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FÓRMULA 1.8 – Técnica de Sturges para obter o número ideal de classes

2.2 CONCEITOS E DEFINIÇÕES

2.2.4 O conceito de risco

Acerca dos entendimentos referentes à definição da Mortalidade Infantil, é imprescindível que se aborde o conceito de risco. Variantes conceituais apontam algumas formas de interpretar o que é verdadeiramente o risco. No quesito social, Beck (2011) define que o risco possui um caráter sociocultural e também assume a posição utópica na divisão de classes, cujo maior risco seria o não atendimento na igualdade de direitos, já como sociedade, o maior espectro se afiançava sobre a segurança de que algum perigo atente contra a integridade de qualquer situação, o fulcro causal do risco seria a velocidade do desenvolvimento.

A constante busca por melhores resultados em todos os níveis da vida social de todo ser humano, são de certa forma fundamentadas em situações multidisciplinares reais. As interpretações dos níveis de risco, apesar de apresentarem significados idênticos para muitas áreas, possuem caráter subjetivo em cada caso ou avaliação. Considerar as condições sem levar em consideração o espectro da vulnerabilidade é também um equívoco.

A simples iminência do risco em determinadas situações colabora para um efeito inesperado, alterando uma ordem natural ou regra seguida, por não apresentar resultados esperados. Um tipo de abordagem generalista estabelecida por ABNT (2018) aponta o risco como definição de objetivos e metas adotadas, a partir de necessidades específicas, que contribuem para balizar e identificar quaisquer resultados em desacordo com os padrões mínimos estabelecidos.

Pode-se complementar com Marandola Jr. e Hogan (2004) que o risco para os geógrafos é um estado futuro, uma incerteza de um evento, que traz insegurança.

Na abordagem técnica o conceito de risco advém da incerteza de que os objetivos sejam alcançados, ou seja, que algum tipo de agente ou evento venha a influenciar e afetar uma meta, que no caso da corrente pesquisa, é o Pré-natal associado ao sucesso na gravidez e na sobrevivência dos nascidos vivos. (ABNT, 2018; ANS, 2018; ANVISA, 2017; BRASIL, 2005).

Considera-se que o Pré-natal está inserido neste contexto, de analisar e buscar ações para que o gestor se antecipe frente a ocorrência de um evento3, de forma a avaliar o risco e adotar ações conforme necessário. De acordo com ANS (2018, p. 7) o risco é considerado da seguinte forma:

Risco é o efeito da incerteza nos objetivos ou a possibilidade de que um evento ocorra e afete, positivamente ou negativamente, os objetivos. Cabe destacar que problemas são diferentes de riscos.

Quando identificados, os problemas devem ser considerados como riscos concretizados. Nossa análise considera o efeito da incerteza nos objetivos, ou seja, causas e consequências de eventos futuros e incertos. Assim, nosso foco não é tratar ou resolver problemas diretamente, mas, caso seja identificado que existe a possibilidade de um evento ocorrer novamente, o evento futuro poderá ser tratado como risco. (ANS, 2018, p. 7)

Diante da abordagem acima, pode-se afirmar que caso um objetivo seja comprometido, há a consideração de que o mesmo seja um risco. A abordagem é importante haja vista que considera todo e qualquer evento. Por isso assume-se o pressuposto da imprescindibilidade da assistência Pré-natal, pois quaisquer problemas que venham a ocorrer durante uma gestação são riscos. A não mitigação dos riscos identificados pode transcorrer para o óbito infantil.

Cabe apontar que há necessidade em identificar fatores de risco gestacionais para o sucesso no enfrentamento à Mortalidade Infantil. Essa abordagem coaduna com Ministério da Saúde, em Brasil (2012a); Ruoff, Andrade e Picolli (2018), que apontam para as questões de uma política nacional, com protocolos operacionais e ações de evitabilidade para questões que envolvem a gestação de alto risco. Os

3Conforme o abordado por Brasil (2018, p. 7) - “evento: incidente ou ocorrência de fontes internas ou externas que pode causar impacto negativo (riscos negativos), positivo (riscos positivos ou oportunidades) ou ambos sobre os objetivos”. As definições servem de apoio para contextualizar o emprego do verbete.

parâmetros de risco pré e pós-gestação são definidos por Brasil (2012a, p. 12-13), a partir dos quadros 05 e 06.

Quadro 05 – Marcadores e fatores de risco gestacionais anteriores à gestação 1. Características individuais e condições sociodemográficas desfavoráveis:

– Idade maior que 35 anos;

– Idade menor que 15 anos ou menarca há menos de 2 anos;

– Altura menor que 1,45m;

– Peso pré-gestacional <45kg e >75kg (IMC<19 e IMC>30);

– Anormalidades estruturais nos órgãos reprodutivos;

– Situação conjugal insegura;

– Conflitos familiares;

– Baixa escolaridade;

– Condições ambientais desfavoráveis;

– Dependência de drogas lícitas ou ilícitas;

– Hábitos de vida – fumo e álcool;

– Exposição a riscos ocupacionais: esforço físico, carga horária, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos nocivos, estresse.

2. História reprodutiva anterior:

– Abortamento habitual;

– Morte perinatal explicada e inexplicada;

– História de recém-nascido com crescimento restrito ou malformado;

– Parto pré-termo anterior;

– Esterilidade/infertilidade;

– Intervalo interpartal menor que dois anos ou maior que cinco anos;

– Nuliparidade e grande multiparidade;

– Síndrome hemorrágica ou hipertensiva;

– Diabetes gestacional;

– Cirurgia uterina anterior (incluindo duas ou mais cesáreas anteriores).

3. Condições clínicas preexistentes:

– Hipertensão arterial;

– Cardiopatias;

– Pneumopatias;

– Nefropatias;

– Endocrinopatias (principalmente diabetes e tireoidopatias);

– Hemopatias;

– Epilepsia;

– Doenças infecciosas (considerar a situação epidemiológica local);

– Doenças autoimunes;

– Ginecopatias;

– Neoplasias.

Fonte: Brasil (2012a, p. 12-13). Quadro elaborado por Mendes, F.C.

Em relação à saúde pública não é diferente. Para ANVISA (2017), parâmetros de qualidade e redução de riscos no atendimento são largamente empregados na rede de tratamento de saúde. Para Amaral (2011) a razão pela qual há grande esforço de organização e prevenção no viés sanitário, deriva da adoção de análise

de riscos, pois determinados bens podem sofrer ameaças que sejam convertidas em perdas, portanto, a adoção do Pré-natal para identificar marcadores, conforme os quadros 05 e 06 visam mitigar óbitos, enquanto ferramenta de controle de riscos.

Quadro 06 – Condições ou complicações que podem surgir no decorrer da gestação transformando-a em uma gestação de alto risco

1. Exposição indevida ou acidental a fatores teratogênicos (capazes de produzir dano ao feto).

2. Doença obstétrica na gravidez atual:

– Desvio quanto ao crescimento uterino, número de fetos e volume de líquido amniótico;

– Trabalho de parto prematuro e gravidez prolongada;

– Ganho ponderal inadequado;

– Pré-eclâmpsia e eclâmpsia;

– Diabetes gestacional;

– Amniorrexe prematura;

– Hemorragias da gestação;

– Insuficiência istmo-cervical;

– Aloimunização;

– Óbito fetal.

3. Intercorrências clínicas:

– Doenças infectocontagiosas vividas durante a presente gestação (doenças do trato respiratório, rubéola, toxoplasmose etc.);

– Doenças clínicas diagnosticadas pela primeira vez nessa gestação (cardiopatias, endocrinopatias).

Fonte: Brasil (2012a, p. 13). Quadro elaborado por Mendes, F.C.

Desta forma, interpreta-se que, no viés da Mortalidade Infantil, o termo risco, não é encarado como um perigo imediato, mas sim, um quadro geral que aponta para uma situação, evitável ou não, de óbito infantil, que certamente é uma situação vulnerável. As pesquisas a respeito de risco também permitem anexar na explanação, considerações referentes à vulnerabilidade, haja vista que, se alguma gravidez está em risco, certamente algum fator vulnerável conduz àquela situação.

As interpelações referentes ao termo risco são multidisciplinares, não sendo de entendimento comum uma definição conceitual única para as aplicações. O risco, enquanto conceito, em linhas gerais, nas pesquisas das ciências humanas é geralmente utilizado para definir uma situação de vulnerabilidade, expondo o efeito indesejado de um fenômeno sobre uma condição positiva de bem-estar humano sine qua non, como por exemplo, baixas ocorrências de Mortalidade Infantil em uma sociedade que ocupa determinado recorte regional, abordado a seguir.