• Nenhum resultado encontrado

Monitoramento dos ODSs e os desafios pela frente

Os ODSs foram assinados e assumidos por 193 países, e foi estabelecido um mecanismo amplo e complexo para monitorar os avanços em relação às 169 metas e 232 indicadores.1 Um sistema de custódia foi estabelecido para os indicadores, designando responsabilidades a agências da ONU e a parceiros para o desenvolvimento de metodologias e para apoiar os países na sua construção e no monitoramento de seu progresso.

FAO é a guardiã de muitas das metas, a começar com a Meta 2 sobre a erradicação da fome, e principalmente os indicadores 2.1.1: Prevalência de subnutrição e 2.1.2:

Prevalência insegurança alimentar moderada ou severa na população, com base na Escala de Vivência de Insegurança Alimentar (FIES). Esses indicadores são apresen-tados cada ano no relatório The State of Food Security and Nutrition in the World.2 Infelizmente, o relatório de 2018 revelou uma reversão no progresso obtido desde 2005 pelo terceiro ano seguido (FAO, IFAD, UNICEF, PMA e OMS, 2018). O relatório estimou que o número de pessoas em situação de fome aumentou para 821 milhões

1 Para mais informações, ver: Sustainable Development Goals, Monitoring and Progress platform, em: https://

www.un.org/sustainabledevelopment/monitoring-and-progress-hlpf/, e o SGD Index & Dashboards Re-port, em: https://www.sdgindex.org/.

2 Ver http://www.fao.org/state-of-food-security-nutrition/en/.

– cerca de uma em cada nove pessoas no mundo. Atrasos de crescimento em termos globais permanecem em níveis inaceitavelmente altos, com 151 milhões (ou mais de 22%) de crianças menores de 5 anos afetadas em 2018, e mais de 50 milhões de crianças menores de 5 anos debilitadas. Ao mesmo tempo, mais de 38 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade estão com sobrepeso e há uma piora crescen-te na obesidade entre adultos.

Através de um estudo mais aprofundado por região e sub-região, o relatório conclui que a exposição a eventos e extremos climáticos mais complexos, frequentes e inten-sos está contribuindo para a reversão dos ganhos obtidos na erradicação da fome e da desnutrição, assim como o acirramento de situações de conflito em alguns países da Ásia e da África subsaariana. A África continua sendo o continente com a maior prevalência de subnutrição, afetando 21% da população. A situação está se agravan-do também na América agravan-do Sul. Fatores como secas, eventos climáticos extremos, o aumento nos preços dos alimentos, o lento crescimento do produto interno bruto (PIB) per capita e a persistência dos baixos preços das principais commodities de exportação – principalmente produtos não processados – contribuem para a piora.

A consecução dos ODSs, incluindo as metas 1 and 2, está ameaçada. Crescimento inclu-sivo, associado a intervenções direcionadas, medidas urgentes de mitigação ou adaptação às mudanças climáticas e esforços na manutenção da paz e na prevenção de conflitos são necessários.

Ciente desses acontecimentos e desafios, a FAO está trabalhando no desenvolvimen-to e implementação de marcos como: FAO Framework on Rural Extreme Poverty (FAO, 2019a), A Framework for Linking Responses to Rural Poverty and Climate Change (FAO, no prelo), Framework to support sustainable peace in the context of Agenda 2030 (FAO, IFAD, UNICEF, PMA e OMS, 2018), FAO Framework for the Urban Food Agenda (FAO, 2019b) e FAO Migration Framework (FAO, 2019c). Esses marcos procuram destacar as oportunidades do trabalho feito de forma intersetorial e integrada, fortalecendo a resposta de desenvolvimento ligado a assuntos humanitários, respostas ao clima, a migrações e a agenda urbana. Conforme estabelecido no “FAO Extreme Poverty Framework”, existe a necessidade de estabelecer uma ligação mais clara entre a redução da pobreza e a segurança alimentar e as respostas ao clima, e de incorpo-rar os passos recomendados para as estratégias mais amplas de desenvolvimento, humanitárias e de redução de riscos de desastres, a fim de alinhar os ODS com o Acordo de Paris e assim produzir resultados de maneira mais eficiente, efetiva e inclusiva. Isso inclui alterações nas políticas e nas instituições em casos em que as intervenções estejam focadas especificamente no desenvolvimento, no clima, ou em ambos (FAO, no prelo).

O “Framework to support sustainable peace” representa um compromisso corporativo

DO FOME ZERO AO ZERO HUNGER: Uma perspectiva global

renovado para alcançar e manter uma paz sustentável através da ampliação e apro-fundamento do trabalho da FAO em relação à prevenção, à mitigação, à resolução e à recuperação de conflitos (FAO, 2018). De acordo com o marco, um quarto do total dos resultados dos programas de campo da FAO nos 15 contextos mais frágeis do mundo em 2016 foram na área de assistência para desenvolvimento.

Entretanto, na agenda ODS, os países são os condutores de seus próprios desti-nos e o primeiro compromisso tem que vir deles, e não da FAO ou dos parceiros de desenvolvimento.

Os ODSs representam um importante roteiro para o alcance de uma sociedade mais inclusiva que esteja livre da fome e da extrema pobreza. O progresso dos países nas últimas décadas mostra que são necessários a perspectiva de longo prazo e o com-promisso dos escalões mais elevados. A agenda ODS pode servir como guia para mostrar o caminho para a inclusão e para a sustentabilidade mais amplas, mas, em vez de ser um mecanismo complicado e detalhado de monitoramento de cada uma das metas e indicadores de maneira isolada entre si, é mais importante que se estabeleça uma perspectiva de longo prazo para o desenvolvimento inclusivo, para assegurar que intervenções direcionadas alcancem e beneficiem os mais pobres através de uma abordagem baseada em direitos.

Referências:

Campello, T., Gentili, P., Rodrigues, M. & Hoewell, G.R. 2017. Faces da Desigualdade no Brasil. Um olhar sobre os que ficam para trás. FLACSO, Brasil.

Chmielewska, D. & Souza, D. 2011. The food security policy context in Brazil. Estudo de país. Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo, Brasil.

Davis, B., Handa, S., Hypher, N., Winder Rossi, N., Winters, P. & Yablonski, J.

2016. From Evidence to Action: The Story of Cash Transfers and Impact Evaluation in Sub Saharan Africa. Oxford University Press, FAO and UNICEF, Oxford.

De La O Campos, A.P., Villani, C., Davis, B., Takagi, M. 2018. Ending extreme poverty in rural areas – Sustaining livelihoods to leave no one behind. Roma, FAO.

FAO. 2015a. Nutrition and Social Protection. Roma. Disponível em: http://www.

fao.org/3/a-i4819e.pdf

FAO. 2015b. State of Food and Agriculture (SOFA): Social Protection and agriculture:

breaking the cycle of rural poverty. Roma, FAO. Disponível em: http://www.fao.

org/publications/sofa/2015/en/

FAO. 2018. Corporate Framework to support sustainable peace in the context of Agenda 2030. Roma, FAO. Disponível em: http://www.fao.org/3/I9311EN/i9311en.pdf FAO. 2019a. FAO Framework on Rural Extreme Poverty: Towards reaching Target 1.1 of

the Sustainable Development Goals. Roma, FAO. Disponível em: http://www.fao.

org/3/ca4811en/ca4811en.pdf

FAO. 2019b. FAO framework for the Urban Food Agenda: Leveraging sub-national and

local government action to ensure sustainable food systems and improved nutrition.

Roma, FAO. Disponível em: http://www.fao.org/3/CA2717EN/ca2717en.pdf FAO. 2019c. FAO Migration Framework: Migration as a choice and an opportunity

for rural development. Roma, FAO. Disponível em: http://www.fao.org/3/

CA2717EN/ca2717en.pdf

FAO. No prelo. A Framework for Linking Responses to Rural Poverty and Climate Change with a focus on coastal communities, coastal areas and Small Island Developing States. Roma, FAO.

FAO, IFAD, WFP, WHO & UNICEF. 2018. The State of Food Insecurity in the World 2018. Building climate resilience for food security and nutrition. Roma, FAO.

Disponível em http://www.fao.org/docrep/018/i3434e/i3434e.pdf.

Fraundorfer, M. 2013. Zero hunger for the world – Brazil’s global diffusion of its Zero Hunger strategy. In: Austral Brazilian Journal of Strategy & International Relations, v. 2 n. 4. Disponível em: https://www.researchgate.net/publica-tion/256694816_Zero_Hunger_for_the_world_Brazil’s_global_diffusion_of_

its_Zero_Hunger_Strategy

Hashemi, S. & Montesquiou, A. de. 2011. Reaching the poorest: lessons from the Graduation Model. Focus Note. No. 69. Washington, D.C., CGAP.

Hjelm, L. 2016. The impact of cash transfers on food security. Innocenti Research Briefs no. 2016-04, Escritório de pesquisa do UNICEF. Florence. Disponível em: https://www.unicef-irc.org/publications/800-the-impact-of-cash-trans-fers-on-food-security.html

IFAD. 2008. Targetting: reaching the rural poor. Nota de política. Roma, IFAD.

Disponível em: https://www.ifad.org/en/document-detail/asset/40769236 Leichenko, R. & Silva, J.A. 2014. Climate Change and Poverty: vulnerability, impacts,

and alleviation strategies. Volume 5, Número 4. WIREs Climate Change.

Lomazzi, M., Borisch, B. e Laaser, U. 2014. The Millennium Development Goals:

experiences, achievements and what’s next. Global Health Action, 7:1, 23695.

Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/1578/32b38ec4b0c8c-3f413bf432f04ad90e69359.pdf

May, J. Dallimore, A., & Durno, D. 2018. Synthesis report of selected country

experiences in addressing extreme poverty in rural areas. Relatório interno da FAO, não publicado.

Oxfam. 2010. Fighting Hunger in Brazil: Much achieved, more to dol. Oxford, Oxfam International. Disponível em: https://www-cdn.oxfam.org/s3fs-public/

file_attachments/cs-fighting-hunger-brazil-090611-en_3.pdf Rondo, P.H.C. 2008. Brazil’s Progress in Achieving the Millennium

Development Goals. Journal of Tropical Pediatrics, Volume 54, Número 4.

Disponível em: https://doi.org/10.1093/tropej/fmn045

Takagi, M., & De la O Campos, A. P. 2017. China’s pathways towards poverty eradication: lessons from Brazil. Global Poverty reduction and Inclusive Growth Portal. Disponível em: http://www.iprcc.org.cn/South/content/index/

DO FOME ZERO AO ZERO HUNGER: Uma perspectiva global

id/6640.html.

Banco Mundial. 2018b. All hands-on deck: reducing Stunting through Multisectoral Efforts in Sub-Saharan Africa: Main report (English). Washington, DC., World Bank Group. Disponível em: http://documents.worldbank.org/curated/

en/260571530132166786/Main-report

PNUD. 2013. Accelerating progress, sustaining results: the MDGs to 2015 and beyond.

UNDP, New York. Disponível em: file:///C:/Users/Utente/Downloads/

Accelerating por cento2520Progress por cento2520- por cento2520October por cento252002.pdf

PNUD. 2013. Global MDG Conference: making the MDGs work. UNDP, Bogota.

Disponível em: http://www.undp.org/content/undp/en/home/presscenter/

events/2013/february/27-28-february--making-the-mdgs-work.html

CAPÍTULO 12

Olhando para o futuro: o Fome

Documentos relacionados