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Para Roselino (2006), em uma economia considerada periférica como a do Brasil não se deve esperar que uma indústria de exigências tecnológicas se torne sólida tendo como base apenas as forças de mercado, nesse caso medidas de fomento por meio de políticas públicas são indispensáveis.

Nassif (2003) explica que os setores com maior intensidade tecnológica, no Brasil, apresentam déficits setoriais e estruturais que exigiriam ações, por exemplo, de fomento para ampliar os gastos em P&D e de incentivo para aumentar as exportações.

Nesse contexto, o setor de software, no Brasil, é um dos setores priorizados da PCTII que receberam ações de apoio das políticas públicas, e conforme lembra Souza (2011) desde a década de 1990 foram estabelecidas leis e instrumentos de fomento para essa indústria.

A questão da priorização de setores na PCTII foi abordada pelas entrevistas às instituições participantes, e um ponto em comum indicado é que o setor de software é estratégico para o país, uma vez que, como já citado, é presente em todos os setores da economia.

Quanto a opinião dos entrevistados sobre a priorização de setores na PCTII em uma política pública as instituições comentaram que o fato de setores se mostrarem estratégicos para o desenvolvimento motiva as ações governamentais.

Nesse sentido na Entrevista ASSESPRO (2012) é citado que “pensar em desenvolver qualquer setor sem instrumentalizá-lo é uma ação que vai ser inócua ou que vai ter um resultado sofrível, então é um passo lógico dar a esse setor uma dimensão diferenciada”. No mesmo sentido o BNDES indica que:

Os fatores que podem determinar a priorização de setores industriais nas políticas públicas são a capacidade de geração de externalidades e efeitos sociais positivos, o potencial de inovação, potencial de geração de empregos, a capacidade de oferecer ganhos de produtividade para a Indústria, a constituição de pólos de desenvolvimento e formação de grupos econômicos relevantes por meio da existência de APLs. As políticas públicas também podem atender setores que precisem diminuir a sua dependência externa e déficit comercial (ENTREVISTA ASSESPRO, 2012).

No entanto a INTEC e a Empresa Know System indicam que para eles os fatores que determinam um setor priorizado diz respeito as demandas pontuais, oportunidades locais e a influência política que as instituições e empresas podem exercer sobre o Estado (ENTREVISTA INTEC, 2013; ENTREVISTA KNOW SYSTEM, 2013).

A SEPIN, por sua vez, explicou como foi o processo de priorização para as diretrizes dos planos da PCTII, e indicou que além dos critérios utilizados para a seleção setorial a pressão empresarial também influenciou no desenho dos planos.

Aqui um fato importante é que a gente separou o TI Maior do Plano Brasil Maior, que é um plano de política industrial, tem o setor de software também, do governo. Antes todas as políticas do governo, a PITCE, depois PACTI, em 2008 o PDP, em 2011 o Plano Brasil maior e em 2012 veio a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que são os guarda- chuvas que lidam com diversas cadeias produtivas. A PDP a gente conseguiu fazer, na época, conseguiu fazer um esforço de priorização de setores, que eram setores que nomeamos de portadores de futuro, que eram a biotecnologia, tecnologia da informação, nanotecs. O problema é que a pressão política foi tão grande que acabou colocando todo mundo dentro do plano (ENTREVISTA SEPIN, 2012).

Os argumentos a respeito da priorização dos setores na PCTII indicam que as instituições, assim como os autores da área, são a favor das ações políticas para impulsionar determinado segmento, e que os setores que tem maior potencial para oferecer mais oportunidades à economia são os alvos dessas ações.

Também houve citações sobre a existência de demandas pontuais de determinado setor e da força da influência que eles podem exercer sobre o governo.

O Governo tem exposto ao longo da publicação dos planos, conforme apresentado na seção 2.3 desse estudo, as motivações da priorização dos setores. No entanto as ponderações dos entrevistados indicam que não há consenso ou clareza sobre os motivos das priorizações da PCTII. No entanto indicam os pontos que fazem do setor de software um setor com visibilidade para o governo. Para o Grupo I, formados pelos atores institucionais, as vantagens econômicas do setor quanto seu tamanho, potencial inovador e de melhorar a produtividade dos demais setores são pontos que contribuíram para a priorização. Para o Grupo II, atores representativos das empresas, o principal fator que pode ter determinado a priorização do setor é a sua transversabilidade nos outros setores.

Quanto a priorização específica do setor de software, o Quadro 20 apresenta um resumo das opiniões sobre a priorização do setor de Software no Brasil.

Motivos da priorização Grupo I SEPINI e Conselho de TIC do PBM

Primeiramente o tamanho do setor, segundo ponto percebe-se que é o potencial inovador, a alta probabilidade de realizar P&D com resultado de mercado, e além de tudo isso tem impacto de produtividade nos demais setores, pois é um setor que está presente nas demais áreas da economia

BNDES

São vários os fatores formadores de grupos industriais e econômicos relevantes. Tem a característica de ser pervasivo nos demais setores da economia, também tem um grande potencial industrial e de desenvolver produtos com valor agregado.

Grupo II

ABES

O setor de software ou setor de TI tem uma penetração horizontal na economia. Então, inicialmente, pode parecer que você está favorecendo um único setor, mas na prática incentiva a economia como um todo

ASSESPRO

O principal fator é a transversabilidade do setor, ele está presente em tudo. Pensar em desenvolver qualquer setor sem instrumentalizá-lo é uma ação que vai ser inócua ou que vai ter um resultado sofrível, então é um passo lógico dar a esse setor uma dimensão diferenciada.

SOFTEX

O setor de software é realmente um setor estratégico, e tem uma capacidade de melhorar os outros setores que é muito importante. O software tem uma capacidade muito grande de afetar as cadeias de valor dos mais diferentes setores, de fazer parte da ação de modernização dos processos, de agregar um conteúdo tecnológico, um conteúdo que faça diferença no bem e no serviço final a ser entregue para o cliente.

INTEC Não mencionou

APL

Software de

Curitiba

O setor de TI é transversal em todos os setores econômicos, por isso deve ter prioridade máxima, porque as contribuições e inovações dos demais setores dependem do Setor de TI.

Empresa Know System

Creio que o poder de replicação, de ganho de escala e de eficiência que o software tem.

Quadro 20 – Motivos da priorização do setor de software na PCTII de acordo com os atores entrevistados.

Destaca-se que todos os entrevistados citaram como fator determinante na priorização do setor na PCTII o fato de este apresentar caráter transversal em suas atividades e de estar presente em todas as áreas da economia (QUADRO 20).

Essa percepção também é defendida pelos autores dessa área, quando defendem que o caráter transversal das atividades de software e serviços de TI resulta na sua presença em praticamente todas as atividades econômicas (ROSELINO, 2006; ARAÚJO; MEIRA, 2004; DIEGUES et al, 2012).

Outro fator apontado como importante para a priorização é a função estratégica do setor, conforme citado na Entrevista ABES (2012) “o grande ponto positivo (da priorização) do governo é ele ter reconhecido o setor de software como um setor estratégico para o país, acho que isso é um grande mérito”.

De acordo com a opinião do BNDES e MCTI, o grande potencial econômico de geração de empregos e de inovação são critérios que foram relevantes para a priorização do setor:

Tem formado grupos industriais e econômicos relevantes, tem a característica de ser pervasivo nos demais setores da economia, também tem um grande potencial industrial e de desenvolver produtos com valor agregado. (ENTREVISTA BNDES, 2012).

A gente promoveu uma discussão com o governo, perguntando “qual o tamanho da cadeia de software?”, todo mundo fala “eu quero ajudar a indústria automobilística, que gera x mil empregos por ano, porque é x% do PIB” então montamos um comparativo para mostrar porque o setor de software e serviços de TI é importante. Primeiro, o setor de TI hardware mais software representa 4,4% do PIB, a cadeia automobilística representa 5,2% do PIB, só que com menos funcionários empregados que a cadeia de TI, que tem 1,5 mi empregados no Brasil hoje. E quando colocamos os serviços de Telecomunicações e fala em TIC a gente vai pra 7,7% do PIB. Então o Brasil não pode abrir mão de desenvolver uma cadeia que é intensiva em conhecimento, em gente, que tem tamanho. Muita P&D e inovação, gera competitividade para a economia e, além disso, tem uma barreira a entrada muito baixa comparado a outros setores. (ENTREVISTA SEPIN, 2012).

Nesse contexto retomam-se as afirmações de Haberkom (2004). Esse autor defende que além de se tratar de uma indústria de intensiva mão de obra de maior nível, apresenta características ambientais modernas, exige investimentos relativamente baixos e é fundamentada na inteligência e capacidade criativa dos profissionais que atuam no segmento.

5.3 CONHECIMENTO DOS ATORES DA CADEIA DE SOFTWARE SOBRE AS