4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
4.3 MOTIVOS RELACIONADOS À SAÍDA DOS TRABALHADORES
Neste subcapítulo serão apresentados e elucidados os motivos que estão relacionados com a saída dos trabalhadores da empresa em que trabalham. Na questão 13 do questionário (APÊNDICE A), foram listados 13 possíveis motivos de saída de uma empresa, onde os trabalhadores deveriam assinalar “0” se o motivo não fosse importante, “1” se fosse importante, mas não a ponto de deixar a empresa, e “2” caso fosse muito importante a ponto de sair da empresa em que trabalha.
Segue no gráfico 13, as médias relacionadas a cada motivo:
Motivos Relacionados à Saída
0,52 1,08 1,18 1,32 1,31 1,46 1,40 1,52
Temperaturas elevadas ou muitoBarulho no ambiente de trabalho Falta de comunicação com os
colegas
Falta de colaboração entre os colegas Trabalho não ser reconhecido pelo
chefe
Falta de comunicação com o chefe Injustiça por parte do chefe Falta de oportunidade de crescimento
na empresa
Gráfico 13 – Motivos Relacionados à Saída. Fonte: Elaboração da autora, 2009.
Conforme o gráfico 13, o motivo “salário baixo” apresentou média 1,52 representando o motivo mais importante considerado pelos trabalhadores para deixar a empresa. De acordo com a teoria de Herzberg (1966 apud CHIAVENATO, 2002), o salário é um fator higiênico, ou seja, fator que pode levar à insatisfação no trabalho, e dessa forma, Spector (2003) pontua que estar insatisfeito faz com que o trabalhador abandone o seu emprego. Observa-se que nessa empresa o salário baixo é um motivo de insatisfação desses trabalhadores, o que pode fazer com eles abdiquem de seus empregos. Vale ressaltar que 26 trabalhadores possuem dependentes financeiros, o que pode explicar a necessidade de ter um salário melhor para o sustento da família.
Apesar de a média 1,52 demonstrar a insatisfação destes trabalhadores com o salário recebido, 46 dos 51 trabalhadores tem interesse em permanecer na empresa. Este dado nos faz pensar que embora o salário seja um fator importante para a saída da empresa, gostar da atividade que exerce é o motivo mais importante para a permanência.
Em seguida, apresentando média 1,46 aparece o motivo “injustiça por parte do chefe”, tendo sido respondido por 29 trabalhadores como importante para a saída. Diferente do “salário baixo” que foi mencionado, em tom de reclamação, diversas vezes pelos trabalhadores no momento da aplicação do questionário e nas questões abertas, a “injustiça por parte do chefe” não apareceu nas respostas dos trabalhadores, nas questões abertas do questionário, como sendo algo presente nesta empresa.
Segundo Spector (2003), um trabalhador que é respeitado pelo seu chefe, pode ter um sentimento positivo com relação ao seu trabalho e desempenhar melhor sua função. Contudo, existem chefes que abusam de sua autoridade, algumas vezes maltratando os trabalhadores, acreditando que essas atitudes farão com que o desempenho do trabalhador melhore. Pode-se perceber pelos dados coletados, que de fato uma injustiça por parte do chefe não surta efeitos positivos, pelo contrário, faz com que o trabalhador queira sair da empresa.
Não ter oportunidade de crescimento na empresa, apresenta média 1,40 e para Chiavenato (1997), esta falta de oportunidade de crescimento pode causar a rotatividade. O fato de não ver possibilidade de crescer, mudar de cargo, pode fazer com que o trabalhador deixe a empresa na primeira oferta de emprego que aparecer. De acordo com o quadro 3, 10 trabalhadores afirmaram que a empresa oferece oportunidade de crescimento, e que por este motivo desejam permanecer na mesma. Pode-se observar diante desses dados, que as percepções sobre a oportunidade de crescimento na empresa são contraditórias, visto que alguns trabalhadores consideram que há oportunidade de crescimento e outros consideram que não. Sendo assim, pode-se supor que as oportunidades que a empresa oferece não são compreendidas por todos da mesma forma.
Outro motivo relacionado à saída é o “trabalho não ser reconhecido pelo chefe”, que apresentou média de 1,32. Para Herzberg (1968 apud SPECTOR, 2003), o reconhecimento no trabalho é um fator de motivação, isto é, fator que pode levar à satisfação, e a falta dele leva à não satisfação somente. A média 1,32 é considerada como um motivo pouco importante, o que pode-se supor que nesta empresa o trabalho desses trabalhadores é reconhecido pelo chefe.
Falta de comunicação com chefe (média 1,31), falta de colaboração entre colegas (média 1,18) e falta de comunicação entre colegas (média 1,08) foram considerados como motivos que são pouco importantes, isto é, importantes, mas não a ponto de sair da empresa, uma vez que as médias encontram-se próximas a 1. Os trabalhadores demonstraram ter uma relação de amizade com seus colegas de trabalho, não aparentando ter problemas relacionado à esses fatores nesta empresa.
Com relação à receber outra oportunidade de emprego, este apareceu com média de 1,21. Talvez este motivo seja uma consequência de todos os outros. Tomando como o exemplo o salário baixo (motivo mais importante considerado
pelos trabalhadores), se o salário está ruim, e existe outro emprego que ofereça um salário melhor, este trabalhador provavelmente irá deixar a empresa, a menos que tenham outros motivos que façam com que ele permaneça.
Com média de 1,02 tem-se o motivo “não gostar da atividade exercida”, demonstrando que o fato de não gostar do que faz é um motivo de pouca importância para deixar a empresa. Segundo Serafim (2002), o trabalho deve ser algo prazeroso para o trabalhador, uma vez que é no trabalho que o indivíduo passa a maior parte do seu tempo. Vale ressaltar que na questão que foram levantados os motivos da entrada na empresa, a média de “gostar da atividade que exerce” foi de 1,67, e na questão referente aos motivos da permanência dos trabalhadores na empresa, a média de “gostar da atividade que exerce” foi de 1,78. Com isso, pode- se dizer que a maioria dos trabalhadores desta empresa, gostam da atividade que exercem, não sendo este o motivo responsável pela saída da empresa.
No que diz respeito ao “turno de trabalho desagradável” (média 0,85), “temperaturas elevadas ou muito baixas no ambiente de trabalho” (média 0,68), “ritmo de trabalho acelerado” (média 0,65) e “barulho no ambiente de trabalho” (média 0,52) foram os motivos considerados como menos importante pelos trabalhadores. Esses motivos são característicos do trabalho no ramo de alimentação, e para Sant’ana et al. (1994 apud LOURENÇO; MENEZES, 2008) condições inadequadas de trabalho podem levar à insatisfação do trabalhador.
Para Spector (2003), essas condições físicas do trabalho podem gerar efeitos negativos na vida das pessoas, alguns efeitos imediatos e outros em longo prazo. Por exemplo, um trabalhador que é exposto diariamente à ruídos no ambiente de trabalho, pode desenvolver problemas de surdez. Com isso, pode-se entender que essas condições de trabalho apresentadas talvez não sejam tão intensas a ponto de ter um efeito imediato, e dessa forma não serem consideradas como algo que faça sair da empresa.
A partir do que foi exposto, pode-se perceber que o motivo principal que está relacionado à saída dos trabalhadores nesta empresa é o baixo salário, talvez por ser o que de todos apresentados, seja o que realmente tenha incidência na empresa. As condições físicas do trabalho, marcado pela exposição à temperaturas extremas e ruídos, ritmo de trabalho acelerado e outros não demonstraram ser relevantes para a rotatividade. Tendo entendido os motivos relacionados à saída dos
trabalhadores da empresa, tem-se agora a percepção dos trabalhadores diante da rotatividade na empresa.