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FÓRMULA 1.8 – Técnica de Sturges para obter o número ideal de classes

6 DEBATES SOBRE FATORES RELACIONADOS À

6.2 MORTALIDADE INFANTIL E PRÉ-NATAL: APLICABILIDADE

caráter quantitativo. O pesquisador que necessite acessar os dados que qualificam o caso deve solicitar à respectiva secretaria, o acesso ao Sistema. Nos dados restritos às unidades gestoras, é possível ter contato com todas as informações que fizeram parte do processo investigativo, desde a Declaração de Óbito até o relatório final.

Estão contidas nessas informações, dados que permitem ações de melhoria na gestão pública de saúde, conforme ANVISA (2017, p. 13):

Na avaliação do relatório, que deve ser concluído pelo serviço no prazo de 60 dias, serão verificados o método de investigação adotado pelo serviço, se a investigação foi conduzida de forma correta e oportuna, se os fatores contribuintes foram identificados e se o plano de ação contém as medidas preventivas e corretivas a serem adotadas, com prazos e responsáveis pela execução. Se necessário, serão instituídas outras medidas pela VISA, incluindo solicitação de informações adicionais, investigação in loco, entre outras. (ANVISA, 2017, p. 13)

Diversas demandas originadas das investigações podem ser geridas com o apoio de variadas ferramentas de gestão de risco relacionada à assistência à saúde. A ANVISA (2017) lista uma gama de ferramentas importantes onde cabe citar algumas delas conforme o seguinte: Bow tie; diagrama de causa-efeito; diagrama dos cinco porquês; diagrama de Ishikawa (espinha de peixe). Devido ao enfoque da pesquisa, não vamos explorar as explicações a respeito das ferramentas, porém, interpreta-se que as ferramentas são importantes capacidades do Sistema Único de Saúde, além dos procedimentos investigativos utilizados para ratificar ou retificar os dados.

A abordagem busca explanar ao leitor, entendimentos referentes à dinâmica social que envolve o óbito. Mesmo que sejam desenvolvidas formas de evitar um óbito infantil é imperativo que existam dados seguros, concisos e fidedignos para fomentar pesquisas sobre investigações de óbito infantil. As relações que envolvem a evitabilidade por intermédio do Pré-natal ou de investigações de óbitos são permeadas de contextos que causam vulnerabilidades e consequentemente, evoluem para o risco, que neste caso, é o evento social extremo: o óbito infantil.

6.2 MORTALIDADE INFANTIL E PRÉ-NATAL: APLICABILIDADE CONCEITUAL

sujeito-alvo desta pesquisa: a Mortalidade Infantil. Nesta análise, a maior consequência-risco é o óbito infantil, entretanto, a gestação e o nascimento são permeados por partes de um processo complexo, que independente do resultado final, implicará na sobrevida do nascido vivo ou a morte do mesmo antes de um ano de vida. A existência de variáveis diversas forçosamente torna o binômio gestante-criança, vulneráveis.

Diante da colocação acima, consideremos que, as condicionantes do óbito estejam representadas por agravos doenças, complicações gerais e demais condições sociais adversas, que juntas podem ser descritas neste estudo como vulnerabilidades. Seguindo este raciocínio, a abordagem permite comparar a gestação, nos termos descritos pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a, p. 9), como um processo de risco.

A gestação é um fenômeno fisiológico e, por isso mesmo, sua evolução se dá na maior parte dos casos sem intercorrências.

Apesar desse fato, há uma parcela pequena de gestantes que, por serem portadoras de alguma doença, sofrerem algum agravo ou desenvolverem problemas, apresentam maiores probabilidades de evolução desfavorável, tanto para o feto como para a mãe. (BRASIL, 2012a, p. 9).

A gestação em si é naturalmente uma condição fisiológica feminina, entretanto, notoriamente aporta riscos à saúde da mulher. A grande maioria da população coorte que esteve em situação de gestante, apresentaram intercorrências comuns, de alteração física, ao processo gestacional, entretanto, compreende-se que a gravidez também é um processo de vulnerabilidade considerável. Algumas gestantes desenvolveram problemas de saúde como: alterações na pressão sanguínea, diabetes, doenças psíquicas, inerentes ao processo gestacional e plenamente aceitáveis dentro de escalas de avaliação médica.

Presume-se então que, mesmo natural, diante de muitas condicionantes que podem tornar a gestante vulnerável, assume-se que a gravidez é um risco que pode ser superado sem tenham existido quaisquer intercorrências. Entretanto certos grupos extrapolam os limites da gravidez saudável, apresentando quadros críticos que demandam repouso total. Esses exemplos são casos que contam com diferentes avaliações de risco, mas conseguiram superar o parto e seus bebês completaram um ano de vida ou mais. Certamente que a maioria desses casos as gestantes foram assistidas por políticas públicas de atenção ao Pré-natal, ações

estas que devem ser intensificadas haja vista a existência da assumida condição de risco para a mulher grávida.

A interpretação dessa situação possui viés duplo, da situação de risco com e sem intercorrências graves, e pode ser constatada por meio de interpretações realizadas a partir de resultados com valores idênticos. Desta forma, buscamos apresentar uma espécie de crítica à percepção do risco e da vulnerabilidade.

Conforme abordagem do Ministério da Saúde em Brasil (2009a) há de se compreender e considerar a humanização do procedimento. Aceitar apenas a análise da gestão pública nos cálculos e discussões estatísticos, certamente se configura em um equívoco. Sigamos para as interpretações.

A primeira interpretação diz respeito à Região de Saúde 21 – Sul, no período de 2014-2018. Observam-se os seguintes resultados estatísticos da tabela 11: total de 691 óbitos infantis no período, contabilizando infeliz percentual de 1,29% do valor total e um Coeficiente de Mortalidade Infantil médio de 12, 92 óbitos a cada 1.000 nascidos vivos, considerado alto para o Rio Grande do Sul. A análise derradeira é que aproximadamente 700 crianças perderam a vida em cinco anos e conforme as discussões anteriores entende-se que 2/3 poderiam ser salvas pelas ações do Pré-natal.

Tabela 11 – Sobrevida de nascidos vivos na Região de Saúde 21 – Sul Percentual de sobrevida de nascidos vivos na Região de Saúde 21 - Sul

Ano Nascimentos Óbitos Sobreviventes CMI

Absoluto % Absoluto % Absoluto %

2014 10.913 100% 136 1,25% 10.777 98,75% 12,46 2015 11.067 100% 147 1,33% 10.920 98,67% 13,28 2016 10.534 100% 156 1,48% 10.378 98,52% 14,81 2017 10.624 100% 116 1,09% 10.508 98,91% 10,92 2018 10.362 100% 136 1,31% 10.226 98,69% 13,12 Total 53.500 100% 691 1,29% 52.809 98,71% 12,92 Fonte: Ministério da Saúde (BRASIL, 2020a, 2020b); Rio Grande do Sul (2014, 2018a).

Tabela elaborada por Mendes, F. C.

Por outro lado, adotemos outro enfoque, uma segunda interpretação, neste mesmo recorte geográfico e período de 2014-2018. Na tabela 11, constata-se um resultado positivo que permeia as estatísticas vitais: de 53.500 nascimentos totais em cinco anos, apenas 1,29% das crianças faleceram! É um resultado a se comemorar? Definitivamente não. O óbito infantil, evento extremo ligado ao risco

controlável é inaceitável; reduzir causas que deixam a gestante vulnerável deveria ser prioridade máxima, haja vista que é doloroso para a família e impactante para a sociedade.

A organização em valores absolutos, relativos e com tratamento de indicadores sociais, podem vir a apresentar distintas percepções de uma realidade constatada.

Em resultados absolutos, observa-se o nascimento de milhares de crianças entre o período de 2014-2018, entretanto, quando apresentamos os óbitos, contabilizamos uma média de aproximadamente 138 óbitos infantis por ano. Certamente representam valores altos para regiões com infraestrutura social desenvolvida, entretanto há de se considerar o contraponto com os valores relativos, que apresentam média superior a 98% de sucesso nas gestações e apenas 1,2% de eventos que consolidaram por completo o processo de ciclo do risco, ou seja, o óbito infantil.

O óbito infantil é um evento extremo que abala a sociedade, contudo, a medição deste fenômeno é útil para apontar o nível de desenvolvimento social. Por este motivo, é ideal que os números sejam analisados sob a argumentação e análise social, para que não seja apresentada uma constatação, que embora seja verdadeira para o viés quantitativo, ao apresentar apenas 1%, é despida da necessária contextualização social, haja vista que esse valor, é uma representação numérica de uma morte infantil.

Os exemplos anteriores apontam para a dicotomia do risco, haja vista a probabilidade de existirem resultados bem e malsucedidos no mesmo cálculo e plano de análise. Defendemos que o risco é um conceito subjetivo que torna alguém ou algo vulnerável. Qualquer que seja a avaliação há dependência do viés que se enxerga e emprega nos processos de risco pelo gestor, como por exemplo, o risco que envolve a gestação.

Os valores finais podem apontar para situações de interpretação dúbia, mas que ao mesmo tempo constatam a realidade. O risco adota postura subjetiva, pois depende de variáveis, por isso a Geografia trafega de forma ímpar neste conceito, haja vista que consegue agregar parâmetros socioeconômicos, ambientais, de saúde e demográficos de forma que tais variáveis possam se completar e apresentar resultados com grande potencial de análise.