RESULTADOS SOBRE O SISTEMA DE ATER
4.3 MODELOS REPRESENTATIVOS DE SISTEMAS DE ATER
A partir da fundamentação teórica apresentada, serão desenvolvidos dois modelos representativos de sistemas de ATER, um nacional e outro local, que levará em consideração as relações interinstitucionais que ocorrem com a AAT.
“Os modelos – sejam físicos ou matemáticos – são fundamentais para a compreensão do funcionamento dos sistemas. Modelo é a representação simplificada de alguma parte da realidade” (CHIAVENATO, 2003, p.418). O que significa que um modelo não é a realidade em si, mas uma forma de organização didática para melhor compreendê-la. É uma aproximação, portanto passível de constantes aperfeiçoamentos. É nesse sentido que apresentamos os modelos a seguir.
Na construção desses modelos serão levados em consideração os seguintes aspectos:
• uma ‘estrutura’, considerando os elementos constituintes (partes ou órgãos do sistema); as entradas (dados/energia/matéria); a atividade (operação ou processamento do sistema); as saídas (dados/energia/matéria) e os objetivos (finalidade do sistema);
• os ‘fluxos direcionais das relações’ entre os elementos componentes, a rede de comunicações existente (relacionamento entre os elementos do sistema) expressa graficamente por linhas;
• a ‘intensidade das relações’ e o grau de importância atribuído a diferentes ações, projetos e serviços pertinentes à ATER, definindo o estado do sistema, se está ou não operando todas as relações (dinâmico ou estável).
4.3.1 Modelo Representativo do Sistema de ATER Nacional
Podemos entender o Sistema Nacional de ATER como um ‘sistema aberto’, composto da seguinte forma:
• Ambiente Externo: Agronegócio; Política Macroeconômica; Política Agrícola; Relações Internacionais; Concentração Fundiária; Especulação Imobiliária; Dicotomia Campo-Cidade; Pressão das Metrópoles; Crise Ambiental; Agrotóxicos; Concentração de Renda; Masculinização e envelhecimento da população do campo; Precariedade das infraestruturas básicas de educação, saúde, transporte e redes de acesso; Violência no Campo; Movimentos Sociais; Agroecologia; Cultura; Conhecimentos Populares; Solidariedade; outros.
• Objetivos (da PNATER): promover o desenvolvimento rural sustentável; promover a melhoria da qualidade de vida de seus beneficiários (agricultura familiar); construir sistemas de produção sustentáveis a partir do conhecimento científico, empírico e tradicional; assessorar as diversas fases das atividades econômicas, a gestão de negócios, sua organização, a produção, inserção no mercado e abastecimento, observando as peculiaridades das diferentes cadeias produtivas; desenvolver ações voltadas ao uso, manejo, proteção, conservação e recuperação dos recursos naturais, dos agroecossistemas e da biodiversidade; aumentar a produção, a qualidade e a produtividade das atividades e serviços agropecuários e não agropecuários, inclusive agroextrativistas, florestais e artesanais; apoiar iniciativas econômicas que promovam as potencialidades e vocações regionais e locais; aumentar a renda do público beneficiário e agregar valor a sua produção; apoiar o associativismo e o cooperativismo, bem como a formação de agentes de assistência técnica e extensão rural; promover o desenvolvimento e a apropriação de inovações tecnológicas e organizativas adequadas ao público beneficiário e a integração deste ao mercado produtivo nacional; promover a integração da ATER com a pesquisa, aproximando a produção agrícola e o meio rural do conhecimento científico; contribuir para a expansão do aprendizado e da qualificação profissional e diversificada, apropriada e contextualizada à realidade do meio rural brasileiro (BRASIL, 2010b).
• Entradas de Recursos (no SIATER): Ação Programática de Metodologia e Comunicação do PRONATER: origem orçamento da união - PPA; gestão da Coordenação de Gestão do SIBRATER/DATER/MDA; Ação Estratégica para desenvolvimento tecnológico aplicado à Agr. Familiar e Agroecologia: origem Parceria MDA/CNPq, por meio do Programa de ATER - PPA (orçamento da união); Ação Estratégica para formação de extensionistas no âmbito da extensão universitária: origem Parceria MDA/MEC por meio do PROEXT/MEC, outros possíveis.
• Entradas de Demandas (no SIATER): Conferências de ATER (nacional, estaduais, municipais e temáticas); Sociedade Civil Organizada; Redes de ATER. • Elementos (do SIATER) na esfera federal: CONDRAF; COMITÊ NACIONAL DE ATER; MDA; DATER; ANATER (EMBRAPA ETC); SIATER; Fundo Público Nacional (não implementado).
• Elementos (do SIATER) nas esferas estadual e municipal: CEDRS; Câmaras de ATER; CMDRS; Secretarias de Agricultura; EMATERS; Fundos Públicos (Estaduais, Municipais).
• Elemento (do SIATER) - Organizações Participantes: Redes de ATER (Temáticas, Pesquisa); Organizações de Agricultores (Movimentos, Sindicatos, Cooperativas, Associações); Organizações de Apoio à Agricultura Familiar e Prestação de Serviços de ATER (ONGs, Cooperativas de Serviço, Escritórios Técnicos, Associações, Organizações Confessionais); FASER; ASBRAER. • Saídas (do SIATER): Projetos técnicos implementados; Serviços de ATER
realizados; Inovações técnica e metodológicas desenvolvidas; Agentes Formados; Informações Compartilhadas.
• Retroalimentação (do SIATER): INDICATER; Conferências de ATER (nacional, estaduais, municipais e temáticas); CONDRAF; Comitê Nacional de ATER.
• Indicadores (do SIATER): organização social e comunitária; renda; acesso a recursos naturais; qualidade de vida; segurança alimentar; questão ambiental; gênero, geração e etnias; concepção pedagógica; instituição e quadro profissional;
recursos tecnológicos e de gestão; relações de ATER com outras políticas públicas.
• Canais de Informação: Serviços de ATER; Redes de ATER; Portal Comunidades da Agricultura Familiar, Conselhos e espaços de participação; Organizações populares; Portal da Transparência.
• Ampliação e Aperfeiçoamento (do SIATER): Realização de Convênios com Estados; Parcerias com Órgãos Públicos; Aperfeiçoamento da legislação; Captação de recursos; Gestão política.
Na FIGURA 6 está demonstrado um modelo representativo do Sistema de ATER Nacional.
FIGURA 6. Modelo representativo do sistema de ATER nacional
Fonte: Elaboração própria.
Obs. 1. Os Fundos podem existir, mas nem sempre existem.
Obs. 2. As Prestadoras de Serviços de ATER podem ser públicas ou privadas.
Obs. 3. As Organizações da Agricultura Familiar englobam Movimentos, Cooperativas, Associações, Sindicatos e outros.
Obs. 4. As Organizações da Sociedade Civil englobam ONGs, Cooperativas, Organizações Confessionais e outras. Obs. 5. A ANATER é envolvida na Gestão Política e na Gestão Operacional.
4.3.2 Modelos Representativos dos Sistemas de ATER Estadual e Local
A seguir serão detalhados dois sistemas de ATER, o sistema Estadual do Rio de Janeiro e a estrutura e organização de um sistema de ATER local, na Região Serrana do Rio de Janeiro, envolvendo a Associação Agroecológica de Teresópolis (AAT).
Podemos entender estes Sistemas de ATER, também como um ‘sistema aberto’, compostos da seguinte forma:
• Ambiente Externo: Idêntico ao nacional, acrescido das particularidades estaduais, municipais, regionais e locais. As principais particularidades são referentes às políticas públicas estaduais e municipais, e os condicionantes socioeconômicos, ambientais e culturais que caracterizam a região e foram descritos no Capítulo II.
• Objetivos (do PEATER-RJ): Implementar ações de ATER no Estado do Rio de Janeiro, em consonância com a PNATER; buscar o desenvolvimento rural sustentável, fundamentado na agroecologia e no controle social; ampliar e qualificar os serviços de ATER voltados à Agricultura Familiar; Promover a inclusão social e ampliação da cidadania por meio de ações integradas nas dimensões de gênero, geração, raça e etnia; apoiar e qualificar ações de ATER de diferentes agentes; apoiar ações que gerem trabalho e renda; estimular a aproximação entre produtores e consumidores; privilegiar circuitos curtos de comercialização; estimular a participação dos beneficiários do PEATER-RJ nas suas ações; promover a articulação dos serviços de ATER pública, estatal e não estatal; apoiar novas redes e arranjos institucionais (SECRETARIA DE ESTADO DE AGRICULTURA, ABASTECIMENTO, PESCA E DESENVOLVIMENTO DO INTERIOR et al., 2006).
• Entradas de Recursos: Fundo Estadual de ATER; Fundos Municipais de ATER ou de DRS; Programas Estaduais (em especial Rio Rural); Fundo Nacional de ATER; PRONATER (Chamadas Públicas); captação de recursos via Ministérios; Agências de Cooperação Internacionais; orçamento do Governo do Estado e dos Municípios; Plano Safra, orçamento de organizações públicas (empresas, universidades), recursos dos agricultores (associações).
• Entradas de Demandas: Conferências de ATER (estadual, municipal); Sociedade Civil Organizada; Rede Estadual de ATER; Fórum Estadual de ATER. • Elementos nas esferas estadual e municipal: CEDRUS; Câmara Técnica de ATER; Comitê Gestor de ATER; CMDRS; Secretarias de Agricultura (Estadual, Municipal); EMATER; Programas de Fomento, Fundos Públicos (Estadual, Municipal); Universidades; Empresas de Pesquisa; Programas.
• Elemento - Organizações Participantes: Fórum Estadual de ATER; Redes de ATER (Temáticas, Pesquisa); Organizações de Agricultores (Associação); Organizações de Apoio à Agricultura Familiar e Prestação de Serviços de ATER (ONGs, Cooperativas de Serviço, Escritórios Técnicos, Associações, Sindicato, Sistema S, Clubes).
• Saídas: Projetos técnicos implementados; Serviços de ATER realizados; Inovações técnica e metodológicas desenvolvidas; Agentes Formados; Informações Compartilhadas.
• Retroalimentação: Conferências de ATER (estaduais, municipais); CEDRUS; Fórum Estadual de ATER; Comitê Gestor de ATER; CMDRS.
• Indicadores (do PEATER-RJ): são apontados os parâmetros de abrangência; mudanças tecnológicas; padrões tecnológicos; integração às cadeias produtivas; integração aos mercados; desenvolvimento sustentável; participação das organizações nos projetos e nos conselhos.
• Canais de Informação: Serviços de ATER; Redes de ATER e Pesquisa; Conselhos e espaços de participação; Organizações populares.
• Ampliação e Aperfeiçoamento: Realização de Convênios com Municípios; Parcerias com Órgãos Públicos; Aperfeiçoamento da legislação; Captação de recursos; Gestão política, criação de Fundo, melhorar canais de informação à população (Estaduais e Municipais), criar indicadores para avaliação do sistema. Na FIGURA 7 está demonstrado o modelo representativo do Sistema de ATER Estadual do Rio de Janeiro.
FIGURA 7. Modelo representativo do sistema de ATER estadual – RJ.
Fonte: Elaboração própria.
Obs. 1. Os Fundos podem existir, mas nem sempre existem. O Fundo Estadual – RJ não foi criado (Dados de Entrevista).
Obs. 2. As Prestadoras de Serviços de ATER podem ser públicas ou privadas, mas gratuitas para os beneficiários. Obs. 3. As Organizações da Agricultura Familiar englobam Movimentos, Cooperativas, Associações, Sindicatos e outros.
Obs. 4. As Organizações da Sociedade Civil englobam ONGs, Cooperativas, Organizações Confessionais e outras. Obs. 5. O Comitê Gestor de ATER e o Fórum Estadual de ATER não foram criados (Dados de Entrevista). Obs. 6. A Câmara Técnica de ATER está desativada. A Câmara Técnica de Agricultura Familiar está deliberando pela Câmara Técnica de ATER e cumprindo o papel do Comitê Gestor de ATER, nos encaminhamentos para o CEDRUS.
Na FIGURA 8 está demonstrado um modelo representativo do Sistema de ATER Local, a partir do caso da AAT.
FIGURA 8. Modelo representativo do sistema de ATER local, a partir da AAT.
Fonte: Elaboração própria.
Obs. 1. As saídas serão detalhas separadamente.
Finalmente, as saídas do sistema de ATER Local, a partir da AAT, serão apresentadas separadamente, no QUADRO 11, a seguir.
QUADRO 11. Saídas do sistema de ATER local, em função da AAT (continua).
CATEGORIAS DE
AÇÕES SAÍDAS (AÇÕES)
ORGANIZAÇÕES