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Se pensarmos no contexto formativo, a aquisição de novos conteúdos que são objecto da formação poderão induzir no formando mudanças de atitudes e comportamentos, no que se refere à matéria formativa, que poderão levar à posterior transferência para o setting profissional de uma nova prática que integre esses conteúdos.

É de recordar que, como já foi atrás referido, a psicologia social tem manifestado interesse na formação e mudança de atitudes, bem como na sua relação com o comportamento [248]. As perspectivas teóricas sobre esta matéria referem-se a uma estrutura geral de organização, categorização e compreensão dos processos básicos que fundamentam as mudanças de atitudes [256].

O modelo de resposta cognitiva [257]postula que a mudança de atitudes e a sua persistência no tempo é, de alguma forma, determinada por processos de aprendizagem. Neste modelo, as pessoas relacionam activamente a informação contida nas mensagens recebidas com os seus sentimentos e valores preexistentes, em função do tópico da mensagem. Assim, perante mensagens que exprimam o conteúdo da formação pressupõe-se que os sujeitos vão fazer uma elaboração cognitiva com base nos mesmos, comparando-os com os conteúdos prévios que dispunham sobre a matéria.

Quando no âmbito da formação se espera que um dos objectivos seja uma mudança de atitudes em relação ao apreendido, a avaliação da força ou intensidade das mesmas (no referente à situação de pré e pós-formação) pode revelar se houve uma alteração no sentido de

uma posição inicial de pouco envolvimentopara uma posição de participação mais activa e de

identificação com os objectivos da formação [258]. Durante o processo de formação, aqueles que se identificam mais com determinada atitude têm à partida maior probabilidade de processar nova informação relevante para essa atitude do que aqueles em que isso não acontece [259]. Um dos pressupostos nesta linha de pensamento é o de que existe necessidade de se relacionar o conhecimento prévio do formando com os novos conteúdos a serem

transmitidos na formação, de forma a promover aprendizagem [259]. O constructo da

mudança conceptual está, desde sempre, ligado a esta premissa e basicamente refere-se à forma como os conceitos, teorias ou ideias prévias são mudadas, substituídas ou ajustadas em relação a conceitos, teorias ou ideias novas que são apreendidas.

A resistência em mudar crenças pessoais que estão envolvidas na compreensão de conceitos explica em parte a falta de eficácia do processo de mudança conceptual. Nesta perspectiva, para se alcançar alguma mudança nas crenças, os indivíduos devem estar motivados, devem sentir necessidade de resolver situações equivalentes que constituem um problema e devem possuir também suficiente capacidade cognitiva para processarem a mensagem desde que a informação seja compreensível.

Há que valorizar ainda a motivação para aprender e a motivação para transferir para a prática, sendo que esta última exprime o desejo dos formandos em aplicar no seu local de trabalho aquilo que aprenderam na formação, o que levará a um determinado comportamento novo, assim como a uma nova atitude intrinsecamente associada a esse comportamento. Repare-se que a motivação para aprender e a expectativa face à aprendizagem decorrente da formação pressupõe objectivos formativos, sendo que, se estes objectivos forem interiorizados e aceites

pelos formandos, a probabilidade de que venham a mostrar disposição para os atingir será maior. Assim, e no que diz respeito à mudança de atitudes face à formação e à aprendizagem adquirida, quanto mais positivas forem à partida maior será a motivação para tranferir a aprendizagem veículada durante a formação para a prática. Por outro lado, se os formandos percepcionarem a formação como sendo útil para o desempenho das suas funções tendem também a mostrar maior motivação para transferir, assim como tendem a ter atitudes mais favoráveis durante e após o processo de transferência para a prática clínica [259].

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Percepção de atitudes dos médicos sobre consumidores excessivos de álcool

Muitos dos estudos dos anos 70 e 80 centraram-se nas atitudes dos médicos para com os seus doentes com Problemas Ligados ao consumo de Álcool, de modo a medir a percepção das atitudes do médico face ao doente com esta problemática [260]. É reconhecido que factores relacionados com atitudes podem ter importância no tipo de resposta dos profissionais dos Cuidados de Saúde Primários face à abordagem deste tipo de doentes. A correspondente medição pode ser útil não só no sentido de avaliar o impacto em intervenções específicas como facultar informação necessária para estruturar intervenções ou mesmo como matéria que pode ser abordada na formação destes profissionais para facilitar a discussão [261-262]. O Maudsley Alcohol Pilot Project, que foi implementado em Inglaterra nos anos 70 com a finalidade de envolver profissionais dos Cuidados de Saúde Primários na abordagem dos Problemas Ligados ao consumo de Álcool, demonstrou que médicos de Cuidados de Saúde Primários tinham dificuldade em abordar e tratar problemas relacionados com as bebidas alcoólicas porque se sentiam pouco cómodos no que se refere à adequação do seu papel neste contexto, essencialmente por não terem informação, conhecimentos e aptidões necessárias para detectar e abordar este tipo de doentes. Sentiam-se também desconfortáveis em relação à legitimidade deste tipo de problemas ser ou não da sua responsabilidade a nível dos Cuidados de Saúde Primários [263].

Os profissionais que sentiam ansiedade em intervir nestas áreas demonstravam insegurança quanto ao seu papel na abordagem deste tipo de problemas quando respondiam ao questionário Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire [264-265]. A insegurança sentida estava relacionada com limitações a nível do conhecimento ou das condições de trabalho pouco apropriadas para este tipo de abordagem.

O maior ou menor compromisso na intervenção e abordagem nesta área está fortemente correlacionado e pode ser medido através de questionários de Likert de atitudes, onde um valor alto da pontuação pretende medir uma atitude mais positiva no que se refere a abordar e intervir junto deste tipo de doentes. Várias versões do Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire (AAPPQ) foram usados por Cartwright, utilizando uma escala de Likert, em que, para cada escala, a pontuação era obtida através da soma das pontuações individuais. A validade e fiabilidade desta escala foram demonstradas [264], mas este

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