na Figura 39.
Figura 39
Estratégia Política no
Sector da Água
Objectivo
Principal
Objectivo
Intermédio
Intervenção:
Programas
Instrumentos
Medidas
Qualidade da
Água
Quantidade de
Água
5 Níveis174
Dadas as diferenças ao nível das regiões e bacias hidrográficas, por um lado, em termos de qualidade e quantidade de recursos hídricos e, por outro, das preferências dos seus habitantes, os instrumentos e medidas poderão, conforme as circunstâncias, ser usados de forma distinta. As especificidades das regiões, bacias e sub-bacias hidrográficas exigirão a fixação de objectivos de qualidade diferenciados.
Em cada uma das unidades espaciais deverá ser feita uma análise económica dos meios financeiros necessários para atingir os objectivos. De acordo com as estimativas de custos para a recuperação de um ―bom estado das águas‖, as Autoridades definirão o tempo de recuperação, bem como os programas, instrumentos e medidas mais consentâneos com os fins a atingir. A DQA salienta que, por exemplo, ―custos proibitivos‖, podem levar a que o prazo seja alongado de modo a diluir os referidos custos desde que, a melhoria da qualidade dos corpos de água não possa ser questionada.
Refira-se que o objectivo de qualidade de água é um objectivo multidimensional, uma vez que dizendo, de preferência, respeito às origens de água acaba, no entanto, por ter uma influência directa quer nos ecossistemas, quer nos vários tipos de uso antropogénico. De facto, o objectivo de qualidade de água pode ser definido a vários níveis, quer para um determinado corpo de água ou para uma determinada utilização, por exemplo, consumo doméstico, medido este nas próprias torneiras dos consumidores.
11.1.4 – Tipos de Instrumentos. Níveis de Intervenção
A Autoridade Ambiental tem à sua disposição um conjunto de instrumentos para transmitir aos agentes económicos os sinais correctos para a prossecução de uma afectação de recursos compatível com os objectivos ambientais. Considera-se que a intervenção no mercado pode ser realizada a diversos níveis privilegiando-se, no entanto, os níveis onde a intervenção a realizar deixa maior flexibilidade de ajustamento aos agentes económicos envolvidos (níveis mais baixos). Os vários níveis, que se encontram sintetizados na Figura 40, são os seguintes:
Num Nível 5 de intervenção estão os instrumentos de comando e controlo, no qual o Regulador fixa administrativamente os valores para determinadas variáveis. Caracterizam-se por efectuarem o controlo pela quantidade e por terem carácter de obrigatoriedade, i.e.: obrigam os agentes a cumprir o estabelecido. Estes instrumentos estão, por isso, associados a regimes de contra-ordenação e coimas, para enquadrar os casos de não cumprimento.
Refira-se alguns exemplos:
Normas ambientais sobre a qualidade da água; Normas sobre a qualidade dos efluentes;
Normas tecnológicas (BAT, BPT ou BAT-NEEC, por exemplo); Normas que limitam administrativamente a possibilidade de rega;
Normas de utilização de determinados produtos (exemplo de lamas de ETAR’s ou de composto no solo);
Quotas à utilização de água (Yaron, 1997, citando o caso de Israel);
Instrumentos de informação compulsória (exemplo de informação obrigatória na rotulagem).
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Este tipo de instrumento é importante, em alguns casos, no estabelecimento dos níveis mínimos de qualidade de água, não entrando, por isso, em contradição com o uso dos instrumentos referidos nos níveis seguintes. As soluções de afectação de água (ou poluição) encontradas, acabam por ter como única restrição o não poderem situar-se abaixo do nível da norma.
Pode dar-se como exemplo alguns dos anexos do DL 236/98: valor máximo recomendável em alumínio na água para consumo humano (0,05 mg/l) ou o valor máximo admissível de alumínio nas águas destinadas à rega (20mg/l).
Nível 1
Nível 2
Nível 3
Nível 4
Nível 5
Supervisão (fiscalização, auditorias) Monitorização Instrumentos de informação Persuasão moral Acordos voluntários Contratos-programa Licenças Transaccionáveis de Poluição ou de Consumo de Água (LTP ou LTCA) Instrumentos económicos Regimes tarifários Instrumentos de comando e controloNormas legais e tecnológicas Quotas de redução de poluição
Figura 40