Compassos a adoptar
A) Moléstias dos cacaueiros
Iniciando, pois, as nossas referências, relativamente, à proveitosa Esterculiacea, cujas plantações constituem a cultura por excelência, da ilha, vamos aludir, muito sucintamente, à Armillaria, Polysticto, míldio, cancro dos ramos, maculado das folhas, negrume, deformidade dos re bentos e frutos, putrescência das raízes, broca, bexigas ou bexigão, cochonilhas e rubrocincto.
1) Armillaria
A Criptogâmica, cuja terminologia scientífica adoptada é a de Armil laria mellea Vahl., foi vista, pela primeira vez, em exemplares de S. Tomé, por Johnson (1) e confirmada a existência, da dita Ilimenomiceta por Martinlio de França Pereira Coutinho (2).
Os efeitos, assás desastrosos, observam-se, principal mente, nos ter renos mais húmidos: as folhas amarelecem e murcham, os rebentos secam, a planta definha e acaba por morrer.
As placas miceliais, fosforescentes, são bem características, assim como os receptáculos.
(1) «A similar disease has been reported.. , and the writer has recently observed the roots of cocoa trees affected in a like manner in San Thomé» (l. c.} p. 109).
O presente e o futuro das plantações em S. Tomé 171 Usam contra a mencionada Eumiceta a abertura de valas, para deri var o excesso de água, acumulada no terreno, o emprego de injecções com sulfureto de carbono, na dose de 40 gramas por metro quadrado, e a gessagem, afim de impedir o apodrecimento das raízes. Todavia, a utilização do primeiro composto químico é dispendioso, em demasia, e conseguintemente, não ousamos recomendá-lo.
2) F*ollsticto
0 cogumelo, que tão frequentemente se encontra na base dos caules, foi determinado pelo ilustre micologista Padre Camille Torrend (1), como Polystictus Persooni Pr.; indubitàvelmente, funciona de parasita, visto termos sempre encontrado, o respectivo umbraculo, em cacaueiros vivos. Antes do insigne jesuíta, nenhum outro autor mencionara o tortulho, designado, em S. Tomé, nem Winter e tão pouco Saccardo, Berlese, Bresadola e Roumeguère.
É natural que o competente micélio produza alguns estragos nos tecidos da planta, contudo a destruição limita-se, ordinariamente, à parte periférica, onde aparece o pileo e, por êsse motivo, os prejuízos são, na verdade, insignificantes. Provavelmente, êste morbo, identifi car-se há com aquele citado pelo Dr. Charles G-ravier (2), sendo de especializar que, o referido estrangeiro, nunca conseguiu observar o receptáculo e, unicamente, examinou a parte vegetativa, em exemplares vários e até nas alturas de Mulundo (Diogo Yaz). E imaginamos isto, porque as placas miceliais da Armíttaria mettea Vahl. são por tal forma características que, fácil era, só com êsse elemento, presupôr logo a sua existência.
Preconizamos o corte dos receptáculos, junto ao tronco, aplicando nas feridas o coaltar ou qualquer outro induto; estas operações reali zam-se durante os tratamentos culturais, grupando, aqueles, em meda, sôbre campo largo e desarborizado, para, imediatamente, os destruir pela acção do fogo.
(1) Souza da Câmara e Canas Mendes, Mycetae aliquot et lnsecta pauca Tkeobromae
Cacao in Sancti Thomensis Insula, Lisboa, 1910, p. 3.
(2) Rapport sur une Mission Scientifique à Vlle de San Thomé (Extrait des ■ Nouvel- les Archives des Missions scientifiques», t. XV), Paris, 1907, p. 8; Sur quelques Parasites
des Cacaoyere à San Thomé (Extrait du « Bulletin du Muséum d’bistoire naturelle, 1907,
n.° 3, p. 213), p. 5; Boletim Oficial do Governo da Provinda de S. Tomé e Príncipe, n.°45, de 10-XI-1906, p. 414.
3) Míldio
O míldio — Phytophthora Fáberi Maubl.—classificado pela primeira vez em exemplares de S. Tomé, por Souza da Câmara e Canas Men des (1), deixou de ter a importância dos tempos em que apareceu, aí por 1909, desde que foi, eficazmente combatido pela calda bordeleza. Todavia, se os plantadores abandonassem o necessário tratamento, o morbo progrediria, ràpidamente, inutilizando, por completo, a colheita, dentro de alguns anos. Acomete, indiferentemente, os ramos e frutos, mas, em epecial, os últimos. As folhas secam, incontestávelmente, por escassez de alimentação, visto, os ramos invadidos e a que estão presas morrerem, porém, nunca notámos, nelas, vestígios do mal. Por conse guinte, houve manifesto equívoco na asserção do nosso ilustre colega José Joaquim de Almeida (2), quando escreveu, serem os órgãos foliá- ceos, também, atacados pela doença, que, então, ainda desconhecia; parecer que, mais tarde, sofreu profundas modificações no seu substan cial trabalho, de colaboração, Les plus graves maladies du Cacaoyer à S. Thomé (3).
Nos rebentos a sintomatologia resume-se a simples enegrecimento da casca, com dilaceração de tecidos e fendas, por onde exsuda, às vezes, um líquido espesso, viscoso. Quanto às cápsulas, o caso ó mais complicado: o ataque principia, quási sempre, pela base, na inserção do pedúnculo, quando ali se acumulam gotas de água, nas quais ger minam os conídios, verdadeiros órgãos de multiplicação do fungo. Claro está, na hipótese dos frutos tomarem qualquer outro dispositivo, que não seja o da vertical, indubitavelmente o mais vulgar, a humidade, no estado líquido, poderá escorrer para as rugosidades próprias do invólu cro e, então, o acometimento começa nesses sítios, depois dos esporos haverem emitido o respectivo utriculo promicelial. Eis, as manifestações
(1) L. «., p. 4.
(2) « Nas folhas dos cacauzeiros a doença aparece raramente em relaçào ás capsulas, conforme tivemos ensejo de observar, e as suas consequências nâo sâo por tanto muito para temer, pelo menos de momento. Deve atribuir-se esta circunstancia ás chuvas, que lavam energicamente as folhas, arrastando consigo os sporos.»
(3) « Vraiment, Mr. Cannas Mendes a rencontré quelques feuillcs, qui montraient des tâches, dont il a cru pouvoir attribuer 1’orígine au Phytophthora Faberi. Ce n’étaient point de bons exemplaires, mais nous n’avons pas rencontré d’autres, tellement le cas parait être sporadique. Ainsi nous les avons cmmenés au laboratoire de pathologie yégétale de l’Institut Agronomique de Lisbonne, ou ... Souza da Camara n’a rien pu jencontrer. » (Lisbonne, 1910, p. 5).
0 presente e o futuro das plantações em S. Tomé 179 mórbidas e características do pericarpo: surgem manchas irradiantes, cor de castanha, avermelhada, que, por último, escurecem, cobrindo-se de eflorescências esbranquiçadas. Podem estas máculas abranger todo o cacau, porém, habitualmente, só uma parte, apresenta os sinais evidentes da existência do parasita. Seguidamente, o micélio penetra para o interior, destruindo os tecidos da cápsula e atingindo as próprias sementes. Foi na porção interna, desta, que deparámos com os oóspo- ros, em grande abundância. Produz, finalmente, a putrescência do tegumento externo, constituindo aquilo a que, em língua inglesa, cha mam black-rot (1) dos frutos. O míldio toma grande incremento, com a humidade e sombreamento excessivos, em a opinião de todos os autores e particularmente no pensar de Johnson (2).
Antes de aparecer o míldio, próximo das primeiras águas, será ne cessário aplicar a calda bordeleza, a 1 %, segundo a fórmula conhecida, tendo sempre em vista que o tratamento previne e de modo algum cura a moléstia. Passados cerca de trinta dias deverão proceder a nova sul- fatagem, quando o tempo esteja seguro.
4) Cancro dos ramos
O cancro dos ramos, enfileirado no género Nectria pelo Dr. François Vincent (3), encontra-se, mais ou menos, difundido na ilha. Martinho de França Pereira Coutinho (4) determinou a Nectria Theobromae Mass., a qual origina ulcerações, de variado aspecto e tamanho, causando, em última análise, a deformação, séca e morte dos rebentos. Porém, não param aqui os efeitos; embora, pouco fr.equentemeute, desce o fungo aos troncos grossos, chegando a acometer o fuste, promovendo as feri das características e produzindo enormes prejuízos, como foram observa dos na roça Peutecostès, freguezia da Madalena.
A diagnose inscrita no relatório, apresentado à Sociedade de Emi gração para S. Tomé e Príncipe, condiz absolutamente com a de Mas- see, referida por Delacroix e Maublanc (5), e com a de von Faber (6).
(1) « Phytophthora Faberi, wliich is also the cause of the blaek rot of poda» (Van Hall, l. c. p. 247).
(2) «Dense shade and exceBsive inoisture favour tlie development of the para site,. ..» (Johnson, l. c., p. 109).
(3) In Amando de Scabra, Estudos sobre as doenças e parasitas do Cacaueiro t de
outras Plantas em S. Thomé, XVIII, Lisboa, 1919, p. 40.
(4) Belatorio, citado c manuscrito, p. 24.
(5) Maladies des Plantes cultivées dans les Pays chauds, Paris, 1911, p. 454. (6) Die KranTcheiten und Parasiten des Kakaobaumesf Berlin, 1909, p. 210,
Ultimamente Patouillard (1), em exemplares remetidos pelo distinto engenheiro-agrónomo Amando de Seabra, creou, aquele auctor, uma nova espécie, a Nectria albiseda Pat., provavelmente, idêntica à varie dade, instituída por Saccardo (2)—N. Bainii Mass., var. hypoleuca Sacc., — à qual atribuem o cancro dos ramos. Igualmente o primeiro mico- logista determinou a N. ockroleuca Schw. (8), mas nas cápsulas.
Desde que o ataque se limite aos renovos delicados, o melhor pro cesso consiste em os eliminar, pela poda, aplicando às feridas qualquer inducto ou mastique. Logo a seguir, enfeixamo-los, para os submeter, directamente, ao fogo. Caso, porém, a invasão desça às pernadas e ao caule, seremos constrangidos a adoptar meios mais enérgicos: pincela- gens com monosulfureto de cálcio glicerinado ou, melhor, com solução de sulfato ferroso, a 40%, depois de extirpado o cancro e todo o lenho ofendido.
O remédio, que citámos, agora, no princípio, organiza-se da seguinte forma: constituímos um leite de cal, aproveitando 10 quilogramas, do óxido referido e após a prévia extinção; à parte, em 10 litros de glice rina bruta, deitamos 5 quilos de flor de enxofre, mexendo bem. Lan çamos o primeiro preparado, coando-o por ligeiro crivo, sôbre o segundo e perfazemos, com água, o volume de um hectolitro; pomos, tudo, a ferver, em lume brando, por espaço de sessenta minutos, aproximada- mente.
Quanto ao segundo composto, indicado, basta apenas dissolvê-lo, a frio, nas proporções designadas.
5) Maculado das folhas
O presente morbo causado pela Esferopsidacea, Phyllosticta Theo- bromae Almeida et S. Cam. (4), descoberta do sábio professor Veríssimo de Almeida e do seu antigo chefe de serviço, Souza da Câmara, pro vém, a aludida enfermidade, repetimos, de uma espécie nova para a sciência, comumente, sem grande interêsse para a agricultura, dada a insignificância dos prejuízos examinados, tanto em S. Tomé (5), como
(1) In A. de Seabra, Estudos sobre as doenças e parasitas do Cacaueiro e de outras
plantas cultivadas em S. Tomé, XIX, Lisboa, 1919, p. 41.
(2) Nuovo giomale botânico italiano, XXIII (1896), p. 205. (3) In A. de Seabra, l. c., p. 44..
(4) Bevista Agronómica, I, 89.
0 ‘presente e o futuro das plantações em S. Tomé 181 nos Camarões (1). Contudo, no Jardim Botânico de Berlim, o sobre dito fungo, ocasionou sensíveis danos, exercendo o seu mister de ver dadeiro parasita, segundo confirma von Faber (2).
Os siutomas notámo-los, apenas, em a margem das folhas, onde de parámos com máculas, grandes e irregulares, mais ou menos esbranqui çadas, confluindo a miudo e podendo, por essa circunstância, ocuparem quási todo o rebordo do limbo; sobre estas e na página superior surgem pontuações enegrecidas, derivadas do trama, pseudo-parenquimatoso, dos conceptáculo8, os conhecidas pienidios. As observações descritas, concordam, plenamente, com as mencionadas por von Faber (3), Dela- croix e Maublanc (4).
Extinguem a moléstia com pulverizações de calda bordeleza.
• 6) Negrume
O negrume ó provocado pelo fungo Lasiodiplodia Theobromae (Pat.) Griff. et Maubl. (5), introduzido na flora CriptogâmiceT de S. Tomé por Souza da Câmara e Canas Mendes (6); depois foi sucessivamente exa minado pelo ihistre sábio Patouillard (7) e Martinho de França Pereira Coutinho (8).
A Deuteromiceta, de que nos ocupamos, é bastante polimorfa, quer dizer, tanto os esporos, como os pienidios, patenteiam fases distintas, a cada uma das quais corresponde um nome específico diverso; assim, conhecem-na, também, por Botryodiplodia Theobromae Pat. (9), Macro- phovna vestita Prill. et Delacr. (10), Diplodia cacaoicola Henn. (11) e La siodiplodia nigra Appel et Lamb. (12).
(1) Von Faber, l. c., p. 237 e 238, c. icon.
(2) « Die erfolgreichen Iufektionsversuche zeigten deutlich, dab del Pilz die Blãtter znm Absterbcn bringt, also ein wirklicher Parasit ist. .. Dagegen konnte ich micb sel- ber uberzeugeu, dab er den iin Berliner Botamache» Garten befmdlicheu Pflanzen betrã- chtliclien Scbadeu zufugt» (Z. c., p. 238).
(3) L. c., p. 238. (4) L. c., p. 470.
(5) Bullctin de la Sociétê Mycolugique de France, XXV, p. 51. (6) L. c., p. 5.
(7) In Amando de Seabra, l. c., p. 40. (8) L. c., p. 17.
(9) In Patouillard et Lagerheime, Champ. de VÉquat., ap. Buli. Soc. Myc., VIII, p. 136. (10) BvU. Soc. Myc, X, p. 165.
(11) In Saccardo et Sydow, Sylloge, XIV, p. 930. (12) In Delacroix et Maublanc, l. c., p. 448.
Os espanhóis chamam mancha 0 os ingleses apelidam dicback e broion- -7’ot, ao morbo, que irrompe, indifereutemente nos ramos, raízes e fru tos (1).
Nas cápsulas, os sinais da moléstia, caracterizamse pelo apareci mento de nódoas orbiculares e empalidecidas que, paulatinamente, vão passando a um tom vermelho escuro; as quais, pela natural confluência, aumentam de superfície, chegando, não raro, a ocupar, totalmente, 0
pericarpo. Então, 0 fruto enegrece, cobre-se de simples felpa acasta
nhada, adquire aspecto escabroso, desagradável, desseca e fica, ordina riamente, preso ao pedúnculo, outras vezes, porém, aquele cai sobre 0
terreno, mas, mesmo assim, a Criptogamica, continua a viver e a disse minar 0 mal, pelos esporos, após a deiscência dos conceptáculos. A
mencionada Esferopsidacea invade a cápsula, em qualquer estado de desenvolvimento, pelo ápice, pela base, junto à inserção do pé, ou por outro sítio, desde que exista uma solução de continuidade.
Quanto ao acometimento dos ramos, menos frequente, as lesões evi denciam-se, sobfetudo na extremidade dos mais delicados; todavia, os troncos grossos e 0 fuste mostram, pouco vulgarmente, os sintomas da
moléstia. Estes distinguem-se pelo amarelecimento próprio e negrume especial, acompanhado de pústulas escuras e da pubescência intrincada e sombria. A penetração do micélio, nos casos ora considerados, faz-se sempre, através qualquer orifício ou ferida, existente nos tecidos corti- cais do cacaueiro.
Com referência às raízes, até as mais profundas, são invadidas, logo que sofram golpes ou sejam decepadas, por efeito da cava, patenteando manifestações, perfeitamente, idênticas às dos ramos.
O miceta que, em circunstâncias especiais, se comporta como verda deiro saprojita, na maioria dos casos, contudo, procede parasiticamente, constituindo autêntico flagelo para a utilíssima Estercidiacea; a qual chega a morrer, no espaço de alguns anos, quando 0 ataque é intenso.
Contra o negrume, aconselhamos as pulverizações com calda borde- leza, além das indispensáveis cautelas, tais como, evitar o corte de raí zes, durante as cavas, a queda no chão de ramos e cápsulas invadidos e as estrumações, contendo detritos de cacaueiro, antes de serem inci nerados.
0 presente e o futuro das plantações em S. Tomé 183
7) Deformidade dos x^etoentos © frutos
A doença, witch-broom dos ingleses, cujo relato iniciamos, deriva da espécie micológica Colletotrichum luxificum v. Hall et Drost; a qual foi examinada por Souza da Câmara, em exemplares remetidas ao Labora tório de Patologia Vegetal (1), e por Martinho de França Pereira Cou- tinlio, directamente, nas roças que visitou em 1910. Causa estragos apreciáveis, a moléstia, no Surinam, América do Sul, índias inglesas e Trindade, Antilha britânica, consoante o afirmam van Hall (2) e Hart(B). Em S. Tomé os danos são outrosim importantes; grande numero de frutos deixam de atingir o grau de maturescência e perdem-se.
O fungo provoca florescência abundante (4), que enfraquece dema siadamente a planta; origina, o miceta, certas monstruosidades na parte superior dos renovos, que, às vezes, se propagam ao pecíolo das folhas, avançando até à base da nervura principal (5); ocasiona, a referida Criptogainica, dilatações laterais nas cápsulas, ficando estas, subseqiien- temente, com a superfície pulverulenta e enegrecida. Os ramos exibem pequenas nodosidades, muito sintomáticas, devidas à hipertrofia dos tecidos; aqueles secam depois, revestindo-se de simples poeira ferrugenta, e morrem. Os frutos, emquanto novos, intumescem, irregularmente, em o sentido longitudinal, apresentam, no princípio, manchas de tom ver melho-acastanhadas, bem limitadas, que, ordinariamente, se multiplicam entre as estrias; por último, cobrem-se da aludida pulverulência.
Além da espécie, designada, existe outra — C. Theobromae App. et Str., observada pelo sábio micologista Patouillard (6).
Recomendamos, para êste género d a fungos, a utilização das sulfata- gens com calda bordeleza.
8) iPiitrescencia das raízes
Deriva, incontestàvelmente, de multiplices causas, à frente das quais se encontra a excessiva humidade no terreno, produzindo a alcoolização das raízes e a sua asfixia, em última análise. Seguidamente, também,
(1) Foram enviados pelo engenheiro-agrónomo, Dr. Amando de Seabra.
(2) o This disease is happily limited to Surinam and Demerara...» (l. c., p. 253). (3) L. c., p. 100 e 101.
(4) «... which consists in the production of a large number of flowers...» (Johnson,
l. c., p. 104).
(5) Martinho de França Pereira Coutinho, l. c., p. 2õ. (6) In Amando de Seabra, l. o., p. 43.
a grande profundidade a que enterram, de ordinário, o cacaueiro, coopera, esta, para a decomposição dos órgãos subterrâneos, pela escassez de ar e superabundância de água, com especialidade, nos terrenos pantanosos ou de subsolo impermeável. Diversos fungos, ainda, facilitam o apo drecimento, referido: Armillaria mellea Vahl. e Lasiodiplodia Theobromae (Pat.) Griff. etMaubl., já citados; porém, aparte as mencionadas Cripto- gamicas, observam-se micélios hialinos e acastanhados que, pelas dilata ções piriformes e respectivos coremios, parecem a parte vegetativa de qualquer espécie de Rozellinia, porventura a R. Hartii Mass. (1), encon trada na Trindade pelo professor de agricultura H. A. Nurse. Supomos o miceta, ora citado, como a origem primordial e eficiente da chamada morte repentina da rendosa Esterculiacea e, por consequência, julgamo-lo de grande interesse agrícola, quando auxiliado pelas condições agroló- gicas, favoráveis ao desenvolvimento do parasita.
Como medidas profiláticas, indicamos as, mesmas, prescritas para a Armillaria.
9) Broca
Foi classificada em S. Tomé, primeiramente, por Charles Gravier(2), na visita que fez à ilha, e foi classificada, a broca, repetimos, como per tencente ao género Zeuzera; Lepidoptero, cujos costumes, bem interes santes, estudou, considerando-o, até, afim da Z. Coffeae Niet. Muito depois, Martinho de França Pereira Coutinho (3) e Amando de Seabra(4) aludem, a êsse insecto, em seus trabalhos, acusando-o de originar alguns prejuízos e a, própria, morte dos cacaueiros, consoante o penúltimo engenheiro-agrónomo verificou nas roças Belmonte e Bemfica.
Cremos, na verdade, ser o calamitoso Arthropodo, em tudo, idêntico ao que acomete os indivíduos, descritos sob a designação taxonómica de Cojfea, conforme assevera von Faber (5); o qual menciona, o dito
(1) «This fungus was found iu Trinidad (Dicgo Martin district) by Agricultural Instructor H. A. Nurse, in 1906 » (Hart, l. c., p. 101).
(2) Rapport sur une Mission Scientifique à Vlle de San Thomé (Extrait des « Nouvel- les Archives des Missions scientifiques ■>, t. XV), Paris, 1907, p. 8; Obeervations biologi-
ques sur la larve d’un Papillon (Zeuzera sp. ?) qui attaque les Cacaoyers à San Tliomè
(Extrait du «Bulletin du Muséum d’histoire naturelle», 1907, n.° 2, p. 139); Sur quelques
Parasites des Cacaoyers à San Thomé (Extrait du « Bulletin du Muséum d’histoire natu
relle», 1907, n.° 3, p. 213), p. 1. (3) L. c., p. 30.
(4) L. c., 1919, p. 27.
O presente e o futuro das plantações em S. Tomé 185 inimigo das culturas indicadas, como vivendo nos Camarões e, ante- riormente, em Java, onde o examinaram, aí por 1900. Afora a lagarta, da supracitada borboleta, invadir as plantas referidas, devora, igual mente, a parte interna dos troncos e rebentos de várias outras espécies de Cinchona, Anona, Acalypha e Thea, escavando galerias profundas, ao longo dos ramos e fuste.
Reconhecemos a presença do insecto, pelo amarelecimento das folhas e respectiva marcescência, pela séca da ramagem, nas extremidades superiores, e pelos excrementos, mais ou menos, castanho-avermelhados, que escorregam, por tôda a extensão do caule, acumulando-se, junto ao pó, da utilíssima Esterculiacea.
A larva prefere, ordinàriamente, as plantas novas, de tecidos bran dos, contudo, não despreza as adultas, bem lenhosas, perfurando, da mesma maneira, os troncos.
Combatem a broca, cortando os ramos onde ela vive, se forem del gados, para os queimar; fazendo uso de um arame grosso e flexível, que introduzem pelo orifício, praticado, e com o qual esmagam a lagarta; obstruindo a abertura, por meio de algodão, molhado em benzina; e utilizando a lanterna elóctrica ou de acetilene, para a caça das borbo letas.
10) Bexigas ou bexígao
Os plantadores conhecem há muito a doença, na colónia, especial mente os das regiões mais elevadas; doença que deriva o seu nome, vulgar, do aspecto vesiculoso, característico em os frutos, e que provém das multíplices picadas de um Hemíptero.
O primeiro relatório, a propósito de S. Tomé, onde está registado o morbo, aludido, escreveu-o, êsse trabalho, Martinho de França Pereira Coutinho (1); contudo, por falta de elementos, não pôde chegar a con clusões seguras sôbre o nome específico do parasita, limitando-se, êste autor, a integrar aquele no género Ilelopeltis. Conseguiu, ainda, o mesmo engenheiro-agrónomo, ver o único imago, colhido, na roça de S. Nicolau, e gentilmente ofertado pelo sr. Dr. Eduardo de Lemos, porém, infelizmente, o exemplar, extraviou-se na viagem para Lisboa.
O ilustre médico, ora referido, prometeu-nos o insecto perfeito e,
teten, Zeuzera Coffeae verwandten Bohrer, in Zweigen von kakaobãumen.._. Auber Kakao und Kaffee befallt sie noch verschiedene andere Pflanzcn, wie Cinchona, Anona,
Acalypha, Thea (l. c., p. 317).
dada a hipótese de chegar a tempo, diligenciaremos classificá-lo, inte gralmente. Com visos de probabilidade, identificar-se há ao descrito pelo distintíssimo homem de sciência, Camille Torrend (1), como Mos- -quilla, bastante semelhante ao II. Antonii Sign. e, sendo assim, ao bra- dyi, encontrado em Ceilão, segundo afirma o Dr. Roepke (2)?
O Estenepodídeo ataca as cápsulas, competentes pedúnculos, pecíolos