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Mapa 15 Regiões do Rossio de Campinas

4.4 MORFOLOGIA DO ROSSIO DE CAMPINAS ENTRE 1815 E 1859

O mapa 12 representa a composição de todos os períodos analisados anteriormente, cobrindo a distribuição de datas de terra entre 1815 e 1859. Observando-se o conjunto dos dados ao longo de todo o período, se visualizam as dinâmicas descritas nos mapas anteriores, acompanhando as tendências de ocupação do rossio de Campinas no período. Sinteticamente, tem-se:

a) Um período inicial que antecede a 1815 e caracteriza-se pela ocupação da área no entorno do Largo da Matriz Velha (Largo do Carmo), a abertura do Largo de Santa Cruz, o Bairro Alto e a Região no entorno do antigo pouso das Campinas Velhas;

b) Segue-se um período de afirmação dos eixos de ligação entre o Bairro Alto, Matriz Velha e Santa Cruz pelas Ruas do Bairro Alto e Direita (Barão de Jaguara), Rua do Comércio (Dr. Quirino) e de Baixo (Lusitana) e pela rua Major Sólon (Rua da Ponte), estruturando a circulação principal da vila e fazendo a ligação entre a estrada de São Paulo com as estradas de Mogi e de Limeira, em substituição ao primitivo trecho da Estrada dos Goiases;

c) O crescimento inicial do núcleo central da vila se dá sucessivamente pela ocupação do Largo da Matriz velha, do Rosário e da Matriz Nova, paralelamente ao crescimento das regiões mais afastadas: Santa Cruz, Bairro Alto e Campinas Velhas;

d) O momento em que a área ocupada atinge o pátio da Matriz Nova coincide com o desenvolvimento de dois novos eixos de ocupação e de circulação: a estrada para Itu (pela atual Rua Treze de Maio) e uma nova ligação para a estrada de São Paulo pela Rua das Flores (José Paulino);

e) Aproximando-se da metade do século XIX ocorre a ocupação das bordas Sudoeste (Região do Campo) e Nordeste (Cambuizal) do rossio, em um padrão de ocupação que, mantendo os eixos de atravessamento existentes anteriormente, evita as regiões baixas e os brejos do córrego do Tanquinho e do Serafim.

Fonte – Elaborado pelo autor

Uma vez que o processo de localização e mapeamento das parcelas foi concluído e pôde-se acompanhar a cronologia de ocupação das diversas regiões do rossio de Campinas obteve-se um conjunto de dados deste parcelamento originário que permite identificar dois dos principais elementos definidores do plano urbano – dentro da análise conzeniana da morfologia urbana – isto é, as vias e seu sistema viário correspondente e as parcelas organizadas em quarteirões.

Partindo do conjunto das parcelas localizadas (Mp. 12) e da reconstituição geral do parcelamento do rossio (Mp. 2) foi possível rastrear e representar graficamente as testadas destas parcelas, identificadas no mapa 13. A observação dos padrões de alinhamento destas testadas permitem visualizar e confirmar a hipótese de que a formação dos quarteirões do rossio de Campinas seguiu em sua origem, no geral, a tipologia, apontada por Teixeira (2012, pp.87-95), em que duas filas paralelas de parcelas determinam um quarteirão que tende ao retângulo e definem uma hierarquia específica entre as ruas, determinando uma dinâmica de ruas principais (para as quais se voltam as testadas das parcelas) destinadas as funções e atividades urbanas; e ruas travessas, ruas secundárias ou becos (para as quais se voltam as laterais das parcelas) destinadas ao simples atravessamento de uma cota a outra, ligando as ruas principais.

Porém, em que pese o padrão regular do tecido urbano resultante, fica claro ao observar a materialização desta hierarquia viária (Mp. 14) que há um conjunto concorrente de eixos de orientação e circulação dominantes atuando sobre a organização do parcelamento do rossio de Campinas.

Em um primeiro momento histórico o eixo predominante a orientar a forma urbana da crescente povoação replicou, no interior do tecido urbano, o alinhamento Norte- Sul correspondente à ligação entre o caminho de São Paulo e o caminho de Mogi, originalmente percorrido pela estrada dos Goiases, e que no interior da vila vai se definir a partir da ligação entre o Bairro Alto, Matriz Velha e Santa Cruz, do qual as principais vias estruturantes serão a então Rua Direita (atual Rua Barão de Jaguara) e a Rua da Ponte (atual Rua Major Sólon).

Fonte – Elaborado pelo autor

Fonte – Elaborado pelo autor

O paulatino desenvolvimento da ocupação do rossio em direção ao Campo (sentido Sudeste), associado a presença da grande área de brejo da várzea do Córrego do Serafim (nordeste) cristalizou a opção de saída da vila no sentido da estrada de Mogi pela Rua Major Sólon, isto é, por Santa Cruz. Por outro lado, o relativo desimpedimento de ocupação do entorno do Bairro Alto (a montante das nascentes e várzeas) promoveu uma sucessão de vias principais paralelas à Rua Barão de Jaguara que concorreram com esta como saída para a estrada de São Paulo, sendo a primeira a se fixar a então Rua do Rosário (atual Av. Francisco Glicério) mantendo, entretanto, o sentido geral Norte-Sul.

A principal modificação nesta dinâmica que impactou a forma urbana e se revela também pela hierarquia viária e pela localização das testadas, foi a abertura das estradas de ligação de Campinas à vila de Itu e à vila da Constituição (Piracicaba) que estabeleceram um eixo de circulação perpendicular ao primeiro, no sentido geral Nordeste-Sudoeste, e que se materializaram no interior do tecido urbano pela escolha da localização das novas igrejas construídas na cidade, isto é, Igreja do Rosário e a Matriz Nova (Catedral), que fixam na forma urbana os pontos de conexão (nós) entre esses dois eixos fundamentais.

A materialização destes nós pelo posicionamento das igrejas e seus largos adjacentes reverbera, conforme observa Teixeira (2012, p.41), a prática do urbanismo de matriz portuguesa de o fazê-lo. Conforme abordado anteriormente, esse procedimento se produzia pela escolha de um local dominante da paisagem para posicionar os edifícios induzindo a formação das ruas principais ou, alternativamente, a escolha do local se dava pela confluência de caminhos principais pré-existentes. Este último parece ter sido o caso de Campinas em que a confluências dos caminhos que se dirigiam para São Paulo, Itu e Piracicaba foi eleita para a colocação destes edifícios, mesmo tendo produzido uma situação curiosa em que essas igrejas, com o crescimento da ocupação do entorno, ficaram posicionadas em uma cota inferior a outras áreas simbolicamente menos relevantes, como o próprio curral e matadouro da vila ou o Bairro Alto.

O feixe de quarteirões compreendidos entre a Igreja do Rosário e a Matriz Nova, isto é, entre a Av. Dr. Campos Sales e a Rua Ferreira Penteado, teve seu sistema viário

definido pelo predomínio desta ligação para Itu e Piracicaba, obrigando que, no entorno dos pátios das igrejas, fossem demarcados quarteirões tendendo ao quadrado com testadas de parcelas em três ou quatro de suas faces de modo a materializar a transição entre uma e outra orientação dominante das vias principais.

Combinando-se a análise destes eixos estruturantes, do posicionamento dos edifícios de importância política/simbólica, da hierarquia viária e tipologia dos quarteirões e do sistema de orientação e núcleos identificados e nomeados pelos habitantes da vila, torna- se possível estabelecer com maior precisão limites de cada uma das regiões morfológicas (Mp. 15) que formam o núcleo central de Campinas, isto é, as regiões que possuem padrão de desenvolvimento e morfologia resultante similares.

A região de Santa Cruz replica, em microescala, a dinâmica de interação entre dois eixos de orientação concorrentes: a ligação entre o núcleo da vila e a estrada de Mogi, e a saída (perpendicular) para a vila de Limeira pela atual Rua de Santa Cruz e Av. Brasil. Esta interação é espacializada e polarizada pela presença do Largo de Santa Cruz no nó formado pela junção destes dois eixos. Comprimida entre a junção da várzea do Tanquinho e do Serafim bem como as propriedades rurais do entorno do rossio esta região é a que apresenta um maior descolamento com o restante do tecido, tendo como ponto de contato principal a Rua Major Sólon e a então ponte de transposição do córrego do Tanquinho.

A região da Matriz Velha segue o alinhamento original da vila no sentido geral Norte-Sul, sendo limitada por três lados pelos brejos e várzeas próximos tendo a faixa de quarteirão por detrás da Igreja Matriz (Nossa Senhora do Carmo) como limite virtualmente intransponível (neste período estudado) para a abertura de novas ruas. Dentro desta região pode-se identificar duas sub-regiões: uma de ocupação mais antigas (as ruas originárias) situadas a leste em que a orientação geral norte-sul é mais marcada pela proximidade da ligação com Santa Cruz e por esse conjunto de ruas se desenvolver paralelamente ao limite do brejo do nascente; uma outra sub-região é aquela situada para oeste da Rua Barão de Jaguara até o limite na Rua José Paulino onde se inicia a área de várzea do brejo do poente. Nesta sub-região as ruas principais se desenvolvem paralelamente à Rua Barão de Jaguara.

Fonte – Elaborado pelo autor

A Região do Bairro Alto tem sua ocupação iniciada nos quarteirões mais próximos ao Córrego do Tanquinho, distante, portanto, do centro da vila o que permite explicar a progressiva redução na proporção dos quarteirões à medida que a ocupação avançou em direção ao Rosário obrigando aos arruadores integrar as duas malhas levemente distintas. O desenvolvimento dessa região para sudoeste é marcado por uma espécie de ocupação diagonal seguindo a bissetriz formada entre as saídas para a estrada de São Paulo e a de Itu; entretanto o sentido dominante das ruas nesta região favorece o primeiro eixo, isto é, o da saída para São Paulo.

Entre as regiões da Matriz Velha e do Bairro Alto as ruas principais invertem o sentido prioritário em favor das ligações ao caminho de Itu e de Piracicaba. Esta dinâmica de ocupação inicia-se pela região do Rosário, polarizada pelo estabelecimento do largo da igreja e, no extremo oposto, pelo curral da vila e saída para Piracicaba cuja ligação produziu a Av. Dr. Campos Sales.

Ao lado desta região o desenvolvimento da Região da Matriz Nova segue uma dinâmica similar sendo, porém, polarizado pela Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Matriz Nova/Catedral) que induziu um processo exógeno de ocupação na direção da saída para a estrada de Itu. Um aspecto importante do desenvolvimento desta região, mostrado pelos registros de datas de terra, é que a cessão de parcelas inicia-se posteriormente à demarcação e início das obras da nova matriz, o que pode justificar a situação particular do feixe de quarteirões na divisa desta região com a do Rosário – isto é, os quarteirões entre a Av. Dr. Campos Sales e a Rua Treze de Maio – consideravelmente mais largos (Fig. 35) e que possuem um feixe de parcelas voltada para cada uma destas vias principais e ainda um conjunto de duas a três parcelas que, estando comprimidas entre as primeiras, voltam-se para as ruas secundárias de ligação entre estas duas regiões. Tal situação demonstra o trabalho de arruação para manter a uniformidade da grelha ortogonal, mesmo no encontro de malhas que evoluíram de direções opostas.

Fonte – Elaborado pelo autor

Caso similar ocorre com relação ao entorno da Matriz Nova (Igreja de Nossa Senhora da Conceição), observa-se que a localização da igreja atende à proporção dada ao quarteirão que a separa da Igreja do Rosário e também ao eixo de ligação à estrada de Itu, resultando no posicionamento normal da Rua Treze de Maio. Por outro lado, as dimensões dos quarteirões situados entre a rua Treze de Maio e a Ferreira Penteado (incluindo-se as faces da rua Costa Aguiar) são discrepantes em relação ao entorno. Uma possível explicação desta situação é o estabelecimento e abertura da rua Ferreira Penteado ter sido (como parece ser o caso) anterior à abertura da rua Costa Aguiar e a definição final dos limites do Largo da Matriz Nova.

Vê-se, por esses casos pontuais de ajuste no alinhamento dos quarteirões que teve de ser produzido pelos arruadores de Campinas, que a região da Matriz Nova – embora tenha a mesma orientação geral dominante da região do Rosário – é fortemente marcada

pela necessidade de acomodar o edifício da Matriz em seu longo processo de construção ao restante da malha que se desenvolveu primeiramente nas regiões adjacentes, Rosário e Bairro Alto.

As regiões do Campo e do Cambuizal possuem a similaridade de serem ambas regiões de franja, afastadas do núcleo central, e cujo desenvolvimento iniciou-se no final do período estudado quando ocorreu a transposição das áreas brejosas (brejo do nascente e do poente). Por esta razão, ambas as regiões se estruturaram a partir de uma via de penetração que foi a responsável pela transposição das várzeas. No caso da Região do Cambuizal foi a então Rua das Casinhas (General Osório); na região do Campo foi, inicialmente, a então Rua da Cadeia (Bernardino de Campos) seguida pela Rua do Imperador (Marechal Deodoro) na margem oposta do brejo do poente.

A partir do desenvolvimento dessa via de transposição, é notável que os quarteirões destas regiões tenham sido os primeiros, já no final do período estudado, a se conformarem como quarteirões de “quatro faces” (TEIXEIRA, 2012), em que a hierarquia entre rua principal e rua travessa se dilui, dando lugar a quarteirões com lados em proporção que tende a 1:1 (quadrados) com testadas de parcelas se distribuindo em todas as quatro faces. Essa mudança, coincide, ao menos temporalmente, com o período do início da segunda metade do século XIX que Lapa (2008) associa à passagem da elite campineira de um ethos tipicamente colonial, luso-brasileiro, para um período de modernização e aburguesamento dos costumes e da economia local.

As regiões do Brejo do Nascente e do Brejo do Poente coincidem com as áreas que foram evitadas durante todo o período de formação do rossio da vila, sendo que os registros de datas de terra apenas indicam um indício de início de uma ocupação esparsa nestas áreas, já no final do período estudado. Não à toa a morfologia destas regiões é marcada pela necessidade de se fazer ajustes: das dimensões e proporções das parcelas e dos quarteirões; e do sentido das vias, de forma a manter a unidade do plano urbano, integrando regiões limítrofes que se desenvolveram antes da ocupação destas várzeas. O brejo do nascente vai se estruturar em sua porção sudeste a partir do desenvolvimento da

então Rua Formosa (atual Rua da Conceição) que, justamente, foi aberta na cabeceira da nascente do brejo permitindo a ligação entre a Matriz Nova e o Cambuizal em cota relativamente a salvo das inundações. No Brejo do Poente ocorre uma situação similar com o desenvolvimento do entorno da Rua da Cadeia (Bernardino de Campos).

Por fim, a última região identificada é justamente àquela no entorno do primeiro ponto ocupado desta região, isto é, as Campinas Velhas. Esta região, de ocupação muito antiga, permaneceu por grande parte do período estudado como um núcleo distante do centro da vila com acesso menos direto que as regiões do Bairro Alto e de Santa Cruz, por exemplo. Seu desenvolvimento inicial está associado ao traçado da antiga estrada dos Goiases que, nesta região, conforme identifica Rossetto (2006), foi incorporado à forma urbana (por exemplo a atual Rua Itu) menos por uma urbanização intensiva e mais por ter se mantido como divisa das propriedades rurais (chácaras, fazendas e sesmarias) situadas para nordeste do antigo traçado, depois incorporadas como limite prático do rossio da vila.

Esta região se manteve estruturada em função da saída para o então Bairro da Atibaia, posterior Arraial de Souzas, cuja estrada de ligação viria a formar a então Rua de São Carlos, atual Av. Dr. Morais Sales. Entretanto, em que pese ser nesta via o ponto de atravessamento do córrego do Proença, a primeira rua que parece ter estruturado a comunicação definitiva entre as Campinas Velhas e o Bairro Alto foi a então Rua do Carmo, atual Rua Ferreira Penteado, que, ao final do período estudado produziu um eixo de ligação direta entre a saída de Itu e as Campinas Velhas, embora, sua longa e lenta estruturação a partir de trechos descontínuos seja clara ao analisar as testadas das parcelas próximas a esta rua na região do Bairro Alto, onde cumpria inicialmente a função de uma rua travessa, em oposição ao trecho na região das Campinas Velhas em que se estrutura desde o início como rua principal.

Observando-se a distribuição das datas de terra nesta região nota-se que, mesmo ao final dos registros, ainda persistia certa dificuldade de ocupação dos quarteirões situados na altura do brejo do nascente, impedindo a plena integração entre as Campinas Velhas e o Bairro Alto.

5 CONCLUSÃO

Ao longo do desenvolvimento deste estudo estabeleceu-se um método para viabilizar a sistematização de documentos históricos não-gráficos a partir da análise das cartas de data de terra da cidade de Campinas, produzidas no período de 1815 à 1859, tendo em vista a utilização de seus dados para a reconstituição das dinâmicas de ocupação e formação do tecido urbano, organizando e representando os dados de forma gráfica; isto é, por meio da operacionalização do método no estudo da formação do núcleo central de Campinas, foi possível transpor o dado escrito (cartas de data de terra) para a cartografia (mapas), com precisão e volume de dados suficiente para estabelecer uma análise das tendências gerais atuantes na formação da morfologia da área de estudo.

Partindo das características formais e do conteúdo destes registros específicos, foi possível desenvolver um método que envolvesse a coleta, extração e sistematização dos dados de relevância ao estudo morfológico, presentes nas cartas de data de terra. Partindo desta coleta inicial foi possível estabelecer uma base de dados que pode ser trabalhada e que tornou possível a associação de diferentes registros, de forma a se obter indicações da estrutura do parcelamento e a dinâmica de ocupação do rossio colonial de Campinas. Estas indicações puderam, então, ser espacializadas sobre a base cartográfica da cidade de forma a reconstituir as diferentes dinâmicas – ao longo do período estudado – de ocupação da área.

Considera-se que as etapas indicadas pelo delineamento do método são suficientemente generalizáveis para casos similares de cidades com formação no período colonial e que possuam conservados os seus registros relativos às cessões de terras. Deste modo, o mesmo procedimento pode ser aplicado tanto para outros municípios quanto para outros conjuntos documentais que guardem com o conjunto analisado algumas semelhanças básicas. Estas semelhanças, explicitadas ao longo do capítulo 3, podem ser resumidas na presença de elementos que permitam identificar a estrutura do parcelamento: elementos que indiquem a posse da terra, as dimensões e a localização das parcelas. Estes seriam os elementos mínimos que devem estar presentes, ao longo de um conjunto documental que abranja um período temporal suficientemente grande (no caso estudado 44 anos) e que

possua uma coesão quanto à forma e conteúdo, para que os procedimentos descritos neste estudo sejam aplicáveis.

Naturalmente, pode-se pensar em diversos conjuntos documentais que, a priori, imagina-se possuírem uma estrutura e conteúdo similares e que poderiam ser submetidos ao mesmo método, como Cartas de Sesmarias; Termos de Arruação; Atas de Câmaras relativas a abertura de ruas e cessões de terras; registros de venda de terras em hasta pública; os registros paroquiais efetuado em função da Lei de Terras de 1850; registros notariais (compra, venda, herança e partilha de terras); registros de caráter censitário ou tributário; dados cartoriais após a criação do Registro Geral, entre tantos outros conjuntos.

Em função do escopo do presente estudo, limitou-se a aplicação tanto a um recorte temporal quanto a um único conjunto documental como fonte dos dados. Entretanto, em tese, um estudo completo da documentação de uma área, com a combinação de diferentes fontes dentro de uma cronologia mais ampla, poderia resultar em um conjunto cartográfico extremamente preciso e abrangente que, supõe-se, poderia fornecer uma base gráfica reconstituída precisa com tanto ou mais informações que registros gráficos contemporâneo aos fenômenos estudados, mas certamente com informações diferentes daquelas encontradas normalmente em mapas antigos.